50%

março 1, 2012 at 12:48 am 15 comentários

“50%”, título do filme dirigido por Jonathan Levine, faz referência às chances de sobrevivência de Adam Lerner (Joseph Gordon-Levitt) após ele receber o diagnóstico de que está com um câncer na espinha dorsal. O personagem foi baseado na experiência de vida do roteirista Will Reiser, ele mesmo um sobrevivente do câncer. A história que acompanharemos no decorrer dos 99 minutos de duração do filme aborda justamente os efeitos que esta notícia terá na vida e nos relacionamentos que Adam possui.

É óbvio que a descoberta de algo desse tipo mexe com qualquer pessoa. Por incrível que pareça, no caso de Adam, chama a atenção o fato de que ele lida com isso de uma forma aparentemente normal, uma vez que ele continua tocando a sua vida na maior naturalidade possível, especialmente tendo em vista o fato de que sua rotina irá mudar consideravelmente após o início do tratamento contra a doença.

O lado interessante – e verdadeiro – de “50%” vem do fato de que, na medida em que a situação de Adam progride, o próprio emocional dele e o das pessoas que o rodeiam – especialmente com a namorada Rachael (Bryce Dallas Howard) e com a sua mãe – vai se deteriorando a ponto de chegarem no fundo do poço do desgaste – o que é completamente normal em se tratando de tudo o que ele está vivendo. Neste ponto, é muito importante a entrada de Katherine McCoy (Anna Kendrick), a jovem terapeuta de Adam, na trama, pois ela o ajuda a enxergar o outro lado de tudo isso.

Um outro elemento muito bom da trama de “50%” é que o roteiro alterna muito bem os momentos dramáticos com alguns que são mais leves. Todos, diga-se de passagem, são fruto da aparição de Kyle (Seth Rogen), melhor amigo de Adam, e que vai ser aquela pessoa que, da forma mais estranha possível, vai dar muita força ao amigo, exercendo o importante papel de fazer com que ele escape a mente de qualquer preocupação ou medo.

Tendo em vista a sua temática, “50%” é um filme diferenciado, pois não manipula as suas emoções e, em nenhum momento, faz a plateia sentir pena de Adam. Pelo contrário, chega a ser um retrato bastante sincero de uma situação que ninguém quer vivenciar, ainda mais numa idade tão jovem. Joseph Gordon-Levitt está perfeito no retrato de alguém que não sabe o que o futuro lhe reserva, mas que tem a plena certeza de que a receita é viver um dia de cada vez.

Cotação: 9,0

50% (50/50, 2011)
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Will Reiser
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bryce Dallas Howard, Anna Kendrick, Seth Rogen, Anjelica Huston, Philip Baker Hall

Entry filed under: DVD.

O Artista Cavalo de Guerra

15 Comentários Add your own

  • 1. Luis Galvão  |  março 1, 2012 às 12:56 am

    Também gostei bastante desse filme. E o Gordon-Levitt está ótimo, por mais que eu não goste muito de Seth Rogen. (e as meninas Howard e Kendrick tem participações bem legais!) Abs,

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    • 2. Kamila  |  março 1, 2012 às 12:59 am

      Luís, o Gordon-Levitt é muito talentoso. Dificilmente, a gente o vê errando ou mal. Eu gostei muito desse filme. Abraços!!

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  • 3. Cristiano Contreiras  |  março 1, 2012 às 3:25 am

    Ka, isso aí, eu gostei muito do filme. Nem esperava e fiquei satisfeito, até me emocionou em dois momentos. Gordon-Levitt tem muito talento, né? Teu texto está ótimo, concordo em tudo. Uma pena que o filme não foi pro cinema, poderia ter sido mais “valorizado”. Enfim, acontece. Beijão!

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  • 4. Paulo Ricardo  |  março 1, 2012 às 4:01 am

    Kamila eu tenho um medo de ter uma doença assim,tenho medo de morrer sofrendo.Vamos falar do filme,pq se não faço desse post uma terapia rsrsrs.Gosto do lado “Bromance” do filme.Amigos inseparavéis não gay,a cena que Seth Rogen entrega a traição de Bryce Dallas Howard(prepare-se Kamila,em “Histórias Cruzadas vc verá a melhor atuação dela) é hilária.”Bromance” que eu digo é na linha de “Eu Te Amo Cara” e “Superbad”(menos escatologico claro).É um tema pesado e tratado de forma leve e em algumas momentos bem engraçados.É muito boa a cena que Seth Rogen fica sabendo da morte de Patrick Swayze rsrsrs.O filme é isso,sobre doença,mas tbm sobre como uma boa amizade é fundamental na dor.Destaque para Anjelica Huston.

