Violência Gratuita

agosto 21, 2009 at 10:07 pm 36 comentários

Quando recebeu a proposta de refilmar “Violência Gratuita”, o diretor alemão Michael Haneke não contou conversa. Ao invés de refazer o roteiro, o diretor decidiu filmar a mesma história, usando os mesmos ângulos de câmera e as mesmas proporções de cenário. Ou seja, ele fez o mesmo filme com a diferença de que teve um financiamento norte-americano, novos atores e a ação se passa nos Estados Unidos. Isso é o que eu chamo de crítica velada à necessidade recente de Hollywood de buscar inspiração nos filmes que são realizados em outros países. 

Num dia qualquer, George (Tim Roth), sua esposa Ann (Naomi Watts) e o filho Georgie (Devon Gearhart) estão voltando para a sua bela casa, a qual fica localizada na beira de um rio. Entretanto, um simples pedido de ovos emprestados acaba levando-os a um jogo em que um bem maior está em jogo: a vida deles. Acontece que dois jovens (Michael Pitt e Brady Corbet) fazem de George, Ann e Georgie reféns em sua própria casa, os ameaçando, violentando e abusando psicologicamente. 

“Violência Gratuita” é um filme que é descendente direto de obras como “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, e “Clube da Luta”, de David Fincher. Os três filmes lançam um olhar sobre a violência urbana e sobre o lado podre do ser humano. Os longas mostram que a violência não tem rosto, nome, jeito ou razão de ser. Ela está imbuída dentro de nós, de diversas maneiras. 

No caso particular de “Violência Gratuita”, o que mais impressiona é que, apesar de seu título, Michael Haneke não faz um filme sensacionalista e que abusa de cenas que seriam insuportáveis de se conferir. As ações mostradas são todas sutis (na medida do possível) e não seguem um planejamento fixo. Tudo o que vemos, em tela, é fruto de ação e reação – por isso, o elemento mais importante de “Violência Gratuita” é o seu elenco, especialmente Naomi Watts e Michael Pitt, que são a pura expressão de todos os sentimentos que nos são decorrentes durante a exibição do filme. 

Cotação: 6,0

Violência Gratuita (Funny Games U.S., 2007)
Diretor: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Elenco: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbet, Devon Gearhart

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Marido por Acaso Cena da Semana

36 Comentários Add your own

  • 1. Bruno  |  agosto 21, 2009 às 10:20 pm

    Até hoje não vi, mas quero muito conferir. Ah, ando twittando, posso ser seu seguidor? Espero que sim.

    Abs!

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    • 2. Kamila  |  agosto 21, 2009 às 10:23 pm

      Bruno, pode, sim, claro! Abraços!

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  • 3. Kau Oliveira  |  agosto 21, 2009 às 11:42 pm

    Kami, eu adorei esse filme. Acho, inclusive, o melhor trabalho de Haneke. O roteiro é forte, a direção bastante poderosa e o elenco genial. Fiquei muito, mas muito tenso assistindo hahahahaha.

    Beijos!!!

    Responder
    • 4. Kamila  |  agosto 22, 2009 às 12:25 am

      Kau, esse foi o trabalho do Haneke que eu mais gostei de ver. Os outros filmes dele não conseguem me agradar. Beijos!

      Responder
  • 5. Mayara Bastos  |  agosto 22, 2009 às 3:46 am

    Kamila, esperava mais do filme também, tinha tudo para levar a premissa para um outro patamar, coisa que os filmes citados no texto conseguiram, apesar que não ter conferido ainda o original. Vale pelo elenco.

    Beijos e tenha um ótimo fim de semana! 😉

    Responder
  • 6. •. Cℓєвєя! .  |  agosto 22, 2009 às 5:06 am

    Tenho um enorme desejo em ver esse filme, só não sei porque ainda não o fiz!

    Responder
  • 7. Vinícius P.  |  agosto 22, 2009 às 5:14 am

    Apesar de alguns aspectos chamarem a atenção (principalmente o trabalho do elenco, com uma ótima Naomi Watts e um competente Tim Roth), para mim esse foi um dos piores filmes do ano passado.

    Responder
    • 8. Kamila  |  agosto 22, 2009 às 9:53 pm

      Mayara, vale pelo elenco e pela atmosfera criada pelo Haneke. Beijos e ótimo final de semana!

      Cleber, eu tinha o mesmo desejo e, finalmente, consegui assistir a este filme.

      Vinícius, nossa!!! Discordo!

      Responder
  • 9. Otavio Almeida  |  agosto 22, 2009 às 1:23 pm

    Kamilinha, confesso que não curti o original e não vou ver esse… Aliás, não me agrada ver um filme com este tema. Sei que estou errado, afinal você até disse que o Haneke ameniza o que seria bem cruel aos nossos olhos, mas fujo desse tipo de filme.

