Wall-E

julho 2, 2008 at 1:20 am 33 comentários

De uns tempos para cá, o cinema tem se preocupado bastante com o futuro da humanidade. Só neste primeiro semestre de 2008, as salas de cinema do Brasil viram dois filmes que ofereciam uma visão própria sobre este tema. São eles: “Eu Sou a Lenda”, de Francis Lawrence, e “Fim dos Tempos”, de M. Night Shyamalan. Em sua estrutura narrativa, a animação “Wall-E”, do diretor Andrew Stanton, tem um quê do filme de Lawrence. Se, em “Eu Sou a Lenda”, a humanidade virou uma espécie em extinção após ser acometida por um vírus; em “Wall-E”, os humanos foram obrigados a deixar a Terra por causa da sujeira que se acumulava no planeta.

 

Ainda comparando “Eu Sou a Lenda” com “Wall-E”, podemos encontrar características comuns entre os personagens principais dos dois filmes. Se o Dr. Robert Neville (Will Smith) passava seus dias procurando uma cura para a enfermidade que tinha atingido os humanos, ao mesmo tempo em que tentava se manter vivo e são; Wall-E segue a rotina diária de limpar o lixo humano sem deixar de guardar aquilo que ele julga ser importante para quando os humanos voltarem. Se Robert Neville tinha as músicas de Bob Marley, Wall-E tinha o filme “Alô, Dolly!” (musical dirigido por Gene Kelly). Se Robert Neville tinha a companhia da cadela Sam, Wall-E andava com uma barata em seu encalço. Se Robert Neville encontra a babá Anna (Alice Braga) e o garotinho Ethan (Charlie Tahan), Wall-E se depara com a robô Eva.

 

Acabadas as comparações, voltamos à mais nova animação da Pixar. “Wall-E” se passa 700 anos no futuro e, no seu primeiro ato, o filme se apóia em três elementos da linguagem cinematográfica: imagem, mixagem de som e trilha sonora. Neste momento, temos o desenho da necessidade da adaptação e de comunicação. Já no segundo ato do filme, quando Wall-E encontra seres humanos que mais parecem estar numa linha de montagem, completamente alheios a tudo o que acontece ao seu redor, temos a perfeita congruência dos elementos que fazem parte da linguagem do cinema (o cuidado com o visual da animação é impressionante), num filme que consegue ainda ter um roteiro bastante inteligente.

 

Faz tempo que dizemos que as animações se tornaram longas muito mais feitos para adultos do que obras direcionadas às crianças. “Wall-E” segue este esquema. O filme mostra uma espécie de história da evolução humana ao contrário. Ao retornarem para a Terra, os humanos precisam reaprender a viver em comunidade. Só assim eles poderão reconstruir o planeta. Talvez, por isso mesmo, o roteiro de Andrew Stanton mostra o momento do despertar dos humanos que, numa era em que as conexões virtuais parecem ser mais fortes que as reais, a gente se esquece de olhar para quem está do nosso lado. O mundo é feito de pessoas, de calor humano, de amizade, amor e companheirismo. É disso que “Wall-E” nos lembra.

 

Cotação: 9,5

 

Wall-E (2008 )

Diretor: Andrew Stanton

Roteiro: Andrew Stanton

Elenco: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Kathy Najimi, Sigourney Weaver

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33 Comentários Add your own

  • 1. Matheus  |  julho 2, 2008 às 1:38 am

    Fazia bastante tempo que eu não me encantava tanto com uma animação. “WALL-E” dispensa comentários, é um grande acerto em todos os aspectos e desde já tem garantido o seu Oscar de animação, no mínimo.

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  • 2. Otavio Almeida  |  julho 2, 2008 às 3:11 am

    WALL-E é excelente, não? Estou orgulhoso de você! A crítica está ótima.

    Bjs!

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  • 3. louisvidovix  |  julho 2, 2008 às 3:12 am

    Amei esse filme, Ka. Uma animação sensacional, uma história bonita, uma mensagem bacana, personagens carismaticos… Tudo o que a Pixar sabe fazer de melhor!

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  • 4. Marcel Gois  |  julho 2, 2008 às 3:24 am

    Isso que me encanta nas animações, o poder de levar assunto como esses, de “gente grande”, para as crianças de uma forma inteligente, criativa e super agradável de se assistir.

