Há Tanto Tempo que Te Amo

fevereiro 19, 2010 at 10:59 pm 33 comentários

No decorrer dos 116 minutos de duração de “Há Tanto Tempo que Te Amo”, filme francês escrito e dirigido por Philippe Claudel, nos deparamos com uma personagem principal que foi brilhantemente caracterizada por Kristin Scott-Thomas. Na pele de Juliette, a elegante atriz inglesa se mostra despida de qualquer vaidade, com o mínimo de maquiagem possível, com uma cara fechada que impede qualquer tipo de aproximação das pessoas, com um ar misterioso que tanto nos intriga. A nossa vontade é a de penetrar no íntimo desta mulher, ainda mais porque somos apresentados a tantas poucas informações sobre ela. 

Quando a encontramos pela primeira vez, Juliette está chegando a uma pequena cidade francesa, após 15 anos ausente. Ela está ali para reencontrar a irmã mais nova, Léa (Elsa Zylberstein), que vai abrigá-la na casa em que mora com o marido, as duas filhas adotivas e o sogro. Aos poucos, ficamos conhecendo a mulher por trás daquela fachada fria. Acontece que Juliette estava longe de tudo e de todos, pois estava presa, cumprindo pena por assassinato. Para se ter uma idéia, o crime que ela cometeu é tão mal visto que poucos são aqueles que confiam nela, que têm coragem de encará-la nos olhos, que têm a bondade de lhe oferecer uma segunda chance. 

Léa é uma destas pessoas. É importante perceber também a maneira como esta personagem foi escrita por Philippe Claudel e atuada por Elsa Zylberstein. Juliette acostumou-se com a rejeição, mas Léa a quebra com um instintivo lado maternal, com um carinho enorme, com a vontade de ver a irmã bem, de recuperar um tempo que foi perdido, de conhecê-la e de fazer parte da vida dela. A função dela, em “Há Tanto Tempo que Te Amo”, é muito clara. Léa existe para mostrar à irmã que ela está viva, que ela é amada, que ela não foi esquecida, que ela tem alguém com quem contar e com quem pode dividir o peso de suas angústias. 

O interessante do filme de Philippe Claudel é que a experiência vivida por Juliette e Léa é totalmente compartilhada conosco, porque, como plateia, também temos a curiosidade de saber quem é Juliette, Léa e a lacuna que existe entre elas e que está relacionada a tragédia que acometeu a ambas, porque os efeitos do ato de Juliette atingiram a Léa também. “Há Tanto Tempo que Te Amo” tem cara de vida real, foge daquela tentação de querer fazer um retrato da difícil rotina daqueles que tentam retomar as suas vidas, até porque esta não é a jornada de Juliette. A personagem precisava entrar em contato consigo mesma e saber que ela não estava anestesiada por completo. No final, todos estaremos aqui com ela. 

Cotação: 8,0

Há Tanto Tempo que Te Amo (Il y a Longtemps que Je T’Aime, 2008)
Direção: Philippe Claudel
Roteiro: Philippe Claudel
Elenco: Kristin Scott-Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grévill, Frédéric Pierrot, Claire Johnston

Entry filed under: DVD.

O Lobisomem Cena da Semana*

33 Comentários Add your own

  • 1. bruno soares  |  fevereiro 19, 2010 às 11:08 pm

    como eu disse vai Twitter, não curti muito. especialmente pela revelação no final que me pareceu deslocada num filme que é, quase sempre, singelo. mas a Kristin…

    bjs!

    Responder
    • 2. Kamila  |  fevereiro 19, 2010 às 11:28 pm

      Bruno, a Kristin está fenomenal e acho que a revelação final faz parte da proposta do filme, de se fixar no relacionamento partido entre estas duas irmãs.

      Responder
  • 3. Matheus  |  fevereiro 19, 2010 às 11:44 pm

    Para mim, está longe de ser um grande filme – mas tem méritos irrempreensíveis. E o maior deles, sem dúvida, é o elenco. Kristin Scott Thomas e Elsa Zylberstein estão impecáveis!

