Lope

agosto 26, 2011 at 12:18 am 8 comentários

A cinebiografia “Lope”, produção hispano-brasileira dirigida por Andrucha Waddington, tem como objeto principal de estudo o dramaturgo, poeta e autor de peças teatrais espanhol Félix Lope de Vega y Carpio. Ele é considerado um dos autores mais prolíficos da literatura universal, com uma produção artística composta de 426 comédias e 42 autos, além de obras de poesias, cartas, romances, poemas épicos e burlescos, livros religiosos e históricos, dentre outros gêneros.

O roteiro escrito por Jordi Gasull e Ignacio del Moral segue a trajetória de Lope (Alberto Ammann) no final do século XVI, na Espanha, quando ele havia acabado de retornar para casa depois de um longo período atuando na Invencível Armada durante a Guerra Anglo-Espanhola, e estava tentando se firmar na literatura, notadamente como autor de diversos poemas que, com o tempo, passaram a ser recitados em toda a Espanha. Entretanto, como bem frisa “Lope”, neste período, a personagem principal deste filme obteve grande notoriedade também como autor de peças teatrais no gênero de comédia, primeiro começando como adaptador de outras peças e, depois, conseguindo espaço para a encenação de seus próprios textos.

Seguindo a linha de um filme como “Shakespeare Apaixonado”, de John Madden, “Lope” tem uma abordagem narrativa de sua personagem principal parecida com a que os roteiristas Marc Norman e Tom Stoppard tiveram do maior nome da literatura e do teatro inglês. Félix Lope de Vega y Carpio é retratado como um artista galanteador, romântico e que precisava de uma grande musa para poder se sentir inspirado a ponto de escrever as suas obras. Neste sentido, em “Lope”, temos o autor ligado a duas mulheres distintas: a primeira, Elena Osorio (Pilar López de Ayala), filha do dono do teatro que contrata Lope como adaptador e que abre as portas para o talento artístico dele; e a segunda, Isabel (Leonor Watling), moça de família rica, que trabalha voluntariamente no hospital da cidade cuidando dos doentes e que representa um tipo de amor mais de doação – quase uma Lady Viola de Lesseps, para fazermos, novamente, um paralelo com a história de “Shakespeare Apaixonado”.

Do ponto de vista técnico, “Lope” é uma obra muito bem feita, com destaque para a fotografia de Ricardo Della Rosa; a direção de arte de Lilly Kilvert, César Macarrón, Federico Ghio e Isabel Viñuales e os figurinos de Tatiana Hernández. O diretor Andrucha Waddington entrega um filme muito consistente, com um viés totalmente romântico e uma cara de mini épico, que nos conquista justamente por causa do seu lirismo, resultado da mistura sempre bem-sucedida de amor e poesia. “Lope” é uma agradável surpresa e uma obra que merece ser descoberta.

Cotação: 7,0

Lope (Lope, 2010)
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Jordi Gasull e Ignacio del Moral
Elenco: Leonor Watling, Sonia Braga, Luis Tosar, Pilar López de Ayala, Alberto Ammann, Antonio de la Torre, Selton Mello, Miguel Ángel Muñoz

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8 Comentários Add your own

  • 1. Victor Nassar  |  agosto 26, 2011 às 12:46 am

    Confesso que não conhecia absolutamente nada sobre a pessoa Lope. E até por isso, tinha uma certa restrição, mas seu texto deu um novo ânimo. Bom ver esse tipo de produção aqui no Brasil também, um ar de autêntico romance e sem esse viés tão disseminado da comédia-romântica. Irei conferir!

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    • 2. Kamila  |  agosto 26, 2011 às 12:50 am

      Victor, eu fui assistir a este filme sem saber quem Lope era. Mas, relembrando: essa é uma produção estrangeira, filmada fora do Brasil, mas com apoio nacional.

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  • 3. Amanda Aouad  |  agosto 26, 2011 às 4:07 am

    Também gostei do filme, Kamila, achei ótimo o “mini épico”. A história do escritor espanhol nos envolve mesmo. Deu vontade de conhecer mais sobre sua obra.

