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Cena da Semana

(“Baby I’m Sure” – Mallu Magalhães – Pitanga [2011] – 18.03.2012)

Vídeo filmado e editado pelo cantor e compositor Marcelo Camelo, produtor do “Pitanga“, terceiro disco da cantora e compositora Mallu Magalhães, e que também faz participação nesta música no backing vocal.

Acho lindo a forma como este casal se complementa. Acho linda a forma como Marcelo enxerga a Mallu. Acho belo a gente se ver pelos olhos daquele que nos ama. Neste vídeo, a gente tem imagens do cotidiano da Mallu mescladas com registros do backstage das gravações do videoclipe de “Velha e Louca“, que é o primeiro single desse disco dela.

A estética vintage – resultado direto do uso de máquinas analógicas e filtros –  é o ponto alto do vídeo, que segue o estilo dos registros recentes que Marcelo vinha postando. Ele tem se interessado muito pela linguagem visual e quem acompanha as postagens de sua fanpage oficial no Facebook pode perceber o lado talentoso do Marcelo fotógrafo e, agora, videomaker – ele também fez um clipe para a música “Pavão Macaco“, do alagoano Wado, além de vários outros de divulgação para o “Pitanga”.

março 26, 2012 at 12:13 am 10 comentários

Cena da Semana

(Roberta Sá – “Lua” – Teatro Riachuelo – 04.03.2012)

Na semana passada, a cantora natalense radicada no Rio de Janeiro Roberta Sá fez a estreia da turnê de seu quinto disco solo, “Segunda Pele”, que foi produzido por Rodrigo Campello. O disco marca o início de uma nova fase para Roberta, em que ela abraçou arranjos mais sofisticados, em músicas com letras mais complexas e que mostram toda a sua competência e versatilidade como cantora. Após se apresentar em Salvador (no Teatro Castro Alves) e no Recife (no Teatro da UFPE), Roberta veio para a sua cidade natal brindar um Teatro Riachuelo quase lotado de um público claramente orgulhoso de uma de suas filhas mais ilustres.

Dá para se perceber de cara que esta é uma turnê que visa consolidar o nome de Roberta Sá como um dos melhores nomes da atual Música Popular Brasileira. A produção, aliás, está caprichadíssima, com um cenário muito bem feito. Roberta está muito segura como cantora, a linda voz dela sai naturalmente, quase sem força; e ela está afinadíssima com a sua banda, que está tocando como nunca. Aqueles que acompanham a carreira de Roberta há um bom tempo  também podem notar que a cantora está bem mais confortável em sua pele, mais à vontade e solta no palco e flertando com o público.

A sensação que dá, ao final, é que essa será uma turnê que transformará a imagem que a maioria das pessoas possui em relação à Roberta. A turnê “Segunda Pele” fará por ela o mesmo que a turnê “Samba Meu” fez por Maria Rita.

março 11, 2012 at 11:51 pm 6 comentários

Os Melhores Filmes de 2011

Dando continuidade à nossa retrospectiva de final de ano, chegou a hora da publicação da nossa lista dos Melhores Filmes de 2011, de acordo com a data de lançamento das obras nos cinemas brasileiros. Para tanto, estamos levando em consideração todos os 184 filmes que assistimos neste ano, até a data de hoje (27 de dezembro de 2011), cuja lista pode ser encontrada aqui.

Os Melhores Filmes de 2011

01. Cisne Negro (Black Swan, 2010, dirigido por Darren Aronofsky)

O filme nos surpreende e nos deixa sem estrutura. A gente mergulha junto da viagem de Nina. Por transcender qualquer tipo de limite, acaba sendo uma obra muito bem construída e totalmente merecedora de suas cinco indicações ao Oscar 2011. E só ficamos com uma constatação:  a perfeição deixou de ser uma utopia. Ela foi alcançada. Todos nós sentimos.
(Crítica publicada em 22 de fevereiro de 2011)

