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Lendo – “O Espião que Sabia Demais”

“Ficou imaginando se haveria amor entre seres humanos que não se baseasse em alguma forma de auto-ilusão. Gostaria simplesmente de levantar-se e sair antes que as coisas acontecessem, mas não poderia fazer isso. Preocupou-se com Guillam, de um jeito muito paternal, e imaginou como ele aceitaria as últimas tensões dessa etapa, antes de tornar-se um adulto. Lembrou-se novamente do dia em que sepultara Control. Pensou nas traições e ficou indagando a si mesmo se acaso haveria traições involuntárias. Preocupou-se por sentir-se tão fracassado: todos os preceitos intelectuais ou filosóficos que ele sustentava agora desabavam por completo, quando, diante dele, apresentava-se uma situação humana”. (p. 239)

“O Espião que Sabia Demais”, livro escrito por John Le Carré, parece sempre voltar ao mesmo período. Dois anos antes dos acontecimentos que o escritor nos retrata, quando “Percy Alleline quer conquistar o cargo de Control, mas não tem prestígio na Circus. Control fez tudo para que isso fosse assim. Está doente e jovem, mas Percy não consegue tirá-lo do lugar. (….) Foi uma daquelas temporadas estúpidas. Não havia trabalho suficiente a fazer lá fora, por isso nós começamos a tecer intrigas no serviço, espionando uns aos outros”.

Por mais que George Smiley seja o personagem principal deste livro, na realidade são os atos de Control (que foi o chefe da Circus, agente muito competente naquilo que ele fazia e, talvez, “o melhor espião de todos”) e Percy Allelline (o substituto de Control, na cadeia de comando da Circus – agência secreta britânica –, e que era desejado pelo governo por ser um espião mais discreto, que proporcionava informações sem criar escândalos) que movem toda a trama escrita por John Le Carré, como se eles dois fossem os grandes narradores oniscientes da obra, cujas decisões afetam diretamente a todos os envolvidos.

George Smiley era o braço direito de Control no comando da Circus e, por causa de uma operação muito mal-sucedida na Tchecoslováquia, que resultou no ferimento de um dos mais importantes agentes do grupo e na desconfiança da existência de um toupeira (agente duplo) entre eles, ambos foram destituídos de seus cargos e substituídos pelo pessoal comandado por Percy Allelline. É após esta contextualização dos fatos que John Le Carré começa a contar a sua verdadeira história: a busca de Smiley pelo que realmente aconteceu nesta operação. Neste sentido, o autor utiliza bastante do recurso narrativo do flashback para ilustrar a situação de George e seus colegas de Circus revivendo acontecimentos e relembrando pessoas, relacionamentos, até chegarem à verdade.

O resultado é que “O Espião que Sabia Demais” é uma obra extremamente informativa, com uma narrativa que lembra muito uma ata de reuniões, em que as personagens vão destrinchando suas experiências como agentes, as operações das quais participaram e as pessoas com as quais entraram em contato neste período. Chama a atenção, portanto, a minúcia do retrato feito por John Le Carré, que mostra todo o seu domínio sobre este tema (não é a toa que ele é um dos mais celebrados autores de livros de espionagem da literatura estrangeira). Justamente por causa da riqueza das descrições, este é um livro que exige uma leitura atenta dos fatos, para acompanharmos o raciocínio de George Smiley. Nem sempre isso é fácil e, em muitos momentos, ficamos perdidos tentando guardar todas as informações que nos são passadas.

Por ser um livro de estrutura narrativa complexa, a tarefa de adaptá-lo ao cinema deve ter sido das mais desafiadoras para Bridget O’Connor e Peter Straughan, os roteiristas do filme dirigido por Tomas Alfredson. Se eles conseguiram traduzir de uma forma menos complicada que John Le Carré uma motivação que, na verdade, é muito simples, o trabalho deles já foi brilhante. Afinal, a essência de “O Espião que Sabia Demais” está traduzida na seguinte frase de George Smiley: “Eu me recuso a prosseguir. Não há nada que valha a destruição de outro ser humano. O caminho do sofrimento e da traição deve terminar em algum ponto. Enquanto isso não ocorrer, não haverá um futuro, mas apenas um escorregar ininterrupto até as versões mais terrificantes do presente”. George Smiley escava o passado porque ele precisa ter um futuro e seguir em frente.

