500 Dias com Ela

janeiro 29, 2010 at 10:20 pm 42 comentários

Não precisa nem da eficiente narração de Richard McGonagle para saber que o casal central de “500 Dias com Ela”, filme de Marc Webb, não terá um final feliz. Também não precisa ser a pessoa mais experiente na arte do amor para saber que Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) e Summer Finn (Zooey Deschanel), apesar de bastante compatíveis um com o outro, são aquele tipo de casal que não adianta querer forçar a conexão, especialmente se eles se encontram em momentos de vida completamente diferentes, em que cada um tem uma expectativa a respeito de um relacionamento e daquilo que espera de seu parceiro. 

O roteiro escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber é bem claro no sentido de nos mostrar as diferenças entre Tom e Summer. Enquanto ele acredita piamente naquela noção do amor verdadeiro, que cada pessoa tem a sua cara metade e que, provavelmente, ao encontrá-la, ele viverá feliz para sempre; Summer, uma filha de um lar desfeito, não acredita na instituição do casamento, ou no amor em si, e pula de relacionamento casual em relacionamento casual, sem se deixar se envolver muito pela pessoa. 

“500 Dias com Ela” também é muito claro em seu título, uma vez que acompanhamos, no filme, um processo que tem a perspectiva da parte mais otimista deste par. Tom nos relembra daquele sentimento de euforia que é comum à descoberta da paixão e, principalmente, à possibilidade de vivê-la. Porém, ao mesmo tempo, Tom é o retrato vivo de que o amor é uma via de duas mãos. De nada adianta ter tanto amor para dar se não existe algo para se receber em troca. Isso só traz infelicidade. 

Por isso, a decisão de enfocar o roteiro no olhar de Tom se revela a mais acertada por parte dos roteiristas. “500 Dias com Ela” é uma comédia romântica totalmente diferente daquelas que conhecemos. Especialmente pelo fato de colocar em confronto uma visão realista sobre o amor (Summer) e uma visão idealizada do sentimento (Tom). No final, ficamos todos nós com uma bela lição: não existe destino, nem universo conspirando para que algo aconteça. O que existe de mais determinante nos nossos dias é a coincidência. O fato de termos uma rotina e dos eventos que vivemos serem totalmente ordinários e comuns. A coincidência, a casualidade é o que faz o amor acontecer – se não com uma pessoa, com outra, com mais outra… 

Cotação: 9,0

500 Dias com Summer ((500) Days of Summer, 2009)
Diretor: Marc Webb
Roteiro: Scott Neustadter e Michael H. Weber
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Clark Gregg, Minka Kelly

Entry filed under: Filmes.

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42 Comentários Add your own

  • 1. Brenno Bezerra  |  janeiro 29, 2010 às 10:24 pm

    Um prato cheio para quem quer ver a sua estima lá nas alturas. Me identifiquei com o Tom.

    Beijos

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  • 2. Robson Saldanha  |  janeiro 29, 2010 às 10:27 pm

    Sou suspeito para falar deste filme. ele me conquistou de maneira muito interessante, talvez pelo fato de ter passado por ‘coisas’ parecidas. O roteiro é brilhante, a trilha é tocante e as atauções super bem colocadas. E me deu uma certeza: Todo homem é idiota, em qualquer parte do mundo. E eu me incluo nessa. ¬¬’

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    • 3. Kamila  |  janeiro 29, 2010 às 10:29 pm

      Brenno, legal! Mas, acho que esse filme mexe com a estima das pessoas de uma forma diferente, até porque o Tom sofre muito no filme. Beijos!

      Robson, eu também fui conquistada pelo filme totalmente. Amei a trilha, o roteiro. E nem todo o homem é idiota, tá??? Se esquece que muitos de vocês fazem a gente de idiota também??? rsrsrsrrs A questão é que homem apaixonado é igual em qualquer lugar do mundo!

