Assalto ao Banco Central

agosto 10, 2011 at 10:32 pm 16 comentários

O filme “Assalto ao Banco Central”, do diretor Marcos Paulo, faz uma recriação ficcional dos fatos que levaram ao maior assalto a um banco brasileiro, realizado nos dias 06 e 07 de agosto de 2005, na cidade de Fortaleza-CE. A quadrilha era altamente organizada e se preparou de uma forma quase que profissional para a realização do roubo, que rendeu para o grupo cerca de R$ 164,7 milhões de reais – detalhe: sem que eles tenham disparado um único tiro ou serem pegos por alarmes, sensores ou câmeras de segurança.

A estrutura narrativa adotada pelo diretor se assemelha muito aos filmes norte-americanos desse gênero, como os recentes “Efeito Dominó”, de Roger Donaldson, e “O Plano Perfeito”, de Spike Lee. Ou seja, a plateia acompanha o relato da ação de planejamento e execução do roubo, bem como as investigações realizadas pela Polícia Federal para tentar chegar ao paradeiro e à origem daqueles que fizeram parte deste crime – tudo isso em linhas temporais que se cruzam e nunca confundem a plateia.

O filme enfoca, particularmente, o período de três meses em que a quadrilha liderada por Barão (Milhem Cortaz, excelente) ficou confinada em uma casa alugada (o disfarce era que eles estavam trabalhando em uma empresa especializada em grama sintética) cavando um túnel de 84 metros que os levariam até o cofre localizado dentro da agência do Banco Central, em Fortaleza. O plano não tinha furos e foi executado de uma forma tão sofisticada que resultou no sucesso da empreitada.

Dirigido de uma forma ágil por Marcos Paulo, “Assalto ao Banco Central” surpreende, não só por ser um filme de ação intrigante e consistente, como também por equilibrar as partes mais tensas da execução de um plano difícil como o elaborado pela quadrilha de assaltantes com tiradas altamente engraçadas e bem-humoradas, que quebram esse clima mais sério do longa. A se lamentar somente a falta de regularidade do elenco. Milhem Cortaz, Lima Duarte, Giulia Gam, Gero Camilo, Tonico Pereira e Hermila Guedes se destacam em meio a um grupo de atores que prefere apostar no terreno do caricato, como, por exemplo, Heitor Martinez Mello, Juliano Cazarré e Eriberto Leão.

Cotação: 7,5

Assalto ao Banco Central (2011)
Direção: Marcos Paulo
Roteiro: Rene Belmonte e Lúcio Manfredi (com o trabalho de pesquisa de Tais Moreno)
Elenco: Milhem Cortaz, Lima Duarte, Giulia Gam, Hermila Guedes, Eriberto Leão, Tonico Pereira, Gero Camilo, Vinícius de Oliveira, Heitor Martinez Mello, Cadu Fávero, Fábio Lago, Juliano Cazarré

Entry filed under: Cinema.

Reencontrando a Felicidade Os Kennedys

16 Comentários Add your own

  • 1. João Paulo Rodrigues  |  agosto 10, 2011 às 10:40 pm

    Anote o que digo anjo, fosse a únca critica positiva que vi do pessoal sobre esse filme, mas a sua visão é importante salientar já que tanto eu quanto você necessitamos cada dia mais que o cinema nacional explore outros gêneros, e mesmo que ruim ou com problemas graves, é no erro que pode vir o próximo acerto.

    Abraços e cheiros

    Responder
    • 2. Kamila  |  agosto 10, 2011 às 10:41 pm

      João, eu sei disso, mas eu gosto do gênero de ação e achei esse um filme bem feito! Beijo!

      Responder
  • 3. Victor Nassar  |  agosto 10, 2011 às 11:30 pm

    É a primeira crítica realmente positiva que leio sobre o filme, o que me dá certa motivação de assisti-lo ainda. E concordo com o João Paulo, por mais errôneo que o filme possa ser, o cinema nacional precisa e muito continuar apostando em gêneros variados. Só mesmo o exercício para levar à excelência. Aos poucos, mesmo os diretores de novela, estão dando gás ao nosso cinema.

