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Dercy de Verdade

“Dercy de Verdade” é um nome mais que apropriado para a minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Jorge Fernando, que foi ao ar, no início de janeiro, pela Rede Globo. Baseada no livro “Dercy de Cabo a Rabo”, também de autoria de Amaral, a minissérie nos apresenta a atriz e humorista Dercy Gonçalves da forma como a conhecemos publicamente, como aquela comediante desbocada, que não tinha medo de falar palavrões e safadezas em público; ao mesmo tempo em que nos mostra o outro lado dessa mulher, que, talvez, fosse conhecido por poucos, e que denotava que Dercy era bastante tradicional e se preocupava muito em oferecer uma vida digna ao seu núcleo familiar mais próximo, especialmente para a sua filha única Dercimar.

Nascida na cidade de Santa Maria Madalena, interior do estado do Rio de Janeiro, em 23 de junho de 1907, Dercy não teve uma vida fácil. Abandonada ainda criança pela mãe, foi criada por um pai alcoólatra que nunca apoiou o seu grande sonho de enveredar pela carreira artística. Nesse momento da vida de Dercy, a minissérie faz um adendo importante: na década de 20, época em que Dercy fugiu de casa para se juntar a uma trupe de teatro mambembe, ser artista não era considerado uma profissão correta para “uma moça de família”. Essa visão preconceituosa, como podemos assistir no decorrer de “Dercy de Verdade”, foi apenas o primeiro dos muitos obstáculos que a atriz e comediante teve que enfrentar com muita coragem – virtude que ela tinha, aliás, de sobra.

Na narrativa de “Dercy de Verdade”, é importante perceber, a escritora Maria Adelaide Amaral decidiu privilegiar aqueles que são os momentos profissionais cruciais na vida de Dercy Gonçalves, desde a sua participação no Teatro de Revista; passando pelos trabalhos no gênero de chanchada, nos programas de TV que foram encabeçados por ela, até culminar nas peças de teatro e nos stand-up comedies que ela estrelou. Curioso notar, nesse ponto, que toda a carreira dela foi pautada e centrada na figura dela mesma, como se Dercy Gonçalves fosse um personagem criado por Dolores Gonçalves Costa (seu nome na certidão de nascimento) – e a favor dela conta muito o fato de que Dercy foi extremamente verdadeira até o fim, sem fazer qualquer tipo de concessão profissional, até mesmo quando estava encenando um material mais sério do tipo “A Dama das Camélias”, no teatro.

Neste sentido, é importante perceber também o eixo que a escritora decidiu seguir no desenho de sua personagem principal, mesmo que, para isso, ela tenha que modificar acontecimentos reais para propósitos dramáticos. Para Maria Adelaide Amaral, a presença marcante daquela mulher altamente liberal nos palcos não suprimiu, na realidade, o ser que tinha valores muito fortes e que era muito tradicional. Apesar de sua filha Dercimar ter sido fruto de uma relação extraconjugal de Dercy com um importante exportador de café (interpretado, na minissérie, por Cássio Gabus Mendes), muitas vezes, a comediante colocou em segundo plano sua própria felicidade ao fazer de sua filha única a sua grande prioridade na vida, tentando oferecer para Dercimar uma família nos moldes tradicionais, para aquela época, de forma que ela tivesse um padrasto que a levasse ao altar, de preferência em um bom casamento – em uma das cenas do programa, Dercy chega até mesmo a se vangloriar do fato da filha ter se casado virgem, o que era muito importante para ela.

