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O Abrigo

O título “O Abrigo”, do filme escrito e dirigido por Jeff Nichols, contém, na realidade, uma grande ambiguidade que nos vai sendo revelada na medida em que vamos conhecendo melhor o seu personagem principal, Curtis (Michael Shannon). A missão principal dele, neste longa, é tentar proteger a sua família – representada, aqui, pela esposa Samantha (Jessica Chastain) e pela filha Hannah (Tova Stewart), deficiente auditiva – de algo que ele ainda não sabe bem o que é e que pode ser a tempestade que ameaça a localidade na qual eles moram ou até mesmo ele mesmo.

Mas, você deve estar se perguntando: como um homem que tem uma aparência relativamente calma e tranquila, que é um trabalhador dedicado, um provedor para a sua família e um pai atento às necessidades de sua filha pode representar uma ameaça para aqueles que ele ama? Acontece que nós não sabemos, mas Curtis tem uma história familiar complicada, com uma mãe (Kathy Baker) que possui histórico de esquizofrenia. Por isso mesmo, a grande batalha de Curtis neste filme é solitária, porque ele, sozinho, tenta entender o que está acontecendo com ele e evitar que a sua família sofra, da mesma forma que ele sofreu quando a mãe foi diagnosticada com a doença e teve que abandonar a ele, o irmão e o marido.

Desta forma, a grande jornada de “O Abrigo” é colocar o espectador na posição de testemunha da desintegração emocional de um homem que tem aquilo que todos reconhecem como uma ótima vida. Neste sentido, é muito importante a forma como Jeff Nichols construiu a estrutura narrativa do seu longa, que tem um desenvolvimento num ritmo bastante apropriado e que mexe com vários sentimentos que são comuns ao norte-americano recente (especialmente pós 11 de setembro), como a paranoia, o medo constante e o senso de proteção excessiva.

Talvez, por esta razão, o grande destaque de “O Abrigo” acaba sendo a atuação de Michael Shannon, que retrata muito bem o conflito de Curtis, um homem que tenta manter o controle enquanto perde por completo a sua razão – está bem claro, durante o filme, que Curtis está sob enorme pressão, não só dele mesmo, mas das diversas circunstâncias de vida nas quais ele está inserido. Shannon ainda é muito bem escoltado por Jessica Chastain, que possui o importante papel de ser a pessoa que vai fazer Curtis enxergar aquilo que ele se recusava a crer. E é entre a razão e a emoção que temos o desenrolar de um dos bons filmes lançados no ano passado.

Cotação: 8,5

O Abrigo (Take Shelter, 2011)
Direção: Jeff Nichols
Roteiro: Jeff Nichols
Elenco: Michael Shannon, Jessica Chastain, Tova Stewart, Shea Whigham, Katy Mixon, Natasha Randall, Ron Kennard

abril 3, 2012 at 1:19 am 13 comentários

Tudo pelo Poder

Ao que tudo indica, o cinema anticlimático de David Fincher anda fazendo escola. É só prestar atenção ao estilo de filmar de George Clooney na sua obra mais recente, “Tudo Pelo Poder”. Baseado em uma peça teatral, o filme acompanha os bastidores das prévias da campanha pela indicação do Partido Democrata à Presidência da República dos Estados Unidos da América com um distanciamento emocional e uma frieza que chama a atenção.

Além da influência do estilo de David Fincher, em “Tudo Pelo Poder” também encontramos reminiscências do próprio modo de dirigir que George Clooney adotou em obras como “Boa Noite e Boa Sorte”; uma vez que, aqui, também temos o uso da câmera como uma forma de fazer um retrato documental de uma história com contornos jornalísticos e personagens que são perfeitamente delineados, quase como se fosse um registro de uma determinada época.

Stephen Meyers (Ryan Gosling) é o braço direito de Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), Chefe de Campanha do Governador da Pensilvânia, Mike Morris (George Clooney), à indicação do Partido Democrata para a candidatura à Presidência dos Estados Unidos. Estamos num ponto crucial da corrida pelos votos: a prévia do Estado de Ohio, uma das localidades que é o fiel da balança do complicado sistema eleitoral norte-americano. Stephen é uma estrela em ascensão no campo da estratégia política. Uma campanha bem sucedida com Morris pode significar a mudança por completo em sua carreira profissional. O problema é que Stephen é idealista e ainda não ganhou o cinismo que é uma marca importante – e uma necessidade, essa é a verdade – daqueles que praticam o jogo político. O interesse do roteiro de “Tudo Pelo Poder” é mostrar e testemunhar esse instante de virada em que Stephen ganha a consciência de que, para conseguir aquilo que ele quer, ele tem que abandonar todo e qualquer tipo de escrúpulo que ele possua.

