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Lendo – “Mano Celo – O Rapper Natalense” Dezembro 21, 2009

Posted by Kamila in Livros.
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” (…) Mano Celo não se abala. Continua rimando. Bola pra frente. A vida é assim mesmo. Sempre haverá opositores em todos os flancos. De um lado, a podre elite potiguar da qual, mesmo a contragosto, faz parte; de outro, os irmãos da periferia, que encaram, com reserva, sua origem privilegiada. Você, que ainda não ouviu seu som, fique ligado. Mano Celo é hip-hop na veia e está por aí. Ele frequenta os becos escuros da Ribeira e faz seus shows nos mais fétidos buracos de Natal. E se você for da banda podre da elite potiguar, cuidado, Mano Celo está de olho em você”. (p. 14) 

O jovem escritor, jornalista e redator publicitário Carlos Fialho é daqueles que faz sem esperar que alguém abra as portas para ele. Juntamente com os amigos Patrício Júnior, Thiago de Góes e Daniel Minchoni criou o selo literário “Jovens Escribas”, que tem o objetivo de publicar livros de jovens talentosos autores norte-rio-grandenses que não conseguem espaço nas editoras. Por este selo, foram publicados os três livros de sua autoria: “Verão Veraneio – Crônicas de uma Cidade Ensolarada”, “É Tudo Mentira! – Histórias Inverídicas de um Autor Falso e Fingido” e este “Mano Celo – O Rapper Natalense”. 

Em “Mano Celo – O Rapper Natalense”, encontramos uma reunião de críticas em que Carlos Fialho destrincha seu olhar irônico e crítico para a realidade da cidade de Natal-RN, a qual ele conhece muito bem. Porém, em especial, o jovem autor coloca o foco na elite natalense, nos seus costumes e naquilo que faz dela um grupo extremamente peculiar. O que é interessante perceber é que Fialho não tem medo de mexer com ninguém e, se você for uma figura bem circulada na cidade, vai conseguir reconhecer vários tipos e casos que são citados em seus contos. 

O personagem principal do livro é produto da realidade que a obra aborda. Marcelo Maurício Rodrigo de Paula Faria Dutton. Fruto da união de duas das famílias mais tradicionais da cidade, porém alguém que parece se sentir estranho no mundo em que vive. Ele passa a se utilizar do rap para denunciar a injustiça social e os excessos cometidos pela elite potiguar. Um outro ponto interessante do livro é ver que, apesar de Mano Celo ser o protagonista desta obra, ele divide espaço com outras histórias, outros personagens, que acabam compondo um (perdão pelo trocadilho) rico retrato daqueles que, para citar um famoso colunista social daqui, “são, dos que querem ser, dos que pensam que são”. 

Por ser um livro de leitura gostosa, por ter um texto bastante fluente, “Mano Celo – O Rapper Natalense” deveria ser uma daquelas obras que, com certeza, seriam total objeto de recomendação para todo tipo de gente. Entretanto, por tratar de uma certa realidade, que vai fazer muito mais sentido para aqueles que a conhecem, a leitura do livro pode ser complicada para outras pessoas – apesar de que eu não acho difícil que alguém de São Paulo, Pernambuco que leia essa obra identifique certos tipos presentes aqui. De qualquer maneira, fiquem com um aperitivo deste livro, a crônica “A Fábula das Duas Cantoras“, um dos hits do blog que Fialho publica no Portal Diginet – e, o melhor, não é preciso ser natalense para reconhecer de quem ele está falando!

Mano Celo – O Rapper Natalense (2009)
Autor: Carlos Fialho
Editora: Selo Jovens Escribas

Lendo – “A Arte da Adaptação” Dezembro 11, 2009

Posted by Kamila in Livros.
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“Adaptar uma história é como procurar agulhas em um palheiro. Significa ter que escolher o que é mais importante em determinado material, dentre um leque de opções que pode ser muito rico e complexo, além de dotado de certo grau de caos”. (p. 26)

É com a experiência de ter trabalhado como consultora em mais de 2000 scripts, dos quais mais de 40 resultaram na produção de filmes e mais de 25 ocasionaram a produção de projetos televisivos que Linda Seger escreveu o livro “A Arte da Adaptação: Como Transformar Fatos e Ficção em Filme”, o qual foi baseado nas duas primeiras obras redigidas por ela: “Como Aprimorar um Bom Roteiro” e “Como Criar Personagens Inesquecíveis”. 