O Espião que Sabia Demais (2011)
Autor: John Le Carré
Editora: Record

fevereiro 9, 2012 at 11:17 pm 12 comentários

Lendo – “Crônicas para Jovens de Escrita e Vida”

“O contato com outro ser através da palavra escrita é uma glória. Se me fosse tirada a palavra pela qual tanto luto, eu teria que dançar ou pintar. Alguma forma de comunicação com o mundo eu daria um jeito de ter. E escrever é um ato divinizador do ser humano.” (p. 140)

“Crônicas para Jovens de Escrita e Vida”, livro publicado pela editora Rocco Jovens Leitores, em 2010, faz uma reunião de 51 crônicas escritas por Clarice Lispector, uma das mais aclamadas e admiradas autoras brasileiras. Como o próprio título da obra já deixa explícito, o livro contém textos que versam sobre os mesmos temas: o ato de escrever e de que forma isto está ligado ao próprio sentido da vida e de vivenciar a existência de um ser humano.Este viés é muito interessante, uma vez que a decisão por se entregar à palavra escrita foi o grande fio condutor da vida de Clarice Lispector e, em sua obra literária, ela se dedicou, nas palavras de Pedro Karp Vasquez (que fez a organização dos textos aqui publicados), a esmiuçar e celebrar “os mistérios da escrita, bem como os da condição humana de maneira tão bela e profunda”. O ato de publicar este livro tendo como alvo os jovens também é algo curioso a ser notado nesta obra, já que as palavras de Clarice, em crônicas escritas em diversos momentos de sua vida, ilustram as muitas fases da dura carreira daqueles que escolhem seguir a vocação literária – lembrando que Clarice despertou para a escrita ainda criança e desbravou seus caminhos sozinha.

Neste sentido, está também a riqueza de “Crônicas para Jovens de Escrita e Vida”. Basta prestar atenção ao que está escrito e aos temas principais das crônicas criadas por Clarice Lispector e que aqui estão reunidas. Elas versam sobre a busca por um estilo, delicadeza; ao mesmo tempo em que fazem questionamentos sobre a atividade literária, sobre o ofício do escritor; e em que Clarice se dedica a uma autocrítica ao seu próprio trabalho. Encontramos também textos especialmente dedicados aos objetos e pessoas que fazem parte do dia a dia do autor. São textos bastante pessoais em que a autora divide conosco boa parte de suas aflições, desejos, vontades e perspectivas.

Ou seja, “Crônicas para Jovens de Escrita e Vida” oferece aos leitores uma oportunidade rara: a de ver uma escritora como Clarice Lispector em diálogo direto não só consigo mesma, como também com seus leitores, bem como com os diversos vértices que compõem a atividade literária. É angústia lado a lado com a paixão. É o relato de algo que machucava e que realizava Clarice ao mesmo tempo. É quase como acompanhar uma sessão de análise de alguém para quem escrever era viver e viver era escrever. De novo, usando as palavras de Pedro Karp Vasquez: “Em Clarice vida e escrita se perdem e se confundem de tal forma que é difícil dizer onde começa uma e onde termina a outra”.

Crônicas para Jovens de Escrita e Vida (2010)
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco Jovens Leitores

janeiro 19, 2012 at 1:00 am 4 comentários

Lendo – “Bonequinha de Luxo”

“A personalidade mediana se transforma com freqüência, a cada intervalo de tempo nosso próprio corpo sofre uma metamorfose completa – desejável ou não, é natural que nos transformemos”. (p. 54)

Protagonista do livro “Bonequinha de Luxo”, de autoria de Truman Capote, quando encontramos Holly Golightly, ela deve estar vivendo o auge dos seus vinte anos e chegou ao ponto em que inventou tantas coisas, acontecimentos, pessoas e personas em sua vida, de forma que ela mesma já perdeu o contato com a sua realidade. Ela acredita piamente na história que criou e abraçou para si mesma – talvez, como uma forma de parecer mais forte ou, quem sabe, de se proteger daquilo que ela mesma gostaria de esconder dos outros.

