Milk – A Voz da Igualdade

abril 9, 2009 at 12:36 am 29 comentários

Em uma das primeiras cenas de “Milk – A Voz da Igualdade”, do diretor Gus Van Sant, encontramos Harvey Milk (o vencedor do Oscar 2009 de Melhor Ator Sean Penn) na cama com o futuro namorado Scott (James Franco), no dia em que ele completou 40 anos. Ele reflete e fala que chegou àquela marca, porém lamentava por ainda não tinha feito nada de importante na sua vida. Mal ele sabia que, sete anos depois, colocaria seu nome na história dos Estados Unidos como o primeiro homem abertamente homossexual a ser eleito para um cargo público: o de Supervisor da cidade de San Francisco (Califórnia).

 

A cinebiografia mostra os momentos mais importantes da vida de Harvey Milk: quando ele, ao lado de Scott, se mudou para San Francisco – cidade aonde abriria um pequeno comércio no ramo fotográfico. Ao ver o tratamento dispensado por alguns estabelecimentos locais aos gays, Milk começou a brigar pelos direitos de tratamento igualitário e justo para os homossexuais. Sua loja, que ficava na Castro Street, se tornou logo um ponto de reunião e de discussão e Harvey ficou conhecido como o “Prefeito da Castro Street”.

 

Daí, para a entrada na política foi um pulo rápido e natural. No entanto, a grande batalha travada por Harvey Milk foi contra a cantora Anita Bryant e o senador californiano John Briggs (Denis O’Hare), os quais eram promotores ferrenhos de um projeto de lei que afrontava os direitos constitucionais básicos de qualquer cidadão e visava demitir professores homossexuais da rede de ensino do Estado. É justamente a notoriedade que ganha com esse caso, entre outros fatores, que levam Milk a divergências com outro Supervisor de San Francisco, Dan White (o indicado ao Oscar 2009 de Melhor Ator Coadjuvante Josh Brolin) – o qual veio a assassinar Harvey e o prefeito de San Francisco George Moscone (Victor Garber) no dia 27 de Novembro de 1978.

 

Está claro, desde a primeira cena de “Milk – A Voz da Igualdade” a admiração que o roteirista vencedor do Oscar 2009 Dustin Lance Black tinha pelo seu personagem principal. Infelizmente, isso acabou agindo contra o filme em muitos momentos, uma vez que Black não se propôs somente a fazer a cinebiografia de Harvey Milk. Ao utilizar certas frases de efeito dos discursos de Milk (especialmente aquelas que embalam os momentos finais do longa), Black transforma seu roteiro numa grande peça política, ao conclamar minorias para elegerem representantes que façam com que a voz deles seja escutada. Não é que isso não seja importante, mas filmes são filmes. Não devem influenciar em qualquer esfera política – e esta é uma lição que já deveria ter sido aprendida após o caso Michael Moore e seu “Fahrenheit 11 de Setembro”.

 

Cotação: 9,0

 

Milk – A Voz da Igualdade (Milk, 2008)

Diretor: Gus Van Sant

Roteiro: Dustin Lance Black

Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna, James Franco, Alison Pill, Victor Garber, Denis O’Hare, Lucas Grabeel, Josh Brolin, Joseph Cross

Entry filed under: Cinema.

Entre os Muros da Escola Cena da Semana

29 Comentários Add your own

  • 1. Rafael Carvalho  |  abril 9, 2009 às 1:58 am

    Não vejo problemas que um filme se disponha a defender determinadas causas, principalmente relacionada às representatividades das minorias da sociedade. Milk faz isso muito bem, sem soar panfletário e desmerecedor. Vejo no filme um grande trabalho de reconstrução de época efervescente e de um personagem principal riquíssimo. Sean Penn é foda!

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  • 2. Pedro Tavares  |  abril 9, 2009 às 2:24 am

    Eu acho que filmes também podem ser usadas como formas de expressão e defesas de causas sim. Lógico que tem pessoas que fazem isso com intuito de manipular, mas ai é outro assunto. Enfim, belo filme!

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  • 3. Vulgo Dudu  |  abril 9, 2009 às 3:10 am

    Pois então Kamila, eu acho mais ou menos isso que você escreveu: o filme fica num meio termo. Tem gente que acha que é político demais, e outros, me incluo aí, acham que foi jogado no lixo um belíssimo argumento para fazer uma obra a ser citada como bom cinema político – afnal, trata-se de um momento histórico na questão da representatividade democrática daquele país. Não é um filme ruim, de jeito nenhum. Mas é uma grande possibilidade descartada pelo academicismo típico de Hollywood.

    Bjs!

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  • 4. Vinícius P.  |  abril 9, 2009 às 4:21 am

    Entendo perfeitamente seu ponto de vista, Kamila, ainda assim acho que o Dustin Lance Black cumpriu de uma excelente forma sua missão de levar essa história às telas – e nisso incluo as inserções políticas da trama. Como não conhecia nada sobre o Harvey Milk, acho que me surpreendi um pouco mais. Abraço!

