Santuário

fevereiro 23, 2011 at 10:18 pm 19 comentários

Existem certos diretores cuja fama é tão enorme que eles acabam se tornando uma grife hollywoodiana. Faz parte do papel deles abrir espaço para obras menores de outros diretores, mas nas quais eles acreditam piamente. Se Steven Spielberg emprestou seu nome e reputação ao bancar a distribuição efetiva de “Atividade Paranormal” nos cinemas, porque James Cameron não pode fazer a mesma coisa? Além de colocar seu nome como produtor de “Santuário”, filme dirigido por Alister Grierson, Cameron também emprestou as mesmas câmeras e tecnologia 3D que foram utilizadas em “Avatar”.

Entretanto, se a tecnologia 3D se revela um dos grandes trunfos daquela que é considerada a sua obra prima, em “Santuário”, James Cameron não obteve o mesmo efeito. A verdade é que a história que nos é contada pelo roteiro escrito por John Garvin com base nas experiências reais de Andrew Wight pediam a tecnologia convencional 2D, até mesmo para causar o efeito de claustrofobia e de incômodo que o relato tanto pedia – o que acaba acontecendo aqui é o superdimensionamento da caverna, a ponto de prejudicar até mesmo as questões do enquadramento e da projeção.

“Santuário” conta a história de um time de mergulhadores experientes – liderados pelo explorador Frank (Richard Roxburgh, que muitos irão se lembrar por “Moulin Rouge! – Amor em Vermelho”) e pelo rico patrocinador Carl (Ioan Gruffudd) – que acabam presos numa caverna após uma tempestade fechar com a única saída que eles conheciam. Dentro de uma situação de puro pânico e medo, os mergulhadores que ali estão confinados têm que explorar todo o local desconhecido em busca de uma nova saída – a qual significa também a sobrevivência deles naquele momento de adversidade.

Apesar de abordar duas subtramas clichês sobre o difícil relacionamento entre um pai e o filho, bem como o sentimento de culpa de um namorado pela morte da pessoa amada, “Santuário” mostra uma visão bem interessante a respeito de pessoas deparadas numa situação de pura impotência. Na medida em que os acontecimentos vão se desenrolando, uma certeza fica mais clara: a de que, na luta pela sobrevivência, não existe espaço para julgamentos. Você faz o que tem que ser feito sem olhar para trás, pois isso pode significar a possibilidade de acontecer a sua própria perda.

Uma história como a que nos é contada em “Santuário” só funciona se causar na gente o mesmo sentimento que os personagens estão passando. A gente precisa se sentir na pele deles. A gente precisa se imaginar naquela situação. Infelizmente, a obra dirigida por Alister Grierson falha neste sentido, entretanto essa pequena grande falha acaba sendo compensada por uma direção que não compromete e por sólidas atuações de Richard Roxburgh, Ioan Gruffudd (apesar deste elevar, desnecessariamente, seu tom no ato final) e Rhys Wakefield.

Cotação: 6,5

Santuário (Sanctum, 2011)
Direção: Alister Grierson
Roteiro: John Garvin (com base no roteiro e na história de Andrew Wight)
Elenco: Richard Roxburgh, Ioan Gruffudd, Rhys Wakefield, Alice Parkinson, Dan Wyllie, Christopher Baker, Nicole Downs, Allison Cratchley, Cramer Cain, Andrew Hansen

Entry filed under: Cinema.

O Vencedor Previsões para os Vencedores do Oscar 2011

19 Comentários Add your own

  • 1. @JuniorAd  |  fevereiro 23, 2011 às 10:27 pm

    Curioso é que esse filme era um dos que menos me interessava na semana em que estreou, mas pensando bem, seria até injusto julga-lo inferior por conta da pouca divulgação.

    Pretendo ver, mas como minha lista de espera está enorme, nem sei quando, viu.

    Grande abraço!

    Responder
    • 2. Kamila  |  fevereiro 23, 2011 às 10:31 pm

      Junior, assista, sim, sem maiores expectativas. Grande abraço!

