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Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2 Dezembro 1, 2009

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O filme “Quatro Amigas e um Jeans Viajante”, do diretor Ken Kwapis, se apoiava numa premissa bastante básica: a de que quatro amigas, na iminência da separação, pois cada uma estava terminando o colegial e iria seguir seu próprio caminho em faculdades diferentes, faziam um pacto de se manterem unidas para sempre durante as férias de verão. Neste período, as amigas se encontravam ligadas não só pelo pensamento, mas também pelo uso de uma mesma calça jeans, a qual rodava o mundo vivendo aventuras ao lado de suas quatro donas. 

A continuação “Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2”, da diretora Sanaa Hamri, nos coloca novamente diante das jovens Tibby (Amber Tamblyn), Lena (Alexis Bledel), Carmen (America Ferrera) e Bridget (Blake Lively). Três anos se passaram desde que as encontramos pela última vez, então, apesar de elas manterem o mesmo pacto de sempre, a gente percebe que a distância afetou a ligação que elas tinham e, em consequência disso, a amizade ficou um pouco diferente – apesar de elas manterem o mesmo carinho de sempre uma pela outra e aquela certeza, bem no íntimo, de que elas estão ali para o que der e vier, independente do que acontecer. 

Como aconteceu no primeiro filme, o roteiro é muito generoso no sentido de oferecer às quatro jovens atrizes material suficiente para que as subtramas envolvendo suas personagens consigam prender a nossa atenção. Entretanto, os conflitos que elas vivem são praticamente os mesmos do primeiro longa. Libby continua às voltas com o medo dela de se entregar à felicidade e às pessoas que entram em sua vida. Carmen continua lidando com mudanças ao seu redor. Lena continua com seus desencontros amorosos. Bridget também continua passando pelos mesmos problemas familiares. A calça jeans, agora, coitada, é que sofre com o desdém de suas quatro donas. 

Como dá para perceber, originalidade não é o forte desta continuação. Também não ajuda muito ver uma America Ferrera claramente desestimulada em tela – reza a lenda que ela só fez este filme por causa de obrigações contratuais. O que chega a ser impressionante é tentar compreender como este material fraco conseguiu atrair atores do porte de uma Shohreh Aghdashloo e Blythe Danner – e, pior, em papeis em que elas são totalmente desperdiçadas. Para nossa sorte, aparentemente, este é o último filme da série, uma vez que as tramas parecem chegar a uma conclusão. 

Cotação: 2,0

Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2 (The Sisterhood of the Traveling Pants 2, 2008)
Diretora: Sanaa Hamri
Roteiro: Elizabeth Chandler (com base no livro de Ann Brashares)
Elenco: Amber Tamblyn, Alexis Bledel, America Ferrera, Blake Lively, Rachel Nichols, Rachel Ticotin, Shohreh Aghdashloo, Blythe Danner

Max Payne Novembro 30, 2009

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Apesar de ter uma estética muito parecida com obras do tipo “Sin City – A Cidade do Pecado”, de Robert Rodriguez e Frank Miller, o filme “Max Payne”, do diretor John Moore, é, na realidade, a adaptação de um popular game. Foi justamente este material o escolhido por Mark Wahlberg, ator que entrou para o primeiro time de Hollywood após a indicação recebida ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela performance em “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, para colocá-lo antenado com uma das novas tendências hollywoodianas: a que põe atores ditos confiáveis em blockbusters. 

O filme conta a história de um policial nova-iorquino lotado em uma divisão que investiga aqueles casos que não conseguiram ter sua investigação finalizada (os chamados Cold Cases) e que tem uma única busca: desvendar e vingar o assassinato de sua esposa e filha. Entre a descoberta de uma pista e outra, Max Payne também encontra tempo para inserir novas pessoas em sua vida, como Natasha (a Bond Girl Olga Kurylenko) e a irmã dela Mona (Mila Kunis), bem como o policial Jim Bravura (Chris “Ludacris” Bridges), o qual é o detetive que tenta mostrar para Max quando ele ultrapassa os limites na direção de sua jornada. 

Um longa como “Max Payne” precisa de um antagonista poderoso. Neste caso, a investigação do personagem principal o levará diretamente ao encontro de uma grande empresa farmacêutica, chamada Aesir, a qual desenvolve uma pesquisa experimental com soldados norte-americanos. A obra encontra alguns de seus melhores momentos, os quais são repletos de muita ação e suspense, quando aborda Max se aprofundando nos meandros do funcionamento da empresa. 

