Fúria de Titãs

junho 7, 2010 at 11:48 pm 19 comentários

De acordo com a Mitologia Grega, Perseu foi um heroi capaz de grandes feitos do tipo: decapitar a Medusa (criatura que transformava em pedra qualquer um que olhasse diretamente em seus olhos) e matar um terrível monstro marinho, libertando, assim, a bela Andrômeda. Para fins fictícios, o roteiro de “Fúria de Titãs”, filme dirigido por Louis Leterrier, faz algumas pequenas transformações nestes seres míticos. Exemplos: Perseu (Sam Worthington, o astro da vez dos filmes de ação) continua a ser filho de Zeus (Liam Neeson), mas, aqui, ele é bastardo e foi “entregue” à adoção; Andrômeda (Alexa Davalos) não é filha do rei da Etiópia, e sim do rei de Argos; e o terrível monstro marinho se torna a figura do Kraken, que faz parte da lenda dos países nórdicos. Além disso, temos o fato de que Hades (Ralph Fiennes), irmão de Zeus, foi traído por este e enviado, como penalidade, ao submundo – na Mitologia grega, os irmãos Zeus, Posídon e Hades partilharam entre si, pacificamente, o universo. 

Modificações à parte, a trama de “Fúria de Titãs” parte de um ponto até bastante elementar. No roteiro, os deuses se alimentam das preces dos humanos, do fato de eles acreditarem e se apoiarem neles nos momentos de fraqueza – o contrário, por exemplo, do que ocorre com Hades, que se alimenta do medo, do terror que alige os homens. Quando o filme começa, estamos diante de um momento de revolta dos humanos, que se cansaram de estarem sujeitos às vontades dos deuses. Eles desafiam essas entidades e recebem em troca a ira daqueles que deveriam protegê-los. 

Mas, onde entra Perseu nesta história? O personagem, que é um semideus, foi vítima direta – e involuntária – da guerra entre os humanos e os deuses. Após perder a sua família e com sede de vingança (seu alvo maior é Hades), Perseu se transforma no líder do exército de Argos em busca da morte do Kraken e da libertação de Andrômeda – cuja beleza sacrificada significaria uma espécie de pedido de perdão dos seres humanos por duvidarem e questionarem seus deuses. 

Apesar de parecer uma obra de trama densa, “Fúria de Titãs” é somente mais um exemplar recente dos filmes de ação cujas partes técnicas são excelentes, mas falham no roteiro, especialmente porque não conseguiram conceber uma história que nos envolve. O próprio Louis Leterrier, por exemplo, é um diretor muito mais ágil e eficiente do que essa obra pressupõe. Não basta, portanto, encher nossos olhos com cenas de ação bem feitas e efeitos de cair o queixo. A gente tem que se importar com os personagens também. Não é o caso de “Fúria de Titãs”. 

Cotação: 5,5

Fúria de Titãs (Clash of the Titans, 2010)
Direção: Louis Leterrier
Roteiro: Travis Beacham e Phil Hay
Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Gemma Atherton, Mads Mikkelsen, Alexa Davalos, Danny Huston, Pete Postlewaite

Entry filed under: Cinema.

Cena da Semana* Quincas Berro D’Água

19 Comentários Add your own

  • 1. Pedro  |  junho 7, 2010 às 11:56 pm

    É uma pena que falte coragem pra ousar no roteiro e na técnica. Você viu em 2 ou 3D? Em 3D as batalhas parecem uma grande bagunça.

    Responder
    • 2. Kamila  |  junho 8, 2010 às 12:06 am

      Pedro, vi em 2D e me disseram que não fazia diferença ver neste formato ou em 3D.

      Responder
  • 3. Mandy  |  junho 8, 2010 às 12:42 am

    Eu tb n to esperançosa em relação ao filme ¬¬ Que pena, né? Devia ter tudo p/ ir bem, adoro o tema!

    Chamei de pavão por conta das cores, no post de hj dá p/ entender melhor!

    Responder
    • 4. Kamila  |  junho 8, 2010 às 12:49 am

      Mandy, eu não gosto desse tema, mas pensava que ia ser um filme legal, o que não foi, infelizmente.

      Responder
  • 5. Amanda Aouad  |  junho 8, 2010 às 2:33 am

    É.. o filme fica vazio, principalmente com as mudanças mitológicas que vc citou… Quanto ao 3D, tem algumas cenas onde a profundidade é interessante. Mas, nada que salte aos olhos…

    abraços

    Responder
    • 6. Kamila  |  junho 8, 2010 às 2:52 am

      Amanda, foi o que me disseram. Que no 3D nada muda demais.. Abraços!

