Rio

maio 9, 2011 at 10:39 pm 17 comentários

O título da animação “Rio”, de Carlos Saldanha, pode enganar bastante. Antes de entrar em contato com a trama principal da obra, você pode pensar que a capital carioca é o personagem principal deste longa. Ledo engano. Apesar de possuir um importante papel para o desenrolar do roteiro escrito por Don Rhymer, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia e Sam Harper, a verdade é que o Rio de Janeiro serve aqui como o palco para a jornada de ganho de autoconfiança a ser vivida por Blu (dublado na versão original por Jesse Eisenberg), o verdadeiro protagonista desse longa.

Se fosse uma criança de carne e osso, Blu seria aquilo que a gente chama de filho super protegido. Nascido no Rio, Blu foi tirado de seu ambiente natural por caçadores de animais exóticos e transportado para os Estados Unidos, onde acabou sendo adotado por Linda (dublada na versão original por Leslie Mann). Domesticado como um animal de estimação, Blu acabou perdendo todas as características de sua espécie, especialmente a principal delas, uma vez que ele não desenvolveu a habilidade de voar.

Tais características lhe farão falta a partir do instante em que ele viaja ao Rio com sua dona para procriar com Jewel (dublada na versão original por Anne Hathaway) e garantir a não extinção de sua espécie. Explico: ao se ver, novamente, alvo de caçadores de animais exóticos e sozinho com Jewel, sem a proteção de sua dona, acompanhado de um grupo de animais inusitados, Blu começa a perceber que ele tem muito o que aprender nessa vida – e é aí que entram as ruas, ambientes, bairros, as pessoas e o caráter completamente peculiar do Rio de Janeiro.

Num artigo publicado, uma vez, sobre a cantora Mallu Magalhães, na revista Bravo!, o pai dela falou a seguinte frase: “os filhos são balõezinhos. A gente deve criá-los com imenso cuidado. Mas não pode esquecer que, uma hora, eles sobem, sobem, e escapam do nosso alcance”. Se pudéssemos resumir a mensagem de “Rio” em uma única frase, seria essa aí. A obra fala sobre um processo de amadurecimento, um processo altamente pessoal, que passa não só pelo ganho de autoconfiança, como também pela descoberta do amor e da visão deste sentimento como um instrumento de libertação. O mais legal é que toda essa rica mensagem nos é passada de uma forma um tanto leve e divertida. “Rio” é puro carisma. Pela primeira vez, a Pixar pode sentir seu domínio absoluto nesse gênero completamente ameaçado.

Cotação: 9,0

Rio (Rio, 2011)
Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Don Rhymer, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia e Sam Harper (com base na história de Carlos Saldanha, Earl Richey Jones e Todd Jones)
Com as vozes de: Leslie Mann, Jesse Eisenberg, Wanda Sykes, Jane Lynch, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, Will i Am, Anne Hathaway, Carlos Ponce, Jemaine Clement, George Lopez, Judah Friedlander, Bebel Gilberto, Tracy Morgan

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Cena da Semana Mildred Pierce

17 Comentários Add your own

  • 1. matheusfragata  |  maio 10, 2011 às 2:02 am

    Oiii, Ká! Faz tempo que não passa aqui, hein? hahahaha
    Peço desculpas por essa gafe, é que ando sem tempo ultimamente.
    Fiquei muito feliz que você tenha gostado de “Rio” visto que tem muita gente malhando o filme por ai sem motivo aparente.
    Concordo com seu argumento do processo de amadurecimento de Blu – deixei este aspecto passar na minha crítica ¬¬
    Beijos

    Responder
  • 2. Amanda Aouad  |  maio 10, 2011 às 3:45 am

    Muito interessante sua interpretação de Rio e Blu, Kamila. É verdade, o mimado pássaro tem que aprender a “se virar”. É um belo filme mesmo.

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  • 3. João Paulo  |  maio 10, 2011 às 4:22 am

    Cuidado com os admiradores da Pixar ao cogitar que esse desenho pode ameaçar o reinado dela. Rio é lindo … talvez não necessite de um Oscar por que ele conseguiu sem nenhum problema … a nossa admiração por trazer um Brasil que nos enche de saudade e várias coisas …

    Beijos Milla!

    Responder
    • 4. Kamila  |  maio 10, 2011 às 9:23 pm

      Matheus, faz tempo, sim! Seja bem vindo de volta! 🙂 Fique tranquilo! Adorei “Rio”. Beijos!

      Amanda, exatamente. É essa a jornada dele no filme.

      João Paulo, acho que até os admiradores da Pixar vão admitir que “Rio” é uma bela obra de animação. Beijos!

