A Jovem Victoria

maio 28, 2010 at 11:12 pm 20 comentários

Os primeiros minutos de “A Jovem Victoria”, de Jean-Marc Vallée, são brilhantes no sentido de nos apresentar à personagem principal deste filme. Victoria (Emily Blunt) nasceu em 1819 e estava destinada a ser a governante máxima da Inglaterra após a morte de seu tio. Por ser uma pessoa especial, Victoria cresceu cheia de cuidados e regras. Qualquer pessoa, aliás, tremeria diante das responsabilidades que ela enfrentaria, no futuro, mas não Victoria. Ela ansiava pelo dia em que seu reinado se iniciaria, pois esta jornada significaria a liberdade para ela, que, finalmente, tomaria conta de sua própria vida. 

Escrito por Julian Fellowes, “A Jovem Victoria” enfoca justamente os primeiros anos de reinado de Victoria. Ela ascendeu ao trono quando tinha 18 anos e aprendeu, na prática, com erros e acertos, o que consistia ser a rainha de um povo, sendo sujeita aos interesses dos outros, à avaliação de seus súditos e à possibilidade de ser a marionete nas mãos daqueles que deveriam auxiliá-la. Nesta parte aqui, chama a atenção o fato de que Victoria tem a humildade de escutar os outros, mas quer fazer de seu reinado o produto das decisões que ela mesma tomou. 

Tirando a questão política, talvez, a parte mais importante de “A Jovem Victoria” seja a abordagem da história de amor que ela viveu com o Príncipe Albert (Rupert Friend). Antes mesmo de ela ascender ao poder, os dois já estavam se cortejando, mas o casamento só veio um bom tempo depois, especialmente quando Victoria percebe a solidão do poder. Então, fora a difícil tarefa de ser Rainha de um país, Victoria tem que também dar atenção ao marido e à sua vida conjugal. E, ao contrário da atitude dela diante dos seus conselheiros,  Victoria percebe que o marido (que, assim como ela, foi preparado e destinado ao poder) pode ser um grande – e importante – aliado no exercício de seu reinado – e que isso, principalmente, não deve ser visto por um lado ruim, como se fosse uma fraqueza dela ser influenciada por ele. 

É incrível, aliás, perceber que “A Jovem Victoria” fala sobre todos esses temas em 105 minutos de duração. A trama nunca chega a nos cansar, pelo contrário, o filme nos envolve bastante na jornada da personagem principal. O diretor Jean-Marc Vallée chama a atenção pelo cuidado com a parte técnica do filme, especialmente com as excelentes direção de arte e trabalho de figurinos. A se lamentar somente o fato de que “A Rainha Victoria” termina quando a impressão que dá é que ainda tinha tanta coisa para contar. Fiquei com gosto de quero mais. 

Cotação: 9,0

A Jovem Victoria (The Young Victoria, 2009)
Direção: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Julian Fellowes
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Mark Strong, Jim Broadbent, Thomas Kretschmann

Entry filed under: Filmes.

Um Homem Sério Cena da Semana*

20 Comentários Add your own

  • 1. Raspante  |  maio 29, 2010 às 12:38 pm

    Eu ainda não pude conferir o longa. Mas gosto de filmes de época e o longa para ser mesmo ótimo!
    Ótima crítica! =)

    Responder
  • 2. Luis Galvão  |  maio 29, 2010 às 12:54 pm

    Nossa, concordo muito com sua opinião. Acho que tudo no filme funciona e, ao final, eu poderia acompanhar Blunt e sua beleza até a velhice.

    Responder
    • 3. Kamila  |  maio 29, 2010 às 5:44 pm

      Raspante, eu também amo filmes de época. Obrigada!

      Luís, obrigada!

      Responder
  • 4. Otavio Almeida  |  maio 29, 2010 às 7:28 pm

    Tô louco pra ver!

    Ei, é teu aniversário, pequena? Se for, meus parabéns pelo dia de hoje! Tudo de bom pra você, viu? Tu és o máximo! Saiba disso!

    Beijão!

    Responder
  • 5. Vinícius P.  |  maio 29, 2010 às 8:31 pm

    Esse filme me surpreendeu totalmente. Fazia tempo que um drama de época (especialmente sobre a realeza) não me conquistava tanto e esse foi especialmente marcante mesmo não trazendo nada de inovador. E a Emily Blunt está ótima!

