Sucker Punch – Mundo Surreal

abril 19, 2011 at 1:06 am 17 comentários

Nos anos 90, muito se falava a respeito de diretores como Baz Luhrmann, cujo estilo seria videoclíptico, com influência da linguagem da MTV. Nos anos 2000, a voga mudou. Entramos na era dos diretores influenciados pela linguagem dos videogames. Nesse filão, a grande estrela, com certeza, é Zack Snyder, diretor de obras como “300” e “Watchmen”, que parecem ser jogos filmados. Depois de uma experiência mais convencional no gênero de animação, em “A Lenda dos Guardiões”, Snyder retorna ao território que lhe é mais familiar com “Sucker Punch – Mundo Surreal”, filme que parece ter sido inspirado por uma graphic novel, mas, na verdade, saiu da mente do próprio Snyder.

O subtítulo que “Sucker Punch” ganhou dos tradutores brasileiros foi muito feliz, uma vez que a história que acompanhamos mistura elementos daquilo que é real com aquilo que é fruto da imaginação da personagem principal, a jovem Baby Doll (Emily Browning). Vítima de um ambiente familiar muito difícil, a garota é internada pelo padrasto em uma instituição mental. Como uma forma de fugir daquela realidade, dos tratamentos e da possibilidade de ser realizada uma lobotomia nela, ela começa a imaginar um mundo paralelo, no qual ela tem um papel muito bem definido: encontrar quatro objetos que irão ajudá-la a fugir de tudo isso que ela está enfrentando.

O mundo paralelo imaginado por Baby Doll é uma espécie de filhote de “Burlesque” misturado com “Showgirls” e “300”, sendo que com contornos bem mais exagerados (inclusive no tom das atuações dos atores contratados, especialmente Carla Gugino e Oscar Isaac). O curioso é que, até mesmo na sua realidade paralela, o sofrimento de Baby é constante e, mais uma vez, ela foge disso criando um terceiro mundo imaginário, no qual ela é uma guerreira que quebra o pau com qualquer homem ou criatura, não importa o quão poderosos e fortes eles sejam.

Zack Snyder é um diretor que sabe muito bem trabalhar com os elementos estéticos. Em “Sucker Punch – Mundo Surreal”, ele não tem problemas com essa parte. Entretanto, o filme peca demais no roteiro, que é confuso (você só vai saber que tipo de história está assistindo decorridos quarenta minutos da obra) e que termina de uma forma um tanto simplista e que menospreza demais a inteligência do espectador. A verdade é que “Sucker Punch” parece ser a obra errada pro diretor errado. Robert Rodriguez faria esse filme de uma forma muito mais trash, como a história realmente merecia ser contada. Snyder, pelo contrário, levou a storyline que criou muito a sério. E foi esse o grande percalço no seu caminho, no desenvolvimento deste longa em particular. Que ele faça melhor no novo filme do Homem de Aço.

Cotação: 4,5

Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch, 2011)
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Zack Snyder e Steve Shibuya (com base na história de Snyder)
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm, Scott Glenn

Entry filed under: Cinema.

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17 Comentários Add your own

  • 1. João Paulo  |  abril 19, 2011 às 1:17 am

    Acho que dá para perceber o que acontece no começo sendo que a linguagem imposta pelo diretor só começa a ter um rumo quando é executado a primeira cena de ação.

    É como tinha dito na resenha, se Snyder dissesse que isso era uma adaptação de videogame, estariamos a uma obra que respeita essa estetica … porém como cinema é extremamente precário …

    Além disso o uso “confuso” da imposição entre fantasia-realidade não conseguiu ser bem desenvolvida …

    Beijos Milla e descanses!

    Mesma nota que eu … pensava que iria dar menos …

    Responder
    • 2. Kamila  |  abril 19, 2011 às 1:24 am

      João, eu não consegui entender a intenção do diretor, no início. Só depois, mesmo! Concordo com seu comentário sobre a questão fantasia-realidade. Beijos e descanse você também!

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  • 3. João Paulo  |  abril 19, 2011 às 1:50 am

    A intensão de Snyder era criar um filme surreal misturando elementos fantásticos … o problema é que já sairam filmes melhores …

    A única coisa surreal do filme é reamlente … os créditos finais … você viu?

