Juntos Pelo Acaso

novembro 1, 2010 at 9:53 pm 25 comentários

O prólogo da comédia romântica “Juntos Pelo Acaso”, de Greg Berlanti, mostra o primeiro encontro de Holly Berenson (Katherine Heigl, também produtora do filme) e Eric Messer (Josh Duhamel), três anos atrás. Um encontro que, aliás, nunca chegou a se concretizar, uma vez que terminou antes de começar. O desastre que ele foi pautou, de uma certa maneira, todo o relacionamento que se estabeleceu entre estes dois personagens, uma vez que eles se preocupavam mais em caçoar um do outro do que se conhecerem de verdade.

Olhando por este prisma, é até curioso perceber que estas duas pessoas bem diferentes tenham sido escolhidas por Peter (Hayes MacArthur) e Alison Novack (Christina Hendricks, do seriado “Mad Men”) para serem os tutores de sua única filha Sophie (as irmãs Alexis, Brynn e Brooke Clagett), caso algo acontecesse com eles. No entanto, uma análise mais a fundo nos leva às razões para compreender a escolha: o amor que os unia ao casal de amigos e à filha deles e o convívio que todos eles tinham era o mais próximo de uma família que Holly e Eric tinham.

Mas, antes de chegar à esta conclusão, “Juntos Pelo Acaso” se prende a algo muito importante para o desenvolvimento de sua história. O filme segue a rotina que se estabelece entre Holly e Eric a partir do instante em que eles se veem na posição de pais de Sophie, após a morte de Peter e Alison. Apesar do longa não dar espaço a estes personagens vivenciarem o luto da perda, o interessante aqui é perceber que esta lacuna de roteiro não é prejudicial ao resultado final obtido por Greg Berlanti, uma vez que o processo que importa aqui é a construção do relacionamento e do núcleo familiar que passará a ser formado por Holly, Eric e Sophie – e, consequentemente, todas as autodescobertas decorrentes desta jornada.

Num mundo em que os relacionamentos familiares são constantemente redefinidos, “Juntos Pelo Acaso” é o segundo filme de 2010 a desafiar as convenções normais – o primeiro foi o fraco “Plano B”. Holly e Eric não se conhecem, se apaixonam, namoram, casam e têm uma filha. Eles são obrigados, por uma tragédia, a formar uma família sem saberem se estavam prontos para isso e, principalmente, sem terem escolhido isso.

Núcleos familiares fragmentados, em que se têm pessoas buscando coisas diferentes em momentos de vida distintos, é meio que uma especialidade do diretor Greg Berlanti. Em “Everwood”, por exemplo, seriado que ele criou para a Warner Channel dos EUA em 2002 e que durou 4 temporadas, tínhamos um pai que obriga seus dois filhos a viver em circunstâncias que eles não queriam após a morte da esposa/mãe. “Everwood” falava, basicamente, sobre a tentativa de um pai de se reconectar à seus filhos e sobre todos eles tentando sobreviver e reencontrar seus lugares no mundo após uma perda que ninguém espera passar.

Em “Juntos Pelo Acaso”, similarmente, temos pessoas tentando se encontrar, temos pessoas tentando sobreviver a uma perda, temos pessoas tentando estabelecer uma conexão umas com as outras. Temos também situações clichês, temos também aquela sensação de que sabemos como tudo vai terminar. Entretanto, temos, ao mesmo tempo, a sensiblidade e o olhar um tanto real de Greg Berlanti. É por causa dele que histórias como as contadas em “Everwood” e “Juntos Pelo Acaso” ultrapassam aquele senso comum e nos comovem de uma forma que é tão verdadeira, que nem a gente chega direito a compreender o por quê de isso estar acontecendo. E é justamente isto que caracteriza uma experiência que eu chamo de especial – e, quando acontece da gente vivê-la, é tão bom.

Cotação: 9,0

Juntos Pelo Acaso (Life as We Know It, 2010)
Direção: Greg Berlanti
Roteiro: Ian Deitchman e Kristin Rusk Robinson
Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas, Hayes MacArthur, Christina Hendricks, Melissa McCarthy, Alexis Clagett, Brynn Clagett, Brooke Clagett

Entry filed under: Cinema.

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25 Comentários Add your own

  • 1. Marcella Oliveira Melloni de Faria  |  novembro 1, 2010 às 10:05 pm

    tuas resenhas são tão boas de se ler, Kamila! sempre muito bem construídas: nas palavras, na sinceridade e naturalidade. parabéns, sempre! minha crítica de cinema predileta!

    Responder
    • 2. Kamila  |  novembro 1, 2010 às 10:17 pm

      Marcella, muito obrigada! 🙂

      Responder
  • 3. cleber eldridge  |  novembro 2, 2010 às 12:28 am

    Uau! Por essa eu realmente não esperava, um filme como esse com uma cotação tão alta!

    PS.:: Josh Duhamel *-*

    Responder
  • 4. alan raspante.  |  novembro 2, 2010 às 12:34 am

    Assisti ao filme neste domingo e gostei bastante, gostei pelo contornos dramáticos que a trama segue, filme muito bem desenvolvido.

    abs 😉

    Responder
  • 5. Jonathan Nunes  |  novembro 2, 2010 às 1:09 am

    Ainda não vi, mas depois de sua crítica vou fazer um esforço para ver. abs.

