Little Dorrit

janeiro 6, 2010 at 9:08 pm 24 comentários

Baseado no livro homônimo escrito por Charles Dickens, a minissérie inglesa “Little Dorrit”, que foi dirigida por Adam Smith, Dearbhla Walsh e Diarmuid Lawrence faz um retrato de diversos tipos da sociedade inglesa, ao mesmo tempo em que destaca elementos como: retidão de caráter, a manutenção da fidelidade às suas raízes e origens, a tentativa de fazer aquilo que é correto e, principalmente, de enfrentar as conseqüências de seus atos, ao invés de fugir covardemente deles. 

A história nos é contada através de 14 capítulos, os quais têm como personagens principais dois seres que, apesar das origens distintas, possuem valores em comum. Arthur Clennam (Matthew MacFadyen, que nasceu para interpretar esses herois românticos honrados e admiráveis) é herdeiro da Casa de Clennam, porém, desde cedo, aprendeu o valor do trabalho duro. Por custas dele, não conseguiu desenvolver um relacionamento pleno com a mãe (Judy Parfitt, perfeita) e, com o objetivo de tentar compreender a dor do pai ao falecer, volta para casa para tentar consertar algo que ele nem faz ideia do que seja. 

Já Amy Dorrit (Claire Foy) nasceu na pobreza e, por causa das dívidas do pai (Tom Courteney, também perfeito), foi obrigada a viver confinada na prisão de Marshalsea (na qual viviam os devedores que não tinham condições de pagar os seus credores). Contrariando os desejos do pai, Amy começou a trabalhar para poder proporcionar um pouco mais de conforto para a vida da família em Marshalsea. E são justamente os Dorrit que vão ser o objeto de conserto de Arthur Clennam, o qual vai fazer de tudo para tirar a família de Amy daquela situação – e ele não vai medir esforços para isso. 

Ao explorar o cotidiano de Arthur Clennam, Amy Dorrit e das pessoas que fazem parte da rotina deles (acreditem, são tantos personagens que aparecem em tela que, chega um momento, temos a impressão de que a trama de “Little Dorrit” nunca chega a progredir), Charles Dickens faz uma enorme discussão sobre a riqueza e a pobreza e sobre as características daqueles que vivem nestes dois lados da sociedade. Especialmente a respeito da linha tênue que separa tudo isso. Alguns dos caminhos explorados pelo livro e, consequentemente, minissérie: ganância, irresponsabilidade, inconseqüência, poder, deslumbramento, o medo do passado vir à tona, a vontade de buscar a felicidade, a manutenção de aparências, o jogo de interesses, entre outros. 

Uma produção caprichada da BBC inglesa indicada a 11 Primetime Emmy Awards 2009 (dos quais venceu 7 estatuetas), “Little Dorrit” é uma minissérie que chama a atenção pela riqueza (sem trocadilhos, por favor) de personagens e pela presença de uma trama que exerce mesmo uma influência positiva em todos nós (tendo em vista que somos defrontados com personagens admiráveis, como John Chivery, Amy Dorrit e Arthur Clennam). A única ressalva que fazemos em relação ao programa vai diretamente ao roteiro de Andrew Davies – ele se preocupa tanto com o desenvolvimento dos personagens que a minissérie fica totalmente morna no seu meio e só consegue recuperar o seu ritmo nos três episódios finais, que são simplesmente sensacionais. 

Cotação: 7,5

Little Dorrit (Little Dorrit, 2008)
Diretores: Adam Smith, Dearbhla Walsh e Diarmuid Lawrence
Roteiro: Andrew Davies (com base no livro de Charles Dickens)
Elenco: Claire Foy, Matthew MacFadyen, Tom Courteney, Alun Armstrong, Judy Parfitt, Eddie Marsan, Emma Pierson, Andy Serkis

Entry filed under: DVD.

Encontro de Casais Sempre ao Seu Lado

24 Comentários Add your own

  • 1. Otavio Almeida  |  janeiro 6, 2010 às 9:27 pm

    Poxa, ainda não pude conferir… Mas belo texto o seu!
    Bjs!

    Responder
    • 2. Kamila  |  janeiro 6, 2010 às 10:59 pm

      Otavio, obrigada e confira, quando puder. Beijos!