02. Lixo Extraordinário (Waste Land, 2010, dirigido por Lucy Walker)

Documentário indicado ao Oscar 2011 da categoria, “Lixo Extraordinário” é um filme deveras emocionante, por vários fatores. Primeiro: por mostrar que a democratização da arte e da cultura por meio de uma ação social positiva tem, sim, o poder de modificar a vida das pessoas, como comprova o destino dos catadores que participaram do projeto de Vik Muniz. Segundo: por nos revelar que a magia da criação de algo artístico pode estar presente até mesmo nos cantos mais inusitados – e presenciar isso é, por si só, algo muito bonito. Terceiro – e mais importante: num país extremamente preocupado – e cheio de preconceitos – com convenções e classes sociais, retratar uma história como essa mexe com a auto-estima, não só dos envolvidos no projeto, como suscita toda uma noção de respeito por pessoas que dedicam a sua vida a mexer com os piores dejetos, com aquilo que todo mundo descarta. Não é todo mundo que tem essa dureza, essa resistência.
(Crítica publicada em 08 de setembro de 2011)

03. 127 Horas (127 Hours, 2010, dirigido por Danny Boyle)

Fazer um filme assim é muito difícil, mas, assim como Robert Zemeckis fez em “Náufrago”, Danny Boyle nos entrega um longa que chega a ser inspirador em determinados momentos. E o grande “culpado” disso é James Franco, ator que é a figura dominante em tela, que está em todas as cenas de “127 Horas” e que consegue passar todas as fases emocionais de alguém que se vê numa situação como a que Aron Ralston vive com muita dose de verdade. Com a câmera lhe focalizando o tempo inteiro, muitas vezes em closes, a sensação que nos passa é a de que Aron Ralston não está sozinho naquela rocha. A gente está ali com ele, vivenciando todos aqueles sentimentos e toda aquela agonia. É uma grande história, retratada num sólido filme.
(Crítica publicada em 08 de junho de 2011)

04. O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas, 2009, dirigido por Laurent Tidard)

Este filme francês é uma obra em que as crianças ocupam o primeiro plano. Apesar dos atores adultos demonstrarem muita competência (especialmente aqueles que interpretam os pais de Nicolau), o casting foi extremamente feliz na escalação de todos os meninos que fazem parte da turminha de Nicolau. Todos são muito talentosos, engraçados e atuam de uma forma tão natural (não sei se estes meninos são atores treinados ou não, não sei o quanto trabalho o diretor teve para treiná-los e arrancar deles as performances que eles entregam) que nós nos sentimos conquistados logo de cara, desde o prólogo, desde o instante em que eles nos são apresentados. São eles as estrelas do longa e que trazem a leveza, o caráter fantástico e a comédia que esse filme têm. Uma agradabilíssima surpresa!
(Crítica publicada em 04 de fevereiro de 2011)

05. Além da Vida (Hereafter, 2010, dirigido por Clint Eastwood)

Com “Além da Vida”, Clint Eastwood retoma um elemento em que ele é um verdadeiro mestre: aquele drama que se torna familiar para a gente, com pessoas críveis e situações comuns. Aqui, ele retoma uma verve que não se via desde “Cartas de Iwo Jima”. Preste atenção, particularmente, às cenas em que George aceita compartilhar seu dom com outras pessoas – especialmente as que contam com Bryce Dallas Howard e os meninos Frankie e George McLaren. São nelas que se encontram toda a essência deste filme. Esqueça o final hollywoodiano “feliz” que acontece mais na frente. Fique com esses momentos mesmo porque “Além da Vida” fala da retomada do controle da nossa própria existência face o momento em que nos encontramos mais fracos.
(Crítica publicada em 02 de fevereiro de 2011)

06. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part Two, 2011, dirigido por David Yates)

O diretor David Yates, mais conhecido pelo seu trabalho na TV inglesa, também acaba comprovando o porquê da confiança recebida dos produtores dessa franquia. A responsabilidade de fechar a saga era grande, mas, com “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois”, o diretor realiza um filme digno de figurar nas listas de melhores do ano e que alia um bom roteiro à ótima execução, com destaque para os efeitos visuais, a direção de arte e a trilha sonora composta pelo francês Alexandre Desplat. Não será surpresa se este filme for lembrado nas premiações da temporada 2011-2012.
(Crítica publicada em 27 de julho de 2011)

