Homens em Fúria

agosto 31, 2011 at 10:18 pm 22 comentários

“Homens em Fúria”. Adicionem mais essa pérola aos equívocos cometidos pelos tradutores de títulos brasileiros. Olha que “Stone”, título original do filme dirigido por John Curran, também não é dos mais adequados, como percebido a partir do momento em que entramos em contato com a história escrita por Angus McLachlan. O título original faz referência a Gerald “Stone” Creeson (Edward Norton), um piromaníaco condenado após ser cúmplice do assassinato de seus próprios avós e que está pleiteando a liberdade condicional após cumprir 8 anos de prisão.

O destino de Stone está nas mãos do agente de condicional Jack Mabry (Robert de Niro), um homem que, como o prólogo de “Homens em Fúria” bem nos comprova, é alguém que, assim como as pessoas com quem ele convive diariamente na penitenciária, também tem muitos esqueletos a esconder dentro de seu próprio armário. Um detalhe importante a se perceber no filme é que, ao contrário do que o título nos indica, não é Stone a peça mais fundamental da trama; na realidade, a história que nos é contada é vista pelo olhar e pelos efeitos que os acontecimentos retratados no longa causam no próprio Jack Mabry e em sua vida cheia de paredes rachadas.

Um dos aspectos mais impressionantes em “Homens em Fúria” é tentar entender como um profissional experiente como Jack Mabry, o qual está prestes a se aposentar (e sim, esse é um detalhe clichê, porém importante para o que assistiremos), cai no jogo barato de manipulação feito por Stone e sua esposa Lucetta (Milla Jovovich) em busca do parecer favorável de Jack para o pedido de condicional dele. O jogo do casal é tão previsível que não dá para compreender como Jack não percebeu o que vinha pela frente.

Esse é um dos aspectos que transformam “Homens em Fúria” num daqueles filmes que não vai prender a tua atenção por completo, porque você já começa a perder a fé no longa já no seu segundo ato. Outro elemento triste de se perceber, durante a experiência de assistir à obra, é ver o quanto que dois atores do calibre de Robert de Niro e Edward Norton se tornaram caricatura de si mesmos. Enquanto o primeiro fica franzindo a testa para revelar toda a pompa e dureza de Jack, o segundo interpreta uma variante de tantos outros personagens que já fez, como os de “As Duas Faces de um Crime” e “A Cartada Final”, por exemplo. Uma pena…

Cotação: 4,0

Homens em Fúria (Stone, 2010)
Direção: John Curran
Roteiro: Angus McLachlan
Elenco: Edward Norton, Robert de Niro, Milla Jovovich, Frances Conroy

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Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo Quero Matar Meu Chefe

22 Comentários Add your own

  • 1. Mayara Bastos  |  agosto 31, 2011 às 10:26 pm

    Que pena… Parecia ser um filmaço, ainda mais juntando De Niro e Norton juntos. Vejo, sem pressa.

    Beijos! 😉

    Responder
  • 2. João Paulo Rodrigues  |  agosto 31, 2011 às 10:48 pm

    A maior dor é que por muitas vezes, é saber que o cast tem talento, mas que cai para um terreno muito triste que é a obviedade e o desleixo da mesma história. Uma grande lastima, o que poderia ser um grande reencontro poderia se transformar em uma grande decepção …

    Se bem que ultimamente ver qualquer filme da Millennium Films com um ótimo elenco remete a essa ideia … que muitas vezes ter as peças certas as vezes nem sempre é uma garantia de ter um projeto que possa explorar ainda mais a potencialidade almejada. Uma grande pena … mais para você anjo que sem duvida, existiu momentos de duvida para dizer que grandes atores cairam em obviedades de trama.

    Pois bem … uma coisa eu sei e você também … os dois são grandes e não precisam provar mais nada para ninguem … mas que pelo menos que seus encontros sejam explosivos em talentos …

    Beijim Milla!

    Responder
    • 3. Kamila  |  agosto 31, 2011 às 11:05 pm

      Mayara, pois é… Uma pena. Beijos!

      João, a maior dor é ver um ator como Edward, que eu adoro tanto, desperdiçando seu talento em filmes como esse… 😦 Eu queria ver esses dois grandes atores em filmes proporcionais ao talento deles, mas tá difícil… Beijo!

