Archive for julho, 2011

Teatro – “Dolores”

Em cartaz todas as sextas-feiras do mês de Julho, às 20h, no Teatro de Cultura Popular (TCP), o musical “Dolores”, dos diretores Diana Fontes e Jonas Sales, se baseia na peça “Brasileiro Profissão Esperança”, do dramaturgo paraibano Paulo Pontes, e faz um retrato da trajetória artística da cantora Dolores Duran, usando como pano de fundo a amizade estabelecida entre ela e o cronista, comentarista esportivo, poeta e compositor Antônio Maria, tendo uma trama situada nas décadas de 40 e 50, período em que ambos, digamos, alcançaram o auge de suas vidas artísticas.

Num cenário simples, cujos objetos de decoração são importantes peças de cena, uma vez que são tão personagens do espetáculo quanto os amigos Dolores Duran e Antônio Maria, os atores Cláudia Magalhães e Isaque Galvão vão relembrando os momentos cruciais das vidas dessas duas figuras, utilizando como base os textos escritos por Maria e as canções que foram eternizadas na voz de Duran.

O espetáculo tem um formato muito interessante, uma vez que ele se apoia na linguagem musical para retratar algo que Dolores Duran e Antônio Maria tinham em comum: ambos buscavam o amor, ambos estavam interessados nas alegrias e nas tristezas desse sentimento, ambos acreditavam que a receita da vida se encontrava na vivência plena desse sentimento. Fato que coloca Duran e Maria ao lado de outros artistas como Maysa, por exemplo, que tinham esse grande desejo de amar e de ser amado (a).

Por serem as duas figuras predominantes em cena, o ponto alto de “Dolores” acaba sendo as duas grandes atuações que nos são oferecidas por Cláudia Magalhães e por Isaque Galvão. Ambos são puro sentimento. A se lamentar somente, no dia em que assistimos ao espetáculo, as falhas constantes na sonoplastia da peça. Ainda bem que Magalhães e Galvão seguraram bem a onda e garantiram a continuidade do musical, afinal o show não pode parar.

Dolores
Direção: Diana Fontes e Jonas Sales
Elenco: Cláudia Magalhães e Isaque Galvão

julho 29, 2011 at 8:40 pm 2 comentários

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois

Ao longo de sete filmes da série “Harry Potter”, as resenhas críticas publicadas neste blog não nos deixam mentir: esta franquia cinematográfica não era uma de nossas mais favoritas, principalmente por causa de um sentimento recorrente, o de que os roteiros dos filmes (uma vez que não somos familiarizados com o universo literário criado por J.K. Rowling) eram uma verdadeira enrolação rumo a um encontro que parecia ser inevitável: o de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e do Lord Voldemort (Ralph Fiennes).

Foi preciso cerca de 2h30 (tempo de duração de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois”, filme de David Yates que encerra esta saga) para, finalmente, compreendermos a essência desta franquia cinematográfica. A história de Harry Potter é, sim, aquela que o leva até a derradeira batalha com Lord Voldemort; porém, mais do que isso, a jornada do personagem principal é aquela que o carrega de encontro ao seu amadurecimento – nesse sentido, é fundamental a passagem dele por Hogwarts, a escola para bruxos na qual ele irá conhecer as pessoas que formarão o alicerce de sua personalidade e que farão parte de sua vida para sempre, bem como o local que será propício para o encontro dele com o amor, o companheirismo, a honra, a coragem e a lealdade, assim como o proporcionará a oportunidade de ter aquilo mais lhe faltava: uma família.

“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois” retoma a história de Harry Potter do momento em que a parte um deste filme terminou. Ou seja, Harry e seus dois melhores amigos, Hermione Granger (Emma Watson) e Ron Weasley (Rupert Grint), continuam a missão em busca da destruição das Horcruxes restantes que guardam os pedaços da alma maligna de Voldemort. O acréscimo que o filme faz em relação à parte anterior é que nunca um longa da série “Harry Potter” foi tão triste como esse – e isso acaba sendo muito bom porque toda essa atmosfera de destruição, de dor e de desalento contribuem e reforçam muito a mensagem principal que a série quer passar.