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  • 5. João Linno  |  maio 10, 2011 às 1:08 pm

    O filme é divertido e bonito. Um dos maiores méritos de Saldanha foi retratar a cidade maravilhosa com tantos detalhes. Merece ser reconhecido por isso.

    Bjos.

    Responder
  • 6. Reinaldo Matheus Glioche  |  maio 10, 2011 às 2:20 pm

    Adorei o paralelo que vc fez com o artigo publicado na Bravo. Uma sofisticação na sua crítica muito contundente. Concordo que Rio é esse transbordamento de carisma que vc alude, só não acho que ameace a Pixar. Agora a BlueSky, com Carlos Saldanha, tem tudo para ameaçar a Dreamworks…

    Bjs

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  • 7. Paulo Ricardo  |  maio 10, 2011 às 5:04 pm

    Salles e Meirelles podem ser os cineastas brasileiros mais conhecidos nos EUA,mas quem enche os cofres dos estudios(ou da FOX) é Carlos Saldanha.A conferir essa linda homenagem a cidade maravilhosa.Bjs.

    Responder
    • 8. Kamila  |  maio 10, 2011 às 9:25 pm

      João Linno, concordo! Beijos!

      Reinaldo, obrigada! 🙂 Acho que, neste ano, ela pode até ameaçar a Pixar. Especialmente porque considero “Carros” a franquia mais fraca deles. Beijos!

      Paulo, pois é!! Beijos!

      Responder
  • 9. Gabriel Neves  |  maio 10, 2011 às 5:10 pm

    Olha, gostei bastante de Rio, é uma animação divertida, tudo adquire cores e sentidos e a caracterização de tudo é incrível. Mas não sei, não acho que consiga ameaçar a Pixar. Rio é muito bom e rompe expectativas como um passatempo, mas ainda acho que filmes como Wall-E, Up e Toy Story 3 conseguem um pouco mais além do que a animação de Carlos Saldanha trouxe…
    Bjs.

    Responder
  • 10. Mayara Bastos  |  maio 10, 2011 às 8:58 pm

    Além dessa autodescoberta, “Rio” é de um colírio, não só para os olhos, mas também para os ouvidos. Me senti de férias vendo o filme, uma vontade de conhecer esse Rio, não o falado na TV toda hora.

    Beijos! 😉

    Responder
    • 11. Kamila  |  maio 10, 2011 às 9:25 pm

      Gabriel, eu também adorei “Rio”. E acho que pode ameaçar a Pixar no terreno de premiações, sim. Beijos!

      Mayara, concordo! Eu também fiquei com uma enorme vontade de visitar o Rio vendo o filme. Beijos!

      Responder
  • 12. João Paulo  |  maio 10, 2011 às 9:34 pm

    Teve um admirador que conheço Milla que quando falei que Rio era bom … foi quase guerra civil …

    Tenso … beijos milla!

    Responder
  • 13. Andinhu S. de Souza  |  maio 10, 2011 às 10:39 pm

    Que legal ver um notão aqui!
    Tbm me surpreendi com a animação. Você teve uma versão da mensagem do filme bem interessante!

    Abraços!

    Responder
    • 14. Kamila  |  maio 11, 2011 às 12:34 am

      João, nossa… rsrsrsrsrs Beijos!

      Andinhu, que bom! Obrigada! Abraços!

      Responder
  • 15. Cena da Semana* « Cinéfila por Natureza  |  julho 4, 2011 às 12:17 am

    […] 01. Cisne Negro (Black Swan, 2010, dirigido por Darren Aronofsky) 02. 127 Horas (127 Hours, 2010, dirigido por Danny Boyle) 03. O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas, 2009, dirigido por Laurent Tidard) 04. Além da Vida (Hereafter, 2010, dirigido por Clint Eastwood) 05. Enrolados (Tangled, 2010, dirigido por Nathan Greno e Byron Howard) 06. O Discurso do Rei (The King’s Speech, 2010, dirigido por Tom Hooper) 07. Biutiful (Biutiful, 2010, dirigido por Alejandro Gonzalez-Inarritu) 08. Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010, dirigido por Debra Granik) 09. O Concerto (Le Concert, 2009, dirigido por Radu Mihaileanu) 10. Rio (Rio, 2011, dirigido por Carlos Saldanha) […]

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  • […] o mediano “Gato de Botas” por quê deixou de fora filmes como “Operação Presente” e “Rio”, que são dois dos melhores longas do gênero em 2011? Outra: de onde veio “Chico & […]

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  • 17. Cena da Semana « Cinéfila por Natureza  |  janeiro 29, 2012 às 8:51 pm

    […] das maiores surpresas das indicações ao Oscar 2012 foi a ausência de “Rio“, animação dirigida por Carlos Saldanha e que foi um dos melhores longas do gênero, em […]

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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