O Último Exorcismo

outubro 13, 2010 at 10:12 pm 30 comentários

Considerando os últimos anos, se tem algum gênero cinematográfico completamente decadente na indústria cinematográfica hollywoodiana, este é o de suspense/terror. Às vezes, nem se precisa assistir ao filme para saber do que ele se trata, uma vez que a estrutura narrativa dificilmente varia entre uma obra e outra. Vejamos: o primeiro ato é uma contextualização geral sobre o tema central do filme; o segundo ato representa o primeiro ponto de virada na trama, quando sabemos qual é o grande vilão ou qual será o grande obstáculo a tentar ser transposto pelos nossos personagens; e o terceiro ato nos coloca diante do desfecho desta história – podendo ou não deixar aquela porta aberta para possíveis sequências.

Assistir a “O Último Exorcismo”, obra dirigida por Daniel Stamm, não vai ser uma experiência muito diferente do que descrevemos no primeiro parágrafo de nosso texto. O reverendo Cotton Marcus (Patrick Fabian) é cético em relação à existência de demônios, fantasmas e seres afins. Mesmo tendo esta relutância, ele não hesita em aceitar o convite de Louis Sweetzer (Louis Herthum), um pai de família preocupado com sua filha Nell (Ashley Bell), a qual ele acredita estar possuída pelo demônio, para efetuar um exorcismo nela.

O filme que vemos na grande tela é o resultado da reunião das imagens documentadas pela equipe de documentaristas que acompanhou – a convite dele próprio – o reverendo Cotton na viagem até a fazenda dos Sweetzer. Por isso mesmo, o diretor Daniel Stamm, aqui, emula muito o estilo de filmagem de obras como “A Bruxa de Blair”, “REC” e – para citar um longa mais recente do gênero – “Atividade Paranormal”. Com uma grande diferença: em boa parte de “O Último Exorcismo”, a gente não fica naquela iminência de que algo está prestes a acontecer. O filme falha bastante, diga-se de passagem, em criar um clima de suspense.

Isto acontece, pois, durante todo o seu primeiro ato, “O Último Exorcismo” parece ser uma grande piada. O reverendo Cotton James é uma verdadeira figura, alguém que cria toda uma atmosfera mentirosa e que passa a ser visto por nós até mesmo como um grande charlatão. Se o diretor Daniel Stamm tivesse optado por seguir este caminho de “sátira”, esta obra seria totalmente diferenciada. O problema é que ele entra na onda de querer assustar e chocar e ser um filme de suspense digno das péssimas obras que temos visto recentemente. É a partir desta decisão que “O Último Exorcismo” começa a se perder.

Cotação: 0,0

O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010)
Direção: Daniel Stamm
Roteiro: Huck Botko e Andrew Gurland
Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley, John Marcus Jr.

Entry filed under: Cinema.

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30 Comentários Add your own

  • 1. Otavio Almeida  |  outubro 13, 2010 às 10:18 pm

    Hahahahhaha, zero? Acabei não vendo o filme ainda. Deve ser um clássico da ruindade então.

    Bjs!

    Responder
  • 2. Rafael  |  outubro 13, 2010 às 10:18 pm

    Eita preula, 0

    Responder
  • 3. João Paulo  |  outubro 13, 2010 às 10:21 pm

    Ainda acho o melhor produto sobre a questão dos documentários. Nunca fiquei tão tenso em toda minha vida ao final de uma sessão. Mas infelizmente experiências em primeira pessoa sobre determinadas situações pode ter bons frutos para alguns como foi para minha pessoa e outros … não.

    Mas ainda consigo achar esse filme bem melhor do que [REC] … sem duvida …

    Beijos …

    Responder
    • 4. Kamila  |  outubro 13, 2010 às 10:35 pm

      Otavio, zero! É muito ruim! Beijos!

      Rafael, 🙂

      João Paulo, discordo de você. O filme não me deixou tensa e eu sou mais [REC]. Beijos!

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  • 6. Amanda Aouad  |  outubro 13, 2010 às 11:13 pm

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Acho que nunca vi você dar uma nota zero por aqui. Socorro.

    Responder
    • 7. Kamila  |  outubro 13, 2010 às 11:40 pm

      Amanda, esta não é a minha primeira nota zero, mas o filme merece.

      Responder
  • 8. Robson Saldanha  |  outubro 14, 2010 às 12:36 am

    Como eu ainda sou um pouco bonzinho dei uma nota um pouco maior que zero, pela insistencia de tentar fazer filmes do gênero. Mas concordo com tudo que falou.

    Responder
  • 9. alan raspante.  |  outubro 14, 2010 às 1:25 am

    cansei de terror documentário. e, assim, esse filme tem uma cara de ser … ruim, em nenhum momento me enganou. tenho absoluta certeza (mesmo não tendo visto) que este 0 foi bastante merecido!

    Responder
    • 10. Kamila  |  outubro 14, 2010 às 2:02 am

      Robson, obrigada!

      Raspante, mas é ruim mesmo. Ele só é interessante na sua primeira parte.

      Responder
  • 11. cleber eldridge  |  outubro 14, 2010 às 1:45 pm

    É exatamente o tipo de filme que me faz passar longe!

    Responder
    • 12. Kamila  |  outubro 14, 2010 às 2:13 pm

      Cleber, eu deveria ser assim também, mas não consigo ficar longe desses filmes… Vai saber…

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  • 13. Reinaldo Matheus Glioche  |  outubro 14, 2010 às 2:56 pm

    Ótima crítca Ka. ainda não vi o filme, mas adorei a maneira como vc o enquadrou. Realmente o gênero terror anda perdendo consideravelmente seu fôlego no cinemão…
    Ah e saiu né? O primeiro zero do Cinéfila por natureza… (pelo menos que eu me recorde). Gente grande até tentou mas nem essa honra conseguiu…
    bjs

    Responder
  • 14. Candy Pop  |  outubro 14, 2010 às 5:23 pm

    Uau! Mas ainda me interesso pelo filme, a tantas criticas boas, quanto ruins sobre a Obra… A Unica coisa é que não irei ver com tanta expectativa, rsrs.

