72 Horas

janeiro 18, 2011 at 10:55 pm 25 comentários

Tanto o título original (“The Next Three Days”) quanto a tradução nacional (“72 Horas”) do novo filme escrito e dirigido por Paul Haggis (o qual é uma refilmagem de uma obra do cinema francês) fazem menção ao momento crucial do plano elaborado por John Brennan (Russell Crowe): convencido da inocência da sua esposa, Lara (Elizabeth Banks), a qual foi acusada de assassinar a própria chefe, e cansado das respostas negativas nos diversos processos de apelação, ele elaborou a fuga dela da cadeia e são justamente estas 72 horas que se seguem à execução da fuga que irão determinar se eles (o casal carrega junto consigo o único filho) serão bem sucedidos ou não.

Entretanto, se engana quem pensa que o filme se resume somente às elétricas 72 horas que se seguem à fuga de John, Lara e Luke (Ty Simpkins). A fuga se encontra no último ato do longa. Paul Haggis, espertamente, cria toda uma contextualização que vai fazer com que você crie empatia por John, um homem cujos atos são motivados pelo desespero de ver a pessoa que ele mais ama em uma situação sem volta (também ajuda o fato de que, nos três anos em que Lara está na cadeia – a sentença dela foi de 20 anos –, John se manteve fiel à esposa, foi um pai exemplar e se manteve ao lado de Lara em todos os momentos).

O curioso é que Paul Haggis não arquiteta uma peça do tipo “Um Ato de Coragem”, filme dirigido por Nick Cassavetes e estrelado por Denzel Washington, e que retrata uma reação emocional de um homem diante do desespero de ver o único filho à espera de um transplante de coração que ele não pode pagar. John Brennan é um homem extremamente racional. O ato dele não é um impulso, foi algo resultado de um plano cuidadosamente arquitetado – a visita que ele faz ao personagem interpretado por Liam Neeson é uma prova disso. A surpresa aqui vem justamente de Lara, que é a reação emocional, o fator principal que ele não cogitou em seu plano.

“72 Horas” pode frustrar um pouco aqueles que esperavam ver um filme cheio de adrenalina e ação, porque, em boa parte da obra, estamos num clima de total anticlímax. O diretor Paul Haggis joga o olhar para John Brennan, seu filho, Lara Brennan, os pais dele, os policiais que passam a investigar a fuga deles. E isso é uma marca do cinema dele. Ele gosta de criar aquelas dúvidas razoáveis. A cena que antecede o final de “72 Horas” é uma prova disso. Mas, será que mudaria alguma coisa na vida dos Brennan? Eu acho que não. Eles já são prisioneiros dos próprios atos que decidiram cometer. Eles nunca seriam inteiramente livres.

Cotação: 8,5

72 Horas (The Next Three Days, 2010)
Direção: Paul Haggis
Roteiro: Paul Haggis (com base no filme escrito por Fred Cavayé e Guillaume Lemans)
Elenco: Russell Crowe, Elizabeth Banks, Jason Beghe, Ty Simpkins, Olivia Wilde, Brian Dennehy, Liam Neeson

Entry filed under: Cinema.

Os Melhores Momentos do Golden Globes 2011 Querido John

25 Comentários Add your own

  • 1. Mateus Selle Denardin  |  janeiro 19, 2011 às 12:21 am

    Que belo texto! Também gostei bastante do filme, embora caminhe sobre uma trama por vezes inverossímel ou forçada (tudo aquilo é demais para John fazer). Mas Haggis é um excelente cineasta, e sua direção é fantástica pois consegue, junto às ótimas atuações (especialmente a de Crowe, claro), envolver muito bem o espectador. Não vou falar mais aqui porque estou escrevendo sobre o filme. Mas é isso, adorei o trabalho. 7/10

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    • 2. Kamila  |  janeiro 19, 2011 às 12:56 am

      Mateus, obrigada! Não sei se a trama é tão inverossímil assim. Forçada, pode ser. A personagem da Olivia Wilde, para mim, poderia nem existir que eu nem sentiria falta dela.

