Posts filed under ‘TV’

Irmãos de Sangue

No final da década de 90, o ator Edward Norton tinha aquela que era considerada uma das mais promissoras carreiras da indústria cinematográfica hollywoodiana. Com duas indicações ao Oscar de Melhor Ator antes de chegar aos 30 anos e tendo trabalhado com diretores do porte de Woody Allen, Milos Forman, David Fincher e Ridley Scott, era, provavelmente, uma questão de tempo para Norton se transformar num dos atores mais respeitados do cinema norte-americano. Mas, algo deu errado e Norton nunca confirmou sua promessa. Só para se ter um exemplo do quanto a carreira do ator entrou num ponto morno, basta dizer que seus três últimos filmes tiveram ou uma curta trajetória nas salas de cinema brasileiras (e norte-americanas, por conseguinte) ou foram lançados diretamente em DVD.

O que houve, então, para que Edward Norton saísse de promessa à “decepção”? Um ator talentoso, sem dúvida alguma, o grande calcanhar de Aquiles dele parece ser a sua difícil personalidade (sempre temos histórias de bastidores sobre as batalhas de Edward com seus diretores, especialmente em discussões sobre a necessidade de se reescrever roteiros e de estar na sala de edição vendo como a obra está se apresentando). Também podemos citar aqui a grande opção de carreira de Edward Norton: agora, ele prefere se envolver naqueles filmes em que pode dar pitaco nas soluções criativas, então, ele não se transformou somente num ator, uma vez que ele também deseja trabalhar o roteiro e acompanhar todas as etapas de produção da obra. E é difícil encontrar grandes diretores que queiram uma personalidade forte dessas ao lado durante a produção de um filme… Por isso, então, vemos Edward em filmes “menores” como esse “Irmãos de Sangue”, obra escrita e dirigida por Tim Blake Nelson, ator que ele conheceu durante as filmagens de “O Incrível Hulk”, de Louis Leterrier.

A obra tem como personagens principais dois irmãos gêmeos chamados Brady e Bill Kincaid. Ambos possuem QI acima da média e vêm de uma família privilegiada do ponto de vista intelectual, mas, de uma forma incompreensível, os caminhos de Brady e Bill seguiram destinos completamente diferentes. Enquanto o primeiro se transformou num audaz traficante de drogas, o segundo ascende como Professor universitário de Filosofia, sendo disputado por prestigiadas universidades. É importante mencionar aqui que o relacionamento familiar dos Kincaid é tenso. Desde que saiu da sua pequena cidade do Estado de Oklahoma, Bill cortou todos os contatos com Brady e a mãe (Susan Sarandon), apesar destes acompanharem, de longe, todos os passos da carreira universitária dele.

O ponto principal do roteiro escrito por Tim Blake Nelson é retratar a volta de Bill ao ambiente familiar, após Brady forjar a morte dele. O elemento mais legal de “Irmãos de Sangue” é ver uma mente completamente privilegiada como a de Bill cair feito um patinho em todos os planos engenhosos do irmão, fazendo com que ele se torne cúmplice de todos os atos atabalhoados que o irmão comete durante o período que Bill está na sua cidade natal. Outro elemento interessante do filme é perceber Bill entrando em contato com seus sentimentos mais íntimos em relação à sua família e às decisões que ele teve que tomar para poder, digamos, progredir na vida.

Sexta experiência como diretor de Tim Blake Nelson, o grande problema de “Irmãos de Sangue” é a falta de desprendimento do diretor em relação ao seu próprio roteiro. Por ter sido um trabalho feito com bastante esmero desde a sua pré-produção (sempre com Edward Norton como companhia…), dá para se perceber as dificuldades de Nelson em cortar certas partes de sua história, o que nos dá a sensação de que o longa se prolonga mais do que o necessário. Outro ponto a se ressaltar é o timing cômico de Edward Norton, que é praticamente inexistente. Ele fica muito estranho interpretando Brady, com um sotaque forçado e você percebe mesmo ele pensando em todos os seus passos enquanto está na pele dele. Muito diferente da naturalidade com a qual ele interpreta Bill e é com este personagem que ele alcança seus melhores momentos em “Irmãos de Sangue”.

