Archive for janeiro, 2011
“O Discurso do Rei” vs “A Rede Social”

Até o dia 27 de fevereiro, os cinéfilos não falarão sobre outro assunto: poderia “O Discurso do Rei” vencer “A Rede Social”, que, até esta semana, parecia ser imbatível ao Oscar 2011 de Melhor Filme? Ninguém pode saber a resposta, a esta altura do campeonato, mas alguns pontos nesta disputa a gente pode considerar – e especular:
- O momentum, que antes estava totalmente ao lado de “A Rede Social”, especialmente pela boa trajetória que o filme obteve, até agora, na temporada de premiações, foi totalmente revertido para “O Discurso do Rei”, uma vez que as premiações dos Guilds possuem muito mais peso na briga pelo Oscar do que as premiações dos críticos, uma vez que são os membros dos sindicatos que fazem parte dos diversos branches que formam o grupo de votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas;
- O fator irmãos Weinstein: todo mundo sabe que eles amam campanhas de marketing acirradas e eles sabem promover seus filmes como ninguém, especialmente durante a temporada de premiação. A vitória de “O Discurso do Rei”, ontem à noite, no SAG Awards 2011, fez muita gente se lembrar do que assistimos em 1999, quando “O Resgate do Soldado Ryan” parecia imbatível até a vitória final de “Shakespeare Apaixonado” no Oscar de Melhor Filme. Neste sentido, me lembro até hoje da cara espantada de Gwyneth Paltrow olhando para uma das produtoras do filme que lhe deu o Oscar de Melhor Atriz e dizendo: “eu não acredito!”;
- Entretanto, por mais similar que o cenário seja, é impossível comparar o que assistimos em 1999 com o que vemos agora. Em primeiro lugar, porque a seleção de filmes daquele ano nem se compara com a de 2011 em termos de qualidade. Se tivéssemos que citar algum cenário similar a este que estamos vendo com “O Discurso do Rei”, seria o de 2009, entre “Quem Quer Ser um Milionário?” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O cinema sóbrio, mas competente de David Fincher (sim, ele aqui de novo) – tudo que “A Rede Social” é – e o cinema “feel good” de Danny Boyle (agora, representado por Tom Hooper), que nos contava uma história legal, de fácil identificação, um conto de superação e de inspiração – tudo que “O Discurso do Rei” parece ser;
- A diferença é que “Quem Quer ser um Milionário?”, naquela época, representava o otimismo e a esperança que marcavam os Estados Unidos do início da era Obama. Era um representativo de um momento da sociedade norte-americana. Se formos seguir este raciocínio, “A Rede Social” sairia vencedor fácil do Oscar, afinal, trata de uma história de visão, de empreendedorismo, do caráter bem sucedido que a sociedade norte-americana tanto valoriza. Mas, muita gente se esquece de que o cinema também é conforto, diversão e leveza. Isso que “O Discurso do Rei” oferece às suas audiências. O que chega a ser impressionante é como uma obra tipicamente inglesa (ao que tudo indica, “O Discurso do Rei” segue o estilo telefilme da BBC com muita discrição que a gente viu no fabuloso “A Rainha”), conquistou tanto espaço nos Estados Unidos, ao ponto de, ontem, no tapete vermelho do SAG Awards, muitos atores estarem comentando, nas entrevistas, sobre o quanto apreciaram a obra.
Enfim, esta será uma disputa emocionante até o último instante e que representa dois lados do cinema. Dois lados, diga-se de passagem, que nos agradam muito. Resta-nos torcer para que a briga seja justa e a AMPAS tome a melhor decisão… Mas, lembremos, o Oscar é um prêmio estritamente de mercado… Méritos passam longe, na maioria das vezes, dali… Se esse fosse um critério importante, Christopher Nolan estaria indicado ao Oscar de Melhor Diretor, mas ei, a AMPAS parece ter perdido o contato com a realidade cinematográfica há muito tempo, por isso a perda constante de audiência no show de premiação e a permanente vontade de renovar seus conceitos, mas a quê preço?
Comentando o SAG Awards 2011
Nos últimos dias, a temporada de premiações tem sido tomada por uma verdadeira onda. Uma onda que poderia parecer tardia, mas está começando a incomodar aqueles que eram os favoritos. Quando o Golden Globe Awards 2011 terminou, falamos a respeito da quase impossibilidade de uma virada na corrida pelo Oscar. Após o término do Screen Actors Guild Awards 2011, a frase muda. Com as vitórias de “O Discurso do Rei” nas categorias mais importantes do Producers Guild Awards, do Directors Guild Awards e, agora, do SAG Awards 2011, só dizemos uma coisa: “A Rede Social” que se cuide, porque seu status de favorito absoluto está fortemente ameaçado por um filme que conta uma história de superação, de inspiração e que tem a cara daquilo que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas valoriza.
