Cena da Semana

janeiro 8, 2012 at 10:09 pm 20 comentários

(O concerto – À Meia Luz (1944) – diretor: George Cukor)

Não é de hoje que Hollywood gosta de fazer remakes. Tome-se como exemplo o caso do suspense “À Meia Luz”. Baseado em uma peça teatral escrita por Patrick Hamilton, o material foi adaptado duas vezes ao cinema – curiosamente, as duas versões foram realizadas na década de 40, com somente quatro anos de diferença entre os dois filmes.

Na primeira versão (1940), dirigida por Thorold Dickinson, já dá para perceber o por quê de terem decidido fazer uma nova versão da história. O roteiro escrito por A.R. Rawlinson e Bridget Boland é muito mal elaborado. Muitos momentos narrativos se repetem, o que torna este filme um tanto redundante em vários instantes. O ponto alto desta primeira versão é a atuação de Anton Wallbrook como Paul Mallen, o grande vilão da obra, homem responsável pelo jogo de manipulação psicológica em sua própria esposa, aqui interpretada por Diana Wynyard.

Na segunda versão (1944), dirigida por George Cukor, o roteiro escrito por John Van Druten, Walter Reitsch e John L. Balderston consegue transformar este material no grande thriller psicológico que ele tinha potencial para ser. Nos seus 114 minutos de duração (contra os 84 minutos da versão original), apesar da trama previsível, o filme mantém um clima tenso até o seu final. George Cukor, diretor conhecido pela habilidade de tirar dos seus atores o melhor que eles tinham a oferecer, guia Charles Boyer e Ingrid Bergman (reprisando os papéis que foram de Wallbrook e Wynyard na versão anterior) em duas grandes atuações. O resultado foi um fillme indicado a 7 Oscars (dos quais ganhou duas estatuetas: as de Melhor Atriz e Melhor Direção de Arte) e que possui algo em comum com a primeira versão, uma vez que encontra, também, seu ponto alto na elaboração do personagem interpretado por Boyer, que, sem dúvida, é um dos maiores vilões do cinema que eu tive a chance de assistir.

Alguns detalhes curiosos em relação a essa segunda – mais conhecida e, por quê não, definitiva? – versão de “À Meia Luz”: o filme marcou a estréia de Angela Lansbury (em performance indicada ao Oscar 1944 de Melhor Atriz Coadjuvante) no cinema e prestem atenção ao nome do personagem de Charles Boyer que, na refilmagem, foi batizado como Gregory Anton. Com certeza, o sobrenome deve ter sido uma mais que justa homenagem prestada a Anton Wallbrook, que tão bem interpretou o personagem na primeira versão de “À Meia Luz”.

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20 Comentários Add your own

  • 1. cleber eldridge  |  janeiro 8, 2012 às 10:22 pm

    Eu infelizmente não assisti nenhuma das duas versões!

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    • 2. Kamila  |  janeiro 8, 2012 às 10:25 pm

      Cleber, e se for assistir, recomendo o remake dirigido por George Cukor, que é bem melhor que a versão original.

      Responder
  • 3. Weiner  |  janeiro 8, 2012 às 10:36 pm

    Tenho o DVD com as duas versões, e sem dúvida nenhuma aquela com Cukor é bem mais interessante – seja pelo roteiro, a direção ou mesmo as atuações, excelentes na versão de 44. Ainda que não seja partidário da vitória de Bergman sobre Stanwyck (melhor em Pacto de Sangue), concordo que ela constroi Paula Alquist de maneira muito boa. Insuportável (graças à boa atuação) são Charles Boyer e sobretudo Angela Lansbury, essa última merecedora de um Oscar que acabou não vindo.
    Um bom filme, que só peca pelo desfecho um tanto doce demais. George domina os atores, já percebeu? Um dos melhores diretores de atores de todos os tempos!
    Beijos!

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    • 4. Kamila  |  janeiro 8, 2012 às 11:03 pm

      Weiner, também tenho esse DVD com as duas versões do filme e a do Cukor é muito melhor que a original. Eu gostei do Charles Boyer e não gostei da Angela Lansbury, tanto que fiquei surpresa de saber que ela tinha sido indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por esse filme. George é um BAITA diretor de atores. Beijos!