Se existe algo de importante em “Tudo Pelo Poder” é a oportunidade que o filme nos oferece de entrar por completo nos bastidores do jogo da política. O longa é muito sincero nesse ponto, ao mostrar que não existem mocinhos ou bandidos, que não existem boas ou más intenções; o que vale aqui é um instinto de sobrevivência. Nesse sentido, Clooney desponta sozinho no atual cinema norte-americano como o diretor que mais retrata as nuances da sociedade norte-americana como nenhum outro. Aqui, ele reprisa seu melhor momento como diretor, que havia ocorrido no já citado “Boa Noite e Boa Sorte”, um filme que, também, curiosamente, tem um lado político bastante forte.

Cotação: 8,5

Tudo Pelo Poder (The Ides of March, 2011)
Direção: George Clooney
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon (com base na peça teatral escrita por Willimon)
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei, Jeffrey Wright, Max Minghella, Jennifer Ehle, Gregory Itzin

março 5, 2012 at 11:59 pm 16 comentários

Precisamos Falar sobre o Kevin*

*Atenção aos spoilers.

Existe justificativa para aquilo que não tem explicação? O filme “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, da diretora Lynne Ramsay, tenta responder a esta pergunta. O longa, aliás, é muito contundente e forte em sua proposta. Encarar a figura de Kevin (interpretado, nas diversas fases de sua vida, por Rock Duer, Jasper Newell e Ezra Miller) passa a ser uma necessidade, especialmente após ele promover um massacre na escola na qual estudava. Esse é o tipo de sujeira que não se pode esconder por debaixo do tapete.

O roteiro conta esta história pela perspectiva do olhar de Eva Katchadourian (Tilda Swinton), mãe de Kevin. Um ponto de vista, diga-se de passagem, inédito em se tratando de longas metragens sobre este tema, já que histórias de massacres em colégios (vide filmes como “Elefante”, de Gus Van Sant) nos são contadas sempre do ponto de vista daqueles que foram mentores e/ou vítimas do acontecimento.

Ao contrário do que se possa imaginar, Kevin não cometeu suicídio após perpetrar o terror em sua escola. Isso não seria, até mesmo, condizente com o olhar desafiador e arrogante que ele manteve por boa parte de sua vida. Ele calculou tudo direitinho. Ele queria ir para a prisão. Só não sabia, do alto de sua petulância, que condenaria também a sua mãe a uma espécie de prisão. O ato de covardia de Kevin é ainda maior porque não é ele quem tem que encarar as pessoas e o peso da culpa após cometer um crime. Este sofrimento cabe à sua mãe.

Talvez, por isso, Tilda Swinton (numa performance soberba, injustamente esquecida no Oscar 2012) compôs Eva de uma forma tão internalizada. O olhar de culpa dela, o peso que ela carrega sob os ombros irá nos perseguir pelo filme inteiro. Se existe algo em que o roteiro é muito injusto, inclusive, é ao colocar tanta ênfase na figura de Eva, como se ela fosse a única culpada por Kevin ter se tornado um sociopata (aqui também vale destacar a assustadora atuação de Ezra Miller). O filme é certeiro em analisar friamente cada ato e cada falha de Eva como mãe. Mas, é ela que permanece ao lado do filho no final. O roteiro passa a mão na cabeça do pai compreensivo, Franklin (John C. Reilly), até a última cena – fazendo até parecer normal que tenha sido ele a pessoa a estimular o hábito de arco e flecha do filho que se revelaria o modus operandi do crime que ele cometeu.

Tudo isso, como mesmo comprova “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, são questões irrelevantes diante daquilo que o estudante fez. Provavelmente, o grande questionamento do filme seja tentar compreender porque o ser humano precisa entender as razões para algo ter acontecido. Nem sempre existe razão por trás do que Eva e Kevin viveram. Ás vezes, essas são experiências que as pessoas têm que passar, por mais dolorosas que sejam. Nem tudo tem que ter um propósito. Nem tudo tem que ter razão. Esta, provavelmente, é a maior força por trás da mensagem desse filme.