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  • 5. Ciro  |  abril 9, 2009 às 4:56 am

    Kamila, discordo que o filme seja panfletário. Acho que o trabalho do roteirista foi mto bom. E a atuação de Sean Penn melhor ainda. Achei Milk o melhor filme entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme. Deveria ganhar.
    Beijoo!

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  • 6. Cleber  |  abril 9, 2009 às 7:18 am

    Inegavelmente, o 5° melhor filme do ano ! Recebeu uma atenção muito grande da academia, um filme bem politico se for analisar, mais que escapa por poucos dessa mãos!
    Nota: 9,0

    “As lições de Harvey Milk devem ser lembradas até hoje. “

    Responder
  • 7. Jeniss Walker  |  abril 9, 2009 às 4:44 pm

    tb gostei muito do filme. o tom semi-documental ajuda muito no resultado final. os coadjuvantes dispensam comentários. abraço, Ka.
    🙂

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  • 8. Otavio Almeida  |  abril 9, 2009 às 5:53 pm

    Achei um filmaço! Aquela cena do Sean Penn comemorando a tão suada vitória com a câmera ao longe flagrando o momento é de uma honestidade inacreditável – muito pela atuação monstruosa do Sean Penn.

    Bjs!

    Responder
  • 9. Pedro Henrique  |  abril 9, 2009 às 7:34 pm

    Achei fraco, até por não gostar do trabalho enganador do Gus Van Sant.

    Abraço!

    Responder
  • 10. Matheus  |  abril 10, 2009 às 1:11 am

    Kamila, acho que o fato de o filme ser extremamente político prejudica muito o resultado final. Achei “Milk” bem mediano e até agora não entendo como o filme chegou a ser finalista de importantes categorias no Oscar. Acho que a única pessoa digna de nota no filme é Sean Penn. Ele sim está perfeito e merece todo o tipo de celebração por seu trabalho!

    Responder
  • 11. Mayara Bastos  |  abril 10, 2009 às 1:47 am

    Olá, Kamila! Tudo bem?

    “Milk” é o único dos indicados ao Oscar de filme que faltou conferir. Infelizmente, ele passou despercebido por aqui. Acho que ficará só em DVD. Parece ser ótimo mesmo!

    Beijos e tenha um ótimo feriado! 😉

    Responder
  • 12. louisvidovix  |  abril 10, 2009 às 7:21 am

    A uma primeira assistida o filme não me causou impressão tão forte, mas cresceu bastante quando revisto. E olha que nem sou admirador particular de Gus Van Sant.

    Beijo e Feliz Páscoa! 😀

    Responder
  • 13. Marcus  |  abril 10, 2009 às 1:06 pm

    Belo texto e análise, Kamilinha. Eu espero um filmão de Milk, quero ver de que jeito o Penn tirou a estatueta do Rourke.

    Beijo grande, tenha uma feliz páscoa e um ótimo findi!!! ^^

    Responder
  • 14. Leonardo  |  abril 10, 2009 às 3:34 pm

    Gostei bastante de ‘Milk’, muito mesmo. Estatuetas muito bem merecidas e foi o melhor adversario de ‘Slumdog’ no Oscar de Melhor Filme, para mim.

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  • 15. Anderson Siqueira  |  abril 11, 2009 às 1:18 am

    Achei monótono. Um tanto do mesmo. Infelizmente.

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  • 16. cmpfama  |  abril 12, 2009 às 3:51 pm

    Até que você deu uma nota muito boa para “Milk”. É um filme centralizado em Sean Penn e naquele todo excelente time coadjuvante masculino. Mas também achei monótono, finalizado rápido demais e com tons bem legais de emoção no final. Até!

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  • 17. Alex Gonçalves  |  abril 12, 2009 às 10:35 pm

    Estou com o Pedro, embora eu ainda não tenha assistido à “Milk”.

    Responder
  • 18. Kamila  |  abril 12, 2009 às 11:56 pm

    Rafael Carvalho, concordo com a segunda parte de seu comentário. E achei o filme, especialmente em seus minutos finais, panfletário DEMAIS!!!

    Pedro, eu não acho que “Milk” fez essa defesa política de modo a manipular a plateia, mesmo assim, isso é algo que me incomoda profundamente neste belo filme.

    Dudu, exatamente. Beijos!

    Vinícius, eu também não conhecia nada sobre Harvey Milk e achei-o um personagem fascinante e entendo perfeitamente a vontade do Dustin Lance Black de contar esta história. Abraço!

    Ciro, eu também achei o filme bom e o trabalho do Sean Penn brilhante. Beijo!

    Cleber, gostei da sua precisão: “o quinto melhor filme do ano”. 🙂

    Jeniss, o elenco todo dispensa comentários – com exceção da atuação over do Diego Luna. Abraço!

    Otavio, ainda não assisti ao trabalho do Mickey Rourke, mas Sean Penn dispensa comentários. Um trabalho excelente dele nesse filme. Beijos!

    Pedro Henrique, você é a primeira pessoa que vejo que não gostou desse filme. Abraço!

    Matheus, eu definitivamente gostei mais do filme do que você, mas entendo sua opinião a respeito de “Milk”.