Na confluência de fatores para a produção de “Dercy de Verdade” vê-se que tudo conspirou a favor da minissérie. Quem melhor para adaptar o seu próprio livro do que Maria Adelaide Amaral? A escritora soube condensar uma existência de 101 anos da forma correta. O diretor Jorge Fernando tem o senso de humor e a competência necessárias para compreender uma personagem tão peculiar quanto Dercy Gonçalves, além disso, demonstra aqui uma sensibilidade irretocável na escolha dos colaboradores, notadamente o diretor de arte e o diretor de fotografia, que fizeram um trabalho excelente. Em relação aos atores, a escolha de Heloisa Périssé e Fafy Siqueira (não existe nenhuma atriz melhor que ela para interpretar Dercy em sua fase madura) – elas alternam as cenas com imagens de arquivo da própria Dercy Gonçalves, o que foi uma solução narrativa bem diferente – foi muito acertada, tendo em vista que as duas possuem um timing cômico excelente e, notadamente, se esforçaram bastante para dar vida a uma das personalidades mais importantes do show business brasileiro (o que faz, até mesmo, a gente perdoar o exagero da caracterização delas em certos momentos da minissérie). Enfim, “Dercy de Verdade” é mais um acerto da Globo dentro do gênero das minisséries, as quais já viraram uma tradição de início de ano na emissora carioca.

Cotação: 7,5

Dercy de Verdade (2012)
Direção: Jorge Fernando
Roteiro: Maria Adelaide Amaral, com a colaboração de Letícia Mey (baseado em livro de autoria da própria Maria Adelaide Amaral)
Elenco: Dercy Gonçalves, Heloisa Périssé, Fafy Siqueira, Armando Babaioff, Bruno Boni de Oliveira, Cassio Gabus Mendes, Daniel Boaventura, Danton Mello, Drica Moraes, Eduardo Galvão, Emiliano Queiroz, Fernando Eiras, Humberto Carrão, Mayana Neiva, Nizo Netto, Paula Burlamaqui, Ricardo Tozzi, Rosi Campos, Samara Filippo, Tuca Andrada, Walter Breda, Yaçanã Martins

fevereiro 2, 2012 at 12:04 am 12 comentários

As Coisas Impossíveis do Amor

O elemento mais importante do filme “As Coisas Impossíveis do Amor”, do diretor e roteirista Don Roos, é a sua personagem principal: a jovem Emilia Greenleaf (Natalie Portman). A sinopse da personagem está muito bem contada no decorrer do longa: ela tem rancor por ser filha de um pai que, antes de abandonar a sua mãe de vez, a tinha traído com várias mulheres; porém, ao mesmo tempo, ela se recusa a se ver como uma destruidora de lares – o que de fato ela é, uma vez que ela começou a se envolver com Jack (Scott Cohen, conhecido pelo papel no seriado “Gilmore Girls”) quando este ainda era casado com Carolyn (Lisa Kudrow).

Ao ficar grávida, Emilia viu Jack deixar sua família – além da esposa, o filho William (Charlie Tahan) – para começar uma outra com ela. Boa parte de “As Coisas Impossíveis do Amor” se dedica às inúmeras tentativas de Emilia de estabelecer um relacionamento saudável com William, tendo que lidar, ao mesmo tempo, com as relutâncias do menino em torno do relacionamento novo de seu pai, com as implicâncias de Carolyn em relação a ela e, principalmente, com o seu próprio sentimento de luto depois de ter perdido a filha Isabel (o primeiro fruto de seu casamento com Jack), ainda recém nascida, e como isso tem afetado, não só ela, como a relação dela com Jack e com o resto do mundo.

Uma história densa, não? O interessante nela é que ela é contada por meio de flashbacks que se alternam com o tempo presente. Ou seja, por meio deste artifício narrativo, Don Roos, muitas vezes, “engana” a sua plateia, pois o foco principal do filme vai mudando o tempo inteiro, como se ele quisesse desvendar todas essas camadas de Emilia aos poucos, de forma a nos deixar totalmente surpreendidos. O problema é que essa constante mudança de foco da história faz com que o filme acabe perdendo o olhar daquilo que realmente quer falar: como uma pessoa tão jovem quanto Emilia reage a situações para as quais ela, claramente, ainda não está totalmente preparada para viver. Ela amadurece e se encontra na medida em que supera cada obstáculo que a vida coloca diante dela.

“As Coisas Impossíveis do Amor” foi um filme finalizado em 2009, mas que só encontrou espaço para lançamento neste ano (nos Estados Unidos, em um circuito limitado de cinemas; e, no Brasil, diretamente em DVD). O aspecto mais curioso da obra acaba sendo verificar a atuação de Natalie Portman, muito segura na pele de Emilia, apesar da total falta de química com Scott Cohen. Fique de olho também na ótima atuação de Lisa Kudrow. Ela rouba a cena todas as vezes em que aparece.

Cotação: 6,0

As Coisas Impossíveis do Amor (The Other Woman, 2009)
Diretor: Don Roos
Roteiro: Don Roos (baseado no livro de Ayelet Waldman)
Elenco: Natalie Portman, Scott Cohen, Lisa Kudrow, Charlie Tahan, Lauren Ambrose, Michael Cristofer, Debra Monk, Mona Lerche

setembro 21, 2011 at 10:17 pm 20 comentários

Carlos

Minissérie dividida em três capítulos, “Carlos”, do diretor Olivier Assayas, teve uma trajetória bem interessante, uma vez que, antes de encontrar espaço para distribuição na televisão norte-americana, a obra foi veiculada em alguns dos festivais de cinema mais importantes da indústria, como o de Cannes, por exemplo, sendo indicado ou vencendo premiações prestigiadas como o European Film Awards, o London Critics Circle Film Awards, o Los Angeles Film Critics Association Awards, a National Society of Film Critics Awards, o Golden Globe Awards e o New York Film Critics Circle Awards.

O programa conta a história de Ilich Ramírez Sánchez, o popular “Carlos, o Chacal”, terrorista e assassino que atuou nas décadas de 70 e 80, especialmente no continente europeu, local onde trabalhou em prol das causas comunistas, árabes e islâmicas. Neste sentido, o roteiro escrito por Olivier Assayas, Dan Franck e Daniel Leconte tem uma estrutura um tanto convencional, uma vez que contextualiza a entrada de Carlos na vida terrorista, na medida em que o vemos se envolvendo em diversas ações, como assassinatos de políticos, policiais e funcionários de embaixadas; explosões e invasões de prédios e locais públicos; culminando naquele que foi o trabalho que mais lhe deu notoriedade: o ataque à sede da Organização dos Países Exploradores de Petróleo (OPEP), em 1975, em Viena (Áustria).

Apesar de termos inúmeros personagens relacionados à Carlos, nenhum será tão importante para a minissérie quanto o próprio protagonista. Os três capítulos do programa nos mostram que Ilich Ramírez Sánchez tinha uma reputação tão grande que a mesma o precedia. Além de ser um militante muito vibrador, ele se dedicou à causa palestina de corpo e alma, com toda a frieza, coragem e intolerância à traição que este dever exige. Talvez, por isso mesmo, a ironia do destino dele, antes de ele ser preso pelas autoridades francesas, em 1994: apesar do seu histórico de ações a favor de muitos líderes políticos árabes, após a queda do comunismo na Europa e a necessidade dos países terem um bom relacionamento com os Estados Unidos, Carlos virou uma espécie de “persona non grata” e renegada pelos regimes que ele tanto ajudou, vivendo uma existência de isolamento – como se ele fosse um fantasma – que muito o atingiu emocionalmente.

Talvez, por isso mesmo, o elemento mais importante de “Carlos” acaba sendo a atuação do venezuelano Édgar Ramírez. O ator está presente em todas as cenas da minissérie e a sua entrega emocional ao personagem foi tão grande que Ramírez se sujeitou a uma transformação física notável para ficar ainda mais parecido com Carlos. Chama a atenção também na minissérie indicada a 2 Primetime Emmy Awards 2011 a impecável reconstituição de época e a trilha sonora maravilhosa. Com certeza, um programa que cumpre o seu papel de apresentar a história do destino de um homem, ao mesmo tempo em que faz a análise de um momento histórico cujas ressonâncias ainda podem ser encontradas nos dias de hoje, tendo em vista a própria indefinição da situação palestina e das ações cada vez mais constantes de terror ao redor do mundo.