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  • 3. Amanda Aouad  |  janeiro 19, 2011 às 2:34 am

    Gostei do seu texto também. E o filme é mesmo bem realizado, talvez pudesse ser um pouco melhor, sem tanto anti-clímax, mas gosto dessas dúvidas razoáveis.

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  • 4. Cristiano Contreiras  |  janeiro 19, 2011 às 4:32 am

    Eu discordo de você, quase no texto todo. Porque achei esse filme bastante fraco, com uma fórmula “batida” e só Russel Crowe empolga.

    Não sou fã de Haggis – acho “Menina de ouro” superestimado ao extremo, pois é um filme normal e o roteiro não tem nada de mais. Mas sim uma mesclagem de tudo que já tinhamos vistos em diversos filmes do gênero…e ainda levou aqueles Oscars todos? tsc.

    “72 horas” ainda tem uma Elizabeth Banks insossa, a atriz não convence…

    E o roteiro fraquinho só melhora, levemente, nas sequencias finais – quando Haggis tenta induzir uma ação desenfreada sem noção…E não é pelo ritmo lento dele que digo isso, pois há filmes com narrativas assim que são muito mais interessantes.

    E concordo contigo em relação a Olivia Wilde, nem entendi a personagem ali…tadinha da atriz, rs! Recebeu um cachê por uma participação…ora, qual participação? rs

    Seu texto é mais interessante que o filme todinho, rs.

    Beijo!

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  • 5. bruno knott  |  janeiro 19, 2011 às 6:06 am

    Tenho um certo interessante pelos trabalhos do Haggis! Era pra ter assistido esse semana passada, mas nao pude.

    Eu já imaginava que a tal fuga ficaria para o ato final. Haggis é esperto o suficiente para desenvolver bem seus personagens!

    Abraços.

    Responder
    • 6. Kamila  |  janeiro 19, 2011 às 10:51 pm

      Amanda, também acho que ele poderia ser bem menos anticlimático! Obrigada!

      Cristiano, pode discordar. Pelo teor de seu comentário, me parece que seu problema é com o Haggis. Nada que ele faz te agrada. O filme melhora muito no ato final, mas isso não significa que o que veio antes é ruim. É tudo uma contextualização. Obrigada! Beijo!

      Bruno, eu gosto muito do Haggis. Exatamente. Boa observação sobre ele. Abraços!

      Responder
  • 7. Kahlil  |  janeiro 19, 2011 às 6:29 am

    excelente filme… eu esperava um pouquinho mais, mas fiquei satisfeito… o final me emocionou muito

    http://filme-do-dia.blogspot.com/

    Responder
  • 8. Flavio Junio  |  janeiro 19, 2011 às 12:10 pm

    Kamila, particulamente gosto muito da Elizabeth Banks. Pra mim, ela , Melissa George e Radha Mitchell são três brilhantes atrizes que ainda não tiveram uma boa oportunidade para subirem para o estrelato.

    Responder
  • 9. Reinaldo Matheus Glioche  |  janeiro 19, 2011 às 12:40 pm

    Bela conclusão na sua crítica Ka. Uma inflexão, que na minha opinião, não decorre do trabalho de Haggis, mas de seu excelente raciocínio. Acho um filme mediano. E mediano não deixa de ser uma decepção em termos de Paul Haggis. Mas é um ótimo entretenimento. Ótimo elenco e uma história que mantém interesse.
    bjs

    Responder
    • 10. Kamila  |  janeiro 19, 2011 às 10:52 pm

      Kahlil, eu também fiquei muito empolgada no final.

      Flavio, eu não gosto da Banks, mas, aqui, ela esteve muito bem.

      Reinaldo, obrigada! Eu concordo plenamente com a segunda parte de seu comentário! Beijos!

      Responder
  • 11. cleber eldridge  |  janeiro 19, 2011 às 1:27 pm

    Crash é uma decepção imensa para mim, No Vale das Sombras é um filme mediano, que conta somente com a boa atuação de Lee Jones, sem muita expectativas aguardo esse chegar as locadoras para analisar ;D
    Beijos!

