Amantes

agosto 2, 2010 at 10:37 pm 27 comentários

Os filmes escritos e dirigidos por James Gray possuem, geralmente, alguns pontos em comum. Em “Amantes” não será diferente. Deparamos-nos diante de homens que possuem um forte ambiente familiar, mas que ainda estão tentando encontrar seu lugar no mundo. No caso particular de Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix, o ator favorito – e habitual parceiro – de Gray), ele se perdeu por causa de um amor. A frase perfeita para defini-lo acaba saindo da sua própria boca: “Minha vida está meio atribulada. Não sei mais como é ser eu mesmo”. 

“Amantes” retrata um momento da vida de Leonard em que algumas mudanças estão para acontecer. Seu pai (Moni Moshonov) está prestes a arrumar um novo parceiro comercial (Bob Ari) que poderá mudar os rumos do negócio familiar deles (uma lavanderia) e Leonard exerce um fator fundamental nesta equação comercial, uma vez que é de interesse dos novos parceiros uma possível união amorosa entre Leonard e Sandra (Vinessa Shaw), seus filhos. 

Mas, a vida não espera. Ela tem seus próprios desígnios e é assim que Leonard vai se ver dividido entre duas mulheres que são completamente diferentes uma da outra: a já citada Sandra, que é meiga e amável; e a sua vizinha Michelle (Gwyneth Paltrow), que é misteriosa, intrigante. Se Leonard escolhesse Sandra, ele teria a certeza de que ela cuidaria dele incondicionalmente pelo resto de sua vida. Se ele escolhesse Michelle, Leonard saberia que ele é que teria que cuidar dela. Então, tudo vai depender daquilo que é a necessidade do personagem principal para aquele momento, uma vez que uma porta se fecha, mas outra se abre. 

Quando “Amantes” foi lançado, em 2008, os cinéfilos foram pegos de surpresa com o anúncio de um esquisito Joaquin Phoenix de que este seria seu último filme como ator. Até agora, ele tem cumprido sua promessa, mas assistir a ele neste filme é clamar para que ele repense a sua escolha. A performance de Phoenix é forte, intensa e sólida, como a história criada por Gray. Joaquin é um daqueles atores raros que mergulham no personagem, que fazem a gente crer que ele é mesmo aquela pessoa. No final de “Amantes”, era eu que queria estar abraçando Leonard e o confortando. 

Cotação: 9,0

Amantes (Two Lovers, 2008)
Direção: James Gray
Roteiro: James Gray e Richard Menello
Elenco: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw, Moni Moshonov, Isabella Rossellini, Bob Ari, Elias Koteas

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Cena da Semana* Emmy 2010 – Lead Actress in a Comedy Series*

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  • 2. Leandro  |  agosto 2, 2010 às 11:04 pm

    Eu ainda to tentando entender porque diabos ainda não assisti a esse filme,gosto muitíssimo de Joaquin Phoenix e a trama parece ótima e triste,bem do jeito que eu gosto.
    Agora tenta me responder essa é a melhor atuação da Gwyneth Paltrow (muitos dizem e custo a acreditar).
    Abraços

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  • 3. Amanda Aouad  |  agosto 2, 2010 às 11:14 pm

    Sim, Amantes é um filme sutil, mas que não nos deixa ilusões. O desfecho é coerente e bem real. Dá mesmo vontade de colocar Leonard no colo e confortá-lo.

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    • 4. Kamila  |  agosto 3, 2010 às 12:11 am

      Leandro, eu também adoro Joaquin Phoenix e fico feliz de, finalmente, ter tido a chance de conferir este filme. Não é a melhor atuação da Gwyneth. Ainda acho que a melhor performance da carreira dela foi em “De Caso com o acaso”. Abraços!

      Amanda, exatamente. A obra não nos deixa ilusões. Concordo com o que disseste sobre o desfecho. Eu queria cuidar do Leonard, no final!

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  • 5. Vinícius P.  |  agosto 3, 2010 às 12:32 am

    Mesmo não apreciando esse filme tanto com você, reconheço que há alguns aspectos excelentes nele. O principal, para mim, é o elenco, em especial o Joaquin Phoenix – e vamos torcer para que ele não tenha encerrado a carreira, porque estaríamos perdendo um belo ator!