A história de Holly nos é contada pelo ponto de vista de um narrador onisciente, aspirante a escritor, que mora no mesmo prédio que ela. Boa parte de “Bonequinha de Luxo” se dedica à descrição dele do fascínio que Holly exercia nele, da vontade que ele sentia de se aproximar dela, do desejo que ele tinha de penetrar na verdadeira personalidade dela e da necessidade que ele sentia de protegê-la. É como a música “Logo de Cara”, do grupo Ira!, de autoria de Kiko Zambianchi e Marcelo Rubens Paiva, que fala sobre a relação do interlocutor com alguém que mexe demais com os pensamentos dele.

Portanto, “Bonequinha de Luxo” nada mais é do que o retrato dos efeitos e das emoções que o contato com a personalidade de Holly Golightly causam no narrador. Ele sente a necessidade de contar a história dela, como se para fechar um próprio capítulo de sua vida, como se ele pudesse, finalmente, seguir em frente. Quando a realidade, na verdade, é que Holly sempre será uma sombra na vida daqueles que foram tocados por ela – uma vez que a personalidade independente dela, o desapego dela, a melancolia, a inocência, o senso de não (querer) pertencer a algo e a falta de identidade definida a transformassem num pássaro selvagem e traiçoeiro, que vai querer sempre voar para um novo lugar e deixando as pessoas olhando pro céu e imaginando: “onde será que ela estará agora?”.

Livro que deu origem ao filme dirigido por Blake Edwards, “Bonequinha de Luxo”, como idealizado por Truman Capote, é uma obra muito diferente do material adaptado por George Axelrod. O livro enfoca muito mais a figura de Holly, seu caráter alienado e suas idiossincrasias do que o relacionamento que se desenvolve entre Holly e o narrador. O que interessa a Truman Capote é o retrato de um estilo de vida elegante e fútil que tanto o fascinava – e que foi fruto da observação atenta de Capote junto às suas amigas da alta-sociedade nova-iorquina.

Bonequinha de Luxo (2005)*
Editora: Companhia das Letras
Autor: Truman Capote

*A edição nacional vem com um bônus de três contos escritos por Capote: “Uma Casa de Flores”, “Um Violão de Diamante” e “Memória de Natal”, que possuem temáticas relacionadas e que são complementares à história do livro.

janeiro 10, 2012 at 9:52 pm 11 comentários

Lendo – “Quinta Avenida, 5 da Manhã”

“E pensar que o filme quase não saiu. Pensar que Audrey Hepburn não queria o papel, que os censores estavam brigando com o roteiro, que o estúdio queria cortar “Moon River”, que Blake Edwards não sabia como terminar o filme (na verdade, ele filmou dois finais diferentes) e que o romance de Capote era considerado inadaptável parece hoje quase engraçado. Mas é verdade”. (p. 18)

Baseado no livro homônimo de Truman Capote, “Bonequinha de Luxo”, filme dirigido por Blake Edwards, foi lançado em 1961, amealhando boas críticas, conseguindo uma trajetória bem sólida nas bilheterias e recebendo cinco indicações ao Oscar (das quais venceu duas: Trilha Sonora e Música Original). Apesar do trabalho de adaptação de seu livro ter sido muito odiado por Capote (que nunca escondeu a sua insatisfação de ninguém), a verdade é que “Bonequinha de Luxo” é um daqueles filmes que transpuseram a chamada barreira do tempo, se transformando num clássico do cinema, ao mesmo tempo em que consolidou a imagem de Audrey Hepburn trajando o vestido preto básico criado especialmente para ela pelo seu habitual parceiro – e estilista favorito – Hubert de Givenchy como o ícone fashion que ela é, até hoje.