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    • 5. Pedro Paulo  |  janeiro 8, 2012 às 11:35 pm

      Esse assunto da categoria de melhor atriz de 1944 ainda rende… eu também premiaria Barbara, espetacular naquele filmaço que é Pacto de Sangue, mas a vitória da Ingrid não foi ruim. Sua atuação de Paula Alquist atormentada foi maravilhosa, mereceu.

      Piada foi ela ter roubado o Oscar da Valentina Cortese em 1974, isso sim, as isso ela fez questão de “puxar a orelha” da Academia, deixando Valentina maravilhada (viraram amigas até a morte dela, em 1982).

      Lansbury não tinha nem chances contra a marvilhosa, tocante, emocionante performance de Ethel Barrymorre em “Apenas Um Coração Solitário”.

      George realmente domina os atores. Adoro quando ele dirigiu meu casal favorito, Tracy-Hepburn, principalmente A Costela de Adão. Pena que ele ganhou o Oscar no ano errado, quando ele não mereceu (1964). Outro que dominava os atores (e era disputadíssimo por eles, pq sabiam que as atuações com ele poderiam dar Oscar) é o Willliam Wyler.

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    • 6. Pedro Paulo  |  janeiro 8, 2012 às 11:42 pm

      Aliás, Weiner, aquele Osar 1944, junto com 1956, 1998 e outros anos que me fogem da memória agora, deveria ser refeito.

      Onde que “O Bom Pastor” é melhor que “Pacto de Sangue” e “À Meia Luz”?

      Onde que Bing Crosby foi melhor que Charles Boyer?

      Onde que Barry Fitzgerald foi melhor que Clifton Webb?

      E na categoria “Melhor Atriz” (que estava ótima e acirradíssima) faltou Judy Garland!

      Responder
  • 7. Pedro Paulo  |  janeiro 8, 2012 às 11:25 pm

    Nossa, adoro esse filme.

    Ingrid Bergman estava fenomenal (apesar de não estar melhor que em Casablanca), Oscar merecidíssimo (apesar que muitos acham que deveria ter sido entregue à Barbara Stanwick, pela também magistral performance em “Pacto de Sangue”, e eu acho que ela ganhou esse por terem tirado dela em 1942), Charles Boyer psicótico também merecia aquele Oscar, foi seu momento máximo no cinema.

    Angela já começava com o pé direito no cinema, atuação fenomenal, em 1944 ela não tinha chances contra Ethel Barrymore (sublime) mesmo, mas foi uma pena que não ganhou em 1962, pela megera de “Sobre o Domíno do Mal”, seu momento máximo.

    George foi um grande diretor, adoro ele, principalmente dirigindo meu casal favorito Kate-Hepburn e em Nasce Uma Estrela, mas ganho seu Oscar pelo filme errado.

    Concordo plenamente com você Ka, Cukor, junto com Wyler, conseguia tirar as melhores interpretações dos atores (ambos eram disputadíssimos pelas atrizes, porque sabiam que poderiam concorrer ao Oscar).

    P.S.: Não sabia que essa versão era remake. Ka, queria sua opinião (ou ate um review, quem sabe) sobre Farrapo Humano. Gosta dele?

    Responder
    • 8. Kamila  |  janeiro 9, 2012 às 2:09 am

      Pedro, eu não assisti a “Pacto de Sangue” ainda, então não vou entrar na discussão de vocês. 🙂 Mas, concordo que George Cukor é um baita diretor de atores. Basta ver também o que ele fez com Judy Garland em “Nasce uma Estrela”, que foi roubado de um Oscar, essa é a verdade.

      Eu não achei a atuação da Angela fenomenal aqui, me desculpe! Mas, concordo em relação à Ingrid e Charles, que estão muito bem mesmo!

      William Wyler é uma ótima lembrança sua de mais um excelente diretor de atores.

      Adoro “Farrapo Humano”, acho um filme sensacional. Billy Wilder é mestre e meu diretor favorito. Um filme atemporal!

