Archive for junho, 2011
Comentando o Trailer de “War Horse”
Foi divulgado hoje o trailer de “War Horse”, próximo filme do diretor Steven Spielberg. Tudo neste trailer, aliás, remete ao universo dos longas dirigidos por ele. A começar pelo uso magnânimo da música (que ficará a cargo de seu habitual parceiro John Williams), do destaque a uma frase inspiradora (“I ask you: what could be braver than that?”), do caráter heroico da história, do rito de passagem da infância à vida adulta e, especialmente, das imagens poéticas e poderosas que nos mostram que esse é um longa que irá apelar diretamente ao nosso coração.
Baseado no livro de Michael Morpurgo, que também deu origem à peça que acabou de ser vencedora de cinco prêmios Tony Awards, “War Horse” conta a história da relação de um jovem com seu cavalo e de como eles acabam enviados às trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Promessa daquilo que Spielberg sabe fazer de melhor: o relato de uma história repleta de valores como esperança e lealdade.
“War Horse” tem, no seu elenco, figuras como Tom Hiddleston, David Thewlis, Emily Watson, Eddie Marsan, David Kross e Niels Arestup; a fotografia de Janusz Kaminski; a edição de Michael Kahn e os figurinos de Joanna Johnston.
O filme estreia no dia 28 de dezembro, nos Estados Unidos.
Nos vemos no Oscar 2012, Spielberg!
Time Magazine Elege os 25 Melhores Filmes de Animação de Todos os Tempos
O crítico Richard Corliss, da revista Time, fez uma seleção daqueles que ele considera os 25 Melhores Filmes de Animação de todos os tempos. A lista foi publicada como parte de um especial, no site da revista. Confira ele aqui.
The ALL-TIME 25 Best Animated Films
01. Pinnochio (1940)
02. Wall-E (2008)
03. The Bugs Bunny/Road Runner Movie (1979)
04. Dumbo (1941)
05. A Viagem de Chihiro (2001)
06. South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (1999)
07. Up – Altas Aventuras (2009)
08. As Bicicletas de Beleville (2003)
09. Procurando Nemo (2003)
10. A Pequena Sereia (1989)
11. Toy Story 3 (2010)
12. Toy Story (1995)
13. Branca de Neve e os Sete Anões (1937)
14. The Adventures of Prince Achmed (1926)
15. Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais (2005)
16. Happy Feet – O Pinguim (2006)
17. Akira (1988)
18. O Rei Leão (1994)
19. Enrolados (2010)
20. Paprika (2007)
21. Kung Fu Panda (2008)
22. Horton e o Mundo dos Quem! (2008)
23. O Submarino Amarelo (1968)
24. O Fantástico Sr. Raposo (2009)
25. A Dama e o Vagabundo (1955)
Eu só tenho uma pergunta a fazer: onde está “A Bela e a Fera” nesta lista?
O Vislumbre do Futuro de Don Draper*
*Atenção aos spoilers.

Foi ao ar ontem à noite, na HBO Brasil, com mais de 8 meses de atraso, a season finale da quarta temporada do seriado “Mad Men”. “Tomorrowland”, episódio escrito por Jonathan Igla e Matthew Weiner e dirigido por Matthew Weiner, tem um nome que já fala por si só, uma vez que boa parte dele fala sobre a contemplação de um futuro para Don Draper e sua agência, numa extensão do que já estava sendo abordado nos episódios anteriores dessa temporada.
O curioso nessa quarta temporada de “Mad Men” é que ela nos dá a impressão de ter sido o retrato de um ponto de transição na vida de Don Draper. Quando ela começou, Draper estava recém-divorciado de Betty (January Jones) e parecia colocar todas as suas fichas no trabalho, mais precisamente no progresso e sucesso de seu novo empreendimento (a Sterling Cooper Draper Pryce). Na medida em que a temporada avança, começam os problemas com a agência, especialmente após a saída de importantes clientes, o que obriga Don Draper, não só a rever seus conceitos, como a descer bastante do pedestal que ele impôs a si mesmo.
Já que estamos falando da sensação de recomeço, esta é um sentimento recorrente na quarta temporada de “Mad Men”. Não só para Don Draper, como também para a maioria dos personagens, que, ou estão começando novos capítulos de suas vidas, ou estão vivendo novos acontecimentos, ou estão passando por situações que acabam influenciando naquilo que acabamos nos transformando, ou estão ganhando novas oportunidades. A terra do amanhã (para fazer uma citação direta ao título deste episódio) está aí pra todos.