O filme que encerra a saga também é uma comprovação do amadurecimento dos próprios atores que interpretam o trio central desta série. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson – que também receberam críticas fortes por aqui por causa da inexpressividade de suas atuações em outros longas da série – estão muito bem, atuando de forma sólida nos momentos mais tensos, arrancando lágrimas da plateia naqueles que são os instantes mais emocionantes e marcantes da obra e se colocando de igual para igual ao lado de nomes como Alan Rickman (numa atuação excelente), Ralph Fiennes, Maggie Smith e Richard Gambon.

O diretor David Yates, mais conhecido pelo seu trabalho na TV inglesa, também acaba comprovando o porquê da confiança recebida dos produtores dessa franquia. A responsabilidade de fechar a saga era grande, mas, com “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte Dois”, o diretor realiza um filme digno de figurar nas listas de melhores do ano e que alia um bom roteiro à ótima execução, com destaque para os efeitos visuais, a direção de arte e a trilha sonora composta pelo francês Alexandre Desplat. Não será surpresa se este filme for lembrado nas premiações da temporada 2011-2012.

Cotação: 9,5

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte Dois (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part Two, 2011)
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves (com base no livro de J.K. Rowling)
Elenco: Ralph Fiennes, Michael Gambon, Alan Rickman, Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, John Hurt, Helena Bonham Carter, Kelly Macdonald, Jason Isaacs, Tom Felton, Ciarán Hinds, Maggie Smith, Jim Broadbent, Gemma Jones, David Thewlis, Julie Walters, Emma Thompson, Gary Oldman

julho 27, 2011 at 8:15 pm 31 comentários

Cilada.com

Baseado na série de TV “Cilada”, criada e estrelada pelo humorista Bruno Mazzeo, o filme “Cilada.com”, do diretor José Alvarenga Jr., se apoia na mesma premissa do programa de TV e retrata uma situação corriqueira do dia a dia que acaba se revelando problemática. No caso do longa, Bruno (Bruno Mazzeo) é flagrado traindo a sua namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme), no meio da festa de casamento da prima dela. Humilhada publicamente, Fernanda se vinga de Bruno ao atingir um ponto crucial da masculinidade de qualquer homem e divulga um vídeo de uma transa sua com o agora ex-namorado em que ele tem uma ejaculação precoce. Humilhação pública, volume dois.

A partir desta situação central, o roteiro escrito por Bruno Mazzeo e Rosana Ferrão começa a lidar com as conseqüências dos dois atos cometidos por Bruno e por Fernanda. Tudo bem que Bruno cometeu um erro feio, mas Fernanda perde completamente a razão quando divulga um vídeo como o que ela publicou na Internet. Mas, é justamente esse um dos lados mais interessantes de “Cilada.com”, uma vez que o amor é dado a esses atos impulsivos, em que a gente só pensa no que fez depois, com a cabeça bem fria.

Se é possível tentar analisar uma obra que tem o propósito, basicamente, de arrancar altas risadas da plateia, “Cilada.com” é, na realidade, uma jornada de Bruno em busca da compreensão dos seus próprios sentimentos em relação à Fernanda. O que aconteceu com ele e o ato de lidar com as conseqüências do que ele e ela fizeram (mesmo que da forma desastrosa e errônea que Bruno faz) mostram a ele o que é necessário para ele conseguir, não só recuperar a sua reputação, como também recolocar a sua vida nos eixos.

A estreia da série “Cilada” no canal Multishow fez com que Bruno Mazzeo passasse a ser considerado como uma das grandes revelações do humor brasileiro, nos últimos anos. Por isso mesmo, muito surpreende que, na adaptação cinematográfica do programa de TV que o revelou, Bruno adote um tom de humor um tanto advindo dos anos 70/80, especialmente ao privilegiar piadas de duplo sentido e cenas que beiram a baixaria. Isso não chega a prejudicar “Cilada.com”, mas com certeza acaba tirando o filme de seu caminho, uma vez que, mesmo isso não sendo assumido 100%, “Cilada.com”, na verdade, é uma comédia romântica rasgada – como bem comprova a sua cena final.