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  • 4. Marcus  |  janeiro 29, 2010 às 10:30 pm

    Uma breve passagem que sintetiza perfeitamente a crueldade do amor nesse filme:

    “E esse, com os corações bonitinhos? Acho que sei o que é esse cartão. ‘Feliz dia dos namorados, docinho. Eu te amo’. Isso é lindo. O amor não é ótimo? É exatamente disso que estou falando. O que isso significa? Amor. Você sabe? Se alguém me desse esse cartão, Sr. Vance, eu o comeria. São esses cartões, os filmes e as músicas pop. São os culpados por todas essas mentiras. E os desgostos. Tudo. Somos responsáveis. Eu sou responsável. Nós fazemos uma coisa ruim. As pessoas deveriam poder dizer como se sentem. Como realmente se sentem, não umas palavras que um estranho coloca na boca delas. Palavras como amor… não significam nada.”

    Bjs Kamilinha!

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    • 5. Kamila  |  janeiro 29, 2010 às 10:54 pm

      Marcus, esse filme é a sua cara, sabia?? 🙂 Beijos!

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  • 6. Jack Lewis  |  janeiro 29, 2010 às 10:53 pm

    Kamila, maravilhoso – não? Além de Joseph estar realmente uma graça … hahaha! Em breve, estarei colocando uma resenha deste também!

    Responder
    • 7. Kamila  |  janeiro 29, 2010 às 10:55 pm

      Jack, maravilhoso, sim! O Joseph é fofinho, mas não gosto da cara dele “estou chapado o tempo inteiro”. rsrsrsrsrs

      Responder
  • 8. Luis Galvão  |  janeiro 29, 2010 às 11:14 pm

    Acho que Webb soube trazer toda a experiência dele dos videoclipes e transformou um filme simples numa bela obra inspirada e tocante. A trilha é perfeita, o casal é maravilhoso, as situações são hilárias e verossímeis. E acho que aquela cena dele dançando e cantando ao som de ‘You Make My Dreams Come True’ maravilhosa e uma das melhores.

    Responder
    • 9. Kamila  |  janeiro 29, 2010 às 11:58 pm

      Luís, concordo contigo! Eu amei essa cena que você citou!

      Responder
  • 10. Yuri  |  janeiro 30, 2010 às 12:06 am

    O filme é delicado de certa forma, consegue contar uma história que facilmente cairia na cliché e na mesmice de forma original, que nos faz acreditar naquilo que vemos, além da ótima edição, direção e atuação do casal protagonista. Mesma nota pra mim =)

    Beijos

    Responder
  • 11. Mayara Bastos  |  janeiro 30, 2010 às 12:23 am

    Amiga, sabia que você iria gostar de “(500) Dias com Ela”. Que filme gostoso e uma grata surpresa. Gostei da sacada do roteiro, como a famosa cena da Realidade X Expectativa e mostra como deve ter vários Toms ou Summers na realidade. Teve horas que me dava vontade de dar uns cascudos na Summer por causa de sua atitude com ele, rsrsrs. E me apaixonei pelo Tom. rsrsrsrs

    Beijos! 😉

    Responder
  • 12. Leo  |  janeiro 30, 2010 às 12:45 am

    Muito bom o seu blog.
    Adorei o texto e o filme também.

    Responder
    • 13. Kamila  |  janeiro 30, 2010 às 1:28 am

      Yuri, concordo plenamente com teu comentário. Beijos!

      Mayara, eu não esperava gostar tanto do filme, tinha expectativa em relação a ele e elas foram totalmente cumpridas. O Tom é apaixonante mesmo! Beijos!

      Leo, obrigada pela visita e pelo comentário!

      Responder
  • 14. Alexandre  |  janeiro 30, 2010 às 2:00 am

    Kamila, adorei também … é o “cult” de 2009 rsrs.

    Responder
  • 15. Rogerio  |  janeiro 30, 2010 às 2:21 am

    Legal, gostei da tematica do filme, e parabens pela análise na resenha.
    Olha só, ali embaixo na ficha técnica vc errou o nome em portugues, take a look.
    Bjus e bom fim de semana

    Responder
  • 16. bruno knott  |  janeiro 30, 2010 às 7:49 am

    Kamila… belo filme e a nota é bem apropriada. Destaco tb a trilha sonora, com smiths, wolfmother e até uma referência e Belle and Sebastian. Um filme memorável.

    Responder
    • 17. Kamila  |  janeiro 31, 2010 às 8:22 pm

      Alexandre, verdade. O filme cult de 2009! 🙂

      Rogerio, obrigada! E percebi depois que tinha confundido o nome original do filme. Vou conferir! Beijos! Bom domingo!