Cotação: 9,5

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011)
Direção: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynee Ramsay e Rory Kinnear (com base no livro de Lionel Shriver)
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell, Rock Duer

março 3, 2012 at 12:20 am 19 comentários

Cavalo de Guerra

Dos dois filmes dirigidos por Steven Spielberg em 2011 (o outro foi a animação “As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne”), o épico “Cavalo de Guerra” é o que tem mais a cara da marca do diretor, pois possui uma história fundamentada em valores como o amor e a amizade, com elementos heróicos e fantásticos, potencializados pela linda trilha sonora composta por John Williams (um habitual parceiro do diretor), que acabam por mexer com as nossas emoções.

O filme está centrado na amizade que nasce entre o jovem Albert (Jeremy Irvine) e o cavalo Joey, que foi comprado pelo seu pai (Peter Mullan), um homem beberrão, irresponsável e que investiu todas as suas economias no animal por acreditar no potencial dele para alavancar a plantação de sua quase falida fazenda. O filho é tão “visionário” quanto o pai e Albert também passa a acreditar nas potencialidades de Joey e acaba por confirmar as expectativas do pai quando o animal se revela, após boas doses de treinamento, diga-se de passagem, o grande cavalo que esperavam que ele fosse.

Quando a Alemanha declara guerra à Inglaterra, o exército britânico pega Joey como cavalo de guerra e é aqui que o caminho dos dois amigos é separado. Ao mesmo tempo, é neste momento que se tem início a grande jornada deste filme: longe de seu dono, com a promessa de reencontrá-lo algum dia (só faltou Albert soltar um “volte pra mim” para seu cavalo, como Ada fez com seu amor Inman antes de ele partir para a luta na Guerra Civil Americana, em “Cold Mountain”, filme de Anthony Minghella), Joey embarca numa aventura que o leva a diferentes donos e países no decorrer da I Guerra Mundial. Uma experiência que só faz reforçar ainda mais a força e o poder deste animal.

Apesar da beleza e do triunfo desta história, é impossível ignorar o grande problema de “Cavalo de Guerra”: o seu roteiro, que é muito irregular, especialmente porque o filme desenvolve bem a história do cavalo Joey, mas se esquece por completo de acompanhar as transformações pelas quais também passou seu antigo dono Albert, no período em que as trajetórias de ambos se separam. Talvez, por essa inconstância, o longa não tenha alcançado aquilo que se esperava dele (especialmente em termos da última temporada de premiações). Mas, é inegável que “Cavalo de Guerra” tem seus méritos, notadamente a parte técnica, em elementos como a fotografia de Janusz Kaminski, outro colaborador de longa data de Steven Spielberg.

Cotação: 8,0

Cavalo de Guerra (War Horse, 2011)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Lee Hall e Richard Curtis (com base no livro de Michael Morpurgo)
Elenco: Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, David Kross, Eddie Marsan

março 2, 2012 at 12:22 am 21 comentários

Lixo Extraordinário

Um dos artistas plásticos brasileiros com maior relevância no mercado artístico mundial, o paulista Vik Muniz trabalha com fotografias e desenhos utilizando matérias primas diversas, como arame, açúcar, chocolate, doce de leite, catchup, poeira e até mesmo sucata. De origem humilde, Vik chegou a um ponto de sua carreira em que tem tudo e não sabe mais aquilo que ainda pode alcançar. Talvez, por isso mesmo, tenha percebido que chegou a hora de retribuir um pouco toda a sorte e sucesso que ele obteve ao longo de sua vida profissional.

O documentário “Lixo Extraordinário”, da diretora Lucy Walker (e dos co-diretores Karen Harley e João Jardim), documenta justamente todo o processo de elaboração, de pré-produção, de produção e de pós-produção do projeto cultural que Vik Muniz e seu assistente Fabio Ghivelder realizaram na comunidade do Jardim Gramacho, que fica localizada no município de Duque de Caxias (RJ). O bairro foi escolhido por causa da presença do maior aterro sanitário da América Latina, o qual recebe cerca de 7000 toneladas de lixo provenientes de diversos municípios da Baixada Fluminense e da própria cidade do Rio de Janeiro.

