O Concerto

abril 6, 2011 at 10:09 pm 22 comentários

Antes do diretor Darren Aronofsky descobrir a música de Tchaikovsky para o seu brilhante filme “Cisne Negro”, o diretor Radu Mihaileanu utilizou o Concerto para Violino e Orquestra composto pelo compositor russo para ilustrar, em “O Concerto”, a paixão de um maestro chamado Andrey Filipov (Aleksey Guskov) pela música clássica, bem como a busca dele (a loucura, essa seria a verdade) pela perfeição idealista e, aqui, temos mais um diálogo involuntário com a obra de Aronofsky.

Considerado um mito dentro de sua profissão, Andrey Filipov era o maestro da Orquestra do Teatro Bolshoi, um dos mais tradicionais da Rússia. Em 1980, ao fazer um concerto com a música de Tchaikovsky no teatro do grupo, viu sua apresentação ser interrompida por um dos enviados do ditador russo porque ele era considerado um traidor do seu país, por abrigar em sua orquestra músicos de origem judia. Após este acontecimento, Filipov e sua orquestra nunca mais conseguiram trabalhar no país e a sensação que ficou, especialmente no maestro, era a de frustração, por uma obra especial, na qual ele trabalhava com a sua solista violinista favorita, nunca ter alcançado o grande público em sua completude.

Eis que, trinta anos depois, Filipov terá a chance de colocar sua obra de amor em prática, mais uma vez, num concerto a ser realizado num teatro francês, em que ele forja ser o maestro e líder principal da Orquestra do Teatro Bolshoi. A peça que eles armam é muito bem feita: com direito a empresário (justamente o cara do Partido Comunista que arruinou com os sonhos dele naquela apresentação de 1980) e aos membros originais de sua orquestra, exceto a solista, que, agora, foi substituída pela talentosa e prodígio Anne-Marie Jacquet (Mélanie Laurent, de “Bastardos Inglórios”), profissional a quem Filipov acompanha de longe e com olhares bastante atentos.

Uma ideia maluca, você pode pensar, nunca dará certo, mas é justamente esta premissa inusitada que faz de “O Concerto” um filme delicioso de se assistir. A obra equilibra muito bem momentos de pura comicidade com instantes sérios, que fazem a volta a este passado inconclusivo de Andrey Filipov. O longa acaba encontrando seu ápice no ato final, em que temos o concerto que ele tanto sonhava se realizando. E esta cena é uma prova de que o destino é uma coisa muito curiosa e dele não se pode fugir. A gente precisa dele para seguir em frente e, nesse caso, ele é representado pela música, que acaba libertando e emocionando, não só aqueles que estão em tela, mas a gente também, que está aqui do outro lado e se envolve com tudo isso.

Cotação: 9,0

O Concerto (Le Concert, 2009)
Direção: Radu Mihaileanu
Roteiro: Héctor Cabello Reyes e Thierry Degrandi (com a colaboração de Matthew Robbins e Alain-Michel Blanc)
Elenco: Aleksey Guskov, Dmitri Nazarov, Mélanie Laurent, François Berléand, Miou-Miou, Valeriy Barinov, Lionel Abelanski

Entry filed under: Cinema.

“Toque Dela” – Marcelo Camelo Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles

22 Comentários Add your own

  • 1. Carissa  |  abril 6, 2011 às 10:38 pm

    Parece ser muito bom.
    Espero cer um dia.

    Bjs!!

    Responder
    • 2. Kamila  |  abril 6, 2011 às 10:49 pm

      Carissa, assista, sim! Beijos!

      Responder
  • 3. Alan Raspante  |  abril 6, 2011 às 10:58 pm

    Me deixou entusiasmado. Não dava nada por esse filme. Irei ver, com certeza 🙂

    Responder
    • 4. Kamila  |  abril 6, 2011 às 11:27 pm

      Raspante, assista, sim! 🙂

      Responder
  • 5. Roberto Queiroz  |  abril 6, 2011 às 11:31 pm

    Kamila,

    Eu tô tentando baixar esse filme há tempos. Na época entrou em circuito apenas em uma sala aqui no RJ (na sessão das 21 horas). Eu vi o trailer e fiquei encantado logo de cara. Está na minha black list (lista de filmes a serem vistos).

    Responder
  • 6. Flávio  |  abril 7, 2011 às 12:04 am

    Oi Kamila, tem um simpatia particular pela Melanie, que me lembra uma mistura mais jovem da Rosanna Arquete com a Natasha Kinski. Vou procurar acompanhá-la de perto. Torço para que Melanie consiga melhores oportunidades, como essa.

    Responder
  • 7. Amanda Aouad  |  abril 7, 2011 às 1:30 am

    Estou querendo ver esse filme desde que vi o primeiro trailer. A música é algo que nos emociona mesmo. E seu texto me deixou ainda mais animada.

    Responder
    • 8. Kamila  |  abril 7, 2011 às 2:41 am

      Roberto, aqui passou em somente uma sala. Na sessão cult.

      Flávio, a Melanie ganhou muitos fãs com “Bastardos” e acho que esse filme conseguiu ser lançado aqui por causa do sucesso dela no filme do Tarantino.