07. Enrolados (Tangled, 2010, dirigido por Nathan Greno e Byron Howard)

Em sua essência, “Enrolados” é aquele tipo de animação que retoma todos os elementos clássicos de outros filmes produzidos, nesse mesmo gênero, pela Walt Disney Studios. No filme, encontramos marcas como a vida tratada como se fosse uma fantasia, as canções grudentas (cortesia do mestre Alan Menken) que nos apresentam muito dos personagens, o final feliz, as diversas lições de morais. Enfim, nesta 50ª animação da Disney, encontramos a volta a um estilo mais clássico, a busca por uma aproximação com todos aqueles filmes que nos acompanharam desde a mais tenra idade. É uma obra que encanta e conquista e que alcança seu ápice emocional na linda cena criada para mostrar Flynn e Rapunzel assistindo às lanternas subindo aos céus e cantando “I See the Light” Nada é mais Disney do que isso.
(Crítica publicada em 21 de janeiro de 2011)

08. A Pele que Habito  (La Piel que Habito, 2011, dirigido por Pedro Almodóvar)

Quando “A Pele que Habito” muda o foco de Robert para Vera, temos o desenho de uma guinada que tira o tempo do espectador, porque nos pega totalmente desprevenidos para o que estava por vir. E é aqui que Almodóvar começa a destilar toda a sua genialidade, em cenas totalmente cortantes que representam um conflito de uma pessoa presa num corpo que, na verdade, não lhe pertence e que teve sua identidade completamente tolhida, mas que sabe que, por baixo de tudo aquilo, ela está ali pulsando e querendo se revelar. “A Pele que Habito” não é um filme sobre um homem que faz as coisas mais absurdas por amor, e sim uma obra sobre alguém que passa a ser diferente, não por sua escolha própria. É uma obra tipicamente Almodovariana, com uma visão feminina e masculina, com drama e comédia, com cores e sombras, com exageros e sobriedades, tudo ao mesmo tempo.
(Crítica publicada em 08 de dezembro de 2011)

09. Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010, dirigido por John Cameron Mitchell)

Além do excelente roteiro de David Lindsay-Abaire, e, claro, da direção de John Cameron Mitchell, os elementos de destaque de “Reencontrando a Felicidade” acabam sendo a atuação de um elenco altamente consistente, que consegue passar com um realismo notável a sensação de que o peso da perda vai se dissipando aos poucos, uma vez que esta é uma dor que nunca passa. Mas, a gente segue em frente, especialmente porque tem uma vida toda a nos esperar, como bem mostra a linda cena que encerra este filme.
(Crítica publicada em 08 de agosto de 2011)

10. A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011, dirigido por Terrence Malick)

“A Árvore da Vida” é aquele tipo de filme que potencializa todo o estilo Terrence Malick de filmar. Um diretor afeito a tomadas com longos silêncios, algumas com caráter bastante onírico, neste longa o diretor usa e abusa de cenas que retratam o céu, a natureza e os elementos cósmicos. Em alguns instantes, isto atua contra sua obra, deixando-a com um ritmo um tanto arrastado. Um outro problema encontrado em “A Árvore da Vida” é em relação às transições entre os diferentes pontos de vista narrativos, que, às vezes, são muito bruscas. Entretanto, estes problemas são pequenos diante da beleza e da riqueza do filme que Malick nos entrega, o qual fala sobre a coexistência do mal e da fé; do sofrimento dos justos e dos inocentes; daquilo que acontece com a gente e nós não entendemos, mas que é fundamental para fazer de nós aquilo que somos; e, principalmente, da natureza da relação entre o homem e Deus – ou entre o homem e a entidade na qual ele deposita a sua fé. Talvez, por isso mesmo, podem ser encontradas tantas referências, dentro do filme, ao Livro de Jó, que retrata, na Bíblia, basicamente, quase os mesmos conflitos de dúvida e de reafirmação constante da fé por meio da vivência do sofrimento.
(Crítica publicada em 12 de dezembro de 2011)