      Responder
  • 3. Luis Galvão  |  janeiro 7, 2010 às 12:51 am

    Estou com vontade de vê-lo a muito tempo, pena que ainda não tive a oportunidade. E você levantou uma coisa que eu me perguntava a muito tempo de como uma história com tantos personagens e tantas tramas que teriam chance ser paralelas poderiam se densenvolver igualmente sem tornar a trama um pouco perdida. Tomara que consigam tirar proveito de tudo que eles têm em mãos.

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  • 4. Vinícius P.  |  janeiro 7, 2010 às 4:42 am

    Fiquei super curioso por essa minissérie assim que você passou a comentar no twitter. Parece ser de um cuidado técnico único, sem falar que essas produções britânicas sempre me agradam. Enfim, dica anotada!

    Responder
  • 5. bruno knott  |  janeiro 7, 2010 às 5:08 am

    charles dickens merecia ser mais lido por nós brasileiros…
    essa mini-série deve ser muito boa mesmo, vou conferir

    abração

    Responder
    • 6. Kamila  |  janeiro 7, 2010 às 10:25 pm

      Luís, eu só consegui assistir porque Luciano fez cópias da minissérie para mim. Por mim, conseguiram tirar proveito de tudo, mas eu adoraria ter visto e ter sabido de mais coisas.

      Vinícius, é de um cuidado técnico único mesmo! E eu adoro essas minisséries de época, assim como os filmes.

      Bruno, eu fiquei interessada na obra do Dickens depois de ver a minissérie. Abraço!

      Responder
  • 7. Reinaldo Matheus Glioche  |  janeiro 7, 2010 às 12:16 pm

    Ainda não vi essa minisérie. Parece bem interessante. Vc viu aonde? No Hallmark channel? Vou procurar me inteirar.
    Bjs

    Responder
  • 8. Cassiano  |  janeiro 7, 2010 às 1:17 pm

    Adoro Charles Dickens, mas desconhecia essa produção!

    Responder
  • 9. Cleber Eldridge  |  janeiro 7, 2010 às 8:53 pm

    Gosto do Dickens, irei procurar!

    Responder
    • 10. Kamila  |  janeiro 7, 2010 às 10:26 pm

      Reinaldo, vi no DVD. Um amigo fez cópia para mim. Beijos!

      Cassiano, pois, então, seja apresentado a ela. É uma ótima minissérie.

      Cleber, procure mesmo!

      Responder
  • 11. Luciano Lima  |  janeiro 23, 2010 às 3:35 pm

    Finalmente eu achei o texto aqui! XD
    É uma produção de técnica excelente, né! Eu gostei demais do triângulo amoroso que se entabelece entre o Clennam, a Dortit e o Chivery, cheguei a marejar os olhos quando ela recusa, desesperada, o pedido de um deles. Também tem o peso que o roteiro dá pras aparências e o tratamento disso ficou muito bom. Sem contar que concordo plenamente quando vc diz que o MacFadyen nasceu pra esse tipo de papel, mas ainda gostaria de vê-lo em um papel dedicado a ele numa produção que fosse mais intensa. Não sei porque, mas tenho a impressão de que ele daria conta, já que em Um Refugio No Passado ele tá fantástico.

    Responder
    • 12. Kamila  |  fevereiro 6, 2010 às 2:41 am

      Luciano, obrigada pelo DVD! Se não fosse você, não teria assistido a esta linda minissérie. A técnica realmente é excelente. Também gostei do triângulo amoroso e me emocionei nessa cena que você citou. E eu adoro o MacFadyen!

      Responder
    • 13. Ro  |  maio 13, 2010 às 7:09 pm

      Gostaria muito de ver Litthew Dorrit.Quero saber aonde eu consigo baixar essa série e se há legendas em português.Você pode me ajudar?
      Desde já obrigada.

      Responder
      • 14. Kamila  |  setembro 30, 2010 às 10:14 pm

        Ro, infelizmente, não tenho como te ajudar neste sentido.

