Apollo 18: A Missão Proibida

setembro 23, 2011 at 10:12 pm 16 comentários

O programa Apollo foi criado no governo do Presidente Dwight Eisenhower e mantido pela NASA com o objetivo de “levar o homem à lua e retorná-lo em segurança para a terra”. Foram necessárias onze tentativas até que, em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin conseguiram alcançar este objetivo, o qual foi imortalizado pela frase de Armstrong: “este é um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”. Ao todo, neste programa, foram enviadas 17 missões para a lua.

O filme “Apollo 18 – A Missão Proibida”, do diretor Gonzalo López-Gallego, fala sobre a 18ª (fictícia?) missão enviada para a lua com o objetivo de explorar o local e recolher amostras do solo lunar que seriam encaminhadas para estudos pelos cientistas norte-americanos. Nesta missão altamente secreta, três astronautas (Warren Christie, Lloyd Owen e Ryan Robbins) ansiosos para cumprirem seu papel.

A estética deste filme, bem como a sua estrutura narrativa, seguem a fórmula de obras como “A Bruxa de Blair”, “Cloverfield – Monstro” e “Atividade Paranormal”. Ou seja, estamos diante de um formato documental que acompanha a missão, o cotidiano dos três astronautas, a relação entre eles, as descobertas que eles fazem, os momentos de tensão e de brincadeiras, até que acontece um ponto de virada na trama que nos faz crer que existe algo de muito estranho em solo lunar – e não estamos falando da possibilidade da existência de vida humana por lá.

É justamente este ponto de virada que faz com que a narrativa de “Apollo 18 – A Missão Proibida” saia do marasmo (juro que muitas vezes a impressão que se dá é a de que nada está acontecendo no filme e que a trama está bastante estagnada, sem progredir) e ganhe um pouco de movimento, por meio do medo e da apreensão que se instala entre o Comandante da missão e o piloto do módulo lunar que o acompanha in loco na Lua.

“Apollo 18 – A Missão Proibida” é aquele tipo de filme que você já assiste sabendo como ele irá terminar (especialmente por causa dos alertas que são colocados para a plateia nos créditos iniciais). Talvez por isso e pela falta de acontecimentos interessantes no primeiro ato do longa, você não irá se envolver com a história, muito menos se importar com o destino dos três astronautas envolvidos nesta missão. A obra ainda se apoia em vários clichês dos filmes desse gênero (atores desconhecidos interpretando os personagens centrais, o caráter “amador” das filmagens e o fato de ser baseado numa história supostamente real).

No final, o aspecto mais interessante de “Apollo 18 – A Missão Proibida” acaba sendo a forma como aspectos como o pioneirismo, o patriotismo e o heroísmo dos Estados Unidos são retratados pelo diretor. Ao mesmo tempo em que temos os três astronautas que são potenciais herois, nós temos aqueles que ficaram na base de Houston da NASA e que são os verdadeiros donos do destino desses personagens. As decisões que eles têm que tomar os tornam vilões, mas o curioso é que não existe espaço para o julgamento moral dessas decisões. O que foi feito era o que tinha que ser feito.

Cotação: 2,5

Apollo 18 – A Missão Proibida (Apollo 18, 2011)
Diretor: Gonzalo López-Gallego
Elenco: Warren Christie, Lloyd Owen, Ryan Robbins

Entry filed under: Cinema.

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16 Comentários Add your own

  • 1. Thyago  |  setembro 23, 2011 às 10:19 pm

    Mas… o que lhe desagradou mais neste filme? O formato de pseudo-documentário que até hoje só vi funcionar realmente bem no Bruxa de Blair ou o fato do começo do filme ser tão interessante quanto assistir a um programa de domingo?

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  • 2. João Paulo Rodrigues  |  setembro 23, 2011 às 10:32 pm

    Aspecto documental sim … mas olho, já que os inúmeros filmes que sairam só tinham mesmo o “aspecto” mas essencia … está longe de ser isso … já que nem A Bruxa de Blair (que foi mais beneficiado com a ausência de informações na época) ou Cloverfield (que não é documental nem aqui e nem na China) ou até mesmo RECa não sustentam isso …

    Talvez Apollo 18 seja o mais próximo da verdadeira estética documental junto com Diário dos Mortos, Brüno, Borat e até mesmo Tá Dando Onda carregam o dote documental.

    Já o filme em si, ele não é lembrado mais pela questão estética mas sim pelos questionamentos interessantes que o mesmo levantou como a suspensão de idas ao homem a lua e de como era tão facil nessa época se tornou o que podemos dizer, uma complicações no dia de hoje.

    Um filme que prefere ser lembrado como um questionador … mas não como um cinema propriamente dito. Eu gostei, mas fica dificil recomendar a uma época onde essa linguagem está chegando ao borde da raiva.

    Xerim Milla!

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    • 3. Kamila  |  setembro 23, 2011 às 10:35 pm

      Thyago, o roteiro inexistente. Foi isso que mais me desagradou nesse filme.

      João, bom, você gostou desse filme mais do que eu, como comprova a sua crítica. 🙂 Eu concordo que o longa tem essa lado questionador, mas ele nunca se dedica a isso por inteiro, uma vez que acho que a intenção maior desse filme acaba sendo tentar causar impacto e ser um fenômeno. E, sim, posso totalmente estar enganada nisso. Beijo!