    Só tenho lido coisas boas sobre esse filme. Estou muito ansioso. Desse final de semana não passa. =)

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  • 5. João Paulo  |  julho 2, 2008 às 3:39 am

    eu disse a você que irias adorar o filme …
    acho que cada um consegue enxergar várias interpretações para o filme … e pelo jeito … só eu que achei apenas bom … mas deixa para lá …

    Pode se tirar muita coisa do filme, mas tó com preguiça … depois nois comenta …

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  • 6. Vinícius P.  |  julho 2, 2008 às 4:23 am

    Não posso ler mais nada desse filme sem pensar no quanto que “Wall-E” deve ser bom. Engraçado é que mesmo sendo uma animação (ainda existe esse preconceito), conseguiu passar sua mensagem de forma muito mais efetiva que alguns ‘live-action’ – bem, é o que penso, estou comentando isso pela sua crítica, já que ainda não o vi. Mal posso esperar para conferir… Abraço!

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  • 7. Rodrigo Fernandes  |  julho 2, 2008 às 5:48 am

    pelas imagens que já vi, realmente deve ser tudo de bom essa animação… os caras podem dar umas derrapadinhas de vez em qdo, mas Disney e Pixar é sinonimo de qualidade sempre!
    interessante esse ponto que vc tocou das animações sempre cada vez mais serem destinadas ao público adulto, pelo menos qdo tentam passar uma mensagem ous e alongam na duração…o bom é que a ultiam vez que fui ao cienma vi muitas crianças indo pra ver Wall-E e isso com certeza não é diferente nas demais cidades.
    Um publico muito grande é de crianças… e isso é bom, tomara que captem a mensagem junto com a diversão toda…
    estou ansioso para ve-lo, o que ainda me impediu é talvez a falta de paciencia em entrar numa sala repleta de crianças..rs…
    Beijos, Kamila!!!

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  • 8. Isabela  |  julho 2, 2008 às 7:03 am

    Quero taaaanto ver!

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  • 9. Sérgio Déda  |  julho 2, 2008 às 1:53 pm

    Super ansioso para conferir..
    Um dos favoritos ao Oscar de animação.. o principal favorito ateh agora.. e muita gente vem falando bem..
    Não passa dessa semana…

    vlws

    Responder
  • 10. Marcus Vinícius  |  julho 2, 2008 às 1:57 pm

    Texto excelente sobre o melhor filme do ano. Perfeito o final do último parágrafo.
    Beijão, ótima quarta-feira pra ti!

    Responder
  • 11. Rafael Moreira | Fortaleza - CE  |  julho 2, 2008 às 2:15 pm

    Realmente, enquanto eu assitia o filme, lembrav-me em algumas partes de “Eu Sou a Lenda”. “Wall-E” é maravilhoso, seu roteiro é inteligente mesmo. Os robôs estando lá fazendo suas ações, não há nenhuma necessidade de diálogo. Andrew Stanton é realmente um gênio…

    “Waaaaaaaaaall-EE”

    Abraço, Kamila!

    Responder
  • 12. Kamila  |  julho 2, 2008 às 2:50 pm

    Matheus, acho que a Pixar tem essa característica forte de ser uma produtora que nos surpreende sempre. Concordo que “Wall-E” já tem, pelo menos, o Oscar de Animação.

    Otavio, “Wall-E” é sim um filme excelente. E, muito obrigada! Beijos!

    Louis, concordo totalmente!

    Marcel, acontece que acredito que “Wall-E” será muito mais apreciado pelos adultos do que pelas crianças. Não sei como elas reagiriam àquele primeiro ato, de muito silêncio. As crianças vão gostar mais do segundo ato, que é mais movimentado.

    João, exatamente! Poderíamos conversar horas sobre a mensagem de “Wall-E”. Acho que isto é um dos elementos mais poderosos desse filme.

    Vinícius, mesmo ainda não tendo assistido ao filme, você está totalmente certo em seu comentário. Passar a mensagem de forma completa é uma das características principais dos filmes da Pixar, que possuem começo, meio e fim.

