Chéri

outubro 7, 2010 at 9:21 pm 19 comentários

Ao contrário do que se possa imaginar, o título de “Chéri”, filme dirigido por Stephen Frears, não faz referência à personagem interpretada pela atriz Michelle Pfeiffer. O título faz uma menção direta ao jovem interpretado por Rupert Friend. Quando o longa começa, ele tem 19 anos, está meio cansado da vida de mulheres e farras, e procura na experiência de Lea de Lonval (Pfeiffer) uma companhia agradável, além, é claro, da satisfação dos seus maiores desejos sexuais.

É no relacionamento que se estabelece entre estes dois personagens que se apoia grande parte do roteiro escrito por Christopher Hampton. Baseado em um romance escrito por Collette (é dela também a obra que originou o clássico musical “Gigi”, de Vincente Minnelli), “Chéri” é muito fiel historicamente à época na qual se passa. Lea era uma cortesã bastante requisitada. Por isso mesmo, dependia da sua associação com homens ricos e poderosos, que iriam ajudá-la a manter um certo padrão de vida. Já Chéri é o homem que irá se casar por conveniência, mas que utiliza os serviços da cortesã de forma aberta, sem qualquer tipo de segredo perante a sociedade na qual está inserido.

O viés interessante – ou seria clichê? – desta história é que Lea quebra a principal regra da sua profissão e se apaixona por Chéri. O amor que lhe é correspondido não é surpresa, uma vez que é natural que um jovem como ele se enamore de alguém experiente, que o satisfaz e que o ensina tantas coisas. Mas, o filme acaba tendo outra virada peculiar quando vai revelando, aos poucos, que esta é uma história de amor muito complicada de se concretizar, afinal, o amor pode ser um sentimento muito manipulador e quando se tem duas pessoas dispostas a jogar este jogo com muita dureza, nunca um lado sai vencedor. A tendência é que ambos percam.

“Chéri” reúne, após 21 anos, membros da equipe principal de “Ligações Perigosas”, filme vencedor de 3 Oscars. Além do diretor Stephen Frears, temos o roteirista Christopher Hampton e a atriz Michelle Pfeiffer. Curioso perceber que estas duas obras possuem alguns elementos em comum, como o cuidado técnico e a forma como abordam o sentimento amoroso – se bem que “Ligações Perigosas” é bem mais profundo, nesta discussão. Quem teve a chance de conferir a belíssima obra que Frears realizou, em 1988, ainda terminará “Chéri” com um sorriso no rosto porque temos, na cena final desta obra, mais um close cortante num rosto cansado, totalmente melancólico e que tem a certeza de que acaba de vivenciar o ponto mais baixo que a sua vida terá.

Cotação: 5,5

Chéri (Chéri, 2009)
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Christopher Hampton (com base nos livros de Collette)
Elenco: Michelle Pfeiffer, Rupert Friend, Kathy Bates, Felicity Jones

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19 Comentários Add your own

  • 1. alan raspante.  |  outubro 7, 2010 às 10:28 pm

    Eu gostei muito de “Chéri”, talvez por assistir o filme sem grandes expectativas [só vi mesmo por ser de Frears], o filme conseguiu me agradar bastante.

    Responder
    • 2. Kamila  |  outubro 7, 2010 às 10:34 pm

      Raspante, eu também assisti ao filme sem muitas expectativas, mas a história não me cativou tanto assim.

      Responder
  • 3. Reinaldo Matheus Glioche  |  outubro 7, 2010 às 11:36 pm

    Bela crítica Ka. Não é um grande filme, mas é um legítimo Frears. Principalmente, como vc bem atentou, para quem acompanhou o grande clássico que ele e Hampton orquestraram.
    Bjs

    Responder
  • 4. Leandro  |  outubro 8, 2010 às 12:17 am

    Não estou curioso pra assistir Chéri,mesmo que a dupla Stephen Frears e Michelle Pfeifer chame muito minha atenção,mas não sei,acho que o tema não me agrada muito.
    Abraços

    Responder
    • 5. Kamila  |  outubro 8, 2010 às 1:06 am

      Reinaldo, obrigada! Beijos!

      Leandro, eu adoro filmes de época, então assistiria este aqui mesmo sem a dupla Frears e Pfeiffer. Abraços!

      Responder
  • 6. Roberto Queiroz  |  outubro 8, 2010 às 2:56 pm

    Por incrível que pareça, nunca fui um grande admirador de Ligações Perigosas. Daí o meu desinteresse por esse Chéri que, eu acredito, deve captar o mesmo espírito da época.

