Archive for dezembro, 2010

Os Melhores de 2010

Agora, são 176 filmes vistos no ano. E nada mudou em nossa lista de Melhores de 2010. Em comum entre os filmes selecionados, o fato de que aliam uma boa técnica cinematográfica a um bom roteiro, mas o lado principal destas obras: elas mexeram conosco, tiveram aspectos com os quais nos identificamos, nos fizeram refletir e pensar no cinema. E isso, num blog que fala sobre a sétima arte, é fundamental e é o que nos move. Que mais filmes como estes venham em 2011.

Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
01. Direito de Amar (A Single Man, 2009, dir. Tom Ford)
02. A Origem (Inception, 2010, dir. Christopher Nolan)
03. A Rede Social (The Social Network, 2010, dir. David Fincher)
04. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010, dir. José Padilha)
05. Preciosa – Uma História de Esperança (Precious, 2009, dir. Lee Daniels)
06. Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2009, dir. Kathryn Bigelow)
07. Julie & Julia (Julie & Julia, 2009, dir. Nora Ephron)
08. Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2009, dir. Jane Campion)
09. 500 Dias com Ela ((500) Days With Summer, 2009, dir. Marc Webb)
10. O Mensageiro (The Messenger, 2009, dir. Oren Moverman)

O Melhor Filme: “Direito de Amar”, de Tom Ford
O Melhor Diretor: Christopher Nolan, por “A Origem”
O Melhor Ator: Colin Firth, por “Direito de Amar”
A Melhor Atriz: Gabourey Sidibe, por “Preciosa – Uma História de Esperança”
O Melhor Ator Coadjuvante: Andrew Garfield, por “A Rede Social”
A Melhor Atriz Coadjuvante: Mo’Nique, por “Preciosa – Uma História de Esperança”
O Melhor Roteiro Original: Christopher Nolan por “A Origem”
O Melhor Roteiro Adaptado: Aaron Sorkin, por “A Rede Social”
A Melhor Animação: “Toy Story 3″, de Lee Unkrich
O Melhor Filme Nacional: “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro”, de José Padilha
O Melhor Elenco: “A Rede Social”
A Melhor Fotografia: Barry Ackroyd, por “Guerra ao Terror”
A Melhor Montagem: Eduard Grau, por “Direito de Amar”
A Melhor Direção de Arte: Sarah Greenwood e Katie Spencer, por “Sherlock Holmes”
O Melhor Figurino: Colleen Atwood, por “Alice no País das Maravilhas”
A Melhor Trilha Sonora: Abel Korzeniowski, por “Direito de Amar”
A Melhor Canção Original: “The Weary Kind”, de “Coração Louco”
A Melhor Maquiagem: “Alice no País das Maravilhas”
Os Melhores Efeitos Visuais: “Tron – O Legado”
O Melhor Som: “Guerra ao Terror”

A Melhor Cena de 2010

(O final de Toy Story 3)

Por representar, fielmente, que o fim não significa um término, mas somente o começo de uma nova história, ou o recomeço de tudo.
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Aproveito para agradecer a companhia de vocês todos por mais um ano no Cinéfila por Natureza. Desejo a todos vocês e suas respectivas famílias um Feliz Natal e que 2011 seja um ano repleto de bênçãos, realizações, muita saúde e, claro, bons filmes! O blog volta no dia 02 de janeiro! Nos vemos em breve!

dezembro 23, 2010 at 9:47 pm 43 comentários

Os Piores de 2010

Foram 174 filmes vistos em 2010, até agora. E, no mês de dezembro, é chegada aquela hora de fazermos um balanço daquilo que assistimos e que queremos lembrar ou esquecer no ano. Para começar, a nossa lista de piores de 2010, que contempla obras diversas, obras experimentais (que não deram certo), os mesmos suspeitos de sempre, aquela atriz que já foi grande um dia e aquele cineasta que está vendo a sua carreira desaparecer diante de seus próprios olhos (e ego inflado!). Entretanto, algo em comum permeia as 10 obras que aqui destacamos: elas são um caso fiel de que um bom roteiro, hoje em dia, é necessário para a produção de uma boa obra cinematográfica.

Top 10 dos Piores Filmes de 2010
1. Os Vampiros que se Mordam (Vampires Suck, 2010, dir. Jason Friedberg e Aaron Seltzer)
2. Insolação (2009, dir. Felipe Hirsch e Daniela Thomas)
3. Caso 39 (Case 39, 2009, dir. Christian Alvert)
4. O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010, dir. Daniel Stamm)
5. Muita Calma Nessa Hora (2010, dir. Felipe Joffily)
6. Gente Grande (Grown-Ups, 2010, dir. Dennis Dugan)
7. A Ressaca (Hot Tub Time Machine, 2010, dir. Steve Pink)
8. 400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho (2010, dir. Caco Souza)
9. Os Mercenários (The Expendables, 2010, dir. Sylvester Stallone)
10. O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010, dir. M. Night Shyamalan)

As Piores Cenas do Ano:
São 2 minutos e 09 segundos de prova de que a dupla Seltzer e Friedberg deveria desistir de fazer cinema. Estas sátiras já deram o que tinha que dar. Pior é dizer que isso é um resumo dos clipes mais engraçados de “Os Vampiros que se Mordam”.