    Responder
  • 4. Reinaldo Matheus Glioche  |  fevereiro 19, 2010 às 11:56 pm

    Concordo com vc Ka. Principalmente e, fundamentalmente, no que concerne a sua justificativa para a resposta ao Bruno. Agora, d efato, o melhor do filme é a caracterização de Kristin. Coisa de outro mundo.
    Bjs

    Responder
    • 5. Kamila  |  fevereiro 20, 2010 às 12:13 am

      Matheus, eu concordo contigo!

      Reinaldo, a Kristin estava excelente e merecia uma indicação ao Oscar. Pena que não foi lembrada!

      Responder
  • 6. Paulo Ricardo  |  fevereiro 20, 2010 às 1:19 am

    Belissimo filme,completamente ignorado pela academia ano passado.Foi nomeado ao Bafta na categoria roteiro original(Philippe Claudel)e Atriz(Kristin Scott Thomas),e ao Globo de Ouro de Atriz Drama.Como você muito bem diz,o filme tem cara de vida real e considero o maior trunfo é não julgar a protagonista .Um filme a ser descoberto,boa dica Kamila.

    Responder
    • 7. Kamila  |  fevereiro 20, 2010 às 1:23 am

      Paulo Ricardo, exatamente. Também adorei o fato de que o roteiro não julga a protagonista.

      Responder
  • 8. Jack Lewis  |  fevereiro 20, 2010 às 1:38 am

    Kamila, querida tudo bom?
    Por algum motivo, não consegui terminar de ver esse!

    Responder
  • 9. Ciro  |  fevereiro 20, 2010 às 2:39 am

    Eu achei esse filme lindo. Confesso que já nem lembro mais da história direito, mas me deixou com uma sensação de peso depois vê-lo. As atuações são incríveis. Vale a pena sempre rever.

    Beijos!

    Responder
  • 10. Vinícius P.  |  fevereiro 20, 2010 às 2:59 am

    Dei a mesma nota para esse filme. É um forte drama que tem momentos marcantes graças às duas atrizes, especialmente a Kristin Scott-Thomas.

    Responder
    • 11. Kamila  |  fevereiro 21, 2010 às 7:14 pm

      Jack, tudo bem, obrigada. E com você? Por quê não conseguiu terminar de assistir a este filme???

      Ciro, concordo contigo! Beijos!

      Vinícius, exatamente! As duas atrizes se sobressaem aqui!

      Responder
  • 12. Romeika  |  fevereiro 20, 2010 às 9:43 am

    Kristin Scott-Thomas numa das melhores atuacoes daquele ano!

    Responder
  • 13. Fael Moreira  |  fevereiro 20, 2010 às 12:03 pm

    Bastante curioso para conferie esse filme, principalmente pela tão elogiada atuação Kristin Scott-Thomas. Bjos.

    Responder
  • 14. Mattheus Rocha  |  fevereiro 20, 2010 às 4:11 pm

    Engraçado. Esse título me passou batido. Parece ser bem interessante. Vou colocar na lista de downloads.

    Saudações.

    Responder
    • 15. Kamila  |  fevereiro 21, 2010 às 7:17 pm

      Romeika, concordo. Não entendo como ela não foi mais lembrada pelas premiações.

      Fael M., assista! Beijos!

      Mattheus, coloque, sim!

      Responder
  • 16. Luis Galvão  |  fevereiro 20, 2010 às 8:12 pm

    Acho mais uma obra sincera do cinema francês e Kristin está em uma das melhores atuações do ano.

    Responder
  • 17. Cassiano  |  fevereiro 20, 2010 às 10:51 pm

    Adoro esse filme, parabens por ele aparecer aqui Kamila.

    Responder
  • 18. Elton Telles  |  fevereiro 21, 2010 às 4:22 pm

    filmaço! De uma sensibilidade e dedicação… gosto muito da forma como o filme é desenvolvido. E não só Kristin Scott Thomas está um furacão, mas Elsa Zylberstein também entrega uma atuação excepcional.

    ABS!

    Responder
    • 19. Kamila  |  fevereiro 21, 2010 às 7:18 pm

      Luís, concordo contigo!