      Responder
  • 7. Rafael Carvalho  |  junho 8, 2010 às 12:40 pm

    Meu receio em relação a esse tipo de produção é que a história seja modificada para fins narrativos, muitas vezes botando tudo a perder. Espero que não seja o caso desse aqui, que ainda não vi.

    Responder
  • 8. Reinaldo Matheus Glioche  |  junho 8, 2010 às 1:42 pm

    Ainda não vi o filme, mas percebo que sua opinião está alinhada a da crítica em geral. Uma pena, que um material tão rico tenha sido desperdiçado. Mas na verdade, isso já ficava meio claro na escolha do diretor. Leterrier entrega ação. E nisso ele é bom!
    bjs

    Responder
  • 9. Thyago  |  junho 8, 2010 às 8:11 pm

    Filme pipoca com direito a monstros gigantes? Tou dentro! Mas já esperava isso desse filme, apenas porradaria com direito a modificações massa-veísticas.

    O filme, infelizmente, já se vendia assim.

    Responder
    • 10. Kamila  |  junho 8, 2010 às 10:25 pm

      Rafael Carvalho, mas, a história da mitologia, pelo menos, foi bastante modificada, como eu disse.

      Reinaldo, ele é mesmo muito bom em filmes de ação, mas merecia um roteiro mais digno. Beijos!

      Thyago, exatamente… Pena que eu não assisti ao filme com essa intenção na minha mente.

      Responder
  • 11. Paulo Ricardo  |  junho 8, 2010 às 8:40 pm

    Esse é o filme “caça niquel” que os estúdios ganham milhões.Aproveitaram o bom momento de Sam Worthington e fizeram essa desnecessaria refilmagem.Filme esquecivel,ningum vai lembrar dessa Bomba dos Titãs” daqui uns anos.E cada vez mais esses blockbusters dominam os cinemas,estou com medo do futuro do cinema…

    Responder
    • 12. Kamila  |  junho 8, 2010 às 10:27 pm

      Paulo Ricardo, eu nem assisti ao filme original ainda, mas é fato que Hollywood anda numa moda danada de refilmagens. E, na maior parte das vezes, a nova leitura não se sai bem…. E os blockbusters são até necessários para o cinema porque é com eles que Hollywood ganha dinheiro e pode experimentar em outras searas. Agora, existe a prova de que se pode fazer blockbuster inteligente e divertido e Hollywood deveria apostar nisso.

      Responder
  • 13. The Dude  |  junho 8, 2010 às 11:01 pm

    dois são os problemas desse filme: seu roteiro, que é fraco demais. limitando a história à uma psicologia barata entre pai e filho, sem nenhuma profundidade ou sentido; e a direção de elenco, que transforma as atuações de alguns atores em caricaturas ridículas.

    é um desperdício ter dois atores como ralph fiennes e lia neeson num filme como esse. é um desperdício de habilidade e talento. apesar disso, devo dizer que os melhores momentos do filme vem dos dois, principalmente do fiennes que faz um hades soberbo!

    Responder
    • 14. Kamila  |  junho 9, 2010 às 12:11 am

      The Dude, concordo com os dois defeitos que você aponta. Inclusive, eu diria mais: achei a atuação do Ralph Fiennes totalmente caricata!!!

      Responder
  • 15. Pedro Henrique  |  junho 10, 2010 às 4:44 pm

    É uma apanhado enorme de cenas e tomadas que não fazem o menor sentido, não combinam entre si. Filme péssimo. Ainda bem que vi no formato “normal”.

    Abs!!!

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  • 16. Wally  |  junho 11, 2010 às 4:58 am

    Achei bem dispensável. Um ou outro momento divertido, belos efeitos e só. Roteiro é bem vergonhoso…

    Responder
    • 17. Kamila  |  junho 11, 2010 às 8:17 pm

      Pedro Henrique, exatamente. Eu também dou ainda bem que vi no formato 2D. Abraços!

      Wally, exatamente.

      Responder
  • 18. Luis Galvão  |  junho 12, 2010 às 7:48 pm

    Concordo muito contigo! ‘nem computação gráfica consegue esconder a estupidez do roteiro e o desprezo pela qualidade.’ rsrs

    Responder
  • […] norte-americano. Deixe-me explicar: até agora, os blockbusters deste ano (“Robin Hood” e “Fúria de Titãs”) não cumpriram aquilo que prometiam e padeciam do mesmo mal: roteiro falho encoberto pela […]

    Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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