    Bjs! Bom final de semana!

    Responder
  • 10. luis galvão  |  agosto 22, 2009 às 1:44 pm

    teve alguas coisas que eu gostei (realmente o elenco segura a tensão-falsa do filme, e a loucura de Pitt assombra). Haneke quis ser um Kubrick e não conseguiu. Mas é um filme assistível, mas que muitas pessoas adoram e ficam discutindo psicologia, interação com o público (apenas por um simples piscar de olhos para a tela!) e outras coisas que eu não consigo vê o motivo de tanto assombro. É certo que o filme é legalzinho e assitivel, nada mias que isso.

    Responder
  • 11. Ramon  |  agosto 22, 2009 às 1:48 pm

    Pô, Kamila… altos textos sobre o filme, falando muito bem e ressaltando todas as qualidades, e colocas uma nota 6.0, somente? Hehe!

    Adorei a obra!

    Responder
    • 12. Kamila  |  agosto 22, 2009 às 9:55 pm

      Otavio, eu tento fugir desse tipo de filme, mas acho que eles são importantes de serem feitos. Uma vez que a violência, infelizmente, é um tema que está bem enraizado em nossas vidas. Beijos e bom final de semana!

      Luís, não acho que o Haneke tenha querido ser um Kubrick. Acho que ele fez um filme, sim, acessível e que pode ter algumas interpretações legais, dentro dos temas que você citou.

      Ramon, a nota é justa. 🙂

      Responder
  • 13. Paco D. Lee  |  agosto 22, 2009 às 2:45 pm

    Acho impressionante como Hollywood tem a necessidade de refazer filmes de outros países, os originais são tão ruins para os olhos deles? Ah, acho isso tão desnecessário, na maioria dos casos.

    E, bem, Laranja Mecânica e Clube da Luta mostram bem mais que apenas violência, sei que você não quis dizer isso, mas só para ressaltar. ( :

    Responder
  • 14. Roberto Simões  |  agosto 22, 2009 às 6:27 pm

    Não vi nem o de 1997 nem este último, mas creio quando o vir vou gostar. O trailer foi muito inspirado mesmo em LARANJA MECÂNICA.

    Naomi, Eric Roth ou Michael Pitt são sempre boas referências. 😉

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD – A Estrada do Cinema

    Responder
    • 15. Kamila  |  agosto 22, 2009 às 9:56 pm

      Paco, eu também acho os remakes, na maior parte das vezes, desnecessários. E, claro, “Clube da Luta” e “Laranja Mecânica” mostram mais que violência. 🙂

      Roberto, não me lembro do trailer desse filme e os três atores destacados por você são ótimos.

      Responder
  • 16. Eliéser Baco  |  agosto 22, 2009 às 10:02 pm

    Muito interessante teu blog. Eu não conhecia, e fazendo pesquisa sobre Corey Mulllin cheguei aqui.

    Mas voltarei mais vezes.
    Parabens.

    Responder
    • 17. Kamila  |  agosto 22, 2009 às 11:56 pm

      Eliéser, obrigada pela visita e pelo comentário!

      Responder
  • 18. Denis Torres  |  agosto 23, 2009 às 1:36 am

    Eu gostei do original, mas só em último caso verei uma refilmagem que nada deve acrecentar ao que já foi apresentado. É que nem o caso de Psicose, aquele sacrilégio absurdo…Abs!

    Responder
  • 19. Denis Torres  |  agosto 23, 2009 às 1:36 am

    *acrescentar…

    Responder
  • 20. Jeniss Walker  |  agosto 23, 2009 às 1:56 am

    preciso ver esse o quanto antes. tenho muitas boas referências. pena não ter la onde trabalho.
    abraço 🙂

    Responder
    • 21. Kamila  |  agosto 23, 2009 às 11:45 pm

      Denis, como eu não assisti ao filme original, o remake caiu bem comigo! Abraços!

      Jeniss, espero que consiga assistir ao filme. Abraço!

      Responder
  • 22. Matheus  |  agosto 23, 2009 às 4:19 am

    Adoro esse filme! Acho que ele é tenso e muito bem interpretado, apesar de algumas manias do Haneke que me irritam muito…

    Responder
  • 23. Mandy  |  agosto 23, 2009 às 3:01 pm

    Bom, tem coisas boas e ruins no filme. A violência é realmente gratúita, isso fica claro. Mas, ao longo do filme, ele vai ficando meio bobo e chato, de tanta gratuidade!

    Responder
  • 24. Rodrigo mendes  |  agosto 23, 2009 às 8:49 pm

    Ainda não entendi porque o próprio Haneke decidiu da uma de Gus Van Sant em “Psycho 98”. Enfim prefiro o original.

    kamila te dei dois selos, seu blog é show!

    Bjs!