Cotação: 5,0

Cilada.com (2011)
Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: Bruno Mazzeo e Rosana Ferrão
Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fulvio Stefanini, Sergio Loroza, Thelmo Fernandes

julho 25, 2011 at 10:29 pm 14 comentários

Cena da Semana

(Amy Winehouse, “Tears Dry on Their Own”)

A cantora Amy Winehouse foi encontrada morta, aos 27 anos, ontem, no flat em que morava, em Londres. Alguns podem afirmar que, devido ao histórico dela no vício em drogas e em bebida e devido às muitas aparições públicas em que estava visivelmente fora de si (as quais foram, tantas vezes, motivo de piada para tanta gente enquanto ela estava em vida), esse era um fato consumado e esperado. Outros lamentam a perda de uma vida e de um talento jovem e que ainda tinha um caminho tão longo a percorrer e tanta arte a dividir conosco. Uma outra corrente pode ligar a morte de Amy a uma “maldição” do “Clube dos 27″ – artistas que faleceram aos 27 anos, como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Jim Morrison. Mas, vamos lidar com os fatos verdadeiros: é sempre muito triste ver uma vida – e um talento – tão jovem partir tão cedo. Eu diria mais: é sempre muito triste ver alguém tão jovem desperdiçar a sua vida tão cedo.

Que a Amy encontre a paz e o refúgio que ela tanto buscava.

julho 24, 2011 at 8:48 pm 18 comentários

Os Pinguins do Papai

Em 2003, o diretor Mark Waters dirigiu uma comédia chamada “Sexta-Feira Muito Louca” em que Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan interpretam mãe e filha que acabam trocando de corpo de forma a aprenderem uma grande lição: a de se colocarem no lugar uma da outra, de forma a poderem se compreender melhor e se relacionarem melhor; respeitando, cada uma, o espaço da outra. “Os Pinguins do Papai”, seu mais recente filme, também coloca a sua personagem principal diante de uma situação que ele não vai entender, a princípio, mas que vai revelar para ele ser de um aprendizado ímpar.

Mr. Popper (Jim Carrey) é um workaholic que está prestes a se tornar sócio da empresa na qual trabalha. No lado pessoal, as coisas não vão bem: além de ter uma situação mal resolvida com seu pai desde o tempo em que era criança, após se separar da ex-mulher (Carla Gugino), ele não consegue estabelecer um relacionamento mais próximo com seus dois filhos (Madeline Carroll e Maxwell Perry Cotton).

Em meio à tentativa de fechamento de mais um grande negócio (Popper está tentando comprar o restaurante da personagem interpretada por Angela Lansbury), ele acaba recebendo, como herança, após a morte de seu pai, um presente completamente inusitado: seis pinguins, que passam a viver no apartamento dele (é bom lembrar que os pinguins não nasceram para viver num ambiente urbano, uma vez que eles necessitam de temperaturas altamente frias para sobreviver), a compartilhar da rotina dele e a imprimir certas mudanças na personalidade de Mr. Popper, de forma que ele se transforme numa pessoa melhor e possa, quem sabe, reconstruir seus relacionamentos pessoais, não só com a ex-mulher, como também, especialmente, com seus dois filhos.

Você pode até pensar, ao ler a premissa desse filme, que um ator como Jim Carrey ainda não está com a carreira tão decadente a ponto de topar “pagar um mico” desses. Pode ser até incompreensível para muitos a presença dele nesse tipo de longa, mas a verdade é que um personagem como Mr. Popper favorece em muito aquele tipo de comédia física que Carrey adora, no qual ele irá destilar todos aqueles seus trejeitos, todas aquelas caras e bocas que ele tanto adora fazer.

Além da presença magnética de Jim Carrey, “Os Pinguins do Papai” tem um outro ponto muito forte: ele é uma diversão bastante inofensiva, com uma história que funciona para toda a família. Ou seja, este é um território que Mark Waters conhece bem, um roteiro que, mesmo que não seja muito inspirado, o permite retornar ao tipo de relato em que ele rendeu melhor como diretor, vide filmes como o já citado “Sexta-Feira Muito Louca” e “As Crônicas de Spiderwick”.

Cotação: 5,5

Os Pinguins do Papai (Mr. Popper’s Penguins, 2011)
Direção: Mark Waters
Roteiro: Sean Anders, John Morris e Jared Stern (com base no livro de Richard Atwater e Florence Atwater)
Elenco: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Madeline Carroll, Clark Gregg, Jeffrey Tambor, Philip Baker Hall, Maxwell Perry Cotton, James Tupper

julho 22, 2011 at 7:57 pm 15 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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