Querido John

janeiro 19, 2011 at 11:01 pm 25 comentários

É muito fácil decifrar o estilo do autor Nicholas Sparks, um dos mais vendidos, não só nos Estados Unidos, como no mundo inteiro. Os temas recorrentes de suas obras giram em torno, especialmente, do amor, do destino e de um leve toque de tragédia. Entretanto, a adaptação de “Querido John”, livro que ele lançou em 2007, ao contrário de outras como “Uma Carta de Amor”, “Um Amor para Recordar”, “Diário de uma Paixão” e “Noites de Tormenta”, não conseguem fazer a mesma conexão com a plateia.

A culpa não é nem do diretor Lasse Hallstrom, uma vez que ele parece ser feito para dirigir esses dramas românticos meio água com açúcar. O problema maior se encontra no roteiro escrito por Jamie Linden. Enquanto ele está na fase de estruturação da trama, quando acompanhamos as duas semanas em que John (Channing Tatum), militar das Forças Especiais do Exército norte-americano, e a estudante universitária Savannah (Amanda Seyfried) se conhecem e se apaixonam, o filme alcança seus melhores momentos.

O longa consegue manter o bom ritmo quando apresenta à plateia o grande conflito que se coloca diante do casal: a distância física, uma vez que ele passa o ano inteiro em missões nos lugares mais inóspitos do mundo e ela está na faculdade. Claramente, John e Savannah vivem momentos de vida diferentes, em que cada um tem uma prioridade diferente, responsabilidades distintas e essa é a grande prova pela qual o amor deles tem que passar. Na medida em os pontos de transição do roteiro nos vão sendo apresentados, Jamie Linden começa a perder o controle de sua história até chegar ao ponto em que o desenvolvimento rumo à sua conclusão é um tanto corrido.

Apesar de ser uma história de amor que começa como qualquer outra, mas termina revelando a maturidade dos seus dois vértices principais, falta mesmo à “Querido John” o carisma das outras histórias elaboradas por Nicholas Sparks. O único elemento que acaba conquistando a gente mesmo é o casal de atores Channing Tatum e Amanda Seyfried, especialmente no primeiro ato, quando as faíscas (com o perdão do trocadilho) de amor emanam em abundância na tela. Depois, a performance deles vai acompanhando a queda do roteiro, até os vermos completamente apáticos em tela, nem lembrando as figuras joviais e cheias de vida do início do filme.

Cotação: 4,0

Querido John (Dear John, 2010)
Direção: Lasse Hallstrom
Roteiro: Jamie Linden (com base no livro de Nicholas Sparks)
Elenco: Channing Tatum, Amanda Seyfried, Richard Jenkins, Henry Thomas, D. J. Cotrona, Scott Porter, Braeden Reed, Cullen Moss

Entry filed under: DVD.

72 Horas O Fada do Dente

25 Comentários Add your own

  • 1. Amanda Aouad  |  janeiro 20, 2011 às 12:32 am

    Depois que John vai para guerra o filme começa a descer ladeira abaixo. Não consegue manter o frescor de “Diário de uma paixão”, por exemplo. Mas, no final, achei bonzinho.

    Responder
    • 2. Kamila  |  janeiro 20, 2011 às 12:58 am

      Amanda, eu concordo com você, exceto que achei o final muito apressado.

      Responder
  • 3. Wallace  |  janeiro 20, 2011 às 5:07 am

    Dos filmes baseados no Sparks só vi DIÁRIO DE UMA PAIXÃO, que achei bonitinho. Mas prefiro passar longe desses romances açucarados, não me atraem nem um pouco. Agora, uma curiosidade: o diretor desse QUERIDO JOHN é o Lasse Hallstrom, não é? Nunca achei seu cinema grande coisa, mas, mesmo assim, há de se pensar que, há 10 anos atrás, ele era um dos diretores mais constantes nas premiações do cinema norte-americano. Chegou a estar presente em duas cerimônias do Oscar consecutivas, com REGRAS DA VIDA e CHOCOLATE. Mas já faz um bom tempo que ele não acerta uma!

    Responder
  • 4. Alex Gonçalves  |  janeiro 20, 2011 às 5:54 am

    Kamila, concordo totalmente com você. Acho que a trama é carismática em seu primeiro ato, que é bem mais resolvido que os posteriores. A única coisa que me fez aturar o filme até o final foi a presença de Richard Jenkins, excelente.

    Responder
  • 5. Flávio Junio  |  janeiro 20, 2011 às 11:24 am

    Kamila, não gostei nada deste filme. Foi uma experiência bem díficil , tanto quanto Plano B.

    Responder
    • 6. Kamila  |  janeiro 21, 2011 às 2:12 am

      Wallace, eu gosto muito de “O Diário de uma Paixão”. Acho um belo filme. E o Lasse não acertava nem em “Regras da Vida”, quanto mais em “Chocolate”. rsrsrsrs

      Alex, o Richard Jenkins, realmente, faz uma participação bem marcante no filme.

      Flávio, não diria que é uma experiência difícil assistir a este filme…

      Responder
  • 7. Reinaldo Matheus Glioche  |  janeiro 20, 2011 às 12:14 pm

    Pois é, é um filme bem fraco. O melodrama não se sustenta. E Sparks está com tudo mesmo. Dos 10 livros de ficção mais vendidos no Brasil atualmente, cinco são seus. É mole ou quer mais?
    Bjs

    Responder
  • 8. Pedro Tavares  |  janeiro 20, 2011 às 3:59 pm

    “Mais do mesmo”define bem esse escapismo em filme…

    Responder
  • 9. Otavio Almeida  |  janeiro 20, 2011 às 4:32 pm

    Já chegou em DVD, Kamila? Bjs!