Cotação: 8,5

Carlos (Carlos, 2010)
Direção: Olivier Assayas
Roteiro: Olivier Assayas, Dan Franck e Daniel Leconte
Elenco: Édgar Ramírez, Alexander Scheer, Alejandro Arroyo, Fadi Abi Samra, Ahmad Kaboour, Talal El-Jordi, Juana Acosta, Nora von Waldstatten, Christoph Bach, Rodney El Haddad

setembro 15, 2011 at 10:45 pm 14 comentários

Os Kennedys

Minissérie dividida em oito capítulos, “Os Kennedys”, do diretor Jon Cassar, como o próprio nome já diz, fala sobre aquela que é considerada a Família Real norte-americana, cujos membros se tornaram figuras proeminentes da política e do serviço público dos Estados Unidos. Um detalhe importante já a se considerar desde o princípio é que esta foi uma versão bastante controversa da vida da família Kennedy, uma vez que existe a “acusação” de que muitos dos fatos retratados aqui foram bastante modificados por propósitos dramáticos.

A verdade é que o roteiro escrito por Stephen Kronish e Joel Surnow passa longe da ousadia. O retrato que eles fazem não acrescenta nada do que a gente já não soubesse sobre os Kennedys. Os oito capítulos, diga-se de passagem, só fazem reforçar todos os estereótipos e imagens que já são relacionados a esta família. Estão lá a riqueza, a beleza, o glamour, a rivalidade, as inúmeras conquistas – pessoais e amorosas – e, principalmente, o caráter trágico que parece estar sempre à sombra desta família.

A estrutura narrativa se passa em dois tempos distintos. Para os efeitos da minissérie, o presente é o exercício de mandato da Presidência da República dos Estados Unidos por John Fitzgerald Kennedy (Greg Kinnear), de 1961 a 1963, bem como a trajetória bem sucedida de Robert Francis Kennedy (Barry Pepper) como Senador pelo Estado de Nova York e a sua campanha à Presidente dos Estados Unidos, em 1968; e o passado fundamenta em valores e em acontecimentos todo o caminho percorrido pelo patriarca da família, o embaixador Joe Kennedy (Tom Wilkinson), para a realização do seu grande propósito de vida: colocar um dos seus filhos no cargo político mais poderoso do mundo (o de Presidente dos EUA) – as fichas dele eram apostadas, especialmente, nos seguintes filhos: Joseph Patrick Jr., John e Robert – os quais, todos, tiveram destinos trágicos.

Neste sentido, os oito capítulos nos revelam que a família Kennedy tinha uma verdadeira obsessão pelo poder. O patriarca Joe, por exemplo, é quase que mostrado como um Poderoso Chefão, um ser altamente manipulador capaz de todas as jogadas – desde as mais limpas até as mais sujas – para alcançar aquilo que mais desejava. Enquanto isso, a subtrama que envolve seus filhos os mostra como homens cientes das responsabilidades deles como membros dessa família, mas que travavam uma luta interna também pela afirmação de um próprio caminho deles, independente daquilo que Joe havia planejado para eles. As mulheres desta família – as mais importantes, para esta história, são Rose (Diana Hardcastle), Jacqueline (Katie Holmes) e Ethel (Kristin Booth) – por mais que tivessem personalidades fortes eram completamente engolidas pelo caráter submisso de suas relações com os respectivos maridos (Joe, John e Bobby) e se transformavam, também, em engrenagens para as pretensões políticas da família.

Minissérie indicada a 4 Primetime Emmy Awards 2011 (duas das indicações, para Tom Wilkinson e Barry Pepper, foram mais do que merecidas), o grande problema de “Os Kennedys” é justamente não conseguir sair do terreno do novelão. Se a minissérie tivesse um caráter documental, com certeza a grande mensagem desta narrativa (seria a tragédia o preço pago pela família Kennedy para alcançar o que eles queriam?) teria muito mais força. A versão nacional que foi ao ar, simultaneamente, em três canais da TV por assinatura (A&E, History Channel e o The Biography Channel) ainda tem um agravante maior: a péssima dublagem, com destaque para a voz monocórdia e sem qualquer sentimento de Marina Person (eu quero crer que ela se inspirou na própria inexpressividade da performance de Katie Holmes para fazer seu trabalho aqui).