    Rodrigo, pode parecer mentira, mas, quando eu assisti “Wall-E” só tinha três pessoas na sala de cinema! Uma criança, o pai dele e eu!

    Isabela, e o que está esperando para assistir “Wall-E”?

    Sérgio, espero sua opinião depois de assistir ao filme.

    Marcus, muito obrigada! Beijão é ótima quarta-feira para você também!

    Rafael, a Pixar é uma produtora repleta de genialidade. Acho que eles só escorregaram com “Carros”. Abraços!

    Responder
  • 13. Weiner  |  julho 2, 2008 às 4:09 pm

    Ouvi algumas pessoas – incluindo crítica especializada – rotularem “Wall E” como o melhor filme de animação em todos os tempos… Para mim este posto é de “Ratatouille”. O que você acha?
    Bjs e abs!

    Responder
  • 14. Victor Nassar  |  julho 2, 2008 às 6:12 pm

    Wall-E é muito fantástico!!!
    Achei que você fosse dar 10 até pra ele, hehe
    E realmente é interessante essa comparação sua com “Eu sou a Lenda”. Sozinho no mundo, com um companheiro, e acha alguém da mesma “espécie”. É isso mesmo…
    O grande mérito do robozinho é que ele tem um carisma absurdo, tudo que ele faz acaba levando a gente pra um mundo à parte, muito mágico. Pelo menos pra mim. hehehe

    Beju Kamila!

    Responder
  • 15. Romeika  |  julho 2, 2008 às 6:20 pm

    Kamila, excelente esse texto! Parece que o filme eh quase um resgate ao cinema mudo, e elementos do cinema classico, ou eh impressao minha? Vi o trailer e me encantei com o robozinho, acho que vou adorar o filme. Aqui nao estreou, eh sempre assim no verao, vai entender… Mas assisto quando eu estiver em Natal:-)

    P.S.:Comentei no seu post de Irina Palm.

    Responder
  • 16. Kamila  |  julho 2, 2008 às 8:45 pm

    Weiner, não acho que seja o melhor filme de animação de todos os tempos, mas, com certeza, “Wall-E” vai marcar seu nome na história do cinema. Meu filme de animação favorito continua sendo “A Bela e a Fera”. Beijos!

    Victor, incrível como Wall-E possui um carisma enorme. A gente se envolve com o personagem e torce demais por ele. A cena final dele com Eva me cortou o coração. Beijos!

    Romeika, obrigada! O filme resgata, sim, elementos do cinema mudo e da fase clássica do cinema. “Wall-E” pode até ser visto como uma grande homenagem ao cinema. Você vai ver várias referências no filme à outras obras. E, não deixe de assistir “Wall-E”, nem que seja nas cópias dubladas que vieram para cá! 🙂

    Responder
  • 17. Weiner  |  julho 3, 2008 às 1:05 am

    Kamila, na verdade eu me refiro à animações digitais apenas… Porque dentro das tradicionais, meu preferido é “Peter Pan”.
    Abraço!

    Responder
  • 18. Wally  |  julho 3, 2008 às 1:37 am

    Kamila, belíssimo texto!
    Eu amei tanto quanto você. Ri, me emocionei e fiquei deslumbrado, ao lado de minha irmã de 6 anos. Foi simplesmente maravilhoso!

    Nota 9,5!

    Ciao!

    Responder
  • 19. Rafael Carvalho  |  julho 3, 2008 às 3:00 am

    Wall-E me pegou desde as primeiras cenas e a partir daí o filme só cresce em conteúdo, qualidade e Cinema. Fiquei realmente chapado com o que eu tava vendo. Um filme que parece ser feito mais para gente grande (e responsável pelo que tá acontecendo no mundo) do que para crianças. Gosto muito de Ratatouille, mas Wall-E é a obra-prima da Pixar pra mim, incontestavelmente.

    Responder
  • 20. Kamila  |  julho 3, 2008 às 12:33 pm

    Weiner, sim, entendi! Mas, “A Bela e a Fera” é uma animação tradicional! E foi o último filme do gênero a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme!

    Wally, obrigada! Eu não assisti o filme ao lado de uma criança, mas fico feliz de ver que sua irmã gostou do filme tanto quanto você. Estava preocupada se as crianças iriam compreender direito aquele primeiro ato.