Cotação: 3,0

Irmãos de Sangue (Leaves of Grass, 2010)
Direção: Tim Blake Nelson
Roteiro: Tim Blake Nelson
Elenco: Edward Norton, Lucy DeVito, Tim Blake Nelson, Susan Sarandon, Ty Burrell, Melanie Lynskey, Josh Pais, Keri Russell

maio 25, 2011 at 9:23 pm 11 comentários

Mildred Pierce

Para compreender um pouco sobre a personalidade de Mildred Pierce (Kate Winslet), personagem principal da minissérie homônima dividida em cinco capítulos, produzida pela HBO e dirigida por Todd Haynes, é necessário falar um pouco sobre a realidade na qual a protagonista estava inserida. Estamos em 1931, nos anos seguintes à Grande Depressão, a qual é considerada, historicamente, como o período mais longo de recessão econômica do século XX. Nos Estados Unidos, o que se via era uma alta taxa de desemprego, queda na produção industrial e famílias vivendo praticamente na miséria – dependendo dos programas sociais que passaram a ser criados pelo governo norte-americano especialmente a partir de 1933.

Numa realidade dura, o ponto de partida da jornada de Mildred Pierce soa até corajoso, uma vez que, no primeiro capítulo, ela expulsa o marido adúltero, Bert (Brían F. O’Byrne), de casa, passando a ser não só a chefe da família, como também mãe solteira para as suas duas filhas pequenas, Veda (Morgan Turner) e Ray (Queen McColgan). Chama a atenção, neste primeiro momento, aliás, uma característica da personalidade de Mildred que não irá se repetir nos capítulos seguintes: o orgulho. Em época de crise, Mildred não se permitia aceitar qualquer proposta de emprego. E mesmo quando já está empregada como garçonete, ela esconde isso das pessoas mais próximas, como se tivesse vergonha disso ou achasse que essa vida não fosse para ela

Um dos elementos mais ricos no desenho da personagem principal desta minissérie, de acordo com o roteiro escrito por Todd Haynes, Jon Raymond e Jonathan Raymond (com base no livro de James M. McCain), é que Mildred Pierce tem uma dualidade muito interessante: ao mesmo tempo em que tem a força de correr atrás daquilo que ela deseja (cozinheira de mão cheia, de garçonete ela vai a dona de seu próprio restaurante, se tornando uma bem-sucedida mulher de negócios), Mildred possui uma enorme fraqueza: a de se deixar envolver por personalidades mais fortes e manipuladoras, como a da própria filha Veda (que, quando crescida, é interpretada por Evan Rachel Wood) e a do bon-vivant Monty Beragon (Guy Pierce), com quem a personagem principal irá se envolver emocionalmente após a separação do marido. O relacionamento de Mildred com estas duas pessoas é pautado pela mágoa, humilhação e pelas palavras doentias, além, é claro, do fato de que a relação com Mildred responde à interesses próprios tanto de Veda quanto de Monty. O resultado disso tudo é uma mulher que se torna pequena diante dos nossos olhos, devido à tanto engulo de orgulho e autoestima.

Neste sentido, impressiona a inércia de Mildred diante de Monty e Veda. Chega a ser incompreensível o fato de que uma mulher como ela, que conseguiu reerguer sua vida e se transformar num grande sucesso profissional, não conseguir reagir a duas pessoas cujo propósito principal é machucá-la emocionalmente a qualquer custo. A sensação que dá é a de que Mildred é totalmente dependente sentimentalmente de Monty e Veda. Não dá para entender, aliás, como ela se sente tão culpada diante dessas pessoas. E isso passa a interferir até mesmo na vida profissional da personagem, uma vez que ela, para satisfazer as vontades de Veda e Monty, subjuga em muito os seus próprios desejos, se colocando (e, consequentemente, aquilo que ela conquistou por meio de muito trabalho duro) por completo em segundo plano. O que nos leva à conclusão de que Mildred Pierce é o tipo de mulher que, na verdade, precisa é de estabilidade emocional na vida dela. Ela precisa ser guiada por alguém. Ela precisa de alguém que seja um escudo para ela, a protegendo daquilo que a faz sofrer em seu íntimo – aqui, aliás, temos a definição perfeita pro tipo de relação que ela estabelece com Wally Burgan (James LeGros), o seu mentor no mundo dos negócios, e com o ex-marido Bert Pierce, que se transforma, nos anos seguintes, em um grande amigo, cúmplice e incentivador de Mildred.

