O Desinformante

fevereiro 4, 2010 at 10:46 pm 25 comentários

O diretor Steven Soderbergh já foi considerado o rei do cinema independente e, nas costas dele, foram jogadas grandes expectativas, não só da indústria cinematográfica, como também dos cinéfilos. Entretanto, ao darmos uma olhada em sua filmografia, fica aquela sensação de que a promessa não foi cumprida totalmente e que Soderbergh, em algum momento de sua carreira, se desviou daquele plano que muitos achavam que ele iria seguir – especialmente ao conquistar o Oscar de Diretor por “Traffic”, num ano em que ele ainda entregou “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”. 

A questão principal é que de diretor de olhar realista, Steven Soderbergh passou a ser um diretor totalmente sem identidade. Ele pode ser o diretor de indústria, que entrega aquilo que é pedido a ele – vide o que foi feito nos filmes da franquia “Onze Homens e um Segredo”; ou ser o diretor que mostra algum resquício daquilo que foi um dia, mesmo assim sem o mesmo brilho de antigamente, na hora que entrega seus projetos pessoais (“Che” e “Che 2 – A Guerrilha”) e/ou experimentais (“Full Frontal” e “Confissões de uma Garota de Programa”). 

Em “O Desinformante”, o Soderbergh que se mostra é aquele que emula (para não dizer copiar) o estilo de algum outro diretor – algo que ele fez com Andrei Tarkovsky ao refilmar “Solaris” e com Michael Curtiz ao fazer “O Segredo de Berlim”. Aqui, Steven Soderbergh faz um filme que poderia muito bem ter sido escrito e dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen, uma vez que “O Desinformante” possui aquele elemento da estupidez dos personagens, do absurdo, do fato de que vemos sendo retratadas pessoas que veem suas precipitadas decisões serem transformadas em eventos que viram uma verdadeira bola de neve e sob a qual elas perderam totalmente o controle. 

Baseado em uma história real, “O Desinformante” conta a história de Mark Whitacre (Matt Damon), vice-presidente de uma grande indústria do ramo de agronegócios que vira informante do FBI num caso de investigação corporativa sob o aumento do preço da lisina. Grande parte do barato do longa é acompanhar como Mark vai se enrolando (e, consequentemente, enredando os outros envolvidos) cada vez mais na própria história que cria, porque, no geral, esta é uma obra totalmente maçante e que não causa o impacto que ela esperava direcionar à plateia. Preste atenção somente a isso, à performance de Damon e à música de Marvin Hamlisch.

Cotação: 5,0

O Desinformante (The Informant!, 2009)
Diretor: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns (com base no livro de Kurt Eichenwald)
Elenco: Matt Damon, Eddie Jemison, Rusty Schwimmer, Melanie Lynskey, Scott Bakula, Joel McHale, Tony Hale  

Entry filed under: Filmes.

Adam Amor sem Escalas

25 Comentários Add your own

  • 1. Mandy  |  fevereiro 5, 2010 às 1:21 am

    Vi esse filme no fim de semana! Tem coisas engraçadas e tal, mas achei o filme meio longo e enrrolado… O trailer me passou outra impressão, então fiquei um pouco decepcionada….

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  • 2. Cassiano  |  fevereiro 5, 2010 às 1:34 am

    Belo texto Kamila, concordo com algumas coisas, mas pegaria mais leve no Soderbergh.

    Concordo que ele realmente perdeu um pouco a identidade, mas isso acho q é derivado desse experimento q ele resolveu fazer da carreira, um filme comercial, e um independente.

    Responder
    • 3. Kamila  |  fevereiro 5, 2010 às 1:41 am

      Mandy, eu também achei um filme longo e enrolado!

      Cassiano, obrigada! Eu tentei pegar leve com ele, mas tava na emoção do filme recém-assistido. E eu não consigo gostar desses filmes experimentais dele. Acho que ele se sai melhor como diretor de longas comerciais.