      Responder
      • 4. João Paulo Rodrigues  |  agosto 31, 2011 às 11:34 pm

        Calma anjo … podes no futuro e de repente repetir aquela frase de Zagallo dizendo em palavras simples …

        AI SIM, FOMOS SURPREENDIDOS NOVAMENTE!

  • 5. Cassiano  |  agosto 31, 2011 às 11:15 pm

    É Kamila, pra vc tá falando mau do filme e da atuação do Norton é pq o bicho pegou mesmo!

    Responder
    • 6. Kamila  |  agosto 31, 2011 às 11:40 pm

      João, EU QUERO SER SURPREENDIDA! rsrsrsrsrs

      Cassiano, o bicho pegou geral…

      Responder
  • 7. Paulo Ricardo  |  setembro 1, 2011 às 1:39 am

    Você descreveu perfeitamente a posição de Robert De Niro e Edward Norton no filme:tornaram caricauras de si mesmo.É horrível dizer isso mas Robert De Niro só erra ultimamente(na verdade há muitos anos).Meu pai do ceú esse cara deixou meu coração partido(não levam pra maldade rss)como Travis em “Táxi Driver” e me emocionou em “Touro Indomavel” como Jake LaMotta,quando o ganguester de “Os Bons Companheiros” franzia a testa eu já entendia o que ele sentia e qual reação teria,em “Cabo do Medo” o ex-presidiario Max um psicopata que não aceita o erro do advogado o que lhe custou 14 anos na cadeia(a cena que De Niro gargalha no cinema é hilária),e nos últimos anos cade De Niro? é só careta e aqueles gestuais,vc foi brilhante Kamila:o cara se tornou caricatura de si mesmo.Sobre o filme? eu vi esse filme em DVD a alguns meses e achei a interpretação de Edward Norton exageradamente composta(repare como ele força a voz,será que um presidiario tem que ser rouco?) e De Niro exagera na careta(parece que ele esta com dor de estomago ou azia)a premissa é interessante(mas como vc mesmo citou,não deixa de ser clichê) e não me convence um homem se deixar seduz pela Mila Jokovich.O diretor devia escalar um “mulherão” que convenceria no jogo de sedução,uma Scarlett Johansson,Natalie Portman e Amanda Seyfried(essa até eu liberaria o presidiario hehehe).Acho melhor escolhermos outro “ator favorito” pq o meu favorito(De Niro)só me decepciona e o seu(Norton) também.Mas “Homens em Fúria” não me irritou tanto quanto “Irmãos de Sangue”.Beijos Kamilinha.

    Responder
  • 8. Paulo Ricardo  |  setembro 1, 2011 às 1:48 am

    2° comentário:

    Já notou que todas as atuações marcantes de Robert De Niro foi sob a direção de Martin Scorsese? será que De Niro só atua bem quando é dirigido pelo mestre? Pelo amor de deus,não estou falando que ele não é um excelente ator(meu favorito).Ele esteve bem como Vito Corleone em “O Poderoso Chefão-Parte ll”(não vou usar numero 2,pq papai Coppola que inventou algarismos em continuações) e outras grandes atuações.Mas foi Martin Scorsese que conduziu ele para ser um dos maiores atores da história do cinema.

    Me responda rápido,qual sua atuação favorita de De Niro sob o comando de Scorsese:Taxi Driver,Touro Indomavel,Os Bons Companheiros,Cabo do Medo ou Cassino?

    Fico com Travis de “Táxi Driver” que me fez sentir pena daquela solidão imensa e no final o sem vergonha me trai ao cometer um banho de sangue no bordel.Mas gosto muito de “Jake LaMotta”.Mas fico com o Travis mesmo.

    Beijos

    Responder
  • 9. Amanda Aouad  |  setembro 1, 2011 às 3:10 am

    Esses títulos brasileiros merecem um prêmio, hehe. Pena que o filme não é bom. Parecia.