Em relação às outras categorias de atuação, Natalie Portman, Colin Firth, Melissa Leo e Christian Bale não têm com o que se preocupar. O prêmio já é deles. Eles só têm que aparecer no dia 27 de fevereiro, no Kodak Theatre, em Los Angeles, para a noite do Oscar 2011 e controlar a ansiedade até a chegada do grande momento deles.
Como esperado, a noite do 17th Annual Screen Actors Guild Awards foi marcada pela emoção e pelo nervosismo. Numa profissão em que as pessoas buscam demais a auto-afirmação e a aceitação, conseguir um prêmio dos seus colegas de trabalho deve ser o equivalente ao atingir o ápice de suas carreiras. Como sempre, os discursos dos vencedores reforçam sempre a história particular de cada um em suas carreiras, frisando o orgulho que todos eles têm de estar ali e de poderem viver daquilo que eles mais gostam de fazer. Neste sentido, cito o discurso de Christian Bale, que ofereceu dicas valiosas aos futuros atores, e o do homenageado Ernest Borgnine, que reforçou a importância que todos os que estavam ali reunidos naquela premiação possuíam para os aspirantes a atores ao redor do mundo.
Comentando particularmente a entrega de prêmios, na parte de cinema não podemos dizer que houveram surpresas. Na parte de televisão, queremos destacar a vitória de Betty White (que venceu por ser Betty White, por ser uma lenda da televisão e por ser alguém extremamente querida na indústria) e a merecidíssima vitória do elenco de “Modern Family”, que já merecia o mesmo trofeu no ano passado.
No mais, a espera pelo Oscar será longa… Especialmente para aqueles envolvidos na grande disputa: “A Rede Social” VS “O Discurso do Rei”… Nos vemos no dia 27 de fevereiro para saber como esta história irá acabar.
Veja a lista completa de vencedores aqui.
Cena da Semana
(A partida de Pu Yi para a Cidade Proibida – O Último Imperador [1987] – diretor: Bernardo Bertolucci)
Em 1988, “O Último Imperador”, filme dirigido por Bernardo Bertolucci, fez uma verdadeira limpa no Oscar. A obra foi indicada a 9 estatuetas naquele ano e venceu todas. Merecidamente, diga-se de passagem, uma vez que a parte técnica deste longa é muito bem realizada. Outro ponto muito positivo da obra é a apresentação bem feita que o filme nos faz de todas as transformações sociais e políticas pelas quais passou a China desde a ascensão da República Popular no país até à chegada do regime ditatorial de Mao Tsé-Tung.
Entretanto, assistindo a este mesmo filme 24 anos após a sua data de lançamento, a constatação que fazemos é a de que o relato da história de Pu Yi, o último Imperador da China, que, aos 3 anos, ascendeu ao poder e ficou confinado na Cidade Proibida até os seus 24 anos, se encontra um tanto datada. Outro fator importante a ser mencionado é a lentidão da narrativa dirigida por Bernardo Bertolucci. Em muitos momentos, as transições de tempo são bruscas e a gente fica mesmo é de olho no relógio para ver se a obra está perto de terminar. E isso, quase sempre, nunca é um bom sinal…
Previsões para os Vencedores do SAG Awards 2011
Na noite deste domingo, dia 30 de janeiro, acontece, no Shrine Exposition Center, em Los Angeles, a 17ª edição do Screen Actors Guild Awards, prêmio outorgado pelo Sindicato de Atores dos Estados Unidos. Por causa de sua particularidade (um prêmio entregue pelos atores aos seus colegas de trabalho), a cerimônia de premiação é sempre uma das mais interessantes a serem conferidas, por causa dos discursos emocionados e do sentimento perene do quanto todos ali estão orgulhosos de serem atores.
O Cinéfila por Natureza deixa aqui a sua lista de palpites para os grandes vencedores da noite:
Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
COLIN FIRTH / King George VI – “THE KING’S SPEECH” (The Weinstein Company)
Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
NATALIE PORTMAN / Nina Sayers – “BLACK SWAN” (Fox Searchlight Pictures)
Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
CHRISTIAN BALE / Dicky Eklund – “THE FIGHTER” (Paramount Pictures and Relativity Media)
Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
MELISSA LEO / Alice Ward – “THE FIGHTER” (Paramount Pictures and Relativity Media)
Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture
THE FIGHTER (Paramount Pictures and Relativity Media)
AMY ADAMS / Charlene Fleming
CHRISTIAN BALE / Dicky Eklund
MELISSA LEO / Alice Ward
JACK MCGEE / George Ward
MARK WAHLBERG / Micky Ward
Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
AL PACINO / Jack Kevorkian – “YOU DON’T KNOW JACK” (HBO)
Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
CLAIRE DANES / Temple Grandin – “TEMPLE GRANDIN” (HBO)
Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
STEVE BUSCEMI / Nucky Thompson – “BOARDWALK EMPIRE” (HBO)
Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
JULIANNA MARGULIES / Alicia Florrick – “THE GOOD WIFE” (CBS)
Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
ALEC BALDWIN / Jack Donaghy – “30 ROCK” (NBC)
Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
TINA FEY / Liz Lemon – “30 ROCK” (NBC)
Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
BOARDWALK EMPIRE (HBO)
GREG ANTONACCI / Johnny Torrio
STEVE BUSCEMI / Nucky Thompson
DABNEY COLEMAN / Commodore Louis Kaestner
PAZ DE LA HUERTA / Lucy Danzinger
STEPHEN GRAHAM / Al Capone
ANTHONY LACIURA / Eddie Kessler
KELLY MACDONALD / Margaret Schroeder
GRETCHEN MOL / Gillian Darmody
ALEKSA PALLADINO / Angela Darmody
VINCENT PIAZZA / Lucky Luciano
MICHAEL PITT / Jimmy Darmody
MICHAEL SHANNON / Agent Nelson Van Alden
PAUL SPARKS / Mickey Doyle
MICHAEL STUHLBARG / Arnold Rothstein
ERIK WEINER / Agent Sebso
SHEA WHIGHAM / Sheriff Elias Thompson
Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
GLEE (FOX)
MAX ADLER / Dave Karofsky
DIANNA AGRON / Quinn Fabray
CHRIS COLFER / Kurt Hummel
JANE LYNCH / Sue Sylvester
JAYMA MAYS / Emma Pillsbury
KEVIN MCHALE / Arty Abrams
LEA MICHELE / Rachel Berry
CORY MONTEITH / Finn Hudson
HEATHER MORRIS / Brittany Pierce
MATTHEW MORRISON / Will Schuester
MIKE O’MALLEY / Burt Hummel
CHORD OVERSTREET / Sam Evans
AMBER RILEY / Mercedes
NAYA RIVERA / Santana Lopez
MARK SALLING / Noah ‘Puck’ Puckerman
HARRY SHUM JR. / Mike Chang
IQBAL THEBA / Principal Figgins
JENNA USHKOWITZ / Tina
Outstanding Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture
INCEPTION (Warner Bros. Pictures)
Outstanding Performance by a Stunt Ensemble in a Television Series
TRUE BLOOD (HBO)
Lembrando que o ator Ernest Borgnine, vencedor do Oscar de Melhor Ator pela performance em “Marty”, receberá o Life Achievement Award em homenagem a toda a sua carreira.
A 17ª edição do Screen Actors Guild Awards terá transmissão do TNT, a partir das 23h. O E! Entertainment Television fará a cobertura do tapete vermelho da premiação, com entrevistas de Ryan Seacrest e Giuliana de Pandi, a partir das 21h.
Incontrolável

É muito certo dizer que o ator Denzel Washington se transformou no ator favorito do diretor Tony Scott. Com “Incontrolável”, a mais nova parceria dos dois, são cinco os filmes que ambos realizaram juntos. Eu entendo Tony Scott. É difícil não gostar de Denzel Washington. Ele tem uma característica rara entre os atores. Ele tem um biotipo e uma credibilidade que o permite interpretar qualquer tipo de pessoa, seja ele um guarda-costas, um agente especial, um militar, um professor, um pai atordoado, um policial corrupto, um líder inspirador, entre outros tipos que Washington já teve a chance de interpretar.
Baseado em uma história real, o personagem principal de “Incontrolável” é o trem 777, que – por causa de uma combinação de erro humano e azar – está desgovernado e pronto para causar um enorme estrago em uma área residencial do Sul da Pensilvânia. Após várias tentativas frustradas de parar o trem, entram em ação o maquinista Frank (Washington) e o condutor Will (Chris Pine), que estavam tendo um dia de trabalho normal até que decidem correr atrás do trem quando a maioria já tinha desistido disso e estava se preparando para o pior.
O material escrito por Mark Bomback é perfeito para um diretor como Tony Scott. O irmão mais novo de Ridley Scott é um diretor nato de filmes de ação que atualizou bastante seu estilo, como provam as suas obras mais recentes. Com a experiência que possui, Scott é o cara certo para imprimir à trama de “Incontrolável” o clima de tensão que a história exige. O filme tem um ritmo frenético, que vai fazer com que você fique tão agoniado que você só vai se mexer da cadeira quando tudo tiver uma conclusão. É importante mencionar que isso também é fruto do competente trabalho de edição de Chris Lebenzon e Robert Duffy.
O outro grande trunfo de “Incontrolável” também está relacionado ao roteiro de Mark Bomback. Todas as pessoas envolvidas no planejamento de evitar o descarrilhamento do trem 777 são personagens muito bem construídos, especialmente em relação à função de cada um na trama. Você terá “ódio” das pessoas certas, você irá se comover ou se apreender nos momentos certos e, principalmente, você sentirá empatia pelas pessoas certas – ao ponto de, no final de tudo, ser impossível não vibrar junto de Frank, Will e Connie (Rosario Dawson).
Cotação: 8,5
Incontrolável (Unstoppable, 2010)
Direção: Tony Scott
Roteiro: Mark Bomback
Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Ethan Suplee, Kevin Dunn, Kevin Corrigan, Jessy Schram