O livro “Quinta Avenida, 5 da Manhã”, escrito por Sam Wasson, faz um retrato de como foi todo o processo que levou o livro à tela. Na realidade, o autor faz um relato de como Truman Capote teve a ideia para “Bonequinha de Luxo”, em quais situações ele se inspirou e mostra de que forma os dois produtores Martin Jurow e Richard Shephard conseguiram convencer Capote a vender os direitos de adaptação do livro ao cinema e como foram todas as decisões criativas (escolha do roteirista, aprovação do roteiro, escolha do diretor, escolha do elenco, etc.) tomadas pela dupla até o instante em que “Bonequinha de Luxo”, o filme, teve sua estreia no Grauman’s Chinese Theater, em Hollywood, no dia 17 de outubro de 1961.

Entretanto, o elemento mais rico da narrativa escrita por Sam Wasson está na tese defendida pelo autor ao longo de todo o seu livro: a de que “Bonequinha de Luxo”, o filme, exerceu um papel fundamental para o surgimento da mulher moderna. Explicamos: na década de 50, a mulher norte-americana estava suscetível à influência de um pensamento extremamente convencional e pré-fabricado de que a sua felicidade estava em casa, ao lado do marido e dos filhos. Qualquer caminho diferente desse, era inaceitável. O próprio cinema, neste sentido, retratava bem este conflito, uma vez que as personagens femininas dos filmes dos anos 50 ou encarnavam o protótipo da santa ou da vagabunda – com atrizes preenchendo muito bem devidamente ambos os estereótipos.

Uma personagem como Holly Golightly representava uma mudança de mentalidade na virada dos anos 50 para os anos 60. Nas palavras da escritora e jornalista Lettie Cottin Progrebin: “Holly Golightly era muito diferente daquela caricatura hollywoodiana da mulher. Era a mulher que a gente queria ser. Ali estava uma mulher glamourosa, original, ligeiramente bizarra, que não parecia convencida de que tinha de viver com um homem. Era uma garota solteira, levando a vida sozinha, e podia ter uma vida sexual ativa sem ser moralmente questionável. Eu nunca tinha visto aquilo antes”.

Neste sentido, foi crucial a escolha de Audrey Hepburn para interpretar o papel. Uma atriz cuja imagem era ligada à noção de que ela era exatamente a moça que as filhas norte-americanas deveriam ser, Hepburn relutou muito até aceitar o papel – e, se o fez, foi por convencimento do seu agente Kurt Frings – e transformou uma personagem cujos valores iam de encontro ao que era propagado nos anos 50 em alguém que era diferente, mas de uma forma que era aceitável e palatável para o grande público. Importante também notar que a atriz participou ativamente de todo o processo de pré-produção, produção e pós-produção de “Bonequinha de Luxo”, assim como a dupla de produtores, o roteirista e o diretor, tendo em vista a “peculiaridade” do material abordado. Mais curioso ainda é perceber que Audrey, já nos anos 60, acabaria firmando a imagem da mulher moderna que teve início com Holly Golightly ao interpretar Joanna Wallace, o papel título de “Um Caminho Para Dois”, filme de Stanley Donen, uma mulher que era “de verdade – com todos os seus defeitos, desejos e dores humanas sem refinamento”. Era o fim definitivo do “conto de fadas” que foram os anos 50…

“Quinta Avenida – 5 da Manhã” é um livro que faz a gente ter toda uma noção de como é o processo criativo e de negociações constantes que é levar um filme até a grande tela. O trabalho de contextualização histórica feito por Sam Wasson é perfeito, estabelecendo muito bem todos os vértices que atuaram nos bastidores deste processo e indo até além ao mostrar as implicações que o lançamento de “Bonequinha de Luxo”, o filme, teve para a afirmação das mulheres nos anos 60. Difícil imaginar que, quando Audrey Hepburn desceu daquele táxi, em frente à loja da Tiffany’s, na Quinta Avenida, em Nova York, às 5h da manhã, daquele dia 02 de outubro de 1960, todos os envolvidos na produção de “Bonequinha de Luxo” achassem que o filme teria essa importância para uma mudança tão significativa para a sociedade norte-americana.