Como se pode perceber, uma personagem como Mildred Pierce é cheia de nuances interessantes para qualquer ator. Nas mãos de uma intérprete como Kate Winslet, então, todos as qualidades e defeitos da protagonista são potencializados ao máximo, uma vez que Winslet é uma atriz que imprime todos os sentimentos (ou a ausência deles, se for o caso) à flor da pele. Kate já venceu esta partida antes mesmo de entrar no jogo, a verdade é essa. O curioso é que “Mildred Pierce” falha justamente onde a minissérie tinha o maior potencial de acertar: no tom melodramático, que aparece muito pingado, em cenas muito pontuais – como a da tragédia pessoal vivida pela personagem principal no segundo episódio. E isso é surpreendente em se tratando de que estamos diante de uma obra dirigida por Todd Haynes, que manobrou tão bem esse território no filme “Longe do Paraíso”. Porém, esse é um detalhe que acaba ficando muito pequeno diante de uma minissérie que tem uma personagem principal tão marcante e uma excelência técnica que se tornarão referência nesse gênero – com destaque para a trilha de Carter Burwell, a fotografia de Edward Lachman, a direção de arte de Mark Friedberg e Ellen Christiansen e os figurinos de Ann Roth. Não temos dúvidas de que “Mildred Pierce” dominará a temporada de premiações nesta categoria.

Cotação: 8,5

Mildred Pierce (2011)
Direção: Todd Haynes
Roteiro: Todd Haynes, Jon Raymond e Jonathan Raymond (com base no livro de James M. McCain)
Elenco: Kate Winslet, Brían F. O’Byrne, James LeGros, Melissa Leo, Mare Winningham, Guy Pierce, Hope Davis, Evan Rachel Wood, Morgan Turner, Quinn McColgan

maio 10, 2011 at 9:50 pm 21 comentários

Uma Análise de “Big Love”*

*Atenção aos spoilers.

Foi ao ar, no último dia 27 de março, na HBO Brasil, após cinco temporadas, o series finale de “Big Love”, série criada pela dupla Mark V. Olsen e Will Scheffer. Considerando a premissa um tanto polêmica do programa (as histórias eram centradas em uma família de mórmons fundamentalistas que praticavam a poligamia) e o fato de que os Estados Unidos podem ser um país um tanto conservador nesse sentido, até que o seriado ficou bastante tempo no ar. A explicação para isso é muito fácil: o carisma das personagens que formavam as sister-wives – Barbara Henrickson (Jeanne Tripplehorn), Nicolette Grant (Chloe Sevigny) e Margene Heffman (Ginnifer Goodwin) – e a jornada pessoal de Bill Henrickson (Bill Paxton), o personagem principal.

Analisando as cinco temporadas de “Big Love”, dá para se perceber o quanto que a história evoluiu. Com o tempo, o programa deixou de enfocar a luta de Bill por manter o segredo de sua família e a batalha interna com o patriarca Roman Grant (Harry Dean Stanton), pai de sua segunda esposa, Nikki, por causa da comunidade de Juniper Creek (foi ali que Bill nasceu e cresceu, antes de ter sido expulso por ele). A dualidade, aliás, entre a vida de Bill e sua família na cidade (onde ele era um empresário respeitado e bem-sucedido) e a vida em segredo dos valores perpetrados por Juniper Creek (comunidade que segue fielmente os preceitos da religião Mórmon do século XIX, com o casamento plural) foi um dos elementos mais importantes dessa narrativa, uma vez que Bill é descendente direto daqueles que eles acreditam ser o Profeta da religião e uma das maiores motivações de Bill era recuperar o prestígio e a influência de sua família (hoje, renegada) dentro da própria comunidade de Juniper Creek.

Bill Henrickson, diga-se de passagem, é um personagem que merece um destaque especial dentro das cinco temporadas de “Big Love”, porque foi ele quem mais mudou nesse período todo. Um homem que sempre advogou em causa própria, Bill é aquele tipo de pessoa que segue fielmente o princípio, a ponto de embasar toda a sua vida em cima desses preceitos. A realidade é que Bill sempre teve um complexo de mártir que o norteou desde o primeiro momento desse programa. Passada a vontade de ser o salvador de Juniper Creek, ele decidiu ser o messias do estilo de vida de sua própria família, ao, após ser eleito Deputado Estadual, se assumir publicamente como polígamo e passar a lutar pela aceitação dessa sua escolha, tentando afastar a vergonha que uma vida como essa passa para a maioria das pessoas.

Por outro lado, Bill, por muitas vezes, pareceu ser egoísta, um homem completamente insensível às necessidades das suas esposas. Tudo que ele passou com Barbara, com Nikki (a esposa que, talvez, mais entendesse as vontades dele, uma vez que ela é a própria personificação do tradicionalismo de Juniper Creek que Bill tanto valorizava) e Margene foi completamente compreensível, pois, por mais que ele dissesse que a família vinha sempre em primeiro lugar, no final, o que importava era aquilo que Bill pensava. Ele impôs coisas muito severas às suas esposas e filhos, os quais acatavam as decisões de Bill incondicionalmente. E isso é mais uma coisa a se valorizar dentro de “Big Love”: a questão do esteio familiar (mesmo que, nesse caso aqui, ele seja completamente inusitado) e do apoio (mesmo vindo à base de muito sofrimento e reflexão).