    Responder
    • 25. Kamila  |  agosto 23, 2009 às 11:47 pm

      Matheus, eu também gostei desse filme.

      Mandy, não achei a violência gratuita. Acho que ela cabe com a proposta do filme.

      Rodrigo, eu tenho que ver o original para ver como me posiciono diante dessa escolha. Obrigada pelos selos. Eu vi lá! 🙂 Beijos!

      Responder
  • 26. Eliéser Baco  |  agosto 24, 2009 às 2:56 am

    Bom, esse filme eu não vi e tampouco o original. Por falar em remakes, vi o “Sete Homens e um Destino”, refilmagem de um título japonês que envolvia samurais. É um clássico do western, tema pelo qual meu pai me ensinou a apreciar quando pequeno. Mostra valores épicos, enfim, voltando ao tema do post, não poderei mensurar agora, mas irei essa semana assistir e depois continuo expondo meu pensar.

    te cuida Kamila, e obrigado pela visita por lá. volte quando puder.

    Eliéser

    Responder
  • 27. Marfil  |  agosto 24, 2009 às 12:37 pm

    Esse é um filme que odiei de todas as formas possíveis. A cena do controle remoto é bisonha. Um atentado ao pudor ao meu cerebro…

    Responder
  • 28. Rafael Carvalho  |  agosto 24, 2009 às 1:43 pm

    Eu acho o filme original do Haneke sensacional. Se esse aqui é uma cópia fiel do anterior, então também não há do que não gostar. A história é forte e nos faz refletir sobre o estado de violência em que vivemos, e de como estamos sujeitos a ela facilmente. No filme, a violência além de ser física, é também psicológica, e nos faz sofrer do mesmo jeito. E pensando bem, é muito melhor que o próprio Haneke tenha feito esse remake ao invés de ter caído nas mãos de um pau mandado qualquer de estúdio e ter desfigurado o filme todo. A vantagem é que a mensagem continua a mesma, mas agora vai ter maior penetração entre o público norte-americano, que por sinal, precisa muito ver esse filme.

    Responder
    • 29. Kamila  |  agosto 24, 2009 às 10:38 pm

      Eliéser, de nada. Aparecerei sempre que puder. Quanto ao filme que você citou no comentário: nunca vi! Western é meu ponto fraco como cinéfila.

      Marfil, eu não me lembro da cena do controle remoto!!!

      Rafael, exatamente. E eu preciso ver o filme original!

      Responder
  • 30. André  |  agosto 24, 2009 às 8:02 pm

    Oi Kamila!
    Eu assisti faz pouco tempo em DVD o filme, e não me impressionou muito e acho que muitos críticos fizeram muito barulho por nada. Não vi o Original, apesar de ter visto o filme com aquela impressão: Já vi este filme, mas…
    Não recomendaria a ninguém.

    SBBC – poxa, só hoje vi o novo site e vi que eu, que era um membro, no antigo site, não estou mais lá… 😦

    Responder
    • 31. Kamila  |  agosto 24, 2009 às 10:38 pm

      André, não está mais como membro na SBBC?? Vou ver isso direito com o Vinícius e o Otavio!

      Responder
  • 32. Ygor  |  agosto 25, 2009 às 7:43 pm

    adorei o filme, gosto dos filmes do haneke, mas prefiro Cache, outro filme dele, também perturbador.
    abraço!!!

    Responder
  • 33. Dewonny  |  agosto 25, 2009 às 9:12 pm

    Gostei demais, interessante do começo ao fim, ótimos diálogos, muito bom o elenco, e q final aquele, adorei. nota 8.0!
    Bjo! Diego!

    Responder
    • 34. Kamila  |  agosto 25, 2009 às 10:57 pm

      Yuri, eu não gostei de “Cache”. Abraço!

      Diego, você gostou mais que eu. 🙂 Beijo!

      Responder
  • 35. Luís  |  agosto 30, 2009 às 5:40 pm

    Eu achei o filme interessante, com ótimas cenas, boas interpretações. Achei muito curioso os ângulos de câmera e também o cenário tão claro, tão branco, e, ao mesmo tempo, tão contraditório a todoa encenação que vemos.
    Porém, uma cena fez com que eu torcesse o nariz para o filme e descontasse uns dois pontos da minha nota final. Imagino que eu não precise dizer qual seja a cena, pois você deve saber. Gosto de filmes que se mantém ou realistas ou metafóricos; a tal cena não é o meu conceito mais exato de realidade nem de metáfora.
    Sendo gentil com o filme, concordo com o 6,0 que você deu.

    Responder
    • 36. Kamila  |  agosto 31, 2009 às 12:40 am

      Luís, exatamente!!!! Sei a qual cena você está se referindo e concordo contigo. Assim como estou concordando com o resto de seu comentário.

      Responder

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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