Lendo – Educação

agosto 19, 2010 at 11:32 pm 13 comentários

“Mas o simples fato da existência do filme, que dirá a qualidade que talvez tenha, já é milagroso: uma combinação bizarra do material certo com as pessoas certas e uma enorme tenacidade, que não veio de mim na maior parte. E quantos milagres podemos esperar que aconteçam, durante uma vida de trabalho normal?” (p. xxiii)

O livro “Educação – O Roteiro”, de Nick Hornby, além de conter o texto inteiro filmado pela diretora Lone Scherfig, oferece um olhar bem interessante acerca do processo de adaptação cinematográfica. Na introdução do livro, Nick Hornby compartilha conosco como ocorreram todas as etapas que levaram, desde o instante em que ele leu o ensaio escrito por Lynn Barber, pela primeira vez; passando pelos diversos tratamentos que o roteiro recebeu; culminando na produção e pós-produção do filme; até chegarmos ao instante em que “Educação” estreou no Festival de Cinema de Sundance e logrou êxito – neste sentido, é bom prestar atenção à visão perfeita que o autor possui sobre as diferenças entre a linguagem literária e a cinematográfica (um dos conceitos ao qual Hornby mais se apega é que a literatura é um meio solitário, enquanto o cinema é fruto de um esforço totalmente colaborativo). 

O festival criado por Robert Redford, por sinal, merece um capítulo especial no livro. Nesta parte, conhecemos todos os medos de Nick Hornby. Todos queriam muito que o trabalho fosse bem aceito e, quando isso aconteceu, foi uma felicidade tremenda, especialmente porque a boa recepção em Sundance possibilitou que “Educação” fosse comprado por um distribuidor e tivesse a chance de chegar ao grande público – e cumprisse, desta forma, o seu ciclo como obra cinematográfica. Um dos pedaços mais interessantes deste Diário de Sundance é a forma encantada como Hornby também retrata a ascensão de Carey Mulligan, que se transformou na estrela do festival de cinema naquele ano e viu seu nome ser alçado a uma fama que ela ainda não conhecia – mas que, pelos relatos de Hornby, foi abraçada com bastante humildade e graciosidade. 

Entretanto, o ponto alto de “Educação – O Roteiro” é a oportunidade que temos de ver a interpretação do próprio Nick Hornby sobre o material que ele adaptou. Para ele, o importante na história de Lynn Barber era a  preocupação com o presente de Jenny (e não com o seu futuro – uma vez que seu pai, sua professora, sua diretora já estavam preocupados demais com isso) e retratar isso de uma forma que fosse interessante ao público. Ler o roteiro e ver as marcações textuais de Hornby é poder fixar na mente da gente a grande mensagem da história de Jenny: ela foi uma garota que se dividiu entre a educação formal e a educação da vida (que lhe foi proporcionada por um homem encantador e charmoso e que lhe mostrou que aprender pode ser divertido e nada rotineiro), mas o grande conhecimento que ela adquiriu nesta jornada inteira foi que são os erros que cometemos que nos ensinam de verdade sobre aquilo que somos e sobre aquilo em que iremos nos transformar. Jenny tem que arcar com as consequências de sua escolha e vai tomar a responsabilidade pelo caminho que decidiu trilhar e, se ela estiver errada, há que se ter a humildade para reconhecer e corrigir isso. 

Para efeitos de curiosidade, “Educação – O Roteiro” ainda termina com um apêndice contendo o final planejado originalmente por Nick Hornby. A cena revela um reencontro desnecessário entre Jenny e David, mas que acaba revelando a mesma coisa que o final que acabamos conhecendo – e que, para todos os efeitos, é melhor mesmo que o final alternativo contido no livro: Jenny ganhou novamente o controle da sua vida, passando a ser aquilo que ela era de verdade e sem tentar corresponder à imagem que os outros gostariam que ela tivesse.

Educação – O Roteiro (2009)
Autor: Nick Hornby
Editora: Rocco

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13 Comentários Add your own

  • 1. Mayara Bastos  |  agosto 19, 2010 às 11:39 pm

    Um roteiro bem escrito, um belo trabalho do Nick Hornby. Não sabia da existência desse livro, mas fiquei bastante curiosa. Acho que vou caçá-lo. rsrsrs.

    Beijos! 😉

    Responder
  • 2. Brenno Bezerra  |  agosto 19, 2010 às 11:44 pm

    Eu gostei muito do roteiro do filme, que foi bem autêntico com o que é, realmente, a questão das escolhas durane da juventude. Concordei com todos as morais feitas por ele.

    Beijos

    Responder
    • 3. Kamila  |  agosto 20, 2010 às 12:03 am

      Mayara, cace mesmo! Beijos!

      Brenno, concordo contigo. Beijos!

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  • 5. @Raspante  |  agosto 20, 2010 às 11:26 am

    Eu gostei muito do filme, muito mesmo. E, com certeza o roteiro contribui para isso, foi muito bem feito e argumentado. Não conhecia o livro, mais fiquei curiosíssimo!
    xD

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    • 6. Kamila  |  agosto 20, 2010 às 11:53 am

      Raspante, eu também adorei o filme e li este livro, basicamente, por causa disso e por me interessar bastante sobre o processo de adaptação cinematográfica, no geral.

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  • 7. Amanda Aouad  |  agosto 20, 2010 às 11:56 am

    Apesar de não ter me empolgado tanto com o roteiro do filme, fiquei curiosa para ler o livro, é sempre interessante ver como foi feita a construção e ler o texto original. Já fiz alguns coleções nesse sentido, até porque estudo roteiro. Vou procurar.

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  • 8. Roberto Queiroz  |  agosto 20, 2010 às 4:54 pm

    Eu acho o trabalho do Hornby fantástico, mas Educação não me tocou (salvo pelas atuações da Carrey Mulligan e o Alfred Molina) do jeito que eu achava que tocaria. Faltou alguma coisa no filme!

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    • 9. Kamila  |  agosto 20, 2010 às 7:12 pm

      Amanda, você estuda roteiro e eu adaptações. 🙂

      Roberto, eu adoro o Hornby e adorei “Educação”.

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  • 10. Mandy  |  agosto 20, 2010 às 10:01 pm

    Hum, o livro, que legal!

    Eu to lendo o 4º das Cronicas de Anne Rice!

    Responder
    • 11. Kamila  |  agosto 21, 2010 às 1:11 am

      Mandy, e eu tô lendo a biografia da Audrey Hepburn.

      Responder
  • 12. bruno knott  |  agosto 21, 2010 às 5:25 am

    Dica preciosa essa, hein Kamila?

    Sem dúvida vale o investimento.

    Responder
    • 13. Kamila  |  agosto 21, 2010 às 12:20 pm

      Bruno, com certeza, vale o investimento! Quem gosta do filme não vai se arrepender de comprar a obra.

      Responder

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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