Para quem é interessado na forma como as adaptações são feitas, este livro é um verdadeiro achado, pois ele explica todos os passos que devem ser dados pelo (aspirante a) roteirista na dura tarefa que é transpor um material literário, de revista ou jornal ou da vida real para a grande ou para a pequena tela. O livro já começa com o pé direito, pois mostra o verdadeiro conceito de adaptação: de acordo com a Lei de Direitos Autorais, “a adaptação é considerada uma obra derivada, pois constitui criação intelectual nova, resultante da transformação de obra originária”. Portanto, a adaptação sempre deve ser encarada como um novo produto, uma vez que ela absorve as características do meio no qual vai se desenvolver. 

O livro de Linda Seger começa, a partir do questionamento “por quê as adaptações são um dos materiais mais procurados pela indústria cinematográfica e televisiva?”, a fazer uma série de explanações acerca da dificuldade que se é adaptar um livro, uma peça de teatro e histórias da vida real e passa a ser um guia prático cheio de dicas sobre como encontrar a escolha certa de relato; como escolher os personagens; como explorar o tema; como fazer gradações e mudanças de estilo, tom e atmosfera; como comprar os direitos de uma história – neste sentido, cada capítulo é pontuado com um exemplo prático de como isso aconteceu, o que enriquece bastante o relato de Seger. 

Portanto, “A Arte da Adaptação: Como Transformar Fatos e Ficção em Filme” é um livro perfeito, não só para os amantes do cinema, que nesta obra encontrarão subsídios importantes para a análise da adaptação; como também para aqueles que aspiram a uma carreira como roteirista e gostariam de adaptar um material, mas não fazem ideia de como começar. Linda Seger tem muita experiência nesse assunto e o seu livro é de uma fluidez enorme. Esteja pronto para absorver todos os conhecimentos que ela tem a nos passar. 

A Arte da Adaptação: Como Transformar Fatos e Ficção em Filme” (2007)
Autora: Linda Seger
Editora: Bossa Nova

Lendo – Amanhecer* Novembro 10, 2009

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*Atenção para os spoilers.

“Esse era mais ou menos o padrão de minha vida – eu nunca fora forte o suficiente para lidar com as coisas que estavam fora de meu controle, atacar os inimigos ou superá-los. Evitar a dor. Sempre humana e fraca, a única coisa de que eu era capaz era continuar. Suportar. Sobreviver”. (p. 289)

A frase destacada no início desse post é quase que um testamento a tudo aquilo que a jovem Isabella Swan viveu no decorrer dos quatro livros da saga “Twilight”, a qual foi escrita por Stephenie Meyer. Na quarta – e última – obra da série, “Amanhecer” a adolescente vai se deparar, finalmente, com o momento crucial de sua vida – pelo menos, aquele que ela mais ansiava viver desde que conheceu e se apaixonou por Edward Cullen: aquele instante em que ela vai deixar de ser mortal e vai abraçar a vida como vampira de forma a poder ser a companheira eterna de seu amado. 

Porém, antes de Bella vivenciar isso, como leitores da saga, chegamos a uma importante constatação. A série “Twilight” era para falar estritamente sobre uma história de amor altamente impossível de acontecer, mas que encontra os seus caminhos para florescer. No entanto, ao nos dedicarmos à leitura completa dos livros da saga, chegamos à conclusão de que as obras da série “Twilight” seguem a jornada de Bella rumo ao amadurecimento da decisão sobre a qual falamos no início do nosso texto – e isso inclui também o desenvolvimento de toda a história referente à Jacob Black, que se torna um personagem tão importante neste universo a ponto de chegar, em certos momentos, a ofuscar totalmente Edward Cullen, contudo, e é importante dizer isso, sem nunca terminar com o encanto que o vampiro exerce sobre nós. 

Como Bella e Jacob são personagens tão importantes para a saga “Twilight”, não chega a ser impressionante perceber que, em “Amanhecer”, a escritora Stephenie Meyer decidiu adotar um recurso linguístico bem interessante – e que já foi usado por grandes escritores como Ian McEwan, Virginia Woolf e Michael Cunningham: a alternância de vozes narrativas no texto. “Amanhecer” é quase que dois livros: um que carrega toda a perspectiva de Bella Swan e um segundo que nos mostra o ponto de vista de Jacob Black. Em comum entre esses dois pontos, o fato de que ambos os personagens oferecem suas opiniões acerca do que está por vir.