“Big Love” terminou no momento certo, em seguida a uma quarta temporada que foi quase que o beijo de morte do seriado, uma vez que o programa começou a seguir um rumo muito complicado e do qual quase não tinha mais volta – foram bastante noticiados, até, críticas da atriz Chloe Sevigny, nesse sentido (e olha que esse foi o melhor ano que ela teve no seriado, como atriz, chegando a vencer o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante). A partir dessa reviravolta, “Big Love” voltou à sua essência: a jornada de um homem pela compreensão daquilo que ele é e do que ele escolheu para si próprio. Talvez, por isso mesmo, a cena contendo o desfecho de Bill seja tão reveladora daquilo que é a sociedade atual, uma vez que temos muita intolerância dentro de nós mesmos e são vários os exemplos disso dentro do nosso dia a dia. Mais poderoso do que esse momento, só se for mesmo a cena final entre as três sister-wives, mulheres tão diferentes em personalidades, mas unidas por um mesmo propósito: o amor por um homem e pelos laços que todas elas firmaram com ele (e isso está muito bem representado pela linda música “God Only Knows”, do Beach Boys, que foi, por tanto tempo, a música de abertura do seriado). “Big Love”, com certeza, se redimiu. Pena que não há mais tempo para o reconhecimento em forma de prêmios…

Big Love (2006-2011)
Criação: Mark V. Olsen e Will Scheffer
Elenco: Bill Paxton, Jeanne Tripplehorn, Chloe Sevigny, Ginnifer Goodwin, Douglas Smith, Grace Zabriskie, Mary Kay Place, Matt Ross, Amanda Seyfried, Shawn Doyle, Melora Walters, Daveigh Chase, Bruce Dern, Harry Dean Stanton
Uma produção HBO

março 29, 2011 at 11:17 pm 9 comentários

O Trabalho de Joan Rivers

A comediante norte-americana Joan Rivers é conhecida pela nova geração como aquela senhora cheia de plásticas na cara e que faz a cobertura dos tapetes vermelhos dos shows de premiação. Entretanto, como bem prova o documentário “O Trabalho de Joan Rivers”, das diretoras Ricki Stern e Annie Sundberg, é muito errado resumir a trajetória profissional de Joan somente a este tipo de trabalho. A verdade é que, ao longo de mais de 40 anos de carreira, Joan Rivers acumula um currículo com passagens na televisão, no teatro, no cinema, nos palcos de stand-up comedy, bem como ao ser a autora de 10 livros.

O documentário começou a ser filmado em 2008, para celebrar o 75º aniversário da comediante e acompanhou um ano de sua vida pessoal e profissional. O enfoque principal das diretoras foi tentar explicar para nós o por quê de Joan Rivers, mesmo alternando altos e baixos, períodos bons e ruins em sua carreira, continua a perdurar como uma das comediantes mais ácidas, ousadas e desbocadas dos Estados Unidos – uma profissional que é quase uma lenda e abriu as portas para muitas das comediantes da atualidade que possuem um estilo similar ao dela, como Katthy Griffin e Chelsea Handler.

A chave para isso encontra-se, claro, no talento e na dedicação de Joan Rivers (uma workaholic incansável, como o filme nos mostra); mas também no fato de que Joan teve muita sorte e soube se reinventar ao longo de sua carreira. Desde seu encontro com o descobridor Johnny Carson (lendário apresentador do “The Tonight Show”), passando pelas experiências frustradas como apresentadora de um “Late Show” na Fox, até chegar ao sucesso como uma personalidade de TV (no decorrer do documentário, ela está participando do “Celebrity Apprentice”, programa apresentado pelo multimilionário Donald Trump e do qual ela saiu vencedora), está provado que Joan soube criar as oportunidades para manter seu nome em evidência. Mais do que isso, Joan sabe rir de si mesma e do lado bom e do lado ruim da vida, por isso mesmo ela perdura como comediante – e não pensa em parar tão cedo.

Com uma figura rara como Joan Rivers como estrela de seu filme, as diretoras Ricki Stern e Annie Sundberg não precisam correr muito atrás de cenas e frases interessantes sobre o seu objeto de estudo. Chama a atenção o fato de que o filme quase não tem censura de temas (o problema dela com a NBC e Johnny Carson, assim como o suicídio do marido estão lá) e, nele, a gente vê a própria Joan Rivers fazendo uma auto-análise sobre si mesma, sobre sua vida, sobre a relação com a filha Melissa (que também seguiu carreira no show business) e com os profissionais que trabalham com ela diariamente. O documentário é um reality show filmado. Estamos vendo a vida de Joan ali, na tela, como ela é.