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      • 4. João Paulo Rodrigues  |  setembro 23, 2011 às 10:40 pm

        Claro que não estas enganada, afinal, é uma visão particular sua … Podemos encontrar debates de uma maneira explicita ou implícita … nesse filme faz esse jogo ..

        Porém o que mais surpreende é ver a propria Nasa dizendo que o filme é ficção e o site lunar truth levanta debates interessantes. E é nisso que reside os questionamentos da ficção … criar debates do por que o homem não foi mais além do desconhecido.

        Pelo menos não vemos um diretor europeu vindo ao estados unidos fazendo remake de terror oriental …

  • 5. Kamila  |  setembro 23, 2011 às 10:57 pm

    João, mas acho até natural a NASA dizer que o filme é ficção e que outros sites levantem questões interessantes, porque filmes como esse despertam essas teorias conspiratórias. É tudo o que o povo que gosta disso queria que acontecesse.

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  • 6. Amanda Aouad  |  setembro 24, 2011 às 12:55 am

    É, o filme é lamentável mesmo, a idéia era boa, mas o roteiro como você disse é inexistente, e não há empatia com os personagens. Nem tem como, a construção deles é quase nula. E o tal perigo se torna risível. Uma pena.

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  • 7. Alan Raspante  |  setembro 24, 2011 às 1:21 am

    Típico filme que eu corro sem olhar para trás!

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  • 8. Celo Silva  |  setembro 24, 2011 às 2:03 am

    É um filme q poderia até ser interessante, mas o estilo mockumentary faz com q td pareça meio chato. Enfim, pode ter seu valor, mas q é maior mala é!

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    • 9. Kamila  |  setembro 24, 2011 às 9:43 pm

      Amanda, concordo contigo!

      Raspante, eu deveria ter feito isso!

      Celo, eu acho que não tem esse quê de mockumentary, mas de fakementury mesmo! rsrsrs O filme é muito mala!!

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  • 10. Mateus Selle Denardin  |  setembro 24, 2011 às 3:08 am

    Há conceitos interessantes por trás da história, e mesmo o falso-documentário é um estilo atraente (e colocá-lo numa época passada é um diferencial nesse filme), mas aqui, como já foi dito, há pouca empatia com os personagens e com seu destino, e uma dificuldade em se criar tensão em alguns momentos fundamentais. Ainda assim, não achei uma tragédia, embora tenha pouco de original a seu favor.

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  • 11. Paulo Ricardo  |  setembro 24, 2011 às 4:25 pm

    Assustei com a nota 2,5.Kamila nenhuma critica faz referencia ao ótimo “Apollo 13” de Ron Howard,eu achei que muitos criticos poderiam fazer uma comparação,mas esse filme me parece tão fraco que nem isso conseguiu.Parece que o diretor errou e muito a criar uma 18° missão fictícia e não pensei que o filme poderia ser tão ruim(não vi,estou me baseando pela sua critica,que é confiavel).Pelo menos um detalhe o filme tem de bacana:o poster é muito bonito rss.Beijos.

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    • 12. Kamila  |  setembro 24, 2011 às 9:44 pm

      Mateus, exatamente, existem conceitos interessantes por trás da história e eu cito o que me chamou a atenção nela no meu último parágrafo, mas isso foi muito pouco…. O filme é decepcionante.

      Paulo, mas esse filme não dá para comparar com “Apollo 13”, porque as propostas são totalmente diferentes. Não existe semelhança. A realidade é que o diretor planta a dúvida razoável: foi verdade ou mentira, o que assistimos? Beijos!

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  • 13. Cristiano Contreiras  |  setembro 26, 2011 às 4:05 am

    Achei chato, meia hora eu já queria sair da sala…sério mesmo! Concordo muito com sua opinião! Beijo

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  • 14. João Linno'  |  setembro 26, 2011 às 6:26 pm

    Todas as críticas detonaram esse filme. Quando vi o trailer fiquei até interessado, mas acho que vou esperar um pouco para vê-lo.

    Bjs!

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    • 15. Kamila  |  setembro 26, 2011 às 10:32 pm

      Cristiano, é chatíssimo mesmo, justamente porque a história não progride. Beijo!

      João Linno, é bem melhor assistir em casa mesmo. Talvez, ele até funcione assim! Beijos!

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  • 16. Os Piores Filmes de 2011 « Cinéfila por Natureza  |  dezembro 27, 2011 às 12:39 am

    […] “Apollo 18 – A Missão Proibida” é aquele tipo de filme que você já assiste sabendo como ele irá terminar (especialmente por causa dos alertas que são colocados para a plateia nos créditos iniciais). Talvez por isso e pela falta de acontecimentos interessantes no primeiro ato do longa, você não irá se envolver com a história, muito menos se importar com o destino dos três astronautas envolvidos nesta missão. A obra ainda se apoia em vários clichês dos filmes desse gênero (atores desconhecidos interpretando os personagens centrais, o caráter “amador” das filmagens e o fato de ser baseado numa história supostamente real). (Crítica publicada em 23 de Setembro de 2011) […]

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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