No filme, portanto, acompanhamos toda a interação desenvolvida entre Vik Muniz, Fabio Ghivelder e os diversos catadores do Jardim Gramacho, com notável destaque para o papel exercido pela Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (Acamjg), que luta pelos direitos dos profissionais que ali trabalham. O que se estabelece entre esses diversos vértices é uma grande troca: enquanto Vik e Fabio mostram para os catadores a possibilidade da arte e da cultura como uma forma de educação e de ampliação dos horizontes, a Acamjg fornece para os dois artistas toda a matéria prima para a próxima exposição de Vik Muniz, bem como as figuras que farão parte deste trabalho (uma vez que o artista fotografou personagens do aterro e os mostrou por meio do material de trabalho deles: o lixo reciclado).

Documentário indicado ao Oscar 2011 da categoria, “Lixo Extraordinário” é um filme deveras emocionante, por vários fatores. Primeiro: por mostrar que a democratização da arte e da cultura por meio de uma ação social positiva tem, sim, o poder de modificar a vida das pessoas, como comprova o destino dos catadores que participaram do projeto de Vik Muniz. Segundo: por nos revelar que a magia da criação de algo artístico pode estar presente até mesmo nos cantos mais inusitados – e presenciar isso é, por si só, algo muito bonito. Terceiro – e mais importante: num país extremamente preocupado – e cheio de preconceitos – com convenções e classes sociais, retratar uma história como essa mexe com a auto-estima, não só dos envolvidos no projeto, como suscita toda uma noção de respeito por pessoas que dedicam a sua vida a mexer com os piores dejetos, com aquilo que todo mundo descarta. Não é todo mundo que tem essa dureza, essa resistência.

Cotação: 10,0

Lixo Extraordinário (Waste Land, 2010)
Direção: Lucy Walker
Com os depoimentos de: Vik Muniz, Fabio Ghivelder, Isis Rodrigues Garros, José Carlos da Silva Baia Lopes, Sebastião Carlos dos Santos, Valter dos Santos, Leide Laurentina da Silva, Magna da França Santos, Suelem Pereira Dias

setembro 8, 2011 at 12:22 am 18 comentários

A Morte e a Vida de Charlie

Muitas vezes, reclamamos do trabalho realizado pelos tradutores de títulos de filmes, no Brasil, mas, no caso de “A Morte e a Vida de Charlie”, eles acertaram muito. No título, está contido tudo aquilo sobre o que esta obra fala, uma vez que, no longa dirigido por Burr Steers, estamos diante de um personagem cuja vida perdeu completamente o sentido e o sabor. Na realidade, o que iremos acompanhar é a jornada de um jovem que, no decorrer dos 99 minutos de filme, vai reencontrar a vontade de viver, vai ter uma nova razão para existir.

Quando “A Morte e a Vida de Charlie” começa, o nosso personagem principal, Charlie St. Cloud (Zac Efron), tem o mundo aos seus pés. Prestes a se formar no colégio e com uma bolsa de estudos garantida para a Universidade de Stanford, é unânime a sensação de que o futuro dele será brilhante. Entretanto, a vida nos reserva enormes surpresas e, ao sair para deixar o irmão mais novo, Samuel (Charlie Tahan), na casa de um colega, um acidente de carro (não provocado por Charlie, é importante mencionar) acaba com todos os seus planos para o futuro.

A morte de Sam muda por completo a vida de Charlie. Corroído por um sentimento de culpa (que não deveria existir) e preso à promessa que fez, momentos antes do irmão morrer, de que ele iria ensiná-lo a jogar beisebol, todos os dias, até a data da partida dele para Stanford, Charlie passa a viver para manter acesa a memória de Sam dentro dele. Quando o reencontramos, cinco anos depois do acidente, Charlie nem de perto lembra o jovem alegre e cheio de vida do início do filme. Ele é alguém que vive, basicamente, para atenuar a sua própria dor e que deixou de lado todos os sonhos e planos que tinha para si mesmo.

