Cinturão Vermelho

novembro 28, 2009 at 8:51 pm 11 comentários

Para fazer a obra “Cinturão Vermelho”, o dramaturgo, roteirista, diretor e produtor David Mamet mergulhou um pouco em uma arte marcial que, apesar da sua origem japonesa, teve uma ajuda muito importante do Brasil em seu desenvolvimento: o jiu-jitsu. Neste tipo de modalidade esportiva, os lutadores aliam a força à movimentos de pura técnica com o objetivo de derrubar, dominar e submeter o seu oponente a um processo em que ele fique em completo estado de imobilização. É bom dizer que, antes mesmo de pensar em fazer este filme, Mamet já vinha praticando e estudando a arte marcial há aproximadamente seis anos. 

A trama de “Cinturão Vermelho” tem como personagem principal Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), um mestre do jiu-jitsu que, até agora, apesar das propostas frequentes, conseguiu fugir o máximo que pôde dos circuitos profissionais de luta. Ele vive das aulas que dá na sua própria academia, a qual ensina como a técnica do jiu-jitsu pode ser empregada na defesa pessoal dos alunos. Envolvido em dívidas (grande parte, justiça seja feita, foram adquiridas pela esposa de Mike, a qual é interpretada por Alice Braga) e atormentado por certos acontecimentos, Terry chega a um ponto em que ele tem que repensar a sua decisão inicial. 

É aqui que o roteiro de David Mamet começa a explorar uma realidade que não é muito agradável, mas que deve ser bem conhecida das pessoas que fazem parte do mundo das artes marciais e que nos mostram exatamente o por quê de Mike Terry tentar manter a sua pureza diante de tanta sujeira. Acontece que estas competições são controladas pelos dois cunhados de Terry (Rodrigo Santoro e John Machado), os quais não são as pessoas mais confiáveis do universo. Portanto, Mike Terry sempre acaba voltando para o mesmo ponto: se entregar a isso ou não? 

Conhecido pelos diálogos ágeis, cheios de estilo e inteligência, David Mamet, em “Cinturão Vermelho”, peca justamente no seu forte: o roteiro. A história de Mike Terry roda, roda e volta sempre pro mesmo lugar. Ou seja, a trama nunca chega a de fato decolar e existem vários personagens, como a advogada interpretada por Emily Mortimer, que são totalmente mal desenvolvidos e que parecem não ter justificativa de existência neste relato. Pelo menos, Mamet consegue nos mostrar bem a essência de Terry: um homem que, claramente, não se adequa, principalmente, às pessoas com as quais escolheu conviver. 

Cotação: 3,0

Cinturão Vermelho (Red Belt, 2008)
Diretor: David Mamet
Roteiro: David Mamet
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Alice Braga, Emily Mortimer, Ricky Jay, John Machado, Rodrigo Santoro, Tim Allen, David Paymer, Joe Mantegna, Rebecca Pidgeon, Jennifer Grey, Ed O’Neill

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O Menino da Porteira Cena da Semana

11 Comentários Add your own

  • 1. Reinaldo Matheus Glioche  |  novembro 29, 2009 às 12:47 am

    Nossa! Perfeita a sua resenha. Realmente, embora descorde desse 3 aí, tb achei esse o filme mais fraco de David Mamet. E tb concordo com vc que o grande pecado, e talvez o que motive a nossa baixa tolerância à fita, é o roteiro. Mamet sempre tão zeloso e supreendente no tratamento dos roteiros se prendeu a veracidade das lutas e a não reduzir o jiu – jistu ( modalidade esportiva de que é grande fã) a mera representação da ação. Relegou seus personagens e seu próprio discurso a segundo plano. O resultado, embora longe de desastroso, foi bem insatisfatório como vc brilhantemente capturou.
    Bjs

    Responder
  • 2. João Paulo Rodrigues  |  novembro 29, 2009 às 1:00 am

    Interessante … Pena que tem sua fraqueza mas vendo na tv … talvez não vá ofender …

    beijinhos

    Responder
  • 3. Luís  |  novembro 29, 2009 às 4:00 am

    Sempre que vejo na locadora, penso em pegá-lo. Há dois brasileiros no elenco, achei isso curioso, então, queria conhecer o filme. Mas é tão ruim assim? 3,0 é uma nota baixa… acho que vou vê-lo só em último caso.

    Responder
    • 4. Kamila  |  novembro 29, 2009 às 5:22 pm

      Reinaldo, obrigada! Eu acho “Edmond” o mais fraco do Mamet”. O roteiro é o ponto mais fraco totalmente desse filme. Beijos!

      João, não ofende mesmo! Beijos!

      Luís, não é um filme tão ruim assim, mas vale a pena assistir sem pagar por ele. Deixa passar na TV!

      Responder
  • 5. Mayara Bastos  |  novembro 29, 2009 às 4:23 am

    Não conheço muito o cinema de David Mamet, mas tinha interesse no filme em conferir a atuação de Chiwetel Ejiofor. Quase assistí-lo estes dias, mas a falta de tempo… Verei sem pressa.

    Beijos! 😉

    Responder
  • 6. Alyson  |  novembro 29, 2009 às 1:53 pm

    Peguei o DVD na Mão ontem, mas não senti muita firmeza no que o filme apresentava e pelo jeito fez bem eu ter pego “Amores Brutos” e “O Casamento” no lugar desse..hehe!

    Beijos!

    Responder
    • 7. Kamila  |  novembro 29, 2009 às 5:24 pm

      Mayara, veja sem pressa mesmo! Beijos!

      Alyson, com certeza! 🙂 Beijos!

      Responder
  • 8. Thyago  |  novembro 30, 2009 às 1:02 am

    impressao minha ou vc passou por uma temporada de filmes bombas? XD

    Responder
  • 9. Wally  |  novembro 30, 2009 às 9:30 am

    Acho que o principal problema deste filme é a irregularidade. Mas acho que existem muitas virtudes. Isoladamente, os personagens conseguiram me conquistar (e o elenco também). As implicações da história ao fim não reverberam, mas existem.

    Nota 7.0

    Responder
    • 10. Kamila  |  novembro 30, 2009 às 10:09 pm

      Thyago, tá uma temporada fraca, sim, de filmes pra mim!

      Wally, eu não fui conquistada pelos personagens, nem consegui enxergar virtudes neste filme.

      Responder
  • 11. Dewonny  |  dezembro 3, 2009 às 12:31 pm

    Esse filme é um horror de ruim, detestei, já vi coisa melhor do David Mamet q pisou na bola. nota 2.0!
    Abs! Diego!

    Responder

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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