    Responder
  • 15. Leandro  |  outubro 15, 2010 às 12:40 am

    Gente,nem The Brown Bunny que é um ruim como você disse mas não deu zero,correrei desse filme viu.
    Abraços

    Responder
    • 16. Kamila  |  outubro 19, 2010 às 8:25 pm

      Reinaldo, obrigada! Mas, este não é o primeiro zero daqui! 🙂 Beijos!

      Candy Pop, é o melhor mesmo. Não ver a obra com tanta expectativa assim.

      Leandro, não corra. Assista, até porque, você pode discordar de mim. Abraços!

      Responder
  • 17. Roberto Queiroz  |  outubro 15, 2010 às 12:54 am

    A única coisa válida desse filme é a forma como o fanatismo religioso é retratado nos EUA. Infelizmente, é daquele jeito torpe mesmo. No mais, é um filme cínico, mal feito e de final previsível. Merece a sua nota zero!

    Responder
  • 18. bruno knott  |  outubro 15, 2010 às 5:12 am

    Caramba Kamila, não poupou o filme mesmo, hein? hehehe

    Eu gosto de suspense/terror, mas realmente tá difícil de ver algo bom hoje em dia.

    Existem exceções, como [REC], ainda bem!

    Responder
  • 19. Cristiano Contreiras  |  outubro 15, 2010 às 6:08 am

    HUAHAUAHAUA! Adorei! O “zero” foi válido mesmo! eu nem sei por que perdi meu tempo em ter visto essa bomba, semana passada…quase saí na metade! Detalhe que a fileira da minha frente, praticamente todos saíram depois de 30 minutos de filme.

    Beijo!

    Responder
    • 20. Kamila  |  outubro 19, 2010 às 8:26 pm

      Roberto, verdade. Esse lado da obra é bom!

      Bruno, não poupei, e a obra nem merecia ser poupada.

      Cristiano, eu perdi meu tempo também conferindo esta obra. Beijo!

      Responder
  • 21. Pedro Henrique  |  outubro 15, 2010 às 12:01 pm

    Caramba! Fazia tempo que não via um zero e uma opinião tão negativa sobre algum filme aqui, Kamila! Ainda não assisti, mas também nem tenho vontade por hora.

    Responder
  • 22. Paulo Ricardo  |  outubro 16, 2010 às 12:28 am

    Parece que os cinema americano esqueceu a formula para se fazer um bom filme de terror.O sueco Deixa ela entrar,o espanhol Rec,O Orfanato que era uma co-produção espanha/méxico e só os 2 primeiros foram refilmados.O último filme de terror que eu vi e fiquei apaixonado foi O Nevoeiro de Frank Darabont.Beijos.

    Responder
  • 23. Rafael Carvalho  |  outubro 16, 2010 às 5:13 pm

    Kamila, também me incomodou no início o formato não mais original do filme (e que já está se tornando um clichê), mas acho que a história consegue trazer muito de novo ao cinema de terror pois, na minha visão, o filme chega a um pont em que não conseguimos prever o que pode acontecer a seguir. O reverendo, em sua charlatanice vai ser posto à prova o que me parece um segundo ponto chave do filme, além do próprio caso de exorcismo. esse, por sua vez, envolve outras coisas como abuso sexual e disfunções familiares que nada têm a ver com o demo. E o final do filme muda completamente a situação, o que me fez lembrar, positivamente, de O Bebê de Rosemary, surpreendetemente reprocessado aqui como uma surpresa. O final negativista é mais um ponto à favor da coragem do filme em se expor. Por isso, acho que há bastante validade no projeto.

    Responder
    • 24. Kamila  |  outubro 19, 2010 às 8:28 pm

      Pedro, e nem deve ter vontade de conferir o filme, por ora.

      Paulo Ricardo, verdade. Se esqueceu mesmo. Eles ficam insistindo ou em remakes ou em fórmulas ultrapassadas como a desse filme. Beijos! “O Nevoeiro” é um GRANDE filme.

      Rafael, eu achei a obra completamente previsível…. Esses filmes não conseguem mais me surpreender. A charlatanice do reverendo é a melhor parte da obra, mas, depois, a obra se perde por completo, em minha opinião. Mas, respeito sua opinião.

      Responder
  • 25. Jonathan Nunes  |  outubro 17, 2010 às 4:40 am

    Não vi o filme ainda e depois de sua crítica pretendo destinar meu tempo a filmes melhores. Beijos.

    Responder
  • 26. Mayara Bastos  |  outubro 18, 2010 às 12:46 am

    Não gosto do gênero, então, passo longe deste filme. E amei a nota! rsrs.

    Beijos! 😉

    Responder
    • 27. Kamila  |  outubro 19, 2010 às 8:28 pm

      Jonathan, faz bem! Beijos!

      Mayara, nem eu gosto desse gênero…. Beijos!

      Responder
  • 28. leandro  |  novembro 25, 2010 às 6:19 pm

    Eita que filme ruium. nota 0

    Responder
  • 29. Bruno  |  janeiro 13, 2011 às 9:05 pm

    Fazia tempo qui eu não via um filme tão ruim i idiota como esse……
    NOTA: 0

    Responder
    • 30. Kamila  |  janeiro 14, 2011 às 1:26 am

      Leandro, mas é ruim mesmo!

      Bruno, eu também fazia tempo que não assistia a um filme tão ruim.

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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