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    • 4. Kamila  |  abril 19, 2011 às 2:04 am

      João Paulo, sim, você tem razão! Sim, assisti aos créditos finais, mas, não prestei muita atenção neles, não! rsrsrs

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  • 5. Alan Raspante  |  abril 19, 2011 às 2:23 am

    Gostei do filme. está ceto que as atuações são precárias: a protagonista chega a dar dó, mas pra mim, não há ninguém pior que Vanessa Hudgens, em suas poucas cenas eu achei completamente irritante e até desconexa (e a vontade de rir?!). Mas tudo bem, sei que tenho certa implicância com a garota. Curti o visual e as cenas de lutas e claro,a ótima trilha sonora (mas, lembro que chegou a cansar em alguns momentos…). Agora o roteiro e aquele final… Bem, posso dar um “punch” em Snyder? Espero que ele se supere em “Superman”…. 😀

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    • 6. Kamila  |  abril 19, 2011 às 2:51 am

      Raspante, olha, eu não achei a Vanessa Hudgens tão ruim assim, não, pra falar a verdade… O visual e as cenas de luta e a escolha da música da Bjork foram meus momentos favoritos do filme.

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  • 7. João Linno  |  abril 19, 2011 às 1:18 pm

    Filme muito pretencioso. Juntaram todos os fetiches nerds e esqueceram de dar sentido ao roteiro. Chega a ser monótono em algumas partes, mesmo seguindo uma narrativa ao estilo game.

    Curti não.

    Responder
  • 8. Reinaldo Matheus Glioche  |  abril 19, 2011 às 1:27 pm

    Burlesque + Showgirls + 300 = disse tudo!

    Bjs

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  • 9. Roberto Queiroz  |  abril 19, 2011 às 4:44 pm

    Eu não consegui odiar o filme. Meu problema com o Sucker Punch foi o elenco. Definitivamente não trabalharia com nenhum daquelas meninas, principalmente a insossa da Vanessa Hudgens. No geral, eu gostei do resultado. Ainda prefiro Watchmen, mas acho melhor do que muito coisa chamada de cult que anda rolando por aí.

    Responder
    • 10. Kamila  |  abril 20, 2011 às 1:11 am

      João Linno, concordo que tem uma pretensão enorme neste filme. Nem eu curti.

      Reinaldo, exatamente! Beijos!

      Roberto, eu não odiei o filme. Não achei o elenco fraco, pra ser sincera. Meu problema foi o tom da obra inteira. Achei que o Zack Snyder se preocupou demais com o visual e se esqueceu do conteúdo.

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  • 11. Amanda Aouad  |  abril 20, 2011 às 1:18 am

    Concordo que a história vai descendo a ladeira e o final é meio sem sal. quase um anti-clímax. Mas, não achei confuso. Na verdade, achei até bem cartesiano e com sentido. Podem achar simplista, bobo até, mas tem uma lógica bem clara ali.

    Eu não consegui falar mal de Sucker Punch porque simplesmente adorei aquela cena inicial. É um clipe muito bem feito, cheio de nuanças, que casa perfeitamente com a música e tem uma função bem resolvida de nos resumir o prólogo. Fiquei mesmo encantada.

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    • 12. Kamila  |  abril 20, 2011 às 1:56 am

      Amanda, não é um filme confuso a partir do momento em que ele começa a fazer sentido, lá pelos quarenta minutos de filme…

      Responder
  • 13. Cristiano Contreiras  |  abril 20, 2011 às 3:01 am

    Um dos piores filmes do ano, desde já. Aliás, acho que é o pior, rs.

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  • 14. Flávio  |  abril 20, 2011 às 11:02 am

    Oi Kamila, gosto muito da Abbie Cornish. Talvez seja o principal motivo para ver este filme. Abs!

    Responder
    • 15. Kamila  |  abril 20, 2011 às 10:45 pm

      Cristiano, concordo que é um dos piores filmes do ano.

      Flávio, a Abbie está ótima aqui. A personagem dela tem uma importância fundamental para a trama. Abraços!

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  • 16. Otavio Almeida  |  abril 26, 2011 às 4:50 am

    Hahahha, num disse que era ruim? Ah, adorei a menção no Twitter.

    Bjs!

    Responder
    • 17. Kamila  |  abril 26, 2011 às 9:38 pm

      Otavio, sabia que irias gostar da menção! 🙂 Beijos!!

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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