    Responder
    • 10. Kamila  |  janeiro 21, 2011 às 2:12 am

      Reinaldo, exatamente. Não é nada mole. O Sparks é queridíssimo! Beijos!

      Pedro, exatamente…

      Otavio, chegou, sim! Beijos!

      Responder
  • 11. Amanda Aouad  |  janeiro 20, 2011 às 6:56 pm

    Kamila, tem um selo pra vc lá no blog.

    Responder
  • 12. Cassiano  |  janeiro 20, 2011 às 7:20 pm

    A foto do post a atriz tá a cara da Natalie Portman!

    Responder
  • 13. Weiner  |  janeiro 20, 2011 às 11:41 pm

    Assisti a este filme num dia de extrema paz interior, acho que por isso funcionou pra mim. Nada de mais, vários defeitos visíveis, mas nada que me fizesse repudiá-lo ou algo do tipo.
    Bjs!

    Responder
    • 14. Kamila  |  janeiro 21, 2011 às 2:13 am

      Amanda, valeu! Vou lá ver!

      Cassiano, você acha???

      Weiner, eu não odiei-o tanto assim, mas não dá para ficar imune aos defeitos do filme. Beijos!

      Responder
  • 15. Wallace  |  janeiro 21, 2011 às 2:53 am

    Pois é, Kamila, acho CHOCOLATE uma bela de uma bobagem, sua indicação ao Oscar de melhor filme em 2001 foi um ultraje! REGRAS DA VIDA eu precisava rever, tem muito tempo que assisti.

    Responder
  • 16. Mayara Bastos  |  janeiro 21, 2011 às 4:15 pm

    Achei esse um pouco melhor que “A Última Música”, que é chatinho. Mas, não é muita coisa. Assino embaixo com seu texto, esperava um filme acima da média vindo do Hallstrom. A diferença entre esse e “Sempre ao Seu Lado” é gritante. rsrsrs.

    Beijos! 😉

    Responder
    • 17. Kamila  |  janeiro 21, 2011 às 10:15 pm

      Wallace, eu não gosto dos dois filmes.

      Mayara, não assisti ainda “A Última Música”, mas este filme está na fila! 🙂 E concordo em relação à diferença entre este filme e “Sempre ao Seu Lado”. Beijos!

      Responder
  • 18. criscontreiras  |  janeiro 22, 2011 às 2:13 am

    Ka, concordo muito contigo! Até na nota.

    É uma pena, pois é um livro bem gostoso de se ler, eu mesmo li em 1 dia e meio. Me identifiquei com os personagens e achei os atores Channing Tatum e Amanda Seyfried péssimos. Sem química…diferente do que imaginei quando li o livro.

    O problema mesmo é o roteiro, pois a direção de Lasse tá eficiente, ao meu ver. E Jenkins é o único que atua muito bem no filme.

    Já o “A Última Música” é melhor adaptado, e achei Miley Cyrus muito bem! Deu conta do recado, viu? Confira.

    Beijo!

    Responder
    • 19. Kamila  |  janeiro 22, 2011 às 1:28 pm

      Cristiano, eu não li o livro, mas gosto das adaptações do Nicholas Sparks. Já assisti a todos os filmes baseados em livros dele, exceto “A Última Música”. Eu achei que Tatum e Seyfried até possuem química, mas a história aqui não ajudou em nada. Beijo!

      Responder
  • 20. Luis Galvão  |  janeiro 22, 2011 às 2:00 pm

    Diário de uma Paixão continua sendo, para mim, a melhor adaptação de Sparks para as telas. Esse é bem passível de elogios, mas o problema é o roteiro mesmo, já que gosto até demais de Amanda.

    Responder
    • 21. Kamila  |  janeiro 22, 2011 às 7:11 pm

      Luís, concordo com todo o seu comentário!

      Responder
  • 22. nilo  |  janeiro 24, 2011 às 2:01 pm

    esse filme é um calo pra mim… sai do filme achando que ele não era lá grandes coisas mas me tragou completamente pelo contexto de quando assisti e algumas coincidencias pessoais. o filme me emocionava e eu meio que sem entender o pq. saí na dúvida se o filme até era realmente bom, ou se apenas o contexto me fez ter aquela experiencia.

    Responder
    • 23. Kamila  |  janeiro 25, 2011 às 1:39 am

      Nilo, o contexto é tudo… Comigo, a obra não funcionou!

      Responder
  • 24. João Paulo  |  janeiro 26, 2011 às 11:28 pm

    Acreditas que o texto desse filme é um dos mais lidos do meu blog?
    Até hoje quero a compreensão para isso.

    Beijos Milla.

    Responder
  • 25. A Última Música « Cinéfila por Natureza  |  fevereiro 16, 2011 às 2:23 am

    […] por Nicholas Sparks lançada em 2010, é impossível não comparar “A Última Música” com “Querido John”. Não é por ter o escritor envolvido na produção que a obra dirigida por Julie Anne Robinson […]

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

Contato

cinefilapn@gmail.com

Último Filme Visto

Lendo

Arquivos

Blog Stats

  • 453,381 hits

Feeds


%d blogueiros gostam disto: