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Força Policial Maio 15, 2009

Posted by Kamila in Filmes.
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É comum em filmes policiais que, de vez em quando, os personagens entrem em contato com um grande dilema, o qual irá envolver valores como coragem e lealdade e discussões morais do tipo “o que é certo ou o que é errado?”. Cada caso é um caso e “Força Policial”, filme dirigido por Gavin O’Connor (também co-autor do roteiro ao lado de Joe Carnahan, diretor de “Narc”), possui uma trama que coloca uma família de policiais nova-iorquinos diante de conflitos como esse. 

Enquanto alguns dos “New York’s Finest” (termo que se refere à polícia da cidade) se divertiam em uma partida de futebol americano, quatro policiais do grupo eram brutalmente assassinados em um apartamento de um poderoso traficante de drogas chamado Angel Tezo (Ramon Rodriguez). As vítimas eram profissionais da equipe comandada pelo Sargento Jimmy Eagan (Colin Farrell, numa expressiva atuação), uma das estrelas daquela partida de futebol americano, o qual, por sua vez, é subordinado ao inspetor Francis Tierney Jr. (Noah Emmerich). 

É público que, entre os policiais, existe um senso de camaradagem e de proteção muito forte. Uns olham pelos outros. Cada um cuida do outro. Neste sentido, Francis Tierney (Jon Voight), um policial de alto cargo com ficha totalmente respeitável, ordena que seu filho Ray Tierney (Edward Norton), profissional que, há muito tempo, se afastou de operações mais ativas seja o cabeça das investigações sobre o brutal crime ocorrido no apartamento de Angel Tezo. Ray também é um policial com currículo impecável, mas que se vê completamente perdido quando os rumos de sua investigação o levam para dentro de sua própria casa – uma vez que Jimmy e Francis Jr., dois personagens que serão importantes para o desfecho desse caso, são seu cunhado e irmão, respectivamente. 

Algo que chama atenção no desenvolvimento de “Força Policial” é que os acontecimentos se desenrolam muito rapidamente, sem dar chances para a plateia acompanhar o raciocínio de Ray Tierney. A favor do diretor Gavin O’Connor conta o fato de que ele não é conivente com Jimmy e Francis Jr., ou seja, nós sabemos, desde cedo, que eles possuem culpa no cartório. Contra o diretor, porém, conta o fato de que o desenvolvimento dos personagens é muito pobre – Ray, por exemplo, tem algumas lacunas interessantes e que nunca são exploradas ou explicadas. Por causa disso, “Força Policial” acaba sendo um filme esquecível e que falha na sua tentativa de emular clássicos longas sobre pessoas que tentam fazer a coisa certa, mesmo que tenham que fazer algo errado no meio do caminho, como “Sindicato de Ladrões”, de Elia Kazan. 

Cotação: 5,5 

Força Policial (Pride and Glory, 2008)
Diretor:
Gavin O’Connor
Roteiro: Gavin O’Connor e Joe Carnahan (com base na história de Gavin O’Connor, Greg O’Connor e Robert Hopes)
Elenco: Colin Farrell, Edward Norton, Jon Voight, Noah Emmerich, Jennifer Ehle, Lake Bell

Ao Entardecer Novembro 18, 2008

Posted by Kamila in Filmes.
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Em “As Horas”, filme de Stephen Daldry, a personagem Clarissa Vaughan (Meryl Streep) se lembrava com bastante carinho de um verão que passou na cidade de Wellfleet, quando tinha 18 anos. Em conversa com a filha Julia (Claire Danes), Clarissa se referia aos dias em que passou ali como os mais felizes de sua vida, em que tudo parecia ter várias possibilidades.

 

A protagonista de “Ao Entardecer”, Ann Grant (Claire Danes quando mais jovem e Vanessa Redgrave quando mais velha) também possui lembranças de um momento em que tudo parecia ter várias alternativas, em que o amor surgiu e a felicidade passou a ser algo atingível. É a estas memórias que a personagem se agarra diante do seu leito de morte.

 

“Ao Entardecer” nos apresenta aos dias em que Ann passou numa linda mansão localizada no litoral dos Estados Unidos. A então jovem de 25 anos estava lá para o casamento de sua melhor amiga Lila Wittenborn (Mamie Gummer quando mais jovem e Meryl Streep quando mais velha – as duas são mãe e filha na vida real). O roteiro escrito por Susan Minot e Michael Cunningham versa sobre a dinâmica dos relacionamentos existentes entre o médico Harris Arden (Patrick Wilson), as duas amigas e o irmão mais novo de Lila, Buddy (Hugh Dancy, numa bela atuação).