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  • 4. Jack Lewis  |  fevereiro 5, 2010 às 1:42 am

    Kamila, tudo bom?
    O filme mais sem sentido, sem noção, sem espaço, sem nada do ano. Uma perca de tempo, e não acho nem que o Matt Damon tem um bom desempenho, sem contar que não sei o que anda passando na cabeça do Soberbergh, ele vai cada vez mais abaixo.

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  • 5. Wally  |  fevereiro 5, 2010 às 1:50 am

    Costumo gostar mais dos filmes de Soderbergh que a maioria, mas este aí tem recebido tantas críticas ácidos que fico com o pé atrás. Todos concordam que Damon e Hamlisch são mesmo as virtudes únicas.

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  • 6. Matheus  |  fevereiro 5, 2010 às 2:06 am

    Esse filme é um verdadeiro porre. O roteiro é chato e cansativo. Só se salvam mesmo a atuação do Damon e a deliciosa trilha.

    Responder
    • 7. Kamila  |  fevereiro 5, 2010 às 2:08 am

      Jack, tudo bem, obrigada. E contigo? Concordo plenamente contigo!

      Wally, e eles são mesmo as únicas virtudes desse filme.

      Matheus, concordo plenamente!

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  • 8. Rafael Moreira  |  fevereiro 5, 2010 às 3:48 am

    Eu não conheço muio sobre Steven Soderbergh, mas estou muito curioso para ver esse filme, mesmo não tendo gostado do trailer, a atuação de Damon me atraiu mais que, como você disse, merece atenção. Sua cotação me deixou só um pouco desanimado, mas ainda irei ver, sem falta. Bjos!

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  • 9. Rogerio  |  fevereiro 5, 2010 às 11:05 am

    Kamila, nao vi o filme mas sua colocacao sobre “um filme para os Coen” cai como uma luva.Mas acho que o Soderbergh ainda tem muita lenha pra queimar. Só tomara que ele nao queime o filme enquanto isso.

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  • 10. bruno knott  |  fevereiro 5, 2010 às 11:13 am

    Pois é, o filme é ruim, mas a interpretação do Matt Damon merece grande destaque. Inclusive, ele foi bem melhor aqui do que em Invictus.

    Responder
    • 11. Kamila  |  fevereiro 5, 2010 às 10:15 pm

      Rafael M., a atuação do Damon vale a pena! Beijos!

      Rogerio, claro que Soderbergh tem muita lenha para queimar ainda, mas a sensação que dá é a de que ele tá desperdiçando o potencial dele.

      Bruno K., exatamente, mas ainda tenho que ver “Invictus”. 🙂

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  • 12. Rafael Carvalho  |  fevereiro 5, 2010 às 12:37 pm

    O que é mais interessante na carreira do Soderbergh é a versatilidade em transitar entre o cinema independente e o mainstream, tentando sempre manter a qualidade. Dos filmes mais sérios aos mais extrovertidos, sem falar na quantidade de fimes que ele lança. Só o ano passado chegaram aqui 4 deles e O Desinformante foi justamente o que eu não consegui ver ainda.

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  • 13. Reinaldo Matheus Glioche  |  fevereiro 5, 2010 às 12:57 pm

    Comentários bastante esclarecidos ka. No entanto, acho que essa característica, vamos dizer, plural do Soderbergh é uma opção. Ele se propõe a ser esse diretor multifacetado. Sem uma identidade, uma cronologia cômoda e reconhecível. Não desgosto dessa característica não. embora reconheça a irregularidade que ela propicia, Soderbergh é muito interessante, talvez justamente por isso.
    Bjs

    Responder
  • 14. Vulgo Dudu  |  fevereiro 5, 2010 às 1:10 pm

    Eu ouvi por aí uns comentários bastante positivos sobre o filme… Mas concordo plenamente com você que o Soderbergh é uma eterna promessa, feito aqueles jogadores de futebol que são criados na base de times grandes e jogam por ali a vida inteira.