Cotação: 4,0

Os Kennedys (The Kennedys, 2011)
Direção: Jon Cassar
Roteiro: Stephen Kronish e Joel Surnow
Elenco: Greg Kinnear, Barry Pepper, Katie Holmes, Tom Wilkinson, Diana Hardcastle, Kristin Booth

agosto 12, 2011 at 8:25 pm 10 comentários

O Vislumbre do Futuro de Don Draper*

*Atenção aos spoilers.

Foi ao ar ontem à noite, na HBO Brasil, com mais de 8 meses de atraso, a season finale da quarta temporada do seriado “Mad Men”. “Tomorrowland”, episódio escrito por Jonathan Igla e Matthew Weiner e dirigido por Matthew Weiner, tem um nome que já fala por si só, uma vez que boa parte dele fala sobre a contemplação de um futuro para Don Draper e sua agência, numa extensão do que já estava sendo abordado nos episódios anteriores dessa temporada.

O curioso nessa quarta temporada de “Mad Men” é que ela nos dá a impressão de ter sido o retrato de um ponto de transição na vida de Don Draper. Quando ela começou, Draper estava recém-divorciado de Betty (January Jones) e parecia colocar todas as suas fichas no trabalho, mais precisamente no progresso e sucesso de seu novo empreendimento (a Sterling Cooper Draper Pryce). Na medida em que a temporada avança, começam os problemas com a agência, especialmente após a saída de importantes clientes, o que obriga Don Draper, não só a rever seus conceitos, como a descer bastante do pedestal que ele impôs a si mesmo.

Já que estamos falando da sensação de recomeço, esta é um sentimento recorrente na quarta temporada de “Mad Men”. Não só para Don Draper, como também para a maioria dos personagens, que, ou estão começando novos capítulos de suas vidas, ou estão vivendo novos acontecimentos, ou estão passando por situações que acabam influenciando naquilo que acabamos nos transformando, ou estão ganhando novas oportunidades. A terra do amanhã (para fazer uma citação direta ao título deste episódio) está aí pra todos.

Porém, vamos nos ater ao ato final deste episódio, que tem início com a viagem que Don Draper faz com seus três filhos e a secretária Megan (Jessica Paré) para a Califórnia. Numa cena surpreendente, Don Draper dá o passo definitivo para o seu reinício, mesmo que você não sinta firmeza na decisão dele de desposar Megan. Entretanto, as três temporadas anteriores de “Mad Men” nos ensinaram algo a respeito de Don: quando nem ele mesmo tem certeza a respeito de sua identidade, com Dick e Don se misturando dentro dele em vários momentos, não existe propósito em tentar compreendê-lo. Não, pelo menos, enquanto ele continuar se escondendo por trás da figura que criou. Não, pelo menos, enquanto ele continuar não se aceitando pelo que ele é de verdade – é importante frisar que ele está no processo disso, como também provam os episódios produzidos depois dos reveses sofridos pela Sterling Cooper Draper Pryce.

Talvez, por isso mesmo, o momento mais importante de “Tomorrowland” tenha sido a cena que se segue ao pedido de casamento de Don: o reencontro dele com Betty, quando ela está acabando a mudança da casa que, um dia, dividiu com o ex-marido. Nela, Don corta de vez todo o cordão umbilical que o unia aquela vida antiga (e que representa todos aqueles conflitos que se agigantavam dentro dele a ponto de sufocá-lo de uma forma impressionante) e se mostra de vez preparado para tentar encontrar a sua paz. Ele acredita piamente nisso e, provavelmente, essa seja a sua grande busca nesse seriado inteiro. E isso está metaforicamente explicitado de forma bela na cena que fecha o season finale, com Megan dormindo com o rosto encostado no peito de Don, enquanto ele observa atentamente a janela, o horizonte, como se tentasse entender o que o futuro lhe reserva, como se tivesse medo disso, como se ele tivesse receio de voltar à infelicidade que ele está, claramente, deixando para trás a cada dia.

“Mad Men” tem sua continuidade com a quinta temporada, que estreia, nos Estados Unidos, no começo de 2012.

junho 27, 2011 at 10:47 pm 7 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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