 

As relações entre estes personagens encobrem a grande mensagem de “Ao Entardecer”: todos devemos ter a coragem de ser felizes, de assumir as nossas escolhas e de vivermos de forma plena – os acontecimentos que vemos em tela terão reflexos no presente, especialmente na vida de Nina Mars (Toni Collette), a filha mais nova de Ann e que se encontra na mesma encruzilhada que a mãe enfrentou um dia.

 

O filme marca a estréia na direção de Lajos Koltai, diretor de fotografia de obras como “Adorável Julia”, “Maléna” e “Sunshine – O Despertar de uma Nação”. “Ao Entardecer” tem uma boa técnica e um elenco competente. Porém, o longa encontra problemas em seu roteiro. A história que nos é apresentada possui uma complexa estrutura, com várias linhas de tempo simultâneas e o passado se confundindo com o presente. A edição de Allyson C. Johnson faz transições muito bruscas entre um segmento e outro. A boa notícia é que isto não afeta a bela mensagem que a obra quer passar.


Cotação: 6,5

 

Ao Entardecer (Evening, 2007)

Diretor: Lajos Koltai

Roteiro: Susan Minot e Michael Cunningham (com base no livro escrito por Susan Minot)

Elenco: Claire Danes, Toni Collette, Vanessa Redgrave, Patrick Wilson, Hugh Dancy, Natasha Richardson, Mamie Gummer, Eileen Atkins, Meryl Streep, Glenn Close

Sunshine – Alerta Solar Setembro 1, 2008

Posted by Kamila in Filmes.
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“Sunshine – Alerta Solar”, filme dirigido por Danny Boyle, é mais uma obra a falar sobre o perigo que ronda o planeta Terra. Os seres humanos estão à beira da extinção, pois vivem em um inverno solar. O Projeto Ícaro é criado para enviar uma nave cuja tripulação é formada por membros de diversas etnias para invadir o sistema solar, instalar um explosivo por lá e formar uma nova estrela, a partir de uma outra, de forma que a Terra receba, novamente, uma iluminação natural.

 

A primeira incursão não deu certo e a última esperança dos humanos reside nas mãos da segunda tripulação – formada por Searle (Cliff Curtis), Capa (Cillian Murphy), Corazon (Michelle Yeoh), Kaneda (Hiroyuki Sanada), Cassie (Rose Byrne), Trey (Benedict Wong), Mace (Chris Evans) e Harvey (Troy Garity). O roteiro escrito por Alex Garland (que trabalhou com Danny Boyle em “A Praia” e “Extermínio”) versa muito sobre a conseqüência de cada decisão tomada por estes personagens. Ou seja, na medida em que os tripulantes do Projeto Ícaro se desviam de sua missão e têm que reagir a situações de alta pressão e stress, vemos como eles se portam diante de uma verdadeira luta pela sobrevivência – em primeiro lugar, a deles mesmos; e, em segundo lugar, a coletiva (e que retoma o motivo pelo qual eles estão ali em plena órbita solar).

 

Versatilidade é sinônimo de Danny Boyle. O britânico já retratou histórias que continham doses de humor negro, drama, comédia e suspense. Com “Sunshine – Alerta Solar”, ele volta ao difícil gênero de ficção científica (no qual já tinha trabalhado em “Extermínio”) e adota uma abordagem mais clássica sobre o roteiro de Alex Garland. O filme tem uma notável qualidade técnica (especialmente no que diz respeito à direção de arte, à trilha sonora e aos efeitos visuais e sonoros) e atinge o ápice no seu belíssimo último ato.

 

Cotação: 9,0

 

Sunshine – Alerta Solar (Sunshine, 2007)

Diretor: Danny Boyle

Roteiro: Alex Garland

Elenco: Rose Byrne, Chris Evans, Cillian Murphy, Michelle Yeoh, Troy Garity

O Resgate de um Campeão Julho 31, 2008

Posted by Kamila in Filmes.
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A história pessoal do diretor e roteirista Rod Lurie é uma das mais peculiares. Considerado um dos críticos de cinema mais odiados dos Estados Unidos, ele passou para o outro lado no início desta década, ao escrever e dirigir o thriller político “A Conspiração”, que renderia indicações ao Oscar para Joan Allen e Jeff Bridges. O filme “O Resgate de um Campeão” é a prova de que ele não deixou de lado a sua primeira paixão, já que o longa fala a respeito da busca de uma boa história por parte de um jornalista – na realidade, esta procura disfarça o grande mote de “O Resgate de um Campeão”: o retrato da vida de dois homens que cansaram de ser desvalorizados e decidiram se tornar vencedores, seres os quais pudessem causar orgulho naqueles que eles amavam.

Após sair de uma luta de boxe, o jornalista esportivo Erik (Josh Hartnett, numa boa atuação) dá de cara com um mendigo que se auto-intitula Champ (Samuel L. Jackson, com uma voz altamente irritante) e afirma ser o antigo campeão de boxe “Battling” Bob Satterfield. Este está levando uma baita surra de um bando de garotos e é salvo por aquele. Erik irá se lembrar deste homem mal-cuidado quando, numa entrevista de emprego para uma revista especializada, sugerirá que o veículo conte a história de Champ, mostrando a situação calamitosa em que vive o antigo campeão. Desta forma, Erik acredita que sairá do jornal aonde trabalha para fazer matérias que valham a pena e que façam com que seu filho Teddy (Dakota Goyo) olhe para ele com admiração – é importante perceber que a esposa de Erik, Joyce (Kathryn Morris, do seriado “Cold Case”), é uma jornalista brilhante, com a qual ele vive sendo comparado; e que o próprio Erik tem um histórico difícil de relacionamento com o pai, que foi um famoso locutor esportivo, mas o abandonou quando ele era somente uma criança.

Inicialmente, “O Resgate de um Campeão” chama muito a atenção do espectador por ser um filme com o qual você se envolve rapidamente. No entanto, o roteiro escrito por Michael Bortman e Allison Burnett (tendo como base o artigo de J.R. Moehringer) começa a apresentar problemas quando o longa entra no seu segundo ato, que faz referências diretas a problemas que podem acontecer com qualquer jornalista descuidado. Neste sentido, fica a torcida para que o diretor Rod Lurie faça melhor no seu próximo filme, “Nothing But the Truth”, que é inspirado na história real da jornalista do Washington Post que foi presa por se recusar a revelar sua fonte na matéria em que ela divulgou a identidade de um agente da CIA – já que, neste caso, Lurie trabalhará com um roteiro escrito por ele próprio.

Cotação: 6,3

O Resgate de um Campeão (Resurrecting the Champ, 2007)
Diretor:
Rod Lurie
Roteiro: Michael Bortman e Allison Burnett (tendo como base o artigo escrito por J.R. Moehringer)
Elenco: Samuel L. Jackson, Josh Hartnett, Kathryn Morris, Dakota Goyo, Alan Alda, Rachel Nichols, Teri Hatcher, David Paymer, Peter Coyote

Sem Vestígios Julho 23, 2008

Posted by Kamila in Filmes.
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Na era da tecnologia, tudo está a um clique de distância. Ao mesmo tempo em que os tempos modernos trouxeram facilidade e agilidade às nossas vidas (na medida em que tudo pode ser resolvido na Internet e a cobertura de acontecimentos jornalísticos pode ser feita em tempo real), a mesma tecnologia pode agir contra nós graças à ação de hackers. A agente do FBI Jennifer Marsh (Diane Lane) trabalha justamente na divisão de crimes contra Internet do Bureau.

 

Quando “Sem Vestígios”, filme do diretor Gregory Hoblit começa, ficamos sabendo que a maior contravenção investigada por Marsh e seu parceiro Griffin Dowd (Colin Hanks) é aquela que descobre a identidade de pessoas que desviam fundos de outras em decorrência de vírus infiltrados nos computadores. No entanto, a agente está prestes a enfrentar o seu caso mais difícil: desvendar quem está por trás de uma home page chamada KillWithMe.com, na qual um serial killer disponibiliza, em live streaming, vídeos das pessoas que ele pretende assassinar.

 

Numa onda de masoquismo, o assassino mostra aos visitantes todo o sofrimento de sua vítima e, num uso desvirtuado da interatividade que caracteriza o meio Internet, o calvário daquele que se encontra nas mãos do serial killer será diretamente proporcional ao número de visitantes que o site atrai. Tentar rastrear o criminoso será uma das tarefas mais complicadas para a equipe de Jennifer Marsh – agora com a adição do detetive Eric Box (Billy Burke) -, já que eles estão lidando com alguém que tem um profundo conhecimento da linguagem da Internet.

 

O diretor Gregory Hoblit rende bem quando faz filmes neste estilo – é só relembrar a boa qualidade de obras como “As Duas Faces de um Crime” e o recente “Um Crime de Mestre”. Com este “Sem Vestígios” não é diferente. O longa tem elementos muito interessantes e possui um elenco que não compromete em nenhum momento. No entanto, falta ao filme aquele algo mais que faça com que a gente se envolva com a trama e, principalmente, se importe com o destino que terão estes personagens.

 

Cotação: 6,0

 

Sem Vestígios (Untraceable, 2008 )

Diretor: Gregory Hoblit

Roteiro: Robert Fyvolent, Mark Brinker e Allison Burnett (com base na história desenvolvida por Robert Fyvolent e Mark Brinker)

Elenco: Diane Lane, Billy Burke, Colin Hanks, Joseph Cross