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      • 9. Pedro Paulo  |  janeiro 9, 2012 às 2:29 am

        Bom saber que gosta de Farrapo Humano. Também adoro.

        Ka, o Billy Wilder (que também adoro) é seu diretor favorito e você não assistiu uma das maiores obras primas dele, Pacto de Sangue?

        Então vá agora, já, imediatamente, depressa, anda!, estou te intimando, rsrs, a assistir esse filme, você vai adorar! Um dos melhores noir de todos os tempos.

      • 10. Pedro Paulo  |  janeiro 9, 2012 às 2:40 am

        Ah! E, realmente, aquele Oscar de 1954 para Grace Kelly é um dos maiores absurdos da Academia. Judy Garland dominou!

        Farrapo Humano não envelheceu, continua atualíssimo. Por isso que você te que ver Pacto de Sangue (Double Indemnity), Ka! Ele é forte até pros padrões de hoje! A cena que Barbara desce a escada mostrando só os pés (grande sacada do Wilder) é antológica!

        1945 – FH e 1946 – OMANV; 1959 – B-H e 1960 – TA… eu sempre tive uma impressão de rivalidade entre Wyler e Wilder, você também percebe isso, Kamila? E qual seu filme preferido dele, Quanto Mais Quente Melhor?

      • 11. Pedro Paulo  |  janeiro 9, 2012 às 2:42 am

        Correção: a verdade, em 1960, é SMAF, em português, e não TA, em inglês.

  • 12. Flavio  |  janeiro 8, 2012 às 11:42 pm

    Oi Kamila, leio muito o Rubens Ewald Filho citar estas preciosidades do passado. Este ainda não vi , vou tentar encontrá-lo ou ficar de olho no TCM,rs. Abs!

    Responder
  • 13. Elton Telles  |  janeiro 8, 2012 às 11:42 pm

    Ká, não vi a cena para não estragar o enterro rs, mas pq não assisti ao filme. Uma lacuna que tenho que preencher.
    Aliás, nao vi a nenhum dos filmes a que essa magistral atriz foi agraciada no Oscar… mancada cinéfila =/

    Bjs!

    Responder
  • 14. Paulo Ricardo  |  janeiro 9, 2012 às 12:02 am

    Vou procurar “À Meia Luz” .Não vi nenhum dos dois.Recomendaria qual deles pra mim Kamila? Beijos

    Responder
    • 15. Kamila  |  janeiro 9, 2012 às 2:11 am

      Flávio, tente assistir sim, mas prefira o remake, que é bem melhor. Abraços!

      Elton, eu conheço pouco da Ingrid Bergman também. Estamos juntos na mancada cinéfila! rsrsrs Beijos!

      Paulo, o remake, sem dúvida. Beijos!

      Responder
  • 16. Eri Jr.  |  janeiro 9, 2012 às 1:10 am

    Ainda não assisti nenhuma das duas versões e (pasme) não vi nenhum filme de Cukor!!! =( Isso me entristece muito as vezes, mas enfim, tenho muito tempo ainda para preencher essas lacunas na minha jornada cinéfila! Bjos

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  • 17. Luis Galvão  |  janeiro 9, 2012 às 1:47 am

    Graaande George Cukor! Infelizmente, não assistir nenhuma das duas montagens, mas adoro o trabalho do diretor e por essa cena percebe-se o talento da filmagem, toda revelação construída ao som de um concerto. Belíssimo.

    Responder
    • 18. Kamila  |  janeiro 9, 2012 às 2:12 am

      Eri, Cukor é um baita diretor, corra atrás dos filmes dele! Beijos!

      Luis, exatamente, e o concerto revela também todo o jogo de manipulação psicológica que o marido exerce sobre a mulher. Uma cena cortante!

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  • 19. Weiner  |  janeiro 9, 2012 às 10:01 pm

    Gente, assistam a “Europa 51”, de Roberto Rosselini, uma das atuações mais fortes da Ingrid Bergman!!! Sem falar que é um filme genial também!

    Responder
    • 20. Kamila  |  janeiro 9, 2012 às 10:12 pm

      Weiner, dica anotada! 🙂

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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