    Responder
    • 4. Kamila  |  agosto 10, 2011 às 11:40 pm

      Victor, eu sei que sou voz dissonante em relação a este filme, mas eu gostei dele mesmo. Também acho que o cinema nacional tem que explorar gêneros diferentes. Temos que exercitar pra sermos levados à excelência, como você bem disse. 🙂

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  • 5. Flavio  |  agosto 11, 2011 às 10:11 am

    O Eriberto acho que atua como um iniciante. Decora e cospe as falas, rs.

    Responder
  • 6. Rafael Carvalho  |  agosto 11, 2011 às 11:00 am

    Acho muito interessante que o cinema brasileiro se interesse por filme de gênero policial, algo que quase nunca fazemos. Por isso mesmo dá pra notar nesse filme uma certa falta de tato para o gênero, acho o filme bastante irregular (a parte da investigação é péssima), assim como o texto é por demais didático e fraquinho. Uma boa tentativa, mas que emperra em alguns deslizes.

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  • 7. Alan Raspante  |  agosto 11, 2011 às 11:18 am

    Como todos os comentários frisaram, também tenho que falar que a sua crítica foi a mais positiva até o momento. A única que me deixou um pouco curioso, porém, vou esperar o lançameto em DVD mesmo.

    abs 🙂

    Responder
    • 8. Kamila  |  agosto 11, 2011 às 11:57 am

      Flavio, você definiu de forma perfeita a atuação do Eriberto Leão!

      Rafael, também acho isso interessante. Não achei o filme irregular, mas posso até concordar com sua constatação de que o roteiro é didático por demais.

      Raspante, acho que o filme funcionará bem demais no DVD! Abraços!

      Responder
  • 9. cleber eldridge  |  agosto 11, 2011 às 1:51 pm

    A primeira critíca com comentários um tanto positivos quanto ao filme … Eu não esperava, mas, vejo quando sair nas locadoras.

    Responder
    • 10. Kamila  |  agosto 11, 2011 às 10:32 pm

      Cleber, como eu disse ao Raspante, esse filme tem jeito de que funcionará bem em DVD.

      Responder
  • 11. João Linno  |  agosto 12, 2011 às 2:46 pm

    A tentativa foi até boa, mas faltou um pouco mais de seriedade na narrativa da história. Para um filme sobre “o maior assalto do século”, eu esperava mais. Mesmo assim, acho justa a sua nota. Não posso negar que ao menos me diverti vendo o filme.

    Bjs.

    Responder
    • 12. Kamila  |  agosto 12, 2011 às 6:23 pm

      João Linno, sério que você acha que faltou seriedade na narrativa?? Beijos!

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  • 13. Amanda Aouad  |  agosto 13, 2011 às 4:02 am

    O filme não é ruim, tem bons momentos, principalmente na segunda metade do filme. Alguns clichês e personagens caricatos, mas faz parte do gênero. O que me incomodou mais foi um certo didatismo que tira um pouco o ritmo.

    Responder
    • 14. Kamila  |  agosto 13, 2011 às 10:22 am

      Amanda, os clichês e personagens caricatos estão em abundância nesse filme. E você também está certa sobre o didatismo.

      Responder
  • 15. Eri Jr.  |  agosto 14, 2011 às 12:17 am

    A sua crítica foi uma das melhores que li sobre este filme! Muitos disseram que parece uma cópia de filmes norte americanos, como você disse, e que faltou uma construção mais característica brasileira! Não sou fã de filmes brasileiros, mas talvez alugue em DVD!!

    PS: Não trouxe nada de novo dos outros comentários, mas tudo bem!!! rsrs

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    • 16. Kamila  |  agosto 14, 2011 às 11:43 pm

      Eri, obrigada! Mas, a verdade é que esse filme emula esse modelo norte-americano, mas acho que traz coisas do nosso cinema para ele, o que torna o filme, no mínimo, interessante. E comente sempre que quiser! Fique à vontade! 🙂 Todo comentário aqui é importante!

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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