      Amanda, que bom! Espero que o assista e goste.

      Responder
  • 9. Victor Nassar  |  abril 7, 2011 às 1:35 am

    Anotado aqui, não tinha me informado muito sobre. Bom saber dessa qualidade toda! =]

    Responder
  • 10. João Paulo  |  abril 7, 2011 às 2:01 am

    Parece ser um filme inusitado de roubo … aqui ainda nem passou … e pena que não vi …

    Se estrear, talvez confira … beijos e abraços.

    Responder
    • 11. Kamila  |  abril 7, 2011 às 2:44 am

      Victor, que bom que gostou da dica.

      João Paulo, não é um filme inusitado de roubo. Confira, se puder. Beijos e abraços!

      Responder
  • 12. Reinaldo Matheus Glioche  |  abril 7, 2011 às 2:26 pm

    Sua admiração pelo filme é tocante. Ainda tenho que conferir… De qualquer jeito o contraditório já se estabeleceu. Uma vez que a grande maioria das críticas que li a respeito dessa produção foram negativas…
    A ressalva, porém, reside na sua sensibilidade.
    bjs

    Responder
  • 13. Cassiano  |  abril 7, 2011 às 2:34 pm

    Estou doido pra ver esse filme da Melanie, e já vi q vou curtir.

    Responder
  • 14. Paulo Ricardo  |  abril 7, 2011 às 3:51 pm

    Esse post seu veio a calhar Kamila.Semana passada eu estava conversando com um amigo que é fã de cinema e estavámos falando da importancia da trilha sonora em um filme.E na minha opinião o diretor que melhor sabia traduzir a música para a obra era Stanley Kubrick.2001-Uma odisséia no espaço virou um marco(que nunca ouviu aquela trilha que fecha o filme),O Iluminado era sons com trilhas sombrias(a cena do menininho no velotrol é uma aula de condução de som) e De Olhos Bem Fechados em que Jocelyn Pock(acho q estou falando o nome errado rss)com um piano traduzia tensão as cenas em que Tom Cruise era seguido.E pode acgreditar Kamila,as idéias malucas que dão certo rss,beijos.

    Responder
    • 15. Kamila  |  abril 7, 2011 às 11:20 pm

      Reinaldo, foi mesmo?? Só leu críticas negativas??? Beijos!

      Cassiano, também acho que você irá curtir. 🙂

      Paulo, “As Horas” também usa muito bem a trilha sonora a seu favor. Pode ser que as ideias malucas são aquelas que dão certo, mas nem sempre isso acontece. rsrsrsrs

      Responder
  • 16. Luis Galvão  |  abril 7, 2011 às 5:15 pm

    Essa cena que você destacou do final é sensacional! Não sabia do filme, mas parece ter tanto uma produção caprichada quanto um elenco e roteiro legais. Vou procurar.

    Responder
  • 17. João Linno  |  abril 7, 2011 às 8:52 pm

    Passei por maus bocados para conseguir ver esse filme no cinema, mas valeu a pena 😉 . Experiência maravilhosa. Um verdadeiro show de cinema.

    Responder
    • 18. Kamila  |  abril 7, 2011 às 11:21 pm

      Luís, assista, se puder.

      João Linno, concordo!

      Responder
  • 19. Andinhu S. de Souza  |  abril 7, 2011 às 11:22 pm

    Que coincidência. Assisti esse filme esta semana aqui no cinema. E sai com um sorriso estampado no rosto de tanta satisfação. Eta filme lindo! Fez falta na lista do Oscar.

    A cena do concerto é impossível assistir sem abrir um sorriso no rosto, aliás o filme já se habilita de um humor gostoso, por vezes exagerado confesso, mas que não estraga a ótima experiência.

    Adorei teu Blog. Vou linkar no meu. Abraços!!

    Responder
  • 20. Paulo Ricardo  |  abril 8, 2011 às 5:29 am

    As trilhas de Johnny Greenwood(Sangue Negro),Antonio Pinto e Jacques Morelenbaum(Central do Brasil),Gustavo Santaolalla(Babel),Hans Zimmer e James Newton Howard(Batman-O Cavaleiro das Trevas) e Philip Glass(As Horas e Notas Sobre um Escandalo) estão no meu top five de composições para o cinema.Bjs.

    Responder
    • 21. Kamila  |  abril 8, 2011 às 10:46 pm

      Andinhu, eu também adorei esse filme. Exatamente, concordo com teu comentário! Obrigada pela visita, comentário e link! Abraços!

      Paulo, meu favorito é Philip Glass, seguido de Alexandre Desplat. Beijos!

      Responder
  • 22. Cena da Semana* « Cinéfila por Natureza  |  julho 4, 2011 às 12:17 am

    […] Gonzalez-Inarritu) 08. Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010, dirigido por Debra Granik) 09. O Concerto (Le Concert, 2009, dirigido por Radu Mihaileanu) 10. Rio (Rio, 2011, dirigido por Carlos […]

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

Contato

cinefilapn@gmail.com

Último Filme Visto

Lendo

Arquivos

Blog Stats

  • 453,379 hits

Feeds


%d blogueiros gostam disto: