Archive for maio, 2011

Padre

Apesar de fazer uma contextualização muito rápida do background da trama principal de “Padre”, o roteiro escrito por Cory Goodman é muito explícito no conflito do personagem principal da obra dirigida por Scott Charles Stewart: o Priest (Paul Bettany) é um homem que vive num país subjugado à fé na Igreja. Ele fez parte de um exército de homens de fé que tinha como objetivo aniquilar com os vampiros que insistiam em extinguir a espécie humana. Uma vez vencedores deste conflito, os membros desse exército foram condenados a uma existência discreta, sem exercerem o seu papel de fato e de direito.

O Priest é obrigado a sair de seu exílio quando é procurado por Hicks (Cam Gigandet), que o avisa que seu irmão Owen (Stephen Moyer) e sua esposa Shannon (Madchen Amick) foram atacados por vampiros e sua sobrinha Lucy (Lily Collins) foi sequestrada por eles. Com seu emocional completamente afetado, o Priest enfrenta os desígnios da Igreja e sai excomungado em busca da sobrinha e no encalço daqueles que a aprisionaram.

O interessante na jornada do Priest é que o acontecimento envolvendo a sua família o pega num momento de intensa provação de sua fé. Ele está em crise consigo mesmo, com seus pensamentos e com os dogmas da Igreja que domina o seu país – e, o pior, é que não encontra respostas para as suas dúvidas. De uma certa forma, o que se passará com ele no decorrer de “Padre” é uma afirmação de sua vocação e do seu propósito, daquilo que ele mais sabe fazer.

Baseado numa graphic novel, pode até não parecer na maior parte de sua duração, mas “Padre” é, na realidade, uma grande introdução para aquilo que os produtores do filme esperam se transformar numa franquia. Ainda é cedo para se dizer se eles serão bem sucedidos nisso, mas, analisando a obra como um filme único, “Padre” se revela interessante do ponto de vista visual e um pouco intrigante do ponto de vista de sua história, mas ainda falta um bocado para transformar este personagem e seu propósito numa série que possa render bons filmes.

Cotação: 5,0

Padre (Priest, 2011)
Direção: Scott Charles Stewart
Roteiro: Cory Goodman (com base na graphic novel de Min-Woo Hyung
Elenco: Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q, Lily Collins, Brad Dourif, Stephen Moyer, Christopher Plummer, Alan Dale, Madchen Amick

maio 30, 2011 at 11:50 pm 18 comentários

Cena da Semana

(“Envelhecer” – Arnaldo Antunes – Teatro Riachuelo – Natal-RN – 27.05.2011)

“Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer”

A mensagem perfeita para o dia de hoje! :)

maio 30, 2011 at 12:45 am 5 comentários

O Noivo da Minha Melhor Amiga

“O Noivo da Minha Melhor Amiga”. O título nacional, que, aliás, é muito mais adequado que o original, já fala muito sobre o conflito principal vivido por Rachel (Ginnifer Goodwin), protagonista da comédia romântica dirigida por Luke Greenfield. Ela sempre teve uma queda enorme por Dex (Colin Egglesfield), com quem frequentou a faculdade de Direito, e, de uma certa forma, foi responsável por apresentá-lo à sua melhor amiga, Darcy (Kate Hudson). Seis anos depois, Dex e Darcy continuam juntos e vão se casar dentro de 60 dias.

Quando completa 30 anos, uma idade de mudança em qualquer mulher, Rachel se vê ultrapassando um limite que é intransponível, ainda mais se tratando do tipo de relacionamento que ela tem com Darcy (que é quase uma irmã para ela), e acaba se envolvendo emocionalmente e romanticamente com Dex. O roteiro de Jennie Snyder aborda justamente os efeitos disso, não só na personalidade de Rachel, como também no relacionamento dela com Darcy e, por consequência, no próprio noivado da amiga com Dex.

Neste sentido, é importante observar o quanto que Rachel é a típica heroina de filmes de comédia romântica. Se pudéssemos resumi-la em uma única frase seria a de que ela é a prova viva de que as pessoas legais sempre chegam por último mesmo. Ela parece ser aquela pessoa que coloca as suas necessidades em segundo plano em prol da felicidade dos outros. E isso é perfeitamente retratado em uma cena dela com o melhor amigo Ethan (John Krasinski), quando ele fala para Rachel que ela nunca se permite vencer. Eu vou além nessa fala: Rachel tem vontade de vencer, mas ela esbarra no medo de decepção, talvez justamente por já ter sofrido bastante. Ou seja, “O Noivo da Minha Melhor Amiga” é a jornada dela em busca da coragem de ser feliz e de brigar por ela mesma.

Produzido pela atriz vencedora do Oscar Hilary Swank, “O Noivo da Minha Melhor Amiga” é uma típica comédia romântica na maior acepção da palavra. A obra tem todos os clichês do gênero e ainda entrega aquelas frases de efeito que são comuns aos momentos fofos de filmes desse tipo, por isso é uma obra que acaba conquistando a gente. Repetindo um pouco um perfil que ela já tinha interpretado em “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, Ginnifer Goodwin (atriz conhecida por seu papel no seriado “Big Love”) acaba provando que pode encontrar um bom caminho para a sua carreira cinematográfica nesse gênero. Ela tem a meiguice e o carisma típicos das heroínas românticas. A gente torce por ela, sinceramente.

Cotação: 5,0

O Noivo da Minha Melhor Amiga (Something Borrowed, 2011)
Direção: Luke Greenfield
Roteiro: Jennie Snyder (com base no livro de Emily Giffin)
Elenco: Ginnifer Goodwin, Kate Hudson, Colin Egglesfield, John Krasinski

maio 27, 2011 at 2:02 am 18 comentários

Irmãos de Sangue

No final da década de 90, o ator Edward Norton tinha aquela que era considerada uma das mais promissoras carreiras da indústria cinematográfica hollywoodiana. Com duas indicações ao Oscar de Melhor Ator antes de chegar aos 30 anos e tendo trabalhado com diretores do porte de Woody Allen, Milos Forman, David Fincher e Ridley Scott, era, provavelmente, uma questão de tempo para Norton se transformar num dos atores mais respeitados do cinema norte-americano. Mas, algo deu errado e Norton nunca confirmou sua promessa. Só para se ter um exemplo do quanto a carreira do ator entrou num ponto morno, basta dizer que seus três últimos filmes tiveram ou uma curta trajetória nas salas de cinema brasileiras (e norte-americanas, por conseguinte) ou foram lançados diretamente em DVD.

O que houve, então, para que Edward Norton saísse de promessa à “decepção”? Um ator talentoso, sem dúvida alguma, o grande calcanhar de Aquiles dele parece ser a sua difícil personalidade (sempre temos histórias de bastidores sobre as batalhas de Edward com seus diretores, especialmente em discussões sobre a necessidade de se reescrever roteiros e de estar na sala de edição vendo como a obra está se apresentando). Também podemos citar aqui a grande opção de carreira de Edward Norton: agora, ele prefere se envolver naqueles filmes em que pode dar pitaco nas soluções criativas, então, ele não se transformou somente num ator, uma vez que ele também deseja trabalhar o roteiro e acompanhar todas as etapas de produção da obra. E é difícil encontrar grandes diretores que queiram uma personalidade forte dessas ao lado durante a produção de um filme… Por isso, então, vemos Edward em filmes “menores” como esse “Irmãos de Sangue”, obra escrita e dirigida por Tim Blake Nelson, ator que ele conheceu durante as filmagens de “O Incrível Hulk”, de Louis Leterrier.

A obra tem como personagens principais dois irmãos gêmeos chamados Brady e Bill Kincaid. Ambos possuem QI acima da média e vêm de uma família privilegiada do ponto de vista intelectual, mas, de uma forma incompreensível, os caminhos de Brady e Bill seguiram destinos completamente diferentes. Enquanto o primeiro se transformou num audaz traficante de drogas, o segundo ascende como Professor universitário de Filosofia, sendo disputado por prestigiadas universidades. É importante mencionar aqui que o relacionamento familiar dos Kincaid é tenso. Desde que saiu da sua pequena cidade do Estado de Oklahoma, Bill cortou todos os contatos com Brady e a mãe (Susan Sarandon), apesar destes acompanharem, de longe, todos os passos da carreira universitária dele.

O ponto principal do roteiro escrito por Tim Blake Nelson é retratar a volta de Bill ao ambiente familiar, após Brady forjar a morte dele. O elemento mais legal de “Irmãos de Sangue” é ver uma mente completamente privilegiada como a de Bill cair feito um patinho em todos os planos engenhosos do irmão, fazendo com que ele se torne cúmplice de todos os atos atabalhoados que o irmão comete durante o período que Bill está na sua cidade natal. Outro elemento interessante do filme é perceber Bill entrando em contato com seus sentimentos mais íntimos em relação à sua família e às decisões que ele teve que tomar para poder, digamos, progredir na vida.

Sexta experiência como diretor de Tim Blake Nelson, o grande problema de “Irmãos de Sangue” é a falta de desprendimento do diretor em relação ao seu próprio roteiro. Por ter sido um trabalho feito com bastante esmero desde a sua pré-produção (sempre com Edward Norton como companhia…), dá para se perceber as dificuldades de Nelson em cortar certas partes de sua história, o que nos dá a sensação de que o longa se prolonga mais do que o necessário. Outro ponto a se ressaltar é o timing cômico de Edward Norton, que é praticamente inexistente. Ele fica muito estranho interpretando Brady, com um sotaque forçado e você percebe mesmo ele pensando em todos os seus passos enquanto está na pele dele. Muito diferente da naturalidade com a qual ele interpreta Bill e é com este personagem que ele alcança seus melhores momentos em “Irmãos de Sangue”.

Cotação: 3,0

Irmãos de Sangue (Leaves of Grass, 2010)
Direção: Tim Blake Nelson
Roteiro: Tim Blake Nelson
Elenco: Edward Norton, Lucy DeVito, Tim Blake Nelson, Susan Sarandon, Ty Burrell, Melanie Lynskey, Josh Pais, Keri Russell

maio 25, 2011 at 9:23 pm 11 comentários

A Garota da Capa Vermelha

Dirigir o primeiro filme da saga “Crepúsculo”, ao que tudo indica, amoleceu o coração da diretora Catherine Hardwicke. Se antes desse longa, ela apoiava sua carreira retratando histórias da cultura adolescente (notadamente “Aos Treze” e “Os Reis de Dogtown”), agora ela está mais interessada em romances impossíveis e em amores idealizados – dois temas recorrentes em “Crepúsculo” e em “A Garota da Capa Vermelha”, seu filme mais recente e que é apresentado como uma adaptação livre do conto de fadas da “Chapeuzinho Vermelho”.

Num vilarejo que mais parece uma comunidade com regras e leis próprias, a população vive atormentada com a ameaça de um lobo que, nas noites de lua cheia, assassina aqueles que se atrevem a ir se aventurar pelas matas da floresta (num conflito central que lembra muito o de “A Vila”, de M. Night Shyamalan). No meio dessa atmosfera nada convidativa, a jovem Valerie (Amanda Seyfried) está dividida entre o noivo a quem está prometida (Max Irons) e aquele a quem ela ama de verdade (Shiloh Fernandez).

O roteiro escrito por David Leslie Johnson sai um pouco da mesmice com a chegada do Padre Solomon (Gary Oldman), que está na comunidade para liderar uma caça contra o lobisomem. A vinda do Padre não só mexe com a criatura, que define muito bem qual será seu alvo principal a partir de agora, como também sacode os relacionamentos de todos os habitantes do vilarejo, uma vez que, a partir das descobertas do Padre, qualquer um da comunidade pode ser suspeito de ser o lobo – o que faz com que “A Garota da Capa Vermelha” ganhe num clima de tensão e envolvimento da plateia na resolução do conflito principal.

As influências de “Crepúsculo” em “A Garota da Capa Vermelha” podem ser vistas não só nos elementos narrativos, como também nos elementos estéticos. A diretora Catherine Hardwicke repete aqui aqueles longos planos abertos, em que focaliza montanhas e a vastidão da floresta; também é forte o uso da trilha sonora no preenchimento dos vazios deixados pelos elementos narrativos, assim como da potencialização da música nas cenas mais românticas. Ou seja, o que dá para perceber é a vontade de Hardwicke de repetir o que conseguiu em “Crepúsculo”, o problema é que o triângulo amoroso aqui não possui a mesma química que Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner e muito menos a história amorosa tem o mesmo carisma que a de Bella, Edward e Jacob.

Cotação: 4,5

A Garota da Capa Vermelha (Red Hiding Hood, 2011)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Leslie Johnson
Elenco: Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas, Julie Christie

maio 25, 2011 at 1:33 am 16 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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