Se existe algo a se celebrar em “Max Payne” é a concepção visual que o diretor John Moore oferece à sua obra. O filme tem uma fotografia brilhante (cortesia de Jonathan Sela) e cria uma Nova York que, a certo ponto, lembra uma cidade futurista. Em outras cenas, Moore se utiliza de recursos que poderiam muito bem ter saído da mente dos irmãos Andy e Larry Wachowski. A questão principal, no entanto, é que nem a embalagem bonita consegue disfarçar aquele que é o maior problema deste longa: o roteiro.

Cotação: 4,0

Max Payne (Max Payne, 2008)
Diretor: John Moore
Roteiro: Beau Thorne (baseado no game de Sam Lake)
Elenco: Mark Wahlberg, Beau Bridges, Mila Kunis, Chris “Ludacris” Bridges, Chris O’Donnell, Nelly Furtado, Kate Burton, Donal Logue, Amaury Nolasco, Olga Kurylenko

Cinturão Vermelho Novembro 28, 2009

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Para fazer a obra “Cinturão Vermelho”, o dramaturgo, roteirista, diretor e produtor David Mamet mergulhou um pouco em uma arte marcial que, apesar da sua origem japonesa, teve uma ajuda muito importante do Brasil em seu desenvolvimento: o jiu-jitsu. Neste tipo de modalidade esportiva, os lutadores aliam a força à movimentos de pura técnica com o objetivo de derrubar, dominar e submeter o seu oponente a um processo em que ele fique em completo estado de imobilização. É bom dizer que, antes mesmo de pensar em fazer este filme, Mamet já vinha praticando e estudando a arte marcial há aproximadamente seis anos. 

A trama de “Cinturão Vermelho” tem como personagem principal Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), um mestre do jiu-jitsu que, até agora, apesar das propostas frequentes, conseguiu fugir o máximo que pôde dos circuitos profissionais de luta. Ele vive das aulas que dá na sua própria academia, a qual ensina como a técnica do jiu-jitsu pode ser empregada na defesa pessoal dos alunos. Envolvido em dívidas (grande parte, justiça seja feita, foram adquiridas pela esposa de Mike, a qual é interpretada por Alice Braga) e atormentado por certos acontecimentos, Terry chega a um ponto em que ele tem que repensar a sua decisão inicial. 

É aqui que o roteiro de David Mamet começa a explorar uma realidade que não é muito agradável, mas que deve ser bem conhecida das pessoas que fazem parte do mundo das artes marciais e que nos mostram exatamente o por quê de Mike Terry tentar manter a sua pureza diante de tanta sujeira. Acontece que estas competições são controladas pelos dois cunhados de Terry (Rodrigo Santoro e John Machado), os quais não são as pessoas mais confiáveis do universo. Portanto, Mike Terry sempre acaba voltando para o mesmo ponto: se entregar a isso ou não? 

Conhecido pelos diálogos ágeis, cheios de estilo e inteligência, David Mamet, em “Cinturão Vermelho”, peca justamente no seu forte: o roteiro. A história de Mike Terry roda, roda e volta sempre pro mesmo lugar. Ou seja, a trama nunca chega a de fato decolar e existem vários personagens, como a advogada interpretada por Emily Mortimer, que são totalmente mal desenvolvidos e que parecem não ter justificativa de existência neste relato. Pelo menos, Mamet consegue nos mostrar bem a essência de Terry: um homem que, claramente, não se adequa, principalmente, às pessoas com as quais escolheu conviver. 

Cotação: 3,0

Cinturão Vermelho (Red Belt, 2008)
Diretor: David Mamet
Roteiro: David Mamet
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Alice Braga, Emily Mortimer, Ricky Jay, John Machado, Rodrigo Santoro, Tim Allen, David Paymer, Joe Mantegna, Rebecca Pidgeon, Jennifer Grey, Ed O’Neill

A Morte Convida Para Dançar Novembro 12, 2009

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Ao final de “A Morte Convida Para Dançar”, suspense dirigido por Nelson McCormick, você vai sentir pena da jovem Donna Keppel (Brittany Snow). Não por quê, no decorrer dos 88 minutos do filme, ela vai perder amigos e pessoas queridas, mas por quê ela foi obrigada a passar por uma situação terrível duas vezes, enfrentando consequências e vendo brutalidades que ninguém da idade dela deveria experimentar. 

Explico: no colegial, Donna teve um professor chamado Richard Fenton (Johnathon Schaech), o qual se apaixonou perdidamente por ela. Diante do amor não correspondido, Richard desenvolve uma obsessão por Donna e passa a perseguir a aluna, achando que a deve proteger de todos os males – nem que para isso ele tenha que tirar dela o bem mais precioso que Donna tinha: a mãe. Anos após o crime hediondo, Richard fugiu do manicômio aonde estava preso, dessa vez com o “propósito” de provar novamente seu “amor” por Donna ao marcar para sempre uma noite que deveria ser uma das mais importantes para a jovem: a do seu baile de formatura, ocasião na qual ela pretende se divertir com o namorado Bobby (Scott Porter, da série “Friday Night Lights”) e os amigos Claire (Jessica Stroup, de “90210”), Lisa (Dana Davis), Ronnie (Collins Pennie) e Michael (Kelly Blatz). 