Porém, vamos nos ater ao ato final deste episódio, que tem início com a viagem que Don Draper faz com seus três filhos e a secretária Megan (Jessica Paré) para a Califórnia. Numa cena surpreendente, Don Draper dá o passo definitivo para o seu reinício, mesmo que você não sinta firmeza na decisão dele de desposar Megan. Entretanto, as três temporadas anteriores de “Mad Men” nos ensinaram algo a respeito de Don: quando nem ele mesmo tem certeza a respeito de sua identidade, com Dick e Don se misturando dentro dele em vários momentos, não existe propósito em tentar compreendê-lo. Não, pelo menos, enquanto ele continuar se escondendo por trás da figura que criou. Não, pelo menos, enquanto ele continuar não se aceitando pelo que ele é de verdade – é importante frisar que ele está no processo disso, como também provam os episódios produzidos depois dos reveses sofridos pela Sterling Cooper Draper Pryce.
Talvez, por isso mesmo, o momento mais importante de “Tomorrowland” tenha sido a cena que se segue ao pedido de casamento de Don: o reencontro dele com Betty, quando ela está acabando a mudança da casa que, um dia, dividiu com o ex-marido. Nela, Don corta de vez todo o cordão umbilical que o unia aquela vida antiga (e que representa todos aqueles conflitos que se agigantavam dentro dele a ponto de sufocá-lo de uma forma impressionante) e se mostra de vez preparado para tentar encontrar a sua paz. Ele acredita piamente nisso e, provavelmente, essa seja a sua grande busca nesse seriado inteiro. E isso está metaforicamente explicitado de forma bela na cena que fecha o season finale, com Megan dormindo com o rosto encostado no peito de Don, enquanto ele observa atentamente a janela, o horizonte, como se tentasse entender o que o futuro lhe reserva, como se tivesse medo disso, como se ele tivesse receio de voltar à infelicidade que ele está, claramente, deixando para trás a cada dia.
“Mad Men” tem sua continuidade com a quinta temporada, que estreia, nos Estados Unidos, no começo de 2012.
Cena da Semana
(“Jean Louise, stand up. Your father’s passing” – O Sol é Para Todos [1962] – diretor: Robert Mulligan)
Uma frase somente, que resulta numa cena muito poderosa e emocionante. E a razão se chama: Atticus Finch (Gregory Peck). Ele é um personagem tão inspirador que foi merecidamente eleito como o maior heroi de todos os tempos, no cinema, pelo American Film Institute (AFI).
Não se Pode Viver Sem Amor

“Não se Pode Viver sem Amor” é mesmo um bom título para descrever o que assistimos no decorrer do filme dirigido por Jorge Durán. A obra utiliza o recurso de entrelaçamento de linhas narrativas para contar a história de quatro pessoas que possuem amor nas suas vidas, mas, na véspera do Natal, acabam se encontrando em situações em que eles não estão muito certos de seus futuros e que fazem com que eles acabem se agarrando um ao outro em busca de algo que nem eles sabem mesmo o que é.
A artesã Roseli (Simone Spoladore) acaba embarcando para o Rio de Janeiro com o único filho Gabriel (Victor Navega Mott) em busca do pai dele, que nunca mais deu notícias para eles. Na capital carioca, os dois acabam cruzando caminhos com o professor Pedro (Ângelo Antônio), que lida com os problemas de saúde do pai e a vontade de ir para fora do Brasil estudar (sem o devido apoio da namorada interpretada por Maria Ribeiro); e com o advogado desempregado João (Cauã Reymond), que, completamente apaixonado pela prostituta Gilda (Fabiula Nascimento), está prestes a cometer uma loucura para poder tirá-la dessa vida de bordeis.
Apesar de ser um senso comum que, na véspera do Natal, as pessoas costumam ficar um pouco mais deprimidas (isso foi muito bem abordado, por exemplo, num longa como “Feliz Natal”, de Selton Mello), é importante mencionar que “Não se Pode Viver sem Amor” nunca entra numa atmosfera sombria e pesada. O filme adota um estilo de linguagem cinematográfica que é bastante universal e que, na verdade, tem o efeito contrário da melancolia: ele nos relembra que são as pessoas que estão ao nosso redor, as pessoas que mais amamos, que nos fazem seguir em frente e buscar a felicidade que deixamos escapar em algum momento.
Pena que uma mensagem tão bonita e um filme tão bem intencionado como “Não se Pode Viver sem Amor” fiquem submetidos a um roteiro que possui falhas gritantes, especialmente na construção dos personagens, a qual deixa grandes lacunas que nunca são preenchidas. O longa também acaba sofrendo com uma conclusão um tanto forçada que acaba deixando o final da obra um tanto artificial. “Não se Pode Viver sem Amor” é um daqueles filmes que pedia um término menos conclusivo e que deixasse a plateia imaginando sobre o futuro desses personagens em meio a uma atmosfera de completa incerteza.
Cotação: 5,0
Não se Pode Viver sem Amor (2011)
Direção: Jorge Durán
Roteiro: Jorge Durán e Dani Patarra
Elenco: Cauã Reymond, Ângelo Antônio, Victor Navega Mott, Simone Spoladore, Maria Ribeiro, Fabiula Nascimento