Quinta Avenida, 5 da Manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o Surgimento da Mulher Moderna (2010)
Autor: Sam Wasson
Editora: Zahar

dezembro 21, 2011 at 3:09 am 11 comentários

Lendo – “Breve História de Quase Tudo”

“Se este livro contém uma lição, é a de que nós somos tremendamente sortudos por estar aqui – e com “nós” quero dizer todos os seres vivos. Alcançar qualquer tipo de vida neste nosso universo parece uma realização de peso. Como seres humanos somos duplamente sortudos, é claro. Desfrutamos não só do privilégio da existência, mas também da capacidade singular de apreciá-la e até, de inúmeras maneiras, torná-la melhor. É um talento que mal começamos a perceber”. (pgs. 483 e 484)

Mais interessante do que a leitura de “Breve História de Quase Tudo”, livro escrito por Bill Bryson, é conhecer a história por trás dos motivos que levaram o autor a escrever a obra. Ao entrar em contato novamente com um livro de ciência ilustrado que ele mesmo utilizou em uma de suas aulas da quarta ou quinta série, Bryson se viu perguntando como aqueles autores, aqueles teóricos sabiam daquelas coisas sobre o universo e, principalmente, como eles chegavam a essas descobertas.

Motivado por esses questionamentos, Bryson decidiu que dedicaria parte da sua vida “à leitura de livros e revistas e à procura de especialistas bonzinhos e pacientes dispostos a responder a um monte de perguntas cretinas. A idéia era ver se seria possível entender e apreciar as maravilhas e realizações da ciência – surpreender-se com elas, até curti-las –, num nível nem técnico ou difícil demais, nem muito superficial”.

O resultado dos três anos de trabalho de Bill Bryson pode ser lido nas 484 páginas de “Breve História de Quase Tudo”, que se divide em dois grandes blocos: a explicação do surgimento do universo como tal o conhecemos e como isso levou à existência da vida humana no planeta Terra – os quais estão subdivididos, por sua vez, em seis partes. Neles, o autor mostra “como passamos da total inexistência de tudo até a existência de algo e, depois, como um pouco daquele algo transformou-se em nós, e também sobre parte do que aconteceu naquele intervalo e desde então”.

Bill Bryson sabe que tem muito assunto importante a cobrir e chega a ser impressionante o trabalho dele, que envolve as grandes descobertas científicas do nosso tempo – fugindo até das referências habituais a ciências como a física e a astronomia, indo buscar informações até mesmo na química, geologia, matemática, paleontologia, arqueologia, biologia, entre outras. Neste sentido, um dos elementos mais importantes no decorrer da leitura de “Breve História de Quase Tudo” é compreender como funciona o mundo científico, o qual tem muito egocentrismo, muita rotatividade, uma grande rivalidade e, contraditoriamente, respeito ao trabalho realizado de forma correta e competente.

Um outro elemento bem interessante do livro “Breve História de Quase Tudo” é perceber o quão pouco se é conhecido da origem humana. De uma certa maneira, a nossa existência no planeta Terra é muito recente e, provavelmente, foi resultado de inúmeras tentativas até ela acontecer, de verdade, uma vez que a vida é extremamente adaptável, começa de uma forma simples e avança sempre rumo ao melhor. Mesmo que, para isso ocorrer, implique em que os humanos assumam, em certos momentos, a posição de “vilões” ao extinguir outras espécies – porém algo que o livro também nos mostra é que a extinção, às vezes, precisa acontecer justamente para permitir que outras espécies perdurem, e isso também vale para nós, humanos, uma vez que também estamos suscetíveis à extinção.

“Breve História de Quase Tudo” é um daqueles livros que deveria servir de material de apoio a todos os estudantes que estão começando a entrar em contato com os principais temas que são abordados por Bill Bryson. A forma direta, fácil e concisa com que o autor (que é jornalista de formação) aborda temas que são de natureza complexa transformam o difícil de ser compreendido em simples de se entender. E este é um dos maiores méritos de um livro que cumpre por completo seu objetivo, pois oferece muitas respostas, ao mesmo tempo em que deixa claro que ainda existe muita coisa a se descobrir e a se entender, uma vez que a ciência é um campo bastante dinâmico, cujos trabalhos estão literalmente em progresso, pronto para explodirem, com o perdão do trocadilho.

Breve História de Quase Tudo (2005)
Autor: Bill Bryson
Editora: Companhia das Letras

outubro 28, 2011 at 10:45 pm 6 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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