    Rafael, concordo plenamente com seu comentário!

    Responder
  • 21. Weiner  |  julho 4, 2008 às 10:47 pm

    Kamila, e qual é sua animação digital favorrita?

    Responder
  • 22. Kau  |  julho 8, 2008 às 2:04 am

    Ai Kami, eu me sinto mal rsrsrsrs. Absolutamente vou contra a corrente e digo que minha nota para Wall*E não é tão alta quanto a sua. Apesar de ter achado o visual do filme impressionante, a trilha não me parece muito inovadora. O roteiro… é interessante, mais adulto. Mas não me convenceu tanto.

    Ainda continuo achando Finding Nemo e melhor Pixar, seguido de Ratatouille.

    Responder
  • 23. Kamila  |  julho 8, 2008 às 6:15 pm

    Kau, tudo bem. Adoro discordâncias! 🙂

    O roteiro do filme é adulto, sim, por isso que me preocupo em relação à aceitação das crianças a este filme. Mas, concordamos que “Ratatouille” é bem melhor e eu AMO “Procurando Nemo”.

    Responder
  • 24. Alex Sandro Alves  |  julho 14, 2008 às 1:31 pm

    ‘Wall-E’ tem o selo de qualidade da Pixar (tecnicamente é perfeito). Tem um personagem (o do título) magnífico e encantador. Mas merecia um roteiro melhor. Explico: Seu primeiro ato é genial. Uma explosão de criatividade. Sem diálogos e com uma atmosfera melancólica e poética. Mas infelizmente este encanto e clima se perde no seu segundo ato (que só cresce quando estão em cena apenas a dupla protagonista – o “balé” de Wall-E com o extintor é belíssimo), que privilegia a aventura e a “ação”. Sem falar que os personagens humanos e os robôs “coadjuvantes” não são tão inspirados quanto poderiam e deveriam ser. Isso não tira sua importância e ousadia (um desenho praticamente sem diálogos), mas a sensação que tive é que ‘Wall-E’ poderia de fato ter sido o desenho genial que todos (ou pelo menos a maioria) dizem ser.

    Responder
  • 25. Mayara Bastos  |  julho 25, 2008 às 9:57 pm

    Olá, Kamila!

    Parabéns pela resenha, ele já diz tudo que o filme é! Quando fui assistir, além da sala estar cheia, no final o filme foi aplaudido por todos que estavam na sala!

    Realmente uma obra-prima e para mim o melhor filme do ano!

    Beijos! [;)]

    Responder
  • 26. 9 – A Salvação « Cinéfila por Natureza  |  novembro 16, 2009 às 10:57 pm

    […] detalhe: em vários momentos o que vemos em tela nos lembra o que assistimos em uma obra chamada “Wall-E”. Desde o uso de uma clássica canção de um musical, passando pelos bonequinhos como último […]

    Responder
  • 27. Avatar « Cinéfila por Natureza  |  janeiro 4, 2010 às 11:12 pm

    […] “Avatar” é somente mais um filme de uma longa linhagem recente (outro destaque é “Wall-E”, por exemplo) a tratar da questão da humanidade, da nossa necessidade de interação e de […]

    Responder
  • 28. Nayara  |  julho 12, 2010 às 2:55 am

    Adoro wall-e é meu filme favorito, eu achei injusto não ter colocado no oscar de melhor filme.

    Responder
    • 29. Kamila  |  julho 13, 2010 às 2:01 am

      Nayara, eu também gosto bastante de “Wall-E”.

      Responder
  • […] “Wall-E“, de Andrew Stanton […]

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  • […] ALL-TIME 25 Best Animated Films 01. Pinnochio (1940) 02. Wall-E (2008) 03. The Bugs Bunny/Road Runner Movie (1979) 04. Dumbo (1941) 05. A Viagem de Chihiro (2001) […]

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  • 32. John Carter: Entre Dois Mundos « Cinéfila por Natureza  |  março 27, 2012 às 12:52 am

    […] dirigir “John Carter: Entre Dois Mundos”, o diretor Andrew Stanton (de animações como “Wall-E” e “Procurando Nemo”) segue os passos de seu ex-colega na Pixar, Brad Bird, e também faz a […]

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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