O Melhor Filme do Ano: “Cisne Negro”
O Melhor Diretor do Ano: Darren Aronofsky, “Cisne Negro”
O Melhor Ator do Ano: Javier Bardem, “Biutiful”
A Melhor Atriz do Ano: Natalie Portman, “Cisne Negro”
O Melhor Ator Coadjuvante do Ano: Christian Bale, “O Vencedor”
A Melhor Atriz Coadjuvante do Ano: Charlotte Gainsbourg, “Melancolia”
O Melhor Roteiro Original do Ano: Andres Heinz, Mark Heyman e John J. McLaughlin, “Cisne Negro”
O Melhor Roteiro Adaptado do Ano: Joel Coen e Ethan Coen, “Bravura Indômita”
O Melhor Filme Nacional do Ano: “O Palhaço”
A Melhor Animação do Ano: “Enrolados”
O Melhor Elenco do Ano: “O Vencedor”
A Melhor Fotografia do Ano: Roger Deakins, “Bravura Indômita”
A Melhor Montagem do Ano: Andrew Weisblum, “Cisne Negro”
A Melhor Direção de Arte do Ano: Thérese DePrez e Tora Peterson, “Cisne Negro”
O Melhor Figurino do Ano: Amy Westcott, “Cisne Negro”
A Melhor Trilha Original do Ano: Alexandre Desplat, “O Discurso do Rei”
A Melhor Canção Original do Ano: “I See the Light”, “Enrolados”
A Melhor Maquiagem do Ano: “Cisne Negro”
Os Melhores Efeitos Visuais do Ano: “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois”
O Melhor Som do Ano: “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois”

A Melhor Cena do Ano

O final de “Além da Vida”, o filme mais subestimado de 2011.
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A partir de hoje, o Cinéfila por Natureza entra em um pequeno recesso. O blog volta no dia 02 de janeiro de 2012, com novas atualizações, para mais um ano cinematográfico! Feliz ano novo para todos nós! 🙂

dezembro 28, 2011 at 1:57 am 55 comentários

Os Piores Filmes de 2011

Hoje, damos início à retrospectiva de final de ano no Cinéfila por Natureza, com a publicação da nossa lista dos Piores Filmes de 2011, de acordo com a data de lançamento das obras nos cinemas brasileiros. Para tanto, foram levados em consideração todos os 182 filmes que assistimos ao longo deste ano, até a data de hoje (26 de dezembro de 2011), cuja lista pode ser encontrada aqui.

Os Piores Filmes de 2011

01. As Doze Estrelas (2011, diretor: Luís Alberto Pereira) 

Um dos maiores problemas de “As Doze Estrelas” é o roteiro de Luís Alberto Pereira, que nunca consegue estabelecer uma coerência lógica entre o que se passa em tela. O filme parece uma colagem de diversas ideias – todas estúpidas, diga-se de passagem. O longa sofre também com uma estética altamente amadorística, ao ponto de você nunca achar que está assistindo a um filme; e com atuações sofríveis de um elenco extremamente fraco. O resultado é um dos piores longas produzidos pelo cinema brasileiro desde a sua retomada.
(Crítica publicada em 01 de Junho de 2011)

02. As Viagens de Gulliver (Gulliver’s Travels, 2010, dirigido por Rob Letterman)

Uma obra produzida pelos mesmos profissionais que nos trouxeram os filmes da série “Uma Noite no Museu”, chama a atenção, em “As Viagens de Gulliver”, o elenco de bons atores contratados para fazerem os habitantes de Lilliput (Billy Connolly, Emily Blunt, Jason Segel e Chris O’Dowd). Infelizmente, para eles, não lhes é dada a mesma chance que foi oferecida ao astro Jack Black. O roteiro escrito por Joe Stillman e Nicholas Stoller privilegia o tipo de comédia que é o forte de Black. Pena que, ao contrário do visto em “Uma Noite no Museu”, a mistura de comédia de ação, com figuras históricas e elementos da atualidade não deu certo. O filme é muito chato e lembra, inclusive, a má sucedida – e vergonhosa – tentativa recente de refilmagem de “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, que reunia um elenco formado por nomes como Jackie Chan, Steve Coogan, Cécile de France, Jim Broadbent, Arnold Schwarzenegger, Maggie Q, Rob Schneider, Owen Wilson, Luke Wilson, Mark Addy, John Cleese, Kathy Bates, entre outros.
(Crítica publicada em 09 de Fevereiro de 2011)