    Responder
  • 6. Reinaldo Matheus Glioche  |  maio 30, 2010 às 2:09 am

    É tão bom quando um filme acaba e nos deixa com gosto de quero mais né Ka? Gostei da tua crítica. O filme, no geral, não depertou muita empatia, mas logo desconfiei que essa antipatia era fruto de um olhar cansado e viciado para com os filmes de época. Embora ãinda não tenha visto a fita, desconfio de que a razão está do seu lado. Bjs

    Responder
    • 7. Kamila  |  maio 30, 2010 às 2:06 pm

      Otavio, o meu aniversário foi ontem, sim! Muito obrigada! Beijão!

      Vinícius, me surpreendeu também! Esse filme me conquistou por completo!

      Reinaldo, exatamente. É muito boa essa sensação, Reinaldo! Obrigada! E tomara que a razão esteja do meu lado! 🙂 Beijos!

      Responder
  • 8. Thyago  |  maio 30, 2010 às 2:10 pm

    Mas olha só, me lembro de ter visto trailer deste filme, mas ele passou completamente abaixo do meu radar :O
    Assistirei, conheço muito pouco da história da rainha Vitória. Tem mais filme sobre ela?

    Ah sim, a Kamila já deve saber qual é o filme que eu tou numa expectativa MONSTRUOSA aqui pra que seja algo legal como piratas do caribe: Prince of Persia!

    Responder
  • 9. bruno knott  |  maio 30, 2010 às 2:36 pm

    9, é?

    Vou conferir.

    Gosto bastante do Paul Betanny. Um ator que ainda vai crescer muito. Espero.

    Responder
  • 10. Matheus  |  maio 30, 2010 às 3:54 pm

    Eu não consigo mais curtir filmes de época… Para mim, todos parecem sempre a mesma coisa. “A Jovem Vitória”, apesar de alguns aspectos diferentes, também ficou nesse grupo. Destaco, claro, os figurinos e a ótima interpretação da Emily Blunt.

    Responder
    • 11. Kamila  |  maio 30, 2010 às 11:03 pm

      Thyago, tem “Sua Majestade Mrs. Brown”, com Judi Dench, que fala sobre a velhice dela. E claro que você espera por “Prince of Persia”. É baseado num game, né??

      Bruno, eu gosto do Paul Bettany, mas a sensação que eu tenho é a de que ele é uma eterna promessa que não se cumpre.

      Matheus, pois eu AMO filmes de época, apesar de eles realmente parecerem sempre a mesma coisa.

      Responder
      • 12. Thyago  |  maio 31, 2010 às 12:01 am

        é, baseado simplesmente num game que só não foi perfeito pq tinha uma camera meio bagunçada e um combate repetitivo, mas tinha uma historia otima, dialogos inteligentes e personagens carismaticos. por isso eu tou na espera, eh um filme q tem potencial de ser EXCELENTE

  • 13. Mayara Bastos  |  maio 30, 2010 às 7:28 pm

    È um deleite assistir filmes de época, ainda mais bem feitos. Tenho muita vontade de conferir este filme por estes aspectos, principalmente os figurinos que ganharam o Oscar e a elogiada atuação da Emily Blunt.

    Beijos! 😉

    Responder
    • 14. Kamila  |  maio 30, 2010 às 11:05 pm

      Mayara, exatamente. Um deleite mesmo e este filme é prova disso!

      Responder
  • 15. Cristiano Contreiras  |  maio 31, 2010 às 1:24 am

    Estou baixando e vou vê-lo ainda essa semana!

    Responder
  • 16. Fael Moreira  |  maio 31, 2010 às 3:00 am

    Muito curioso pra ver. Depois de seu texto então, fiquei mais ainda. Quero ver mais pela atuação de Emily Blunt que foi bem elogiada e é uma atroz que gosto bastante. Bjos!

    Responder
  • 17. Wally  |  maio 31, 2010 às 7:25 am

    Não sabia que fosse tão bom assim. Fiquei mais curioso depois desta sua resenha.

    Responder
    • 18. Kamila  |  junho 1, 2010 às 11:20 pm

      Cristiano, espero que goste do filme.

      Fael Moreira, assista logo. A Emily Blunt está ótima mesmo! Beijos!

      Wally, é ótimo!

      Responder
  • 19. Paulo Ricardo  |  junho 1, 2010 às 3:16 am

    Estou curioso em ver esse filme.Emly Blunt é uma atriz que daqui uns anos vai fazer parte do 1° time de Hollywood.

    Responder
    • 20. Kamila  |  junho 1, 2010 às 11:21 pm

      Paulo Ricardo, concordo contigo. A Emily logo, logo, será uma atriz do primeiro time hollywoodiano! Talento e carisma, ela já possui!

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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