    Responder
  • 12. Weiner  |  janeiro 19, 2011 às 2:59 pm

    Eu confio muito na capacidade de Paul Haggis como diretor e roteirista (mesmo que In the Valley of Elah tenha sido apenas bom). Li algumas opiniões controversas sobre 72 HORAS, mas devo dizer que seu apontamentos positivos lançaram novo frescor sobre minha curiosidade. O elenco também é muito bom. E, ei! Ty Simpkins é o garotinho de PECADOS ÍNTIMOS?
    Beijos!

    Responder
  • 13. Otavio Almeida  |  janeiro 19, 2011 às 3:07 pm

    Droga, eu ainda não vi!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Responder
    • 14. Kamila  |  janeiro 19, 2011 às 10:54 pm

      Cleber, eu adoro “Crash” e “No Vale das Sombras”. São dois filmaços para mim. Beijos!

      Weiner, eu também confio muito na capacidade do Haggis. Não sei dizer quem é o Ty Simpkins! rsrsrs Beijos!

      Otavio, assista!!! 🙂

      Responder
  • 15. Alan Raspante  |  janeiro 19, 2011 às 8:09 pm

    Ah Kamila, estou com bastante vontade de conferir este. Peguei uma certa admiração pelo estilo aqui apresentado, talvez pelo fato de ter conferido poucos do gênero. Enfim, não espero grande coisa apenas um bom entretenimento. Ótimo texto!

    []s

    Responder
  • 16. Roberto Queiroz  |  janeiro 19, 2011 às 9:12 pm

    Também gostei bastante, principalmente por se tratar de puro entretenimento, sem qualquer outra pretensão ambiciosa. Mais uma vez o Russel Crowe mostrou a que veio (o que não é nenhuma novidade, vindo da parte dele!).

    Responder
    • 17. Kamila  |  janeiro 19, 2011 às 10:55 pm

      Raspante, e o filme é um ótimo entretenimento. Obrigada! Abraços!

      Roberto, exatamente!

      Responder
  • 18. Wallace  |  janeiro 20, 2011 às 5:09 am

    Confesso: gosto do Haggis, do Crowe, e acho que vou gostar desse filme. Muito, talvez. Por pouco não o assisti na minha passagem pelo Rio, no início do mês…

    Responder
  • 19. Alex Gonçalves  |  janeiro 20, 2011 às 5:59 am

    Kamila, deixei de assistir a este filme assim que soube que ele é uma refilmagem do longa francês “Tudo Por Ela”, como você bem apontou. Quero assistir antes a obra original e depois procurar por este filme. Será difícil aturar Russell Crowe, mas ao menos o comando da fita (Paul Haggis) é confiável.

    Ah, e quem dirige “Um Ato de Coragem” é o Nick Cassavetes e não o pai dele, John. 🙂

    Responder
  • 20. fabiana  |  janeiro 20, 2011 às 12:53 pm

    Eu tenho muita preguiça do Russell Crowe, sério!

    Responder
    • 21. Kamila  |  janeiro 21, 2011 às 2:18 am

      Wallace, eu sou que nem você. Gosto do Haggis, do Crowe e adorei este filme.

      Alex, eu não assisti ao filme original, mas todos me disseram ser muito bom! Ah, valeu pela correção! Irei acertar o texto! 🙂

      Fabiana, eu gosto do Crowe. Bom ator!!

      Responder
  • 22. Hugo Leonardo  |  janeiro 21, 2011 às 10:45 pm

    Estou com esse aqui no computador para assistir há um tempinho, espero ser bom …

    Responder
  • 23. Mandy  |  janeiro 23, 2011 às 3:55 am

    Fiquei afim de ver.

    E aí Kamila, m vai?

    Responder
    • 24. Kamila  |  janeiro 23, 2011 às 7:28 pm

      Hugo, é bom, sim!

      Mandy, assista!

      Responder
  • 25. Eliane  |  março 25, 2012 às 1:28 pm

    Estou só concordando com um post que li.Assisti ontem e me entediei.

    O filme é longo, cansativo e perde o foco não apenas uma, mas várias vezes de qual era seu objetivo inicial, ao ponto de algumas vezes nos perguntarmos qual era mesmo a trama principal aqui.

    Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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