      Bruno K., obrigada! A trilha sonora é excelente mesmo!

      Responder
  • 18. João Paulo  |  janeiro 30, 2010 às 1:20 pm

    Assim, a nota do filme para mim não só apenas reflete a eficiencia maravilhosa desse filme simples mas que sabe muito bem fazer a diferença com o que tem. Acredito que tanto ele quanto Paper Heart mostram de como é visto os relacionamentos atualmente, apesar dos 500 dias de verão não ter terminado como deveria terminar.

    Fazer o que né Milla, a vida imita a arte … ou o inverso?
    Beijos

    Responder
  • 19. Otavio Almeida  |  janeiro 30, 2010 às 1:50 pm

    Também adorei. Para mim, a melhor comédia romântica da última década!
    Bjs!

    Responder
  • 20. Pedro Henrique  |  janeiro 30, 2010 às 2:20 pm

    Pô, eu não gostei muito não. Acho que o diretor fez um esforço tão grande pra identificar o filme com referências (Smiths, etc…) e colocou dois personagens inúteis (os amigos do Tom) dentro de uma história bastante interessante. ejo os dois amigos dele apenas como meros bonecos para representar um clichê (fazer piadas, ser os bobões da história). Não senti intimidade suficiente entre esse trio que, a princípio, se conhece a anos. Quanto a narrativa, é um bom esboço, mas existe uma diferença entre relatar os sentimentos e fazer um filme realmente sentimental.

    Responder
    • 21. Kamila  |  janeiro 31, 2010 às 8:27 pm

      João Paulo, acho que a vida imita a arte e vice-versa. Beijos!

      Otavio, hum, essa eu teria que pensar. Não sei mesmo se é a melhor comédia romântica da última década. Beijos!

      Pedro, os amigos de Tom são mesmo inúteis. O filme poderia ficar só nos dois personagens principais mesmo.

      Responder
  • 22. Reinaldo Matheus Glioche  |  janeiro 30, 2010 às 2:42 pm

    Gostei desse filme. Com uma narrativa muito inventiva. Embora não seja essencialmente original ( comédias como separados pelo casmaneto e terapia do amor já antecipavam essa tendência) o tom do registro é original. E acerta em cheio. Além da ótima trilha e da bela interpretação de Levitt.
    Bjs

    Responder
  • 23. Ciro  |  janeiro 30, 2010 às 4:55 pm

    Boa resenha! Achei que vc explicou de maneira brilhante o que o filme passa. Eu adorei. Para mim é nota 10!

    Beijos!

    Responder
  • 24. Victor Nassar  |  janeiro 30, 2010 às 11:08 pm

    Muito, muito bom!!! A cena da tela dividida e a da disney são as melhores pra mim! heuhsa
    Acho que a idéia “do que a gente quer que ocorra, com o que realmente ocorre” sempre acontece nas nossas vidas. Sempre criamos uma expectativa, imaginamos os acontecimentos e acaba sempre tudo muito diferente…
    A trilha também é demais!
    “500 dias com ela” é um fôlego pro gênero!

    Beju Kamila!

    Responder
    • 25. Kamila  |  janeiro 31, 2010 às 8:28 pm

      Reinaldo, o tom do registro é original mesmo! Beijos!

      Ciro, obrigada! Beijos!

      Victor, a cena de dança foi a melhor para mim. E é normal criarmos expectativas, mas a gente não poderia se prender tanto a elas e acho que é isso que este belo filme mostra. Beijos!

      Responder
  • 26. Diego  |  janeiro 31, 2010 às 12:25 am

    Gostei bastante do filme, não a ponto de me apaixonar por ele, mas há momentos que eu achei muito bons. Gostei bastante.

    Responder
  • 27. Rafael Moreira  |  janeiro 31, 2010 às 5:52 am

    Kamila, finalmente você pode conferir esse filme. Eu achei fantástico, me cativou logo no início. Possui uma história simples, mas que sai da mesmice, levando-nos até um final espetacular. Bjos!