03. Fúria sobre Rodas (Drive Angry, 2011, dirigido por Patrick Lussier) 

Até esta obra, o diretor Patrick Lussier só havia trabalhado no gênero de suspense/terror. “Fúria Sobre Rodas” acaba sendo uma experiência diferente para ele no sentido de que não tem o objetivo de fazer você ficar assustado. O filme também não está aí para lhe divertir. A obra, na realidade, vai é chocar os olhares um pouco familiarizados com elementos da linguagem cinematográfica. Talvez, até mesmo sabendo do caráter trash de sua obra, o diretor tenha colocado um tom over na apresentação da trama, acentuando desde as atuações dos atores até à concepção completamente artificial e mal feita dos efeitos especiais.
(Crítica publicada em 20 de Abril de 2011)

04. Deu a Louca na Chapeuzinho 2 (Hoodwinked Too! Hood vs Evil, 2011, dirigido por Mike Disa)

“Deu a Louca na Chapeuzinho 2” é quase um caso único dentre os filmes de animação dirigidos ao público infantil. Não só por causa dos elementos absurdos da trama, como também pelo fato de que esta foi a primeira animação que assistimos, numa sala de cinema lotada de crianças, em que não vimos qualquer reação da plateia ao que estava sendo mostrado. Nada de risadas, de ansiedade para o que está por vir, de envolvimento com a história. E isso é sempre um péssimo sinal…
(Crítica publicada em 15 de Outubro de 2011)

05. As Mães de Chico Xavier (2011, dirigido por Glauber Filho e Haldar Gomes)

“As Mães de Chico Xavier” é o filme que encerra oficialmente as comemorações do centenário de nascimento do médium mineiro. Para efeitos de comparação, acaba sendo a obra mais fraca dessas homenagens todas justamente por não ter a mesma carga emocional de “Chico Xavier” ou de “Além da Vida”, por exemplo, e por transformar o grande legado do médium mineiro, com uma simples frase colocada nos créditos finais, em uma mensagem politizada contra o aborto. Não havia a necessidade disso.
(Crítica publicada em 20 de Abril de 2011)

06. Conan – O Bárbaro (Conan – The Barbarian, 2011, dirigido por Marcus Nispel)

Marcus Nispel é um diretor cuja carreira foi originada nos videoclipes. Na sua curta incursão como diretor de longas-metragens, podemos notar uma certa preocupação com o visual de seus filmes. Em “Conan – O Bárbaro”, logo salta aos nossos olhos a qualidade excelente de elementos estéticos como maquiagem, figurinos, fotografia, trilha sonora e direção de arte. Entretanto, Nispel peca naquilo que o longa deveria ter de mais forte: os efeitos visuais, que soam muito fracos, especialmente quando vistos no formato 3D.
(Crítica publicada em 21 de Outubro de 2011)

07. Apollo 18 – A Missão Proibida (Apollo 18, 2011, dirigido por Gonzalo López-Gallego)

“Apollo 18 – A Missão Proibida” é aquele tipo de filme que você já assiste sabendo como ele irá terminar (especialmente por causa dos alertas que são colocados para a plateia nos créditos iniciais). Talvez por isso e pela falta de acontecimentos interessantes no primeiro ato do longa, você não irá se envolver com a história, muito menos se importar com o destino dos três astronautas envolvidos nesta missão. A obra ainda se apoia em vários clichês dos filmes desse gênero (atores desconhecidos interpretando os personagens centrais, o caráter “amador” das filmagens e o fato de ser baseado numa história supostamente real).
(Crítica publicada em 23 de Setembro de 2011)

08. Reféns (Trespass, 2011, dirigido por Joel Schumacher)

Por se tratar de um filme que se passa em um único ambiente, em uma situação em que temos o criminoso e a possível vítima, com o objetivo de nos fazer sentir aquela sensação claustrofóbica de medo e tensão em relação ao que está por vir, este filme lembra muito a obra “Por um Fio”, que Joel Schumacher dirigiu no início da década passada. Porém, ao contrário do filme estrelado por Colin Farrell, este aqui não causa o mesmo impacto na gente, muito em parte por causa dos vários problemas de roteiro e, principalmente, em decorrência da atuação caricatural do grupo de criminosos (especialmente Cam Gigandet e Jordana Spiro) e do tom exagerado de Nicolas Cage e Nicole Kidman em várias das cenas.
(Crítica publicada em 06 de Dezembro de 2011)

