Apenas o Fim

outubro 6, 2009 at 10:50 pm 22 comentários

A cena final de “Apenas o Fim”, filme que marca a estreia do diretor e roteirista Matheus Souza no comando de um longa metragem, escutamos a música “Pois É”, de autoria de Marcelo Camelo. “Pois é, não deu. Deixa assim como está sereno. Pois é de Deus tudo aquilo que não se pode ver”. A frase pode servir como um mantra para um dos personagens principais da obra, um estudante chamado Tom (Gregório Duvivier), se agarrar neste novo momento da sua vida que está prestes a iniciar. 

Logo na primeira cena do filme, Tom – que está a caminho de uma prova na universidade – é abordado pela namorada (Erika Mader) e descobre que ela pretende abandoná-lo e partir para um lugar em que ela espera nunca ser encontrada por ninguém. Tom mal tem tempo de digerir a notícia e já vem mais uma outra porrada pra ele: a namorada só tem uma hora para passar com ele antes de sumir da vida dele. 

A partir deste primeiro instante, a trama de “Apenas um Fim” se transforma em um filme que poderia muito bem ser uma obra saída da mente de Richard Linklater. Com claras influências das obras “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr-do-Sol”, Matheus Souza estrutura uma narrativa em que acompanhamos duas pessoas que, claramente, possuem uma conexão única e um amor inquestionável, mas que vivem esse romance numa hora errada – uma vez que, aparentemente, e isso está refletido na personagem de Erika Mader, eles ainda precisam percorrer certos caminhos e viver certas experiências antes de se encontrarem de uma forma definitiva. 

Com 21 anos, Matheus Souza faz, em “Apenas um Fim”, uma obra que lhe é permitida pela pouca experiência de vida que ele possui – e que é feita de forma muito informal, até porque ele filmou tudo na PUC/Rio, com estudantes universitários na equipe. Por esta razão, o longa soa verdadeiro. Se Matheus não demonstra uma característica autoral, ele, pelo menos, mostra que tem talento para desenvolver e um futuro que pode ser promissor. É aguardar para ver o que ele ainda tem para nos revelar.

Cotação: 7,0

Apenas o Fim (2009)
Diretor: Matheus Souza
Roteiro: Matheus Souza
Elenco: Gregório Duvivier, Erika Mader, Marcelo Adnet

Entry filed under: Cinema.

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22 Comentários Add your own

  • 1. Bruno Soares  |  outubro 7, 2009 às 12:45 am

    Esse filme chegou aqui. Mas eu fui besta o bastante pra ver SALVE GERAL 1º…

    Responder
  • 2. Louis Vidovix  |  outubro 7, 2009 às 1:31 am

    Fiquei in love pelo filme. Cheio de referências bacanas à cultura pop. Como se o cineasta tivesse vivido a mesma época que eu e colocado tudinho no filme. E adorei o Gregório (a menina é mais fraquinha). Só podia ter dispensado aquele final meio metalinguístico, mas acho que foi pra esticar a metragem!! Beijo.

    Responder
    • 3. Kamila  |  outubro 7, 2009 às 1:32 am

      Bruno, pois então, confira “Apenas o Fim” também!

      Louis, eu também adorei o Gregório e o personagem dele. Assim como você também gostei bastante das referências à cultura pop. Eu não largaria o Tom, feito a menina do filme. rsrsrsrsrsrrs Beijo!

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  • 4. Wally  |  outubro 7, 2009 às 2:29 am

    Acho que este aí é só baixando. Nada de estrear ou ir para as locadoras aqui. E, pelo jeito, vale a pena.

    Responder
  • 5. Vinícius P.  |  outubro 7, 2009 às 3:08 am

    Muitos consideraram esse longa um tanto superestimado, visto o prestígio que alcançou entre a crítica nacional. Tenho boas expectativas para esse “Apenas um Fim”, afinal parece ser um exemplar raro do gênero em nosso cinema.

    Responder
  • 6. luis galvão  |  outubro 7, 2009 às 11:14 am

    a simplicidade desse filme o torna especial. Tudo nele remete à juventude, desde a direção, até os rápidos diálogos inteligentes e ‘nerds’ – rsrsr – e Matheus, mesmo pegando influências de Linklater e até mesmo Nick Hornby, já sabemos que ele tem um certa ‘mão’ para guiar um filme desse e outros projetos dele já estão a caminho, agora é esperar que ele entrage mais um filme legal como este.

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    • 7. Kamila  |  outubro 7, 2009 às 10:49 pm

      Wally, não desista. Acho que o filme chega fácil nas locadoras.

      Vinícius, eu não achei um filme excelente, como muita gente citou o filme como sendo. Mas, com certeza, é um exemplar raro de nosso cinema.

      Luís, concordo contigo!