Portanto, grande parte da trama de “A Morte Convida Para Dançar” se passa no hotel onde o baile de formatura da escola de Donna está acontecendo. É neste ambiente amplo e cheio de possibilidades que Richard começa a espalhar o terror. Em paralelo a esta trama principal, o roteirista J. S. Cardone desenvolve uma subtrama que coloca o Detetive Winn (Idris Elba), o policial que investigou o assassinato da mãe de Donna, novamente no encalço de Richard, após ser descoberto que ele escapou do manicômio judiciário no qual cumpria sua pena. 

Em sua essência, “A Morte Convida Para Dançar” é um filme de suspense que abraça alguns clichês do gênero, como o fato de nos apresentar uma história trágica prévia vivida pela mocinha do longa e por ter a presença de um assassino totalmente lunático. No entanto, é ao abraçar um outro clichê que a obra se perde por completo. Não sei por quê está escrito no manual dos filmes desse gênero que os personagens têm que ser seres completamente estúpidos. Todo o banho de sangue que vemos em tela poderia ter sido evitado se os personagens fossem mais espertos e deixassem de insistir nas escolhas erradas.

Cotação: 2,5

A Morte Convida Para Dançar (Prom Night, 2008)
Diretor: Nelson McCormick
Roteiro: J. S. Cardone
Elenco: Brittany Snow, Scott Porter, Jessica Stroup, Dana Davis, Collins Pennie, Kelly Blatz, Kellan Lutz, Ming-Na, Johnathon Schaech, Idris Elba, Jessalyn Gilsig

Os Falsários Novembro 9, 2009

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Baseado em fatos reais, o filme alemão “Os Falsários”, do diretor Stefan Ruzowitsky, conta a história por trás da Operação Bernhard, na qual foi feita a maior falsificação de todos os tempos, quando o exército alemão nazista, durante a II Guerra Mundial, obrigou um grupo de judeus prisioneiros de um campo de concentração a falsificar milhões de libras inglesas e, posteriormente, um punhado de dólares. 

Isto só foi possível graças a presença de Salomon “Sally” Sorowitsch (Karl Marcovics) neste grupo. Falsificador de primeira qualidade, Sally foi preso e enviado a um campo de concentração, aonde, de vez em quando, dava uma amostra de seu talento incomum. Em uma de suas constantes mudanças de “moradia” durante a guerra, Sally é descoberto pelo seu algoz, Friedrich Herzog (Devid Striesow), o qual coopta-o para a Operação referida no primeiro parágrafo de nosso texto. 

É desta maneira que a qualificação rara de Salomon “Sally” Sorowitsch acaba salvando-o da morte. Por ser útil a um determinado propósito dos alemães, Sally usa seu dom como moeda de negociação e consegue convencer ao seu “chefe” de que precisa de uma equipe trabalhando com ele direto nas falsificações. Portanto, ao ajudar os alemães a financiar a guerra e a recuperar a economia de seu país, Sally ainda consegue evitar a morte de outros amigos judeus que passam a fazer parte desse exército paralelo de falsificadores – e, ainda assim, a posição de Sally é delicadíssima, uma vez que ele vive no seu limite o tempo inteiro e depende do bom humor e da boa vontade dos alemães para o seu plano continuar dando certo. 

Vencedor do Oscar 2008 de Melhor Filme Estrangeiro, “Os Falsários” é uma obra que chama a atenção justamente por oferecer uma perspectiva diferente sobre um tema que é abordado à exaustão pela sétima arte. O elemento interessante do filme é a oportunidade que ele nos oferece de ver judeus e alemães do mesmo “lado” em um dos aspectos vividos na II Guerra Mundial. Mesmo assim, contraditoriamente, tanto os judeus quanto os alemães sabem que não estão no mesmo barco. Os primeiros lutam pela sobrevivência e nunca estão livres o suficiente para agir com os segundos – os quais usam os judeus, nesse caso, para benefício próprio e do regime pelo qual eles lutavam.

Cotação: 7,5

Os Falsários (Die Fälscher, 2007)
Diretor: Stefan Ruzowitsky
Roteiro: Stefan Ruzowitsky (com base no livro de Adolf Burger)
Elenco: Karl Marcovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stubner