09. Premonição 5 (Final Destination 5, 2011, dirigido por Steven Quale)

“Premonição 5” é aquele tipo de filme que você deve assistir com a mente totalmente aberta. Não se incomode com os furos e os elementos absurdos do roteiro (qual é o médico que deixa uma paciente prestes a se operar de correção de miopia sozinha, na sala de cirurgia, sem o acompanhamento de qualquer enfermeira?). Não ligue para as péssimas atuações (especialmente a de Miles Fisher). Afinal, não se pode esperar nada de um filme que possuía a intenção de nos deixar apreensivos, quando, na realidade, acaba ocasionando risadas nossas. E isso acaba sendo horrível, tendo em vista qual é o tema principal desse filme.
(Crítica publicada em 03 de Novembro de 2011)

10. Balada do Amor e do Ódio (Balada Triste de Trompeta, 2011, dirigido por Álex de la Iglesia)

“Balada do Amor e do Ódio” tem efeitos visuais um tanto artificiais (não sei se isso foi intencional). O filme de Álex de la Iglesia só não é um desastre completo porque o diretor tem que agradecer às performances excelentes de Carlos Areces e de Antonio de la Torre; bem como aos competentes trabalhos de direção de arte, maquiagem, fotografia e trilha sonora que fazem com que “Balada do Amor e do Ódio” seja uma obra que acaba prendendo a sua atenção até o final.
(Crítica publicada em 19 de Dezembro de 2011)

As Piores Atuações Masculinas de 2011
David Arquette, Pânico 4
Orlando Bloom, Os Três Mosqueteiros 3D
Nicolas Cage, Fúria sobre Rodas
Nicolas Cage, Caça às Bruxas
Nicolas Cage, Reféns
Miles Fisher, Premonição 5
Cam Gigandet, Reféns
Oscar Isaac, Sucker Punch
Jason Momoa, Conan – O Bárbaro
Owen Wilson, Passe Livre

As Piores Atuações Femininas de 2011
Neve Campbell, Pânico 4
Brooklyn Decker, Esposa de Mentirinha
Maggie Grace, A Saga Crepúsculo – Amanhecer – Parte I
Vanessa Hudgens, Sucker Punch
Nicole Kidman, Reféns
Jordana Spiro, Reféns
Dan Wylie, Santuário

A Pior Cena de 2011

(O imprinting de Jacob em  A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I)

Em uma palavra: NOJENTO!!!

dezembro 27, 2011 at 12:39 am 29 comentários

“Pitanga” – Mallu Magalhães

Pitanga. Num conceito simples, é o fruto da pitangueira. Como palavra, tem origem tupi-guarani, e significa “vermelho”. Entretanto, se você fizer esta mesma pergunta para a cantora e compositora Mallu Magalhães, com certeza, a resposta será bem diferente. Pitanga vem da pitangueira que existe no Estúdio El Rocha, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Pitanga vem da própria árvore que ela cultivava em sua varanda. Pitanga é o nome de uma fruta que ela adora. Não podia ser outra coisa: “Pitanga” dá nome ao seu terceiro disco, o qual foi lançado nesta semana, pela Sony Music.

“Pitanga” é o resultado de 55 dias de trabalho no estúdio, muito bem retratados no site oficial da artista. Produzido por Marcelo Camelo e co-produzido e mixado por Victor Rice, para quem acompanhou de perto o trabalho de produção e pós-produção de “Pitanga”, era notável a dedicação, o esforço e o comprometimento de toda a equipe envolvida neste disco. No que diz respeito à Mallu, o processo de feitura de “Pitanga” parece ter sido uma verdadeira revolução na sua jovem mente, não só como uma etapa de fortalecimento rumo ao seu amadurecimento como a cantora, instrumentista e compositora excelente que ela já é, como também na sua participação ativa nos bastidores do disco, fazendo os desenhos, os bordados, as gravuras e tirando as fotografias que fazem parte da parte gráfica deste seu “filhote”; bem como criando e divulgando vídeos que serviam como “teasers” desse seu novo trabalho.