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  • 8. Carol  |  outubro 7, 2009 às 11:46 am

    Parece um filme legal, pra pessoas jovens e que entenderão perfeitamente algumas das experiências narradas ali. Só de ter Marcelo Camelo no final…acho que vale arriscar. Pois algo diz de sensibilidade ali. Vou conferir.
    Beijo!

    Responder
  • 9. Jeniss Walker  |  outubro 7, 2009 às 4:04 pm

    o tipo de filme que locará muito pouco. (hehehehe!).
    mas espero conferi-lo em DVD. o estilo de Linklater é joia.
    abraço, Ka 🙂

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  • 10. Luiz Henrique Oliveira  |  outubro 7, 2009 às 4:18 pm

    Para lhe ser sincero, pelo que eu vi do filme, me pareceu mesmo superestimado, e um tanto quanto pretensioso – tive essa impressão quando vi a entrevista do jovem diretor ao site Omelete – mas, enquanto não puder assistir e comprovar, não posso opinar. Mas, se você afirma que é um bom filme, faz com que eu me interesse mais em procurar vê-lo. Abraço.

    Responder
    • 11. Kamila  |  outubro 7, 2009 às 10:51 pm

      Carol, exatamente! E o filme é MUITO sensível. Beijos!

      Jeniss, será?? Você tem que recomendá-lo bem, então! 🙂 Abraço!

      Luiz Henrique, não é pretensioso! O filme é bom, mas não é espetacular. Abraço!

      Responder
  • 12. Brenno Bezerra  |  outubro 7, 2009 às 6:37 pm

    Acho que esse time inteiro pode vir a fazer ótimas coisas pela arte (seja qual for) por bastante tempo.

    Beijos

    Responder
  • 13. Otavio Almeida  |  outubro 7, 2009 às 10:01 pm

    Valeu, Kamila! Eu não conhecia esse não. Belo texto.

    Bjs!

    Responder
    • 14. Kamila  |  outubro 7, 2009 às 10:51 pm

      Brenno, esperamos que sim! Beijos!

      Otavio, assista. Algo me diz que você vai gostar! Obrigada! Beijos!

      Responder
  • 15. Mayara Bastos  |  outubro 9, 2009 às 3:21 am

    O filme me desperta o interesse pelo modo como a produção foi conduzida, de uma forma bem original, fugindo das grandes produções nacionais. Parece ser bom mesmo.

    Beijos! 😉

    Responder
    • 16. Kamila  |  outubro 9, 2009 às 3:02 pm

      Mayara, esse aspecto diferenciado do filme, com certeza, chama a atenção para ele. Beijos!

      Responder
  • 17. Paco D. Lee  |  outubro 9, 2009 às 7:54 pm

    Quase que esse filme não vem para Natal, não é, Kamila? hehe.

    Também vi, é bastante interessante a forma como ele enche a história de referências da cultura pop. Só não gostei muito da atuação da Erika Mader, não foi algo natural. Já o Gregório tava quase perfeito!

    Responder
    • 18. Kamila  |  outubro 10, 2009 às 12:46 pm

      Paco, quase! Mas, veio!!! Eu também achei a Erika Mader o ponto fraco do filme. ADOREI o Gregório!

      Responder
  • 19. Kerolyn  |  outubro 10, 2009 às 9:36 pm

    Vou ver! Está sendo lançado aqui em Porto Alegre! xD
    Estou doida pra ver! Na verdade vi a reportagem desse filme na Zero Hora de hoje… parece ser um filme promissor!

    Responder
    • 20. Kamila  |  outubro 10, 2009 às 9:53 pm

      Kerolyn, assista e, depois, diga o que achou! 🙂

      Responder
  • 21. Bárbara Pinheiro  |  outubro 14, 2011 às 7:27 pm

    Maravilhoso este filme, tem uma simplicidade e uma intimidade intrigante. Inspirador! E a música do Marcelo Camelo parece sob encomenda, ou fonte de inspiração. Traz uma dor do fim, ao mesmo tempo um convencimento por parte dos personagéns,de que é a melhor opção, deixando um tom bem melancólico. Sem contar que Antes do Amanhecer/Antes do pôr do Sol são as paixões da minha vida, mas embora eu perceba a influência,me desperta sensações muito diferente deles o Apenas o Fim.

    Adorei seu texto !

    (eu vejo os filmes depois de velhos.rs)

    Responder
    • 22. Kamila  |  outubro 15, 2011 às 12:05 am

      Bárbara, também acho maravilhoso, esse filme. Bem genuíno, diferente. Eu choro no final, quando começa a tocar a música do Marcelo, até porque é a minha favorita dele. Obrigada!!! E eu também vejo muitos filmes depois de velhos! rsrsrs

      Responder

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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