Mesmo com a presença deste detalhe interessante, “Amanhecer” peca muito, especialmente ao chegar no meio de sua história, por dedicar tempo demais a uma trama que chega a parecer totalmente estapafúrdia –  e sei que vai parecer estranho quando eu disser que tal acontecimento era até esperado, uma vez que não imaginava Bella abdicando de sua vida humana antes de vivenciar plenamente todas as experiências de uma mulher. Além disso, é impossível enxergar beleza na maneira como Stephenie Meyer decidiu terminar o triângulo amoroso de Edward-Bella-Jacob – o imprinting do jovem lobisomem, ainda mais com quem foi, soa até doentio e estranho, mas essa é apenas a minha opinião. 

“Amanhecer” só decola mesmo no seu segmento final, quando vemos muita ação acontecendo, personagens novos sendo introduzidos, e a exploração de uma sub-trama que coloca Bella Swan como a grande heroína que ela é, afinal a jovem, desde que a conhecemos pela primeira vez, em “Crepúsculo”, já deu provas suficientes de que está totalmente disposta a defender aqueles a quem ama profundamente. São nestes instantes em que Stephenie Meyer nos lembra o por quê de ela ser a autora de um dos maiores sucessos recentes da literatura mundial. 

Um detalhe que é importante mencionar é que, mesmo com estas falhas narrativas que notamos, “Amanhecer” é um livro bem interessante do ponto de vista das imagens que ele suscita em nossa mente. O que nos leva a crer que o diretor da última adaptação cinematográfica da série vai ter um bom material a explorar. Até porque “Amanhecer” entrega para os leitores o final feliz que eles tanto queriam ver (alguém duvidava que isso iria acontecer?) e ainda deixa margens para possíveis novas histórias a serem exploradas futuramente pela autora Stephenie Meyer e, consequentemente, Summit Entertainment.

Amanhecer (2009)
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca

Lendo – “Eclipse”* Outubro 13, 2009

Posted by Kamila in Livros.
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* Atenção para os spoilers.

“Naquela noite minha percepção tardia parecia insuportavelmente clara. Eu podia ver cada erro que cometera, cada dano que causara, as pequenas coisas e as grandes coisas. Cada dor que provoquei em Jacob, cada uma das que provocaria em Edward, acumuladas em pilhas arrumadas que eu não podia nem ignorar nem negar. 

E percebi que não estava de todo errada sobre os ímãs. Não foram Edward e Jacob que tentei obrigar a se unir, foram as duas partes de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob. Mas elas não podiam existir juntas e eu jamais devia ter tentado. 

Eu causei danos demais.” (p. 431)

Se a trama de “Lua Nova”, segundo livro da série escrita por Stephenie Meyer serviu para alguma coisa, além, é claro, de justificar o tipo de relacionamento que nasce entre Isabella Swan e Jacob Black, foi para mostrar que a vida da heroína da série nunca mais seria a mesma – uma vez que, ao se envolver com Jake, Bella nunca poderia voltar ao relacionamento com Edward Cullen da mesma forma. 

A trama de “Eclipse”, terceiro livro desta bem-sucedida série, aprofunda ainda mais o conflito vivido por Bella, a dúvida que existe em sua cabeça e a recusa dela em admitir que possa sentir algo mais que amizade por Jacob. Tal dilema se agrava ainda mais na medida em que seu destino ao lado de Edward fica mais definitivo e próximo, aliado ao fato de que Jake não pretende desistir tão fácil assim de sua amada. 

Apesar desta virada na trama de “Eclipse” ser totalmente previsível e anunciada, Stephenie Meyer não contava com um grande porém: o fato de que é difícil para a gente aceitar que Bella possa, sequer, vislumbrar a possibilidade de viver uma vida ao lado de Jacob. Na nossa mente, o amor que ela sente por Edward é inabalável. Eles foram feitos um para o outro e para mais ninguém. O jogo de emoções se transforma em raiva quando percebemos que a autora constrói tão bem o conflito de Bella que a gente sabe que ele é forte e que, no lugar dela, talvez faríamos a mesma coisa – afinal, Edward já a machucou, enquanto Jacob foi compreensível e paciente com ela, a oferecendo o que ela precisava no momento certo, na hora correta. 