    Mayara, tudo bem, obrigada. E com você? Eu ainda tenho que conferir outros três filmes indicados ao Oscar deste ano… Espero que consiga fazer isso em breve. Beijos e obrigada pelos desejos de bom feriado.

    Louis, eu gosto do Gus Van Sant e adorei vê-lo de volta aos filmes, digamos, tradicionais… Beijos e Feliz Páscoa para você também!

    Marcus, o Penn está perfeito nesse filme. Acho que você vai gostar da atuação dele. Beijos e Feliz Páscoa.

    Leonardo, muita gente compartilha dessa sua opinião.

    Anderson, eu discordo de você!

    cmpfama, já são três que não gostaram de “Milk”. Até!

    Alex, você está com qual dos Pedros??? 🙂

    Responder
  • 19. Romeika  |  abril 13, 2009 às 10:00 am

    Kamila, se eh por uma boa causa, nao vejo problema nenhum num filme politizado, e olha q meu interesse por politica eh quase nulo. Mas nem pensei isso ao ver o filme, soh agora depois de ler o seu texto. Eu vi o filme como uma biografia de um momento especifico da vida do personagem, nada alem. Filmaco, boa historia e excelentes atuacoes, por sinal.

    Responder
  • 20. fabiana  |  abril 13, 2009 às 6:46 pm

    Ainda não vi.
    Amo Sea Penn!

    Responder
  • 21. Kamila  |  abril 13, 2009 às 10:38 pm

    Romeika, entendo seu comentário e acho que a maioria das pessoas que gostaram de “Milk” pensam como você.

    Fabiana, pois, então, assista ao filme. O Penn está maravilhoso nele.

    Responder
  • 22. Dewonny  |  abril 14, 2009 às 1:42 pm

    Olá Kamila!
    Muito bom esse filme, adoro o Sean Penn, baita ator, q entrega uma excelente interpretação de um homem q foi importante na sociedade na luta dos seus direitos de igualdade, merecido o oscar de melhor ator pra ele, era o meu favorito, e q final aquele, fui surpreendido pq ñ sabia nada a respeito da biografia do personagem! nota 8.0! Bjo! Diego!

    Responder
  • 23. Kamila  |  abril 15, 2009 às 2:08 am

    Dewonny, que bom que gostou do filme. Concordo com tudo o que disseste em teu comentário. Beijo!

    Responder
  • 24. Paulo Soares  |  abril 23, 2009 às 12:24 pm

    É sem dúvida um excelente filme!

    Responder
  • 25. Kamila  |  abril 23, 2009 às 11:38 pm

    Paulo Soares, com certeza!!

    Responder
  • 26. A Sophie do Ano « Cinéfila por Natureza  |  junho 3, 2009 às 1:57 am

    […] Se, no ano passado, a jovem Mia Wasikowska (a futura Alice de Tim Burton) roubou a cena de atores consagrados como Gabriel Byrne e a vencedora do Emmy 2008 Dianne Wiest; nesta segunda temporada mais uma atriz da nova geração promete ter todos os holofotes em seu rosto: Alison Pill, de 23 anos, a qual é conhecida pelos papeis em filmes como “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” e “Milk – A Voz da Igualdade“. […]

    Responder
  • 27. WILLIS DE FARIA (Cinefilomaniacos)  |  setembro 11, 2009 às 4:13 am

    História real ocorrida nos EUA, tendo Harvey Milk, eleito com primeiro cidadão gay, como supervisor do Distrito de Castro, em San Francisco (Califórnia), em 1978. Teve cinco derrotas consecutivas, mas persistência e com apoio dos gays que saíram do “Guarda roupa”, como caminhoneiros, operários e professores, preteridos no país em seu emprego, combatendo o puritanismo americano, chega ao poder, em defesa de direito de igualdade para todos como previsto na Constituição Americana. Sua vitória causa uma onda libertária por todos Estados Unidos, com inicio às “Paradas Gay”. Por sua ousadia, foi assassinato juntamente com o Prefeito do distrito de Castro, por um supervisor puritanista católico irlandês. O filme já foi indicado o Globo de Ouro. Obteve outras 12 vitórias e 24 nomeações. A sua vida mudou história. Sua coragem mudou vidas. A interpretação de Sean Penn foi merecedora de um Oscar. Um filme, que fielmente conta toda trajetória sobre os direitos de igualdade sobre a sexualidade e a liberdade de expressão.

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  • […] Rocha INDUBITAVELMENTE Fernando Império CINEBUTECO Gustavo Bezerra FINA IRONIA Kamila Azevedo CINÉFILA POR NATUREZA Lucas Garcia LISTEN TO THE Luciano Lima A SALA Matheus Pannebecker CINEMA E ARGUMENTO Mayara […]

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  • 29. J. Edgar « Cinéfila por Natureza  |  fevereiro 14, 2012 às 12:28 am

    […] muito forte e muito interessante. Entretanto, ao contrário do que ele conseguiu alcançar em “Milk – A Voz da Igualdade”, no qual Dustin Lance Black também falou sobre uma personalidade pública de muita importância […]

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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