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  • 7. cleber eldridge  |  outubro 8, 2010 às 3:28 pm

    Apesar de muitos dizerem que é um filme mediano, o filme me desperta curiosidade, ainda não vi, mas pretendo conferir logo!

    Responder
  • 8. Elton Telles  |  outubro 8, 2010 às 4:10 pm

    Oi Kamila, tudo certo?

    Nós atribuímos exatamente a mesma nota para “Chéri”, um filme doce e relativamente agradável, mas esquecível e com pouca coisa a apresentar de novo. Pfeiffer radiante, em contrapartida, Rupert Friend é uma das coisas mais sem graças e sem brilho típico desses atorezinhos britânicos com cara de adolescente rs.

    bjo!

    Responder
    • 9. Kamila  |  outubro 8, 2010 às 9:29 pm

      Roberto, eu adoro “Ligações Perigosas”. Acho que é um grande filme.

      Cleber, também sempre me despertou curiosidade, esta obra.

      Elton, tudo bem, obrigada. E com você? Esquecível é a maneira perfeita para descrever este filme. Concordo também sobre o Rupert Friend. Sem graça daquele jeito, ele é o par PERFEITO para a insossa da Keira Knightley! rsrsrsrs Beijo!

      Responder
  • 10. Paulo Ricardo  |  outubro 8, 2010 às 6:00 pm

    Eu gostei muito do filme Kamila.Belos figurinos,direção de arte maravilhosa e a trilha sonora esplendida do sempre competente francês Alexandre Desplat.Não é um filmaço,mas merecia maior reconhecimento nas premiações.Concordo que o roteiro escorrega pro clichê,mas isso não atrapalha o filme.E o maior ponto forte é a atuação de Michelle Pfeiffer.Ela esta melhor do que Gabourey Sidibe por exemplo.Não é a obra prima de Stephen Frears(A Rainha e o otimo Coisas,belas e sujas são os melhores filmes doo inglês).Mas é um filme digno.E isso já basta.Beijos.

    *Tá chegando a hora de Tropa de Elite 2,o filme que estou mais aguardando esse ano.

    Responder
  • 11. Luis Galvão  |  outubro 8, 2010 às 7:09 pm

    Também adoro o cinema de Frears (ligações Perigosas é genial!) e senti sim uma estreita relação entre os dois (mas ficaria com o primeiro). Gosto da Pfeiffer e do Desplat, acho que eles me distraíram o suficiente.

    Responder
  • 12. Amanda Aouad  |  outubro 8, 2010 às 8:29 pm

    Apesar da nota baixa, fiquei curiosa para conhecer esse. Até porque gosto do trabalho de Michelle Pfeiffer.

    Responder
    • 13. Kamila  |  outubro 8, 2010 às 9:30 pm

      Paulo, a técnica do filme é excelente e é a melhor parte desta obra. Mas, não gostei tanto assim! Beijos! E vamos assistir “Tropa de Elite 2”. Também tenho altas expectativas em relação à obra.

      Luís, em comparação entre as duas obras, também fico com o primeiro!

      Amanda, eu também adoro o trabalho da Michelle Pfeiffer.

      Responder
  • 14. Mayara Bastos  |  outubro 9, 2010 às 1:20 pm

    Assisti “Chéri” e fiquei com “Ligações Perigosas” em minha cabeça. rsrs. Mas gostei um pouquinho mais pelos figurinos, a trilha do Desplat e Michelle Pfeiffer (Meu Deus, ela está envelhecendo bem. rsrs).

    Beijos! 😉

    Responder
    • 15. Kamila  |  outubro 9, 2010 às 10:18 pm

      Mayara, eu também fiquei com “Ligações Perigosas” em minha cabeça assistindo a este filme. Beijos!

      Responder
  • 16. Matheus Pannebecker  |  outubro 10, 2010 às 7:17 pm

    Eu não achei um filme ruim, mas esperava bem mais del, já que o Stephen Frears sempre sabe falar das realezas de forma excepcional…

    Responder
    • 17. Kamila  |  outubro 10, 2010 às 9:36 pm

      Matheus, verdade. Eu também esperava mais, e não achei a obra de todo ruim.

      Responder
  • 18. Rafael Carvalho  |  outubro 12, 2010 às 12:53 am

    Acho muito fácil relacionar esse Chéri a Ligações Perigosas, mas acredito que esse novo filme tem identidade própria, uma história redonda e bastante sincera com seus personagens. Gosto muito do filme e, claro, da atuação serena da Pfeiffer.

    Responder
    • 19. Kamila  |  outubro 12, 2010 às 3:27 am

      Rafael, você, definitivamente, gostou deste filme mais que eu! Só concordamos em relação à performance da Michelle Pfeiffer.

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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