    Bjs!

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    • 15. Kamila  |  fevereiro 5, 2010 às 10:20 pm

      Rafael C., isso é verdade, mas ele tem errado, ultimamente, na minha opinião.

      Reinaldo, obrigada! E seu raciocínio faz sentido. Eu só queria que ele tivesse uma identidade maior. Todo grande diretor tem, coisa que ele tem potencial para ser. Beijos!

      Dudu, exatamente! Beijos!

      Responder
  • 16. João Paulo  |  fevereiro 5, 2010 às 1:54 pm

    Expectativas … Milla … isso tá riscado do meu vocabulário … Se um dia ver esse filme … é só por ver mesmo por que para mim … o rapaz é indiferente …

    Abraços

    Responder
  • 17. Otavio Almeida  |  fevereiro 5, 2010 às 2:30 pm

    Bom, é Soderbergh, né? Mas, enfim, ele se deu bem porque teve um Matt Damon muito inspirado. Além disso, tem uma trilha fantástica a seu favor.

    Bjs!

    Responder
  • 18. Vinícius  |  fevereiro 5, 2010 às 5:07 pm

    Esse é o problema, Kamila: Soderbergh não tem o talento dos Coen.

    Responder
    • 19. Kamila  |  fevereiro 5, 2010 às 10:21 pm

      João, então, essa é a melhor maneira de conferir este filme. Abraços!

      Otavio, viva Matt Damon, mas nem ele salva esse filme. Muito menos a trilha! Beijos!

      Vinícius, exatamente…

      Responder
  • 20. Luis Galvão  |  fevereiro 6, 2010 às 12:43 am

    Eu assitir ‘Confissões de uma Garota de Programa’ e não tinha gostado muito (mesmo que a idéia tenha sido bem legal). Fugia desse para não me decepcionar muito com os Soderbergh, mas vejo irei.¬¬

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    • 21. Kamila  |  fevereiro 6, 2010 às 2:10 am

      Luís, apesar de não ter gostado desse filme, ainda quero ver “Confissões de uma Garota de Programa”.

      Responder
  • 22. Vinícius P.  |  fevereiro 6, 2010 às 3:14 am

    Vi o filme hoje e também não vi nada de mais nele, apesar da performance do Damon e a ótima trilha serem mesmo os maiores destaques. Acho que o Soderbergh vem errando há algum tempo e já não espero com expectativa outras obras dele.

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  • 23. Paulo Ricardo  |  fevereiro 6, 2010 às 11:31 am

    Olha Kamila,eu à algum tempo venho pegando no pé de Steven Soderbergh,sabe porque?ele me gerou à maior expectativa com filme como Irresistivel Paixão,Traffic,Erin Brokovich.E depois se mostrou um diretor preguiçoso e sem a mímina inspiração.Che Parte 1 e 2 não são bons filmes,mas no minimo tem dignidade.Agora O Segredo de Berlim e Confissões de uma Garota de Programa são filmes de um homem sem inspiração.Ao menos uma certeza eu tenho,Soderbergh é muito talentoso e um dia pode voltar aos bons tempos,Beijo e gostei do seu blog.

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    • 24. Kamila  |  fevereiro 6, 2010 às 2:12 pm

      Vinícius, exatamente. Sua última frase representa tudo aquilo que eu penso do Soderbergh!

      Paulo Ricardo, obrigada pela visita e pelo comentário. Eu acho que preguiçoso e sem inspiração são ótimas maneiras para definir o Soderbergh recentemente. Feliz escolha de palavras. Beijos!

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  • 25. Mayara Bastos  |  fevereiro 8, 2010 às 10:11 pm

    Acho que se o filme fosse dirigido pelos irmãos Coen, poderia até entrado em outo patamar, sei lá… Mas veria este pelo Matt Damon mesmo.

    Beijos! 😉

    Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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