  • 15. vanessa  |  abril 23, 2010 às 6:50 am

    OLá, preciso de ajuda. o tema do meu TCC é uma analise comparativa da situação da mulher através da visão de Charles Dickens e Jane Austen. Estou tendo dificuldades para encontrar essa perspectiva em Dickens. Você acha que é possível usar Amy Dorrit para explanar a visão de Dickens sobre a mulher de sua época?
    Por favor, me enviem comentários e sugestões e quem tiver algum material para me ajudar ,envie ao meu e-mail. Bjus e obrigada.

    Responder
  • 16. ana  |  setembro 30, 2010 às 7:40 pm

    Por favor…. como consigo o dvd? ou sownload… não tenho BBC… mas queria muito mesmo ver….

    Obrigada,
    Ana

    Responder
    • 17. Kamila  |  setembro 30, 2010 às 10:15 pm

      Vanessa, não sei como te ajudar, uma vez que não sou uma grande especialista na obra do Dickens. Beijos!

      Ana, infelizmente, não tenho como te ajudar.

      Responder
  • 18. Rosangela Cruz  |  novembro 12, 2010 às 7:41 pm

    Oi pessoal,

    Eu encomendei os DVDS (são 04 no total), pela Livraria Cultura. Demora um pouco para chegar, mas acho que vale a pena. Amo o trabalho do Macfadyen e depois de ler esta resenha sobre a série, estou aguardando ansiosa que cheguem os meus para poder assistir. Amo estes filmes ingleses decentes. Ele realmente esteve fantástico em Um Refúgio no Passado e também (apesar do papel pequeno)em Incendiário. Em breve poderemos também ter a série “The Pillars of the Earth” que está passando agora na BBC. E temos previsto para o próximo ano, Os Três Mosqueteieros (ele fará o Aramis, se não me engano). Espero ter sido útil. Um abraço.

    Responder
    • 19. Kamila  |  novembro 15, 2010 às 8:39 pm

      Rosângela, eu também adoro o MacFadyen! Ele é perfeito para esses papeis de herois românticos. Abraço!

      Responder
  • 20. Caça às Bruxas « Cinéfila por Natureza  |  fevereiro 19, 2011 às 2:20 am

    […] última missão para o Cardeal: levar uma jovem acusada de bruxaria (Claire Foy, da minissérie “Little Dorrit”) para um mosteiro, desde que seja aceita a condição de que ela tenha um julgamento […]

    Responder
  • 21. Ana Carolina  |  novembro 23, 2011 às 12:05 am

    Muito boa a série! A BBC quase sempre acerta o tom nas adaptações. Matthew Macfadyen perfeito no papel de Arthur (pelo amor de Deus, esse homem nasceu na época errada!)_papéis de época e de heróis com bom caráter sempre caem como uma luva para ele. Claire Foy também tem momentos brilhantes e todo o elenco encena tão bem os personagens que quase acreditamos na veracidade da história. Depois de Pride And Prejudice (1995), North & South e Little Dorrit, estou ansiosa pela próxima super minisérie da BBC.

    Responder
    • 22. Kamila  |  novembro 23, 2011 às 3:15 am

      Ana Carolina, também adorei essa série. A BBC é craque nesse tipo de programa e de adaptação. Concordo que o Matthew MacFadyen foi feito pros papeis de época e de herois com bom caráter. Adorei a performance da Claire Foy. 🙂

      Responder
  • 23. Sora  |  janeiro 19, 2012 às 7:57 pm

    Muito bom o texto! Como você diz, a série fica totalmente morna e eu demorei muito tempo para terminar de ver (o único elemento que me impulsionava a assistir era o Matthew MacFadyen, simplesmente adoro-o em filmes românticos, vide Orgulho e Preconceito). Eu não me importo com o acúmulo de personagens, mas para mim a pior parte da série é o ‘pai Dorrit’ o ‘irmão’; são simplesmente detestáveis! Achei que o final fosse ser muito mais chocante, mas já dava para imaginar o ‘segredo’ do Clennan, e realmente achei que a ligação dos dois era algo mais importante (cheguei a pensar que eram irmãos :P). Fora tudo isso, nâo me arrependo de ter visto a série.

    Responder
    • 24. Kamila  |  janeiro 20, 2012 às 1:27 am

      Sora, obrigada!!! Eu também assisti muito em parte por causa do Matthew MacFadyen. 🙂 Eu também não me arrependo de ter visto a minissérie.

      Responder

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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