      Cassiano, me lembro da sua crítica sobre este filme, foi uma das que me motivou, inclusive a assistir a esta obra. Obrigada!

      Elton, concordo plenamente contigo. Abraços!

      Responder
  • 20. Mandy  |  fevereiro 21, 2010 às 8:41 pm

    Vale muito a pena ver Hotaru, Kamila!

    Responder
    • 21. Kamila  |  fevereiro 21, 2010 às 9:32 pm

      Mandy, dica anotada!

      Responder
  • 22. Mayara Bastos  |  fevereiro 22, 2010 às 12:14 am

    Curiosissima em conferir este filme, seu texto me animou mais para procurá-lo.

    Beijos! 😉

    Responder
  • 23. Rafael Carvalho  |  fevereiro 22, 2010 às 2:00 pm

    Esse para mim foi um dos filmes mais cortantes do ano passado, com u texto maravilhoso do Claudel que ia nos dando informações sobre as personagens e seus atos pouco a pouco, sem pressa, numa construção cuidadosa e delicada. Kristin Scott Thomas foi a melhor atriz para mim ano passado, pena que não tenha tido o reconhecimentou que merecia.

    Responder
  • 24. Vulgo Dudu  |  fevereiro 22, 2010 às 7:56 pm

    Eu perdi esse filme, mas confesso que o argumento não me animou nem um pouco. Eu gosto de textos bem trabalhados, até. Mas sabe quando não bate uma empatia? Mas de repente rola de dar uma chance, né?

    Bjs!

    Responder
    • 25. Kamila  |  fevereiro 24, 2010 às 2:33 am

      Mayara, procure-o, sim. Beijos!

      Rafael C., concordo plenamente contigo em todo seu comentário!

      Dudu, dê um chance. Acho que você não vai se arrepender. Beijos!

      Responder
  • 26. Marcus  |  fevereiro 23, 2010 às 2:16 am

    Estou com esse filme há tempos, mas ainda não assisti. Shame on me.
    Pode ser viagem minha, mas o título é um dos que li nos últimos anos.

    Beijãos! =P

    Responder
    • 27. Kamila  |  fevereiro 24, 2010 às 2:33 am

      Marcus, assista logo, o que está esperando? É um título bonito mesmo! Beijos!

      Responder
  • 28. André C.  |  março 1, 2010 às 4:40 pm

    Kamila,
    desta vez vimos o mesmo filme! Achei a atuação de Elsa Zylberstein exuberante, deixando a atuação de Kristin Scott Thomas ainda mais forte e dura. A diferença das duas e o amor presente no ar entre elas é a alma do filme.

    Bjo,
    André

    Responder
    • 29. Kamila  |  março 1, 2010 às 10:09 pm

      André, concordo plenamente contigo! Beijo!

      Responder
  • 30. elloa  |  março 3, 2010 às 1:45 pm

    Além da atuação de Kristin Scott-Thomas, o que mais me marcou nesse filme foi a reflexão que promove aos espectadores, colocando-os em xeque sobre se agiriam de igual modo se estivessem na pele da protagonista. Achei a história um pouco lenta e bastante linear, não há pontos aaaaltos no filme, mas recomendo e assino embaixo da sua nota!

    Responder
    • 31. Kamila  |  março 3, 2010 às 11:35 pm

      Elloa, concordo em partes com teu comentário.

      Responder
  • 32. celio pires de araujo  |  janeiro 16, 2011 às 11:36 am

    o filme tem um ritmo perfeito e vai revelando os fatos na medida certa, sem a pressa do cinema amerciano, com atuações maravilhosas e a música do final é muito boa. o que me impressionou é a exigência da sociedade em querer saber os segredos das pessoas e achar isso um direito, não há lugar para as pessoas reservadas, tristes ou com algo que só interessa só a si.

    Responder
    • 33. Kamila  |  janeiro 16, 2011 às 2:36 pm

      Celio, eu também acho isso impressionante. Acho que alguma coisa na gente tem que ser mantida em privacidade.

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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