Como você pode perceber, tudo em “Pitanga” tem o dedo de Mallu Magalhães. As doze músicas presentes no álbum (todas de autoria dela) mostram a verdadeira gama de influências que Mallu apresenta nestes seus quatro anos de carreira. “Pitanga” confirma, por exemplo, de vez, a proximidade da cantora com a música brasileira, algo que foi inicialmente visto no seu segundo disco, “Mallu Magalhães” (2009). Mas, ao mesmo tempo, oferece aos fãs mais antigos aquela Mallu que transita muito bem por ritmos como o folk e o bluegrass. Um dos elementos, aliás, que chega a ser mais surpreendente em “Pitanga” é que Mallu equilibra muito bem todas essas suas referências em um disco que funciona muito bem como um todo e que tem várias canções com potenciais de se tornarem single.

Talvez, a maior diferença desse terceiro disco para os outros dois é que “Pitanga” tem uma maior complexidade em termos de arranjos, os quais são apresentados com uma sonoridade um tanto artesanal, quase que crua. Tome-se como exemplo o primeiro single desse disco, a ótima “Velha e Louca”, que tem uma pegada rock cheia de pausas e mudanças de progressões. Escute também com atenção “Por que você faz assim comigo?”, uma das mais belas desse disco, e “Cais”, que encerra o álbum com um arranjo simples, porém lindo, de piano e sininhos. Interessante também perceber que Mallu usou efeitos bem diferentes em algumas canções do disco, como “In the Morning”. Até mesmo aquelas músicas que a gente já conhecia de apresentações mais recentes da cantora, como “Cena” e “Sambinha Bom” nos são reveladas de modo bem diferente no disco.

É impossível falar de “Pitanga” sem mencionar a figura do seu produtor, Marcelo Camelo. Parceiro profissional e de vida de Mallu Magalhães, ele conseguiu extrair da sua companheira aquilo que nem Mario Caldato e Kassin conseguiram nos trabalhos anteriores dela: a verdadeira essência dela – ou, talvez, aquela parte de Mallu que, pela proximidade natural do relacionamento entre os dois, ela só divide com ele. Até porque Mallu é uma artista única no cenário musical brasileiro, não só por respirar e por viver arte, mas, principalmente, porque ela compartilha essa visão particular dela de arte com a gente. Por meio de suas músicas, e isso é uma qualidade rara presente nela, a gente consegue enxergar quem Mallu é, o que ela vive, quais são seus anseios, medos e, principalmente, aquilo que a faz feliz.

Neste sentido, a temática principal de “Pitanga”, assim como visto em “Mallu Magalhães” (o de 2009, não o de 2008), é o amor. Com uma pitada diferente, dessa vez. No disco de 2009, Mallu tinha uma visão um tanto romântica, “juvenil” e idealizada do amor. A Mallu de 2011 continua romântica, continua vivenciando – e se inspirando – no seu amor. Mas, ela tem uma visão um tanto mais madura do tema. Uma visão que somente a experiência de vida (mesmo que numa jovem de 19 anos como ela) e a segurança que ela nos dá pode nos oferecer. De uma certa forma, seu “Pitanga” tem muita intertextualidade com o “Toque Dela” (álbum que Marcelo lançou em abril deste ano). Versos que ela faz aqui que remetem ao que ele escreveu lá. Provavelmente, no futuro, serão aquele tipo de discos que teremos que escutar juntos, como se um fosse a junção do outro. São os dois mais belos discos de 2011, por fazerem uma celebração do amor (deles). E que me lembram uma frase que foi dita pela Eliete Negreiros, grande amiga da Mallu, publicada no blog da artista, durante a produção de “Pitanga”: “Coitado de quem não sabe amar. Olha como a vida fica uma delícia com amor!”.

Pitanga (2011)
Artista: Mallu Magalhães
Gravadora: Sony Music

Compre o disco aqui.

outubro 7, 2011 at 10:08 pm 22 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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