O mundo de Charlie permanece inabalável até que Tess Carroll (Amanda Crew) reaparece na vida dele. Além de terem estudadojuntos, no colégio, os dois possuem uma paixão em comum (o iatismo) e uma atração mútua. Conviver de forma mais frequente com Tess significa que Charlie tem que abandonar toda a rotina com a qual ele se acostumou. Na realidade, a entrada de Tess na vida de Charlie é uma grande metáfora para a continuidade da vida, para aquele momento em que realizamos que temos que deixar o luto para trás e seguir em frente – e, para isso, é necessário que a pessoa esteja pronta para encarar esta nova realidade.

O diretor Burr Steers parece ser alguém muito interessado no tema da segunda chance. Seu filme anterior, “17 Outra Vez”, fala sobre alguém que volta no tempo e tem a chance de reescrever sua vida. No caso desta obra, Charlie não tem a chance de fazer tudo de novo (ele vai ter que conviver com o que lhe ocorreu), mas ele aprende que sobreviveu ao acidente de carro com o irmão por uma razão e a vida é muito preciosa para ser desperdiçada. Nós temos que ser felizes. As nossas pessoas queridas (presentes aqui ou não) querem que a gente seja feliz. É uma mensagem bonita a ser passada e que encontra seu elo com a plateia através da eficiente performance do Zac Efron, que equilibra a emoção com a inércia e a revolta sem parecer piegas ou clichê.

Cotação: 8,0

A Morte a Vida de Charlie (Charlie St. Cloud, 2010)
Direção: Burr Steers
Roteiro: Craig Pearce e Louis Colick (com base no livro de Ben Sherwood)
Elenco: Zac Efron, Charlie Tahan, Amanda Crew, Augustus Prew, Donal Logue, Ray Liotta, Kim Basinger, Dave Franco, Matt Ward

fevereiro 17, 2011 at 2:17 am 24 comentários

O Solista

Baseado em uma história real, “O Solista” coloca, pela primeira vez, o diretor inglês Joe Wright no comando de um roteiro que não se passa num século distante, na Inglaterra, com uma história de amor arrebatadora. O conto que ele compartilha conosco aqui é uma história totalmente urbana com seus contornos dramáticos e que é uma daquelas obras que faz com que seu personagem principal passe por algo, de forma a ele aprender e poder melhorar como pessoa. 

Steve Lopez (Robert Downey Jr.) é o autor de uma das colunas mais lidas do Los Angeles Times. Isso é o básico que você precisará saber sobre ele. O resto nos será revelado aos poucos pelo roteiro escrito por Susannah Grant. Quando o encontramos pela primeira vez, dá para perceber que ele respira o trabalho que desempenha diariamente e, a todo instante, está em busca de um personagem, de uma história interessante, de alguma coisa que seja especial o suficiente para que ele decida dividir com os seus leitores. 

Por isso que o encontro de Steve com Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) acaba sendo o ponto de transição mais importante para a trama de “O Solista”. Este cara é um mendigo portador de esquizofrenia, mas que tem uma inteligência e sensibilidade musical acima da média, a ponto de ele – sem ter tido qualquer tipo de aula teórica sobre o assunto – saber tocar muito bem um instrumento complexo como o violoncelo. É óbvio, portanto, que Steve se sinta totalmente intrigado por Nathaniel e pela sua história de vida. 

É desta maneira que Steve veste totalmente a camisa de Nathaniel e passa a lutar contra tudo que ele sempre fugiu – a responsabilidade de ter que cuidar de alguém, de ter uma pessoa que depende de você e que confia em você – para se dedicar por completo a ajudar Nathaniel a conseguir viver uma vida normal, respeitando as limitações que a doença dele infligem a ele, mas, ao mesmo tempo, oferecendo o suporte necessário para que ele desenvolva todo o potencial que ele possui. 

Uma história como essa, se tratada da maneira correta, tinha tudo para se tornar poderosa e para inspirar um tanto de gente por aí. Entretanto, o resultado obtido pelo diretor Joe Wright e pela roteirista Susannah Grant se assemelha – e muito – ao conseguido pelo diretor e roteirista Rod Lurie em “O Resgate de um Campeão”. Ou seja, “O Solista” falha por ser irregular e por nunca nos envolver por completo com estes dois personagens centrais.

Cotação: 6,0

O Solista (The Soloist, 2009)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Susannah Grant (com base no livro de Steve Lopez)
Elenco: Jamie Foxx, Robert Downey Jr, Catherine Keener, Tom Hollander, Lisa Gay Hamilton, Jena Malone

junho 11, 2010 at 8:27 pm 19 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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