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  • 4. Elton Telles  |  agosto 26, 2011 às 3:05 pm

    Ainda bem que não tinha nenhum objeto cortante por perto enquanto assistia a “Lope” hehe. Eu achei uma odisséia interminável, chatíssima, sem carisma, sem nexo – o cara ama as 2 mulheres? -, o elenco está bem relapso e Andrucha Waddington, caramba, tristemente foi pra Espanha e fez uma novelona bruta pior que as da televisão brasileira rs.

    Eu esperava muito pelo filme, mas não me arrebatou em nada. Muito desinteressante, personagens desnecessários, completamente soltos dentro de um roteiro indeciso de tudo. Achei “Lope” uma verdadeira salada sem tempero. Mas, como tu, gostei de algumas coisas no departamento técnico, mas avaliando no geral, considero o pior filme de 2011 que vi até agora.

    Bjs!

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  • 5. Paulo Ricardo  |  agosto 26, 2011 às 4:09 pm

    Que coincidência Kamila,ontem eu vi “Biutiful”(FINALMENTE! e gostei muito) e “Lope”.A obra de Andrucha Waddington tem os defeitos de sempre do diretor.Antes de tudo a parte técnica merece elogios.Belissima fotografia de Ricardo Della Rosa,uma requintada direção de arte da americana Lilly Kilvert(nos extras do DVD Waddington afirma que a escolha dela foi de última hora pq o diretor de arte teve q sair por motivos de saúde.Detalhe:ela foi importada direto de Los Angeles) e um defeito que me incomoda demais no diretor:ela não sabe filmar cenas de amor(eu insisto nesse tema,nudez em cinema tem que fazer parte da narrativa,Lars Von Trier e Ang Lee sabem fazer isso muito bem).Em “Casa de Areia” tem uma cena muito mal fotografada de sexo entre Fernanda Torres e Seu Jorge e nesse filme isso se repete.E Waddington teve um excesso de reverencia com o biografado e isso me incomoda muito.Prefiro diretores que desconstroi figuras com status de ícone como Milos Forman fez em “Amadeus” e Henrique Goldman fez em “Jean Charles”(ele não é um ícone,mas o diretor tinha tudo para reverenciar o protagonista e não o fez).E outros filmes que seguem “Lope” e faz excessiva reverencia como “Che-Parte 1 e 2″ de Steven Soderebergh,”Diarios de Motocicleta” de Walter Salles(será que Che Guevara foi esse mito que pintam?).Nota 6,0 pela parte técnica(realmente digna de elogios) e faço minhas ressalvas ao tratamento dado ao protagonista.Diferente de “Casa de Areia” que Fernanda Montenegro salvou um roteiro fraquissimo,nesse filme Waddington não teve essa sorte com Alberto Ammann(que fez um ótimo trabalho no filme espanhol “Cela 211” que vale ser descoberto).Concordo com você que o filme tenta seguir a linha de “Shakespeare Apaixonado”,mas pra mim o diretor ficou devendo.Se no filme de John Madden o elenco salvava os erros do filme(Judi Dench e Geoffrey Rush muito bem!) no caso de “Lope” isso não acontece(fazendo justiça,gostei muito de Luís Tosar).Sera que ele não pensou em escalar Javier Bardem para o papel principal?

    *Após a exibição de “Biutiful” terminei de ver todos os filme nomeados ao Oscar passado.Minha lista esta pronta e como prometido vou te mostrar.Conversamos no msn e tomara que vc goste.

    Beijos

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    • 6. Kamila  |  agosto 26, 2011 às 9:12 pm

      Amanda, eu fiquei com muita vontade de conhecer mais sobre ele.

      Elton, vou discordar completamente de você, uma vez que, como meu texto comprova, adorei esse filme. Achei muito bom. E claro que é possível alguém amar duas pessoas ao mesmo tempo, especialmente quando estas duas mulheres são tão diferentes uma da outra e oferecem pra ele dois lados diversos, que muito o interessam. Beijos!

      Paulo, “Casa de Areia” é um filme muito pretensioso, não gosto. Mas, discordo de você que Andrucha não sabe filmar cenas de amor. Como assim? Ele fez belas cenas e criou uma história de amor, mesmo que atropelada, mas muito carismática. Eu discordo bem dos pontos que você levanta, mas respeito suas observações. Aguardo sua lista. Beijos!

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  • 7. bruno knott  |  agosto 27, 2011 às 2:06 pm

    Realmente dá para fazer esse paralelo com Shakespeare Apaixonado…

    Nota justa!

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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