      Responder
  • 3. Robson Saldanha  |  fevereiro 23, 2011 às 11:03 pm

    Ah, Kamis!! Acho que esse daí eu deixo passar sabe? Não me chamou atenção em momento algum.. hehe

    Responder
  • 4. Brenno Bezerra  |  fevereiro 23, 2011 às 11:11 pm

    Pelo visto, nem a produção ter sido assinada por James Cameron ajudou o filme.

    Beijos

    Responder
    • 5. Kamila  |  fevereiro 24, 2011 às 12:53 am

      Robson, eu assisti por falta de opção mesmo! srsrsrsrs

      Brenno, não ajudou mesmo! Beijos!

      Responder
  • 6. bruno knott  |  fevereiro 24, 2011 às 1:26 am

    Continuo com uma certa curiosidade, apesar dessas subtramas não muito interessantes que vc mencionou…

    Responder
    • 7. Kamila  |  fevereiro 24, 2011 às 1:41 am

      Bruno, assista, mas sem expectativas.

      Responder
  • 8. Amanda Aouad  |  fevereiro 24, 2011 às 2:07 am

    Eu achei o filme interessante na proposta claustrofóbica. Mas, não é nada demais mesmo. Também não vejo problemas de James Cameron ajudar na divulgação.

    Responder
    • 9. Kamila  |  fevereiro 24, 2011 às 2:16 am

      Amanda, eu não consegui sentir a claustrofobia no filme…

      Responder
  • 10. cleber eldridge  |  fevereiro 24, 2011 às 1:00 pm

    Sem curiosidade nenhuma quanto a esse filme ;D

    Responder
  • 11. Flávio  |  fevereiro 24, 2011 às 1:03 pm

    Oi Kamila, aparentemente parece lembra O Segredo do Abismo. Vou procurar assisti-lo.

    Responder
  • 12. Reinaldo Matheus Glioche  |  fevereiro 24, 2011 às 2:31 pm

    É… ainda não vi. Só vou ver na TV por assinatura. Mas tenho uma discordância.rsrs. A obra -prima de James Cameron, para mim, continua sendo O Exterminador do futuro.

    Bjs

    Responder
    • 13. Kamila  |  fevereiro 24, 2011 às 10:17 pm

      Cleber, eu não tava também, mas acabei assistindo!

      Flávio, assista e, depois, diga o que achou.

      Reinaldo, sua discordância tá aceita! 🙂 Beijos!

      Responder
  • 14. Paulo Ricardo  |  fevereiro 24, 2011 às 3:19 pm

    Vou ver esse filme por James Cameron e claro por estar em 3D rss,beijos.

    Responder
  • 15. Otavio Almeida  |  fevereiro 24, 2011 às 6:06 pm

    Eu ainda não vi… Mas filmes com Ioan Gruffudd não costumam dar certo…

    Responder
    • 16. Kamila  |  fevereiro 24, 2011 às 10:18 pm

      Paulo, mas, não vale a pena em 3D! rsrsrss

      Otavio, discordo. “Jornada Pela Liberdade”, com ele, é bem legal! Beijos!

      Responder
  • 17. Mayara Bastos  |  fevereiro 24, 2011 às 10:40 pm

    O engraçado é as campanhas do filme por aqui, com direito a frases como “È melhor que Avatar” e logo abaixo, James Cameron apresenta! rsrsrs.

    Beijos! 😉

    Responder
  • 18. Dewonny  |  fevereiro 25, 2011 às 4:48 pm

    Ñ tenho interesse de ver esse por enquanto, mas daqui um tempo vou acabar assistindo! Pode ser q eu curta ou ñ..hehe..
    Abs! Diego!

    Responder
    • 19. Kamila  |  fevereiro 26, 2011 às 8:04 pm

      Mayara, isso é porque você não sabe o que eu passei na fila do cinema. Tinha um senhor na minha frente que queria porque queria comprar o ingresso para “Avatar 2”. rsrsrsrsrsrsrsrs Pode???? Beijos!

      Diego, pois é! Abraços!

      Responder

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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