    Responder
    • 6. Kamila  |  novembro 2, 2010 às 11:57 am

      Cleber, pode ser meu momento, somente, mas eu AMEI este filme.

      Raspante, também achei muito bem desenvolvido. Abraços!

      Jonathan, se assistir, espero que goste. Abraços!

      Responder
  • 7. ruby  |  novembro 2, 2010 às 1:15 am

    Esse filme tem algumas semelhanças com Sem reservas, filme com a Catherine Zeta-Jones. Mas é uma sinopse deliciosa, açucarada que cativa e atrai um grande público. Eu vou vê-lo. Adoro esse tipo de história.

    Responder
  • 8. Wally  |  novembro 2, 2010 às 4:03 am

    É a opinião mais entusiasmado que li até agora. Parece que é fã de Berlanti, né? =) Quero ver este filme.

    Responder
    • 9. Kamila  |  novembro 2, 2010 às 12:00 pm

      ruby, sim, verdade. Muitas semelhanças com “Sem Reservas”, sendo que é melhor do que o filme da Zeta-Jones.

      Wally, amo Berlanti! 🙂 Acho que fui influenciada por isso!

      Responder
  • 10. Roberto Queiroz  |  novembro 2, 2010 às 12:43 pm

    Parece que esse gênero de cinema envolvendo famílias que se constroem de forma nada habitual (como aconteceu antes com Coincidências do Amor e Plano B) está virando mania em Hollywood. Ainda não vi esse, mas fiquei interessado!

    Responder
  • 11. Cristiano Contreiras  |  novembro 2, 2010 às 2:28 pm

    Vi ontem, concordo com teu texto.

    Achei o filme gostoso de se ver, o elenco entrosado, acho até que Greg Berlanti surpreendeu na direção deste pequeno bom filme aqui.

    Acho que ele já havia feito uma ótima concepção no saudoso “Everwood”.

    Também recomendo o filme a todos!

    Beijo!

    Responder
  • 12. Amanda Aouad  |  novembro 2, 2010 às 3:00 pm

    É um filme gostoso de se ver, o roteiro é bem dosado, nos envolvendo em todos os momentos. Tem drama, humor, romance, comédia.

    Responder
    • 13. Kamila  |  novembro 2, 2010 às 11:01 pm

      Roberto, mas a maior parte das família agora são formadas de forma nada habitual. Hollywood só está refletindo a realidade.

      Cristiano, eu amo “Everwood”, como deu para perceber pelo meu texto. Beijo!

      Amanda, exatamente.

      Responder
  • 14. Leandro  |  novembro 2, 2010 às 6:15 pm

    Eu tinha lido a crítica do Alan e agora lendo a sua (a mais animadora até agora) fiquei com ainda mais vontade de assistir.
    Abraços

    Responder
  • 15. Mayara Bastos  |  novembro 2, 2010 às 9:46 pm

    Kamila, que lindo! E gostei de “Everwood”. E “Juntos pelo Acaso” parece ser mais que uma diversão sem compromisso. Darei uma chance ao filme.

    Beijos! 😉

    Responder
    • 16. Kamila  |  novembro 2, 2010 às 11:03 pm

      Leandro, se assistir, espero que goste. Abraços!

      Mayara, este filme é MUITO MAIS que uma diversão sem compromisso. Beijos!

      Responder
  • 17. João Paulo  |  novembro 3, 2010 às 3:36 am

    Um chick flick decente … nada mais além disso
    mas como já comentamos no msn, existem momentos pequenos, mas para quem já sentiu … é sem duvida um momento a chorar …

    xerim!

    Responder
  • 18. Paulo Ricardo  |  novembro 3, 2010 às 3:27 pm

    Primeira critica positiva que leio sobre esse filme.Katherine Heigl vale o ingresso.À conferir,bjs.

    Responder
  • 19. Luis Galvão  |  novembro 3, 2010 às 6:18 pm

    Hendricks está atuando??? Me perco nas falas observando sua beleza…

    Responder
    • 20. Kamila  |  novembro 3, 2010 às 8:31 pm

      João, e eu chorei várias vezes, como mesmo comentamos. beijos!

      Paulo, adoro a Katherine e, neste filme, ela está ótima. Beijos!

      Luís, HAHAHAHHAHAHHA

      Responder
  • 21. Pedro Henrique  |  novembro 7, 2010 às 1:52 am

    Bah, Kamila, Plano B eu acho um mal menor em relação a esse Juntos Pelo Acaso, que me arrependi muito de ter ido ver num sábado de manhã, quando deveria ter ficado dormindo, descansando para o show de amanhã do Paul M..

    Responder
    • 22. Kamila  |  novembro 7, 2010 às 11:35 pm

      Pedro, ah, eu adorei este filme! Bom show do Paul Macca!

      Responder
  • 23. amzcomunicacao  |  novembro 8, 2010 às 2:21 pm

    Nossa, me surpreendeu bastante a sua nota! Eu daria uma nota 9 com algumas condições: domingo, sem futebol na tv, chuva, namorada.

    =]

    Responder
  • 24. Victor Nassar  |  novembro 8, 2010 às 2:23 pm

    Comentei em cima com o login errado :S

    Aqui agora o certo. :S

    Responder
    • 25. Kamila  |  novembro 8, 2010 às 9:13 pm

      Victor, independente de condições, a nota seria excelente da mesma forma. 🙂

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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