    Responder
    • 10. Kamila  |  setembro 2, 2011 às 1:53 am

      Paulo, a Milla Jovovich teve uma grande sorte nesse filme. Primeiro, pelo papel que ela interpretou. Segundo, por causa dos dois atores com quem ela contracena. Nunca que ela terá outra chance dessas na vida. A atuação do Edward, nesse filme, me lembrou muito a dele em “A Cartada Final”. Idêntica, idêntica… Discordo que as maiores atuações do De Niro tenham sido sob a batuta do Scorsese. Sim, ele tem grande atuações com esse diretor, mas acho que ele tem bons trabalhos em filmes como “Tempo de Despertar”, por exemplo. Com Scorsese, minha atuação favorita é “Taxi Driver”. Beijos!

      Responder
    • 11. Kamila  |  setembro 2, 2011 às 1:53 am

      Amanda, concordo! Mereciam um prêmio!

      Responder
  • 12. Alan Raspante  |  setembro 1, 2011 às 11:05 am

    Eu assisti no cinema. Sabe, eu gostei. Preciso rever, mas lembro de ter simpatizado bastante com o filme…

    Responder
  • 13. Reinaldo Matheus Glioche  |  setembro 1, 2011 às 3:10 pm

    Ah Ka, com todo o respeito eu discordo de vc aqui. concordo que tenha um ou outro clichê de gênero, mas não vejo-os limitando o processo de criação. Enxergo muitas sutilezas no filme…

    Te convido para (re)ler minha crítica: http://claquetecultural.blogspot.com/2010/10/especial-homens-em-furia-critica.html

    Beijos

    Responder
  • 14. cleber eldridge  |  setembro 1, 2011 às 3:55 pm

    O que parecia ser um interessante estudo de personagens e das relações entre eles vai se tornando mais confuso do que profundo na medida em que se desenvolve. Mas é bom ver Norton de volta à forma.

    Responder
    • 15. Kamila  |  setembro 2, 2011 às 1:54 am

      Raspante, eu assisti em casa, no DVD e NÃO gostei!

      Reinaldo, pode discordar à vontade. 🙂 Vou reler sua crítica, sim! Beijos!

      Cleber, discordo que Norton esteja de volta à forma neste filme…

      Responder
  • 16. Cristiano Contreiras  |  setembro 2, 2011 às 4:36 am

    Péssimo filme, do meio pro final consegue ficar ainda pior…lamentável ver Norton e De Niro desperdiçados dessa maneira. Beijo!

    Responder
    • 17. Kamila  |  setembro 2, 2011 às 10:03 pm

      Cristiano, não chamaria o filme de péssimo, mas concordo com a segunda parte de seu comentário. Beijo!

      Responder
  • 18. João Linno  |  setembro 5, 2011 às 9:31 pm

    Não tenho muito a dizer sobre esse filme. Fui atraído pelos nomes “Robert De Niro” e “Edward Norton” no cartaz e me decepcionei MUITO. Um desperdício de elenco e para mim desperdício de dinheiro no cinema.

    Beijo.

    Responder
    • 19. Kamila  |  setembro 5, 2011 às 10:21 pm

      João Linno, eu fui atraída por causa do Edward Norton, meu ator favorito, e também me decepcionei MUITO! Beijo!

      Responder
  • 20. Pedro Paulo  |  setembro 7, 2011 às 1:19 am

    Um grande ator que surgiu na mesma época (aliás, a década de 70 foi ÉPICA para atores) e continua muito regular é Jack Nicholson. Adoro Dustin Hoffman também (já viu a propaganda dele com Ricardo Macchi, kkkk…. sensacional).

    Infelizmente De Niro parece que tá precisando de dinheiro. Al Pacino tá mais na TV (e muito bem, por sinal), Gene Hackman sumiu. Robert Duvall de vez em quando dá as caras.

    Responder
    • 21. Kamila  |  setembro 8, 2011 às 12:16 am

      Pedro, o Jack Nicholson, pra mim, é outro que se tornou uma caricatura de si mesmo…. Gosto muito do Dustin Hoffman também.

      Responder
  • 22. A Volta de Edward Norton « Cinéfila por Natureza  |  janeiro 12, 2012 às 11:06 pm

    […] dele que teve circulação nas salas nacionais – e de forma limitadíssima – foi “Homens em Fúria“, de 2010), melhor […]

    Responder

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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