São razões como essa que explicam o sucesso desta série de livros. Os desavisados podem achar que se trata de mais uma franquia descartável e boboca, mas a realidade é que os livros escritos por Stephenie Meyer apelam aos problemas constantes vividos pelos jovens na difícil fase da adolescência. Mesmo com sua realidade altamente cheia de contornos fantasiosos, Bella é uma adolescente comum, na sua essência, afinal ô menina para gostar de romances impossíveis e situações cheias de complicações. 

Eclipse (2009)
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca

Lendo – “Lua Nova”* Junho 18, 2009

Posted by Kamila in Livros.
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* Atenção aos spoilers.

“Eu parecia uma lua perdida – meu planeta destruído em algum cenário deslocado de cinema-catástrofe – que continuava, apesar de tudo, a rodar numa órbita muito estreita pelo espaço vazio que ficou, ignorando as leis da gravidade”. (p. 167)

As pessoas que assistiram e leram “Crepúsculo” vão estranhar bastante a temática por trás de “Lua Nova”, segundo livro da série escrita por Stephenie Meyer. Ao contrário daquele, que se apoiava estritamente no tipo de relacionamento que foi construído tendo como base o amor romântico e improvável que nasceu entre Isabella Swan (uma pobre jovem mortal) e Edward Cullen (um vampiro imortal), este acompanha a heroína em um momento em que ela não é mais dona de sua história, em que o destino em que ela acreditava e o futuro que ela vislumbrava para si mesma passou a ser algo impossível de se concretizar. 

A questão principal é que “Lua Nova” aborda a vida de Isabella após ela perder aquilo que se transformou no eixo da sua vida. Sem Edward ao seu lado, por razões que podemos compreender por completo (afinal, eles são diferentes e suas vidas – apesar do sentimento que os une – nunca seguirá o mesmo curso), Bella fica completamente transtornada e se transforma num verdadeiro zumbi. Para evitar causar ainda mais sofrimento no seu pai, que não consegue assistir ao que acontece com a filha sem ficar calado ou revoltado com os Cullen (que sumiram sem deixar rastros), Bella decide embarcar em uma amizade com Jacob Black, filho de um dos melhores amigos do Xerife Swan. 

É esta amizade que, aos poucos, vai trazendo Bella de volta aos eixos. Porém, como o ser humano é totalmente imprevisível e a história de amor do casalzinho da série precisa de mais alguns obstáculos, Jacob irá se apaixonar pela heroína – aqui é importante mencionar que o novo amigo de Bella nunca terá chances concretas com ela, uma vez que o sentimento dela por Edward é algo tão enraizado nela que nunca é enfraquecido, mesmo com toda a dor que ela sente pela maneira como as coisas terminaram entre eles. E, como não poderia deixar de ser, esta é uma amizade também complicada, uma vez que Jacob é lobisomem e esta espécie é inimiga mortal de, adivinhem só, os vampiros, é claro. 

Portanto, “Lua Nova” é um atestado do que vimos em “Crepúsculo”: Bella Swan não é uma jovem qualquer, ela é alguém que só se envolve com as pessoas mais complicadas, nas situações mais loucas. A escrita de Stephenie Meyer, neste segundo livro, é mais tensa, porém fica aquela sensação de que esta é uma fase que Bella precisa passar. Que este é um momento de amadurecimento, de fortalecimento e de certeza diante das escolhas e dos caminhos que a jovem, agora sim, sabe que vai tomar e seguir. O que ela quer, portanto, não é mais fruto de um sentimento impulsivo e apaixonado (no mal sentido – se é que isso existe – que esta palavra possui). O que ela deseja é resultado de algo que passou a ser natural para ela e que não causa mais estranhamento. Ao final de “Lua Nova”, nós e Bella temos várias certezas: a de que o amor dela e de Edward é capaz de superar tudo e de permanecer mesmo diante do pior, a de que o medo será algo constante em sua vida e a de que acontecimentos mais fortes – e mais sérios – ainda estão por vir. 

Lua Nova (2008)
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca