Planeta 51 Dezembro 26, 2009
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Assim como muitos outros filmes de animação recentes, “Planeta 51”, dos diretores Jorge Blanco, Javier Abad e Marcos Martínez, faz uma gama de referências a obras que só serão identificadas pelos adultos que estão acompanhando as crianças nas salas de cinema. São elas: “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, “Cantando na Chuva”, “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” e, principalmente, “ET – O Extraterrestre”. Entretanto, não se engane! Esta é uma obra totalmente dirigida ao público infantil.
O roteiro enfoca a vida no planeta que dá nome ao filme, especialmente à rotina diária de três amigos. Um deles, Lem (dublado por Justin Long na versão original), acaba de conquistar seu primeiro emprego e está achando que está entrando na vida adulta quando, na realidade, ainda tem muito o que aprender. É justamente isto que ele vai fazer quando, num belo dia, uma nave espacial trazendo o astronauta norte-americano Chuck (dublado por Dwayne Johnson na versão original) pousa no seu jardim.
Chuck, por sua vez, desembarca no Planeta 51 achando que é o primeiro homem a desbravar aquele território. Ledo engano! Não só o planeta é muito bem habitado e desenvolvido, como também ele passa a ser visto como a maior ameaça e inimigo à paz da localidade. Portanto, Chuck passa a contar com a ajuda daqueles três amigos e, juntos, eles irão se envolver em todo tipo de confusão com o objetivo de fazer com que o astronauta volte são e salvo para seu planeta de origem.
Num ano em que tivemos obras excelentes, para variar um pouco, no gênero de animação, como “Up – Altas Aventuras”, “Tá Chovendo Hambúrguer!”, “Os Fantasmas de Scrooge” e “A Princesa e o Sapo”, “Planeta 51” é aquele tipo de filme que não consegue se destacar, mas, ao mesmo tempo, não passa vergonha. A obra é altamente satisfatória e diverte enquanto estamos diante dela. E só!
Cotação: 6,5
Planeta 51 (Planet 51, 2009)
Diretores: Jorge Blanco, Javier Abad e Marcos Martínez
Roteiro: Joe Stillman
Com as vozes de: Dwayne Johnson, Jessica Biel, Justin Long, Gary Oldman, Seann William Scott, John Cleese
A Princesa e o Sapo Dezembro 22, 2009
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Fazia tempo que os filmes de animação produzidos pela Walt Disney Pictures precisavam se modernizar. O processo de atualização começou com “Encantada”, que colocava uma princesa do mundo de conto de fadas no mundo real, contrastando os valores das duas realidades distintas. De uma certa forma, a transição se conclui com “A Princesa e o Sapo”, de Ron Clements e John Musker, que nos confronta com a primeira princesa negra da história dos filmes dos estúdios – nada mais natural, afinal estamos na Era Barack Obama.
Tiana (dublada por Anika Noni Rose na versão original) não é a típica princesa. Seguindo a tradição de uma Cinderela, a mocinha trabalha duro, em vários turnos, para conseguir, quem sabe um dia, realizar o sonho que era de seu pai: montar um restaurante em que ela colocará em prática um cardápio totalmente familiar. Apesar de ter sido criada pela mãe escutando contos de fadas, Tiana não acredita mesmo em príncipes encantados ou em pedidos de estrelas cadentes.
Ao contrário da melhor amiga dela, Charlotte (dublada na versão original por Jennifer Cody), filha única, menina rica e mimada e que foi criada acreditando que todos os seus desejos iriam se tornar realidade, bastava acreditar naquele toque mágico que é dado pelos elementos dos contos de fadas. Ou seja, para Charlotte, tudo caía fácil nas mãos dela. Então, a vida inteira dela, ela acreditou piamente que iria encontrar um príncipe com quem iria se casar e ser feliz para sempre.
Por isso, a chegada do Príncipe Naveen (dublado pelo brasileiro Bruno Campos na versão original) opera uma verdadeira revolução na cidade de Nova Orleans, especialmente entre as duas amigas. Ele está na localidade em busca de uma noiva rica para sustentar seus caprichos enquanto ele espera poder viver na cidade farreando, tocando jazz e cercado de mulheres bonitas. Pela ganância de um especialista em vudus (personagem dublado por Keith David na versão original), ele acaba recebendo uma maldição e se transforma num sapo. Por acidente, acaba levando Tiana junto consigo nessa. Então, grande parte de “A Princesa e o Sapo” é dedicada a desenvolver o relacionamento que surge entre esses dois personagens enquanto eles lutam para voltarem às suas versões humanas.
“A Princesa e o Sapo” acaba sendo mais um passo à frente dado pela Disney após anos de uma crise criativa séria, em que o estúdio foi suplantado, no gênero, pela Dreamworks, pela Pixar (hoje, de sua propriedade) e pela Sony Animation Studios. O segredo do filme é justamente repetir a fórmula que deu certo em “Encantada” e apostar na mistura entre tradição e moderno, fantasia e ceticismo, redenção e transformação. Elementos estes que, em longas de outros gêneros, seriam totalmente batidos, mas que, aqui, funcionam muito bem. Que venha, então, a próxima aventura.
Cotação: 8,0
A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009)
Diretores: Ron Clements e John Musker
Roteiro: Ron Clements, John Musker e Rob Edwards (com base na história de Ron Clements, Greg Erb, Don Hall, John Musker e Jason Oremland)
Com as vozes de: Anika Noni Rose, Bruno Campos, Keith David, Jennifer Cody, Oprah Winfrey, Terrence Howard, John Goodman
Atividade Paranormal Dezembro 10, 2009
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O dicionário define como Paranormal a variedade de fenômenos estranhos e que não possuem uma explicação científica para sua existência. Alguns exemplos disso: a sensação que se tem de que alguém avistou um fantasma; o fato de que alguém pegou ruídos estranhos em alguma gravação; a presença de corpos estranhos em fotografias; a possibilidade de aparelhos eletrônicos se ligarem sozinhos e de compartimentos de sua própria casa tomarem, digamos, vida própria.
O filme “Atividade Paranormal”, do diretor e roteirista Oren Peli, se apoia em uma situação desse tipo. Aparentemente baseado em fatos reais, o longa acompanha alguns dias na vida do casal de namorados Katie (Katie Featherson) e Micah (Micah Sloat). Os dois vivem numa confortável casa e a parte masculina do casal compra uma câmera de TV e passa a filmar o dia a dia deles, pois eles suspeitam que a residência deles se encontra assombrada pela presença de um espírito demoníaco.
Seguindo a cartilha de um filme como “A Bruxa de Blair”, “Atividade Paranormal”, portanto, se apoia na seguinte fórmula: atores anônimos, encenando uma “história” num único ambiente e vendo sua sanidade despencar na medida em que a ameaça do espírito demoníaco se torna cada vez mais forte. Pensar em qualidade cinematográfica, nesses casos, é impossível, uma vez que a ação é toda filmada com uma espécie de câmera caseira, para justamente tentar causar um efeito maior no público.
Entretanto, o tiro sai muitas vezes pela culatra. Fica fácil perceber logo o esquema de “Atividade Paranormal”. Quando a câmera fica estática por muito tempo, é sinal de que algo vai acontecer. Portanto, nunca somos verdadeiramente surpreendidos – exceto pelo final, que foi sugestão do diretor Steven Spielberg, um entusiasta dessa obra (como pode???) – pois ficamos de olhos abertos, nos preparando para o que está por vir.
Ao assistir a este filme, aliás, fica difícil tentar compreender o sucesso e a comoção que este filme causou nos Estados Unidos. “Atividade Paranormal” foi filmado na própria casa do diretor Oren Peli, custou 15 mil dólares e acabou rendendo 9,1 milhões de dólares nas bilheterias – um recorde para filmes que estrearam em menos de 200 salas de cinema. Entretanto, a obra não tem nada de mais, não cria clima de suspense, nem nos deixa agoniados, como outras obras do gênero.
Cotação: 0,5
Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007)
Diretor: Oren Peli
Roteiro: Oren Peli
Elenco: Katie Featherson e Micah Slot
A Erva do Rato Dezembro 9, 2009
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“A Erva do Rato”, filme dirigido e escrito por Júlio Bressane e Rosa Dias, é uma obra muito difícil de se acompanhar, principalmente porque seu roteiro possui uma estrutura não-linear. A história não evolui no habitual começo, meio e fim; e sim se propõe a fazer retratos isolados da convivência que é estabelecida entre os dois personagens principais: um homem e uma mulher que são interpretados pela dupla Selton Mello e Alessandra Negrini.
Os dois se encontram na primeira cena do filme, em um cemitério, onde ambos estão visitando pessoas que ali estão enterradas. O desmaio dela no ambiente é a desculpa para que homem e mulher acabem se conhecendo. Numa conversa casual, ela acaba revelando para ele a história de sua vida: perdeu o pai há três dias e, agora, não tem mais ninguém no mundo com quem possa contar. Ele, num rompante de educação e cordialidade, acaba convidando-a para morar com ele e dividir rotina, convivência e atividades.
É importante, durante a experiência de se assistir “A Erva do Rato”, prestar bastante atenção à personagem interpretada por Alessandra Negrini, porque ao observar suas características principais (ela é uma mulher extremamente submissa e que vive para a vontade dos outros, suprimindo a sua própria), entenderemos o por quê de ela sempre se submeter aos caprichos do homem feito por Selton Mello – nesse sentido, aqui, podemos encontrar traços do conto “A Causa Secreta”, de Machado de Assis, que tem como protagonista um senhor que realiza boas ações de forma que elas permitam que ele exercite alguns de seus prazeres.
O outro conto de Machado de Assis no qual “A Erva do Rato” é baseado se chama “O Esqueleto”, que lida com insanidade, elementos macabros e que estão também relacionados à personalidade do seu personagem principal. Portanto, dá para se perceber que “A Erva do Rato” possui alguns temas bem interessantes, pena que tais influências fiquem soltas numa tentativa de filme experimental que faz pouco sentido para aqueles que o assistem e que é uma experiência chata e difícil de ser compreendida. Quem sabe, em outra visita ao material…
Cotação: 2,0
A Erva do Rato (The Herb of the Rat, 2008)
Diretores: Júlio Bressane e Rosa Dias
Roteiro: Júlio Bressane e Rosa Dias (com base em contos de Machado de Assis)
Elenco: Selton Mello e Alessandra Negrini
Lua Nova Dezembro 8, 2009
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A trama do filme “Crepúsculo”, da diretora Catherine Hardwicke, se apoiava em uma premissa que acabou causando uma empatia enorme nas plateias de todo o mundo. Nela, acompanhávamos o encontro definitivo entre dois jovens chamados Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson), os quais se apaixonavam perdidamente um pelo outro, apesar da diferença que os separava: ela é uma simples mortal, enquanto ele é um vampiro imortal. Nesse sentido, o roteiro de “Lua Nova”, sequência dirigida por Chris Weitz, funciona como um ponto de virada para esta história – uma vez que, na maior parte dos 130 minutos do filme, assistimos a como a vida de Bella se desenha a partir do momento em que Edward decide sair de seu caminho.
Tal situação pode frustrar os fãs do primeiro filme e que esperavam ver mais momentos fofos entre o casal, porém, como obra cinematográfica, “Lua Nova” só tem a ganhar com a separação do casal central, pois é a partir dela que entramos em contato com um personagem que vai se tornar importantíssimo para esta saga. Jacob Black (Taylor Lautner) é o jovem que aparece em poucas cenas de “Crepúsculo”, mas que, aqui, volta bem mais crescido e musculoso – suas aparições sem camisa, com certeza, deixam as meninas sem fôlego. Está claro, desde o primeiro filme, que Jacob possui um carinho especial por Bella e, na ausência de Edward, ele vai conquistar seu espaço dentro do coração da garota, passando a ser uma das pessoas mais importantes da vida dela.
Portanto, um dos maiores trunfos do livro de Stephenie Meyer e da adaptação escrita por Melissa Rosenberg é fazer com que, assim como aconteceu com Bella, Jacob também conquiste a nossa admiração e respeito – muito em parte, diga-se de passagem por causa de Taylor Lautner, um ator esforçado e carismático e que se destaca no meio de um elenco jovem com performances bem apáticas. A função do personagem nesta história, aliás, está mais que clara para todos nós: na medida em que o destino de Bella se mostra cada vez mais traçado e definitivo rumo a uma vida como vampira ao lado de Edward, Jacob existe para revelá-la a possibilidade de vida normal, como uma jovem qualquer de 18 anos, disposta a viver as aventuras e as experiências típicas dessa idade, sem se preocupar com questões sérias, como o conflito com Victoria (Rachelle Lefevre, que será substituída, no próximo filme, por Bryce Dallas Howard) ou a obscuridade do clã dos Vulturi (o qual é liderado pelo personagem de Michael Sheen).
“Lua Nova” é um filme que, assim como a obra literária que o originou, mostra a evolução da história de Bella Swan. Na sequência, temos um roteiro que condensa bem os bons momentos do livro, que é bem eficiente no desenho do triângulo amoroso que se desenha entre Bella, Edward e Jacob e, principalmente, na mostra do que diferencia os dois candidatos a príncipe encantado da mocinha. Não custa nada ter também um diretor como Chris Weitz, o qual é extremamente técnico, no comando do longa. O resultado é que “Lua Nova” é um filme mais bem lapidado do que “Crepúsculo” e que nos mostra, ainda mais fortemente que o primeiro filme, que nada mais será como antes no mundo de Bella Swan.
Cotação: 8,0
Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009)
Diretor: Chris Weitz
Roteiro: Melissa Rosenberg (com base no livro de Stephenie Meyer)
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Billy Burke, Rachelle Lefevre, Michael Sheen, Dakota Fanning