    Responder
  • 28. Vinícius P.  |  janeiro 31, 2010 às 7:33 pm

    Que bom que você gostou da mensagem principal do filme, é uma produção pouco convencional nesse gênero de “relacionamentos”.

    Responder
    • 29. Kamila  |  janeiro 31, 2010 às 8:30 pm

      Diego, que bom!

      Rafael M., FINALMENTE! 🙂 Concordo contigo. Beijos!

      Vinícius, gostei mesmo da mensagem principal do filme!

      Responder
  • 30. Matheus  |  janeiro 31, 2010 às 9:27 pm

    Adoro esse filme, acho um dos mais verdadeiros dos últimos tempos! Tudo é muito adorável e uma palavra para defini-lo é: irresistível.

    Responder
    • 31. Kamila  |  janeiro 31, 2010 às 11:21 pm

      Matheus, irresistível mesmo!

      Responder
  • 32. Vinicius Silva  |  fevereiro 1, 2010 às 12:49 am

    amei esse filme. Tenho nem palavras, digo que é a Annie Hall do nosso tempo (na falta de uma outra expressão). Talvez eu esteja vislumbrado demais, mas é o que significa pra mim.

    Responder
    • 33. Kamila  |  fevereiro 1, 2010 às 1:16 am

      Vinícius, uau para a sua comparação! 🙂

      Responder
  • 34. Vinicius Silva  |  fevereiro 1, 2010 às 2:09 am

    @Kamila

    auisuishhsuiuhiauhiuhiauhisuhiauhis

    Pode ser um exagero, né? Mas, sei lá. Assim como Annie Hall, ‘500 Dias com Ela’ é um desses filmes que conseguem mexer com aquilo que a gente sente. Eu fiquei impressionado ao perceber o tanto que eu pareço com o Tom e, principalmente, como o meu relacionamento com a minha namorada se parece tanto com aquele que ele teve com a Summer auihsuihs

    eu acho que é por isso que eu gostei tanto dele. Ainda no fim de semana passada, eu e minha namorada estávamos revendo o filme. E ela diz: nossa, eu sou tão a Summer, você é tão Tom. Como é que a gente ainda dá certo?”, vai entender aiuhuishs

    beijos!

    Responder
  • 35. B.  |  fevereiro 1, 2010 às 1:09 pm

    Torço pra 500… ser indicado a Melhor Filme, e acredito que tenha alguma chance (pequena, é verdade). Postei um relação dos candidatos que ainda estão na briga, vê lá: http://www.umblogdecinema.blogspot.com . Abs,

    Responder
  • 36. Weiner  |  fevereiro 1, 2010 às 8:29 pm

    Com toda certeza “500 Dias Com Ela” é uma das melhores comédias dramáticas dos últimos anos, sou capaz de afirmar que desde “Annie Hall” (filme com o qual ele se comunica bastante) não tínhamos um filme tão inteligente deste gênero.
    Beijos, Kamila!

    Responder
    • 37. Kamila  |  fevereiro 1, 2010 às 10:10 pm

      Vinícius Silva, ah, você se identificou com o filme por isso as comparações empolgadas. Mas, legal quando isso acontece. Beijos!

      B., eu acho difícil que isso aconteça. Vou ver sua relação lá!

      Weiner, olha! Mais um que compara o filme com “Annie Hall”. Beijos!

      Responder
  • 38. Mandy  |  fevereiro 2, 2010 às 10:46 pm

    Nossa, eu odiei esse filme… foi romance extremo e eu esperava algo beeeem diferente, no estilo The Break-Up.

    Responder
    • 39. Kamila  |  fevereiro 3, 2010 às 9:23 pm

      Mandy, nossa! Nada a ver com “The Break-Up” esse filme e eu, sinceramente, sou MUITO MAIS “500 Dias com Ela”.

      Responder
  • 40. Lara  |  janeiro 5, 2011 às 8:59 pm

    Bom, em algum ponto, sou obrigada a deixar de concordar com você. Entendi o filme numa linguagem sutilmente irônica. A mensagem que ele nos passa, especialmente em seu final, é muito mais do que falar sobre coincidências!

    Responder
    • 41. Kamila  |  janeiro 5, 2011 às 11:12 pm

      Lara, exatamente. Muito mais! Não é tão simples assim!

      Responder
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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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