Cotação: 6,0

O Trabalho de Joan Rivers (Joan Rivers: A Piece of Work, 2010)
Direção: Ricki Stern e Annie Sundberg
Com: Joan Rivers, Phyllis Diller, Annie Duke, Katthy Griffin, Jocelyn Pickett, Don Rickles, Melissa Rivers, Bill Sammeth, Larry A. Thompson, Donald Trump

fevereiro 1, 2011 at 9:36 pm 10 comentários

O Fada do Dente

Chega um momento na carreira de todo astro brucutu de filmes de ação em que ele quer mostrar diversidade. Foi assim com Arnold Schwarzenegger, quando ele fez “Um Tira no Jardim da Infância”. Foi assim com Vin Diesel, quando ele fez “Operação Babá”. Também foi desta forma que Dwayne “The Rock” Johnson deve ter embarcado na jornada de fazer “O Fada do Dente”, comédia dirigida por Michael Lembeck, profissional bastante conhecido pelo currículo em séries de TV como “Friends”, “Everybody Loves Raymond”, “Veronica’s Closet”, “Newsradio”, entre outras.

Na obra, The Rock interpreta o jogador de hóquei Derek Thompson, famoso pelas trombadas que dá nos adversários, as quais resultam na perda de dentes dos mesmos (por isso, ele ganhou a alcunha de “O Fada do Dente”). Com sorte no jogo e no amor (ele está num relacionamento com a personagem interpretada por Ashley Judd), Derek ainda precisa aprender a lidar com as pessoas. Ele não consegue falar aquelas mentiras que são necessárias para que, por exemplo, os sonhos das crianças que tanto o procuram e o admiram não sejam encerrados de uma forma brusca. A verdade é que Derek é realista. Ele viu sua vida seguir caminhos que ele não queria e meio que quer preparar os outros para um futuro que não seja aquele que foi planejado.

Mas, é justamente por desacreditar as fantasias e os sonhos que tanto nos movem que Derek Thompson irá receber uma sentença que, para ele, será cruel: servir por duas semanas como uma verdadeira “Fada do Dente”, recolhendo os dentinhos caídos que as crianças deixam embaixo do seu travesseiro, colocando o dinheiro no lugar deles e mantendo, desta forma, vivas as crenças de que a fantasia existe e que podemos acreditar nela sem medo.

O roteiro de “O Fada do Dente” tira seu lado cômico da resistência de Derek Thompson em cumprir a sua pena, das situações absurdas as quais ele se submete ao exercer seu novo papel e ao se relacionar com as pessoas da Terra das Fadas do Dente e, ao mesmo tempo, mostra uma redenção do personagem, na medida em que ele mesmo se aprimora como pessoa, melhorando não só o relacionamento dele com Carly (Judd) e os dois filhos dela, bem como com os seus companheiros de time. E sendo uma pessoa melhor, Derek está pronto e preparado para conquistar (ou reconquistar, se for o caso) tudo aquilo que ele deseja.

“O Fada do Dente” é um filme leve e daquele tipo que sai da nossa mente a partir do instante em que ele termina. Dwayne Johnson não compromete, ainda mais porque está apoiado por um bom elenco de apoio (além de Judd, temos nomes como Julie Andrews, Billy Crystal e Stephen Merchant). E, por causa da mensagem do filme, foram relevados todos os muitos furos do roteiro. Pelo instante em que “O Fada do Dente” dura, nós também acreditamos em situações fantásticas e, principalmente, na possibilidade de redenção do ser humano – mesmo se, no caso de Derek, ele não tenha mudado a sua verdadeira essência por um instante sequer.

Cotação: 3,0

O Fada do Dente (Tooth Fairy, 2010)
Direção: Michael Lembeck
Roteiro: Lowell Ganz, Babaloo Mandel, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia e Randy Mayem Singer (com base na história de Jim Piddock)
Elenco: Dwayne Johnson, Ashley Judd, Stephen Merchant, Seth McFarlane, Julie Andrews

janeiro 21, 2011 at 2:23 am 17 comentários

Posts antigos Posts mais recentes


A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

Contato

cinefilapn@gmail.com

Último Filme Visto

Lendo

Arquivos

Blog Stats

  • 455.806 hits

Feeds