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  • 6. Cristiano Contreiras  |  agosto 3, 2010 às 12:35 am

    Realmente, belissimo filme…tão denso, emocional e a narrativa lenta (como muitos criticaram) é necessária, nada ali no filme é desesperado…a narrativa flui de acordo com as motivações intimas dos personagens; sob a ótica de Leonard…gosto muito deste filme e Phoenix, como sempre, demonstra ser um dos melhores atores da atualidade…sinceramente? tenho dúvidas de que este seja seu último filme, convenhamos…rs…espero que não, pois lamentarei e muito!
    Paltrow está ótima mesmo aqui!

    beijo

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    • 7. Kamila  |  agosto 3, 2010 às 12:45 am

      Vinícius, o elenco e o roteiro, para mim, foram os elementos que mais me chamaram a atenção neste filme.

      Cristiano, concordo que a narrativa lenta é totalmente necessária a este filme e isso é uma característica também das obras do James Gray. Tomara mesmo que não seja o último filme dele. Também tenho essa sensação de que a carreira dele não chegou ao fim. Beijo!

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  • 8. Paulo Ricardo  |  agosto 3, 2010 às 3:39 am

    Para falar desse filme uso uma frase ótima da Isabela Boscov sobre os filmes do mestre Clin Eastwood “que parece simples,mas de simples não tem nada” e é o caso desse filme também.Quando vi esse filme achei a história simples e no final da exibição fiquei arrebatado com a perda Leonard Kraditor(Joaquin Phoenix)e com a solidão dele.Um filme simples,mas com um roteiro consistente e um triangulo que funciona muito bem.Joaquin Phoenix muito bem em cena,Gwyneth Paltrow linda e acordando do marasmo dos ultimos anos(que fez bobagens como Voando Alto de Bruno Barreto)e Vinessa Shaw que não conhecia,mas esta muito bem também,e até Isabella Rosellini fazendo a mãe de Joaquin Phoenix.Ultimamente Kamila estou sentindo falta de filmes simples,como Sideways,O Lutador,Táxi Driver,Central do Brasil,Sangue Negro,Brokeback Mountain e tantos outros.Talvez “simples” seja um termo errado,filmes “humanos”que falam do cotidiano das pessoas.E Amantes é isso,um filme “que parece simples,mas de simples não tem nada” como diria a minha musa Isabela Boscov.Para quem não viu Amantes,vale a pena descobrir esse filme,assim como você eu também gostei muito da obra de James Gray,Bj 😉

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  • 9. Reinaldo Matheus Glioche  |  agosto 3, 2010 às 12:50 pm

    entrou no meu top 10 do ano passado. Um excelente filmes, cujas camadas vão se revelando para o espectador. Com simplicidade (e em seu filme menos ambicioso) Gray conta uma história pungente e ao mesmo tempo lírica.
    Enfim, belo filme e bela crítica.
    bjs

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    • 10. Kamila  |  agosto 3, 2010 às 1:26 pm

      Paulo, realmente, este filme parece simples, mas de simples não tem nada. Eu adorei o triângulo amoroso, especialmente as performances dos três atores, além da Isabella Rossellini. Concordo plenamente contigo! 🙂 Mas, olha, os filmes simples estão aí em abundância, a gente só precisa descobri-los. Beijo!

      Reinaldo, este filme entrou no top 10 de muita gente, agora entendo o por quê disto. O James Gray é um belíssimo diretor. Obrigada! Beijos!

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  • 11. marconi  |  agosto 3, 2010 às 2:52 pm

    Na minha opinião, é um dos melhores filmes que vi no ano passado. O roteiro mergulha nas mentes dos personagens e explora todas as possibilidades. As performances do triângulo amoroso são intensas, e de todo o elenco de apoio também. Muito sensível e sutil.

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  • 12. André C.  |  agosto 3, 2010 às 3:03 pm

    Kamila,
    você é a segunda pessoa que fala bem do filme, e eu estava na dúvida em alugar ou não, mas agora acho que vou deixar de lado a desconfiança e vou alugar.

    Bj
    André

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  • 13. cleber eldridge  |  agosto 3, 2010 às 4:00 pm

    Os elogios para esse filme não foram poucos, eu comprei o mesmo assim que saiu em dvd, só não me pergunte porque ainda não assisti, rs! Farei imediatamente!

    Beijos.

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    • 14. Kamila  |  agosto 3, 2010 às 9:01 pm

      Marconi, não poderia ter dito melhor. Seu comentário foi perfeito.

      André C., alugue, sim, acho que você não irá se arrepender. Beijo!

      Cleber, oxe, por quê ainda não viu o filme?? Beijos!

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  • 15. bruno knott  |  agosto 3, 2010 às 4:37 pm

    Seu texto aumentou ainda mais a minha vontade de ver este filme…

    Muitos comentários positivos por aí.