    Beijos!

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    • 5. Kamila  |  março 1, 2012 às 11:08 am

      Cristiano, eu também não esperava gostar tanto do filme como gostei desse. O Gordon-Levitt é um dos melhores atores da geração dele, sem dúvida. Muito obrigada! E concordo que a obra merecia um lançamento no cinema. Beijo!

      Paulo, o lado “bromance” desse filme é interessante, mas, pra ser bem sincera, o que mais me chamou a atenção foi o relacionamento do Adam com a sua terapeuta. Pra mim, esse é o ponto alto do filme porque ela muda muito a perspectiva dele sobre diversos assuntos. Beijos!

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  • 6. cleber eldridge  |  março 1, 2012 às 1:32 pm

    eu já esperava que você iria gostar … rs. o um filme muito bom e até mesmo o detestavel seth rogen está bem no filme, justamente por fazer um personagem irritante/chato (a cena do carro é particularmente tocante), roteiro muito interessante e gordon-levitt mais uma vez belissimo.

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    • 7. Kamila  |  março 1, 2012 às 1:41 pm

      Cleber, 🙂 Não acho o Seth Rogen tão detestável assim. Acho que ele sempre atua da mesma forma, mas ele não me incomoda. Sempre rio com ele. Esse é um filme diferente. Tem vários momentos bonitos e um Joseph Gordon-Levitt, como sempre, inspirado.

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  • 8. Reinaldo Matheus Glioche  |  março 1, 2012 às 2:25 pm

    Excelente crítica Ka. Acho esse um filme negligenciado na temporada de premiações. Levitt está magnífico; o roteiro, além de criativo, é essencialmente humano e a fita como um todo é surpreendente.
    Bjs

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  • 9. Celo Silva  |  março 1, 2012 às 2:32 pm

    Filme muito bom mesmo, assisti ano passado e gostei muito. Gosto da atuação de todos. Um filme emocionante e com a vantagem de não ser apelativo.

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  • 10. Alan Raspante  |  março 1, 2012 às 3:24 pm

    Tem diversos pontos que eu eu gostei (principalmente na situação do personagem ter que depender da namorada, sendo que esta acaba ficando apenas por “piedade” e tudo mais), porém, o filme não me conquistou não. É bacana e tem suas qualidades, mas pra mim, foi bastante esquecível.

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    • 11. Kamila  |  março 1, 2012 às 5:33 pm

      Reinaldo, obrigada! Também acho que esse foi um filme negligenciado na última temporada de premiações. Merecia ter sido mais valorizado, especialmente no que diz respeito ao roteiro. Concordo que este é um filme essencialmente humano. Beijos!

      Celo, exatamente. O fato de não ser apelativo foi a coisa que eu mais gostei nesse filme. Porque ele não quer manipular seus sentimentos e emoções. A gente se envolve de forma sincera com a história do protagonista.

      Raspante, o filme me conquistou, diferentemente do que ocorreu com você. E não acho uma história dessas esquecível.

      Responder
  • 12. Matheus Pannebecker  |  março 2, 2012 às 3:12 am

    Kamila, me decepcionei bastante com esse filme. Principalmente com os atores. Todos eles me pareceram acomodados. Gordon-Levitt sendo Gordon-Levitt, Kendrick sendo Kendrick. Sem falar do Seth Rogen, um sujeito que me cansa demais…

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    • 13. Kamila  |  março 2, 2012 às 11:00 am

      Matheus, poxa, não enxerguei essa acomodação nos atores. Acho que somente o Seth Rogen, que sempre se repete, com os mesmos trejeitos, a mesma entonação da voz. Esse não se esforça, de jeito nenhum. Mas, gostei do Gordon-Levitt e da Kendrick. Achei os dois ótimos!

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  • 14. Andinhu S. de Souza  |  março 7, 2012 às 4:26 am

    Filmaço, não? Adorei e eu poderia assistir mais umas 10 vezes que não iria enjoar. A cena do livro é belíssima. E bem que Gordon-Levitt podia entrar no lugar de Pitt ou Clooney no Oscar neh, mas fazer o que?

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    • 15. Kamila  |  março 9, 2012 às 9:50 pm

      Andinhu, um bom filme, sim! Não diria filmaço! 🙂 O Gordon-Levitt teve uma atuação maravilhosa aqui.

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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