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  • 16. Hugo  |  agosto 3, 2010 às 7:29 pm

    É um filme sensível e realista, que tem personagens com fortes laços familiares, como nas outras obras de James Gary. Aqui faltou apenas Mark Wahlberg para completar o trio com Joaquin Phoenix. Juntos trabalharam nos dois filmes anteriores do diretor.

    Até mais

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  • 17. Cassiano  |  agosto 3, 2010 às 8:41 pm

    Kamila, faz tanto tempo q vi esse filme q nem lembro muito.

    Mas ele é bom sim, e o Phoenix tá bem sim, assim como a Paltrow.

    Gostei da frase “Minha vida está meio atribulada. Não sei mais como é ser eu mesmo”, nem me lembrava dela.

    Resposta
    • 18. Kamila  |  agosto 3, 2010 às 9:06 pm

      Bruno, então o assista!

      Hugo, verdade, ficou faltando Mark Wahlberg pra completar o time habitual do diretor. Até mais!

      Cassiano, eu me lembro bem dos seus comentários sobre “Amantes”. Foram um dos que me animaram a conferir esta obra.

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  • 19. Vinicius Silva  |  agosto 4, 2010 às 2:35 am

    Hum, então, eu discordo de algumas coisas. Acho que “Amantes” é um filme superestimado. Eu gosto dele, acho boa a história, acho a atuação do Joaquim Phoenix espetacular, mas a obra de James Gray não me chama tanta atenção quanto normalmente as pessoas comentam.

    O final, por exemplo, é um dos momentos que mais critico no filme. Quando você diz no seu texto que era você quem queria estar confortando Leonard naquele momento, não enxergo dessa forma. Acho a maneira como James Gray conduziu esta história meio torta: ele dá pouco espaço para Sandra, e a maneira como ele termina o filme mostra um certo conformismo que eu realmente não esperava. Achei que deveria terminar com a desilusão de Leonard, como aconteceu, mas que depois já estava com Sandra (como estas tramas das novelas da rede Globo e afins).

    Acho a ambientação interessante, com os dias acinzentados e coisas do tipo. Repito: “Amantes” é um bom filme, mas ainda acho superestimado.

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  • 20. Roberto Queiroz  |  agosto 4, 2010 às 12:05 pm

    Será que o Joaquin Phoenix surtou mesmo nesse tal documentário em que ele é rapper? Ele estava tão bem nesse aqui. Como pode um artista desse quilate degringolar dessa forma?

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  • 21. Pedro Henrique  |  agosto 4, 2010 às 4:30 pm

    Maravilhoso. Não consigo pensar em outra palavra para referir esse filme. Ele te envolve e te consome, não paro de rever.

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    • 22. Kamila  |  agosto 5, 2010 às 12:45 am

      Vinícius, pois eu gostei muito do final. Do otimismo que ele revela. Especialmente porque a divisão entre a Sandra e a outra lá por parte do Leonard ficou bem clara para mim. Mas, respeito a sua opinião!

      Roberto, acho que é fingimento, esse surto dele, sinceramente!!

      Pedro, concordo!

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  • 23. Otavio Almeida  |  agosto 4, 2010 às 7:22 pm

    Ah, muito bem! Eu também gostei muito do filme. E adoro os filmes do James Gray! Escolhi o Joaquin Phoenix, por este filme, o melhor ator de 2009.

    Bjs!

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  • 24. Mayara Bastos  |  agosto 4, 2010 às 9:50 pm

    Belíssimo trabalho do James Gray, achei bem diferente de algumas produções que ele já dirigiu. E Joaquin Phoenix está um deleite nesse filme. Belíssima atuação dele.

    Beijos! 😉

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    • 25. Kamila  |  agosto 5, 2010 às 12:45 am

      Otavio, eu também adoro os filmes do James Gray e as performances do Joaquin nestes filmes. Beijos!

      Mayara, concordo. É bem diferente. Mostra um lado mais sensível dele. Beijos!

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  • 26. Vulgo Dudu  |  agosto 5, 2010 às 2:19 pm

    Eu acho que o Phoenix tava blefando para promover a carreira de músico. Mas nem isso ele fez. Taí um filme que me deixou bastante impressionado, boquiaberto. Não esperava muita coisa e saí do cinema comovido. A cena final é desoladoramente bela. Eu daria um 10, hein? rs…

    Bjs!

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    • 27. Kamila  |  agosto 6, 2010 às 12:49 am

      Dudu, também acho que era tudo somente um blefe. A cena final foi a minha favorita, disparada. Muito linda! Beijos!

      Resposta

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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