As Piores Atuações de 2010:
Nicolas Cage, “O Aprendiz de Feiticeiro”
Maria Flor, “A Suprema Felicidade”
Alex O’Laughlin, “Plano B”
Matt Lanter, “Os Vampiros que se Mordam”
Jennifer Lopez, “Plano B”
Rosane Mulholland, “Nosso Lar”
Robert Pattinson, “Lembranças”
Salma Hayek Pinault, “Gente Grande”
Sylvester Stallone, “Os Mercenários”
Taylor Swift, “Idas e Vindas do Amor”

Amanhã, voltamos com a nossa lista de Melhores de 2010.

dezembro 22, 2010 at 10:10 pm 36 comentários

A Fita Branca

Na sua definição, a cor branca é aquela que faz a junção de todo o espectro de cores, mas, ao mesmo tempo, não absorve cor nenhuma, uma vez que ela aparece com clareza máxima. Para o diretor austríaco Michael Haneke, a cor branca significa a pureza, a inocência e a virtude. Curioso notar que a fita branca à qual o título de seu mais recente filme faz referência é parte, na verdade, de um ritual de punição. Um pai obrigava seus dois filhos a usá-la como forma de evitar o pecado, a mentira, a inveja, a indecência, dentre outras coisas ruins.

Isto, por sua vez, ocorria, pois a história criada pelo diretor se passa num vilarejo alemão às vésperas do início da I Guerra Mundial, quando uma série de ameaças e atos perversos de violência começam a acontecer. Numa localidade pequena, em que todos se conhecem, tal realidade marca também a mudança na rotina do vilarejo, além de criar um ambiente de certa desconfiança e de muita inquietação.

A constatação mais interessante que se vem do fato de assistir “A Fita Branca” é que Michael Haneke, um diretor que é bastante interessado no caráter cotidiano da violência, nos revela que o ambiente externo daquele vilarejo é somente o resultado do que acontece entre quatro paredes, na maioria das casas deste lugar. A maldade, a inveja, a ignorância e a brutalidade é uma coisa que, naquela localidade, se passa de pai para filho. Ou seja, Haneke mostra como a educação influencia na formação do caráter de alguém. Neste sentido, os personagens mais importantes de “A Fita Branca” são as crianças deste vilarejo. No filme, elas são infratores, são vítimas, são testemunhas, são a prova viva de que somos o produto daquilo que vivenciamos.

Obra vencedora do Globo de Ouro 2010 de Melhor Filme Estrangeiro e indicada ao Oscar 2010 da categoria, “A Fita Branca” encontra muito de seu impacto na feliz decisão de Haneke de apresentar sua história em preto e branco (com a brilhante fotografia de Christian Berger). Não sei se isto foi intencional, mas, além de criar um efeito de distanciamento de tempo mesmo, as cenas nesta paleta de cores atenuam de certa forma o tema denso da obra. O que incomoda um pouco – e acredito que esta parte foi, sim, intencional – é o fato de Haneke deixar muitas perguntas sem respostas. Não dá para acreditar na solução oferecida no final. Ela é muito simples. Talvez por isso mesmo, o diretor frise tanto o fato de que poucos meses depois de onde o filme terminou tenha se dado início à I Guerra Mundial, conflito que foi fundamental para a mudança do cenário geopolítico europeu e cujos efeitos foram importantes para a ascensão do Nazismo na Alemanha, quatorze anos depois de seu término. Se o pensamento de Haneke foi fazer um filme sobre a formação da geração que levou ao período mais negro da história da Alemanha, aí, sim, podemos dizer que estamos diante de uma obra brilhante.

Cotação: 7,5

A Fita Branca (Das Weisse Band, 2009)
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Elenco: Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Fion Mutert, Michael Kranz

dezembro 22, 2010 at 1:38 am 21 comentários

A Rede Social

Baseado no livro “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich, o filme “A Rede Social”, do diretor David Fincher, compartilha uma grande característica com a obra literária na qual se inspira: ambos são estruturados com base nos depoimentos de terceiros sobre uma única pessoa. O longa está tão ciente disso que uma de suas personagens, a advogada Marylin Delpy (Rashida Jones, do seriado “Parks and Recreation”) nos deixa a seguinte mensagem, ao final de “A Rede Social”: “85% de um depoimento é baseado no emocional, enquanto os 15% restantes são perjúrio”. Esta é somente uma constatação ao fato de que, ao final da sessão, não saberemos ao certo se Mark Zuckerberg é um vilão, alguém que foi um pouco mal aconselhado,  uma pessoa que só entrou no jogo e fez o que tinha que fazer para sobreviver ou um cara que, nas palavras da própria Marylin “não é um babaca, mas se esforça muito em parecer um”.

O roteiro escrito por Aaron Sorkin (responsável por algumas das melhores séries vistas na TV norte-americana na última década, como “Sports Night” e “The West Wing”) conta a história de sucesso por trás da criação do Facebook, rede social fundada em 04 de fevereiro de 2004, que começou como uma forma de reunir estudantes universitários norte-americanos e se expandiu de tal forma que, hoje, está presente em quase todos os continentes atraindo mais de 500 milhões de usuários. Um fato que chama a atenção na trajetória do Facebook é que, ao contrário do que se pode ver em outras empresas da Web, que são criadas, atingem sucesso e, rapidamente, são vendidas a algum conglomerado maior, o Facebook se mantém ligado à figura de seu criador, que é ainda o CEO da empresa e o mais jovem dono de uma fortuna bilionária no mundo.

O filme nos leva de volta àquelas noites de 2003, quando Mark Zuckerberg (o talentoso Jesse Eisenberg) e seu melhor amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) uniram forças para trabalhar na ideia que levaria à criação do Facebook. Provavelmente, nenhum deles sabia que daquele local surgiria uma das maiores ferramentas de renovação nas formas de comunicação. A verdade é que estes dois jovens tinham muita inexperiência, informalidade, uma certa dose de arrogância e aprenderam muito durante a trajetória de criação e de consolidação do Facebook.

A novidade que se acrescenta a esta história é um caso típico de picuinha do mundo corporativo e que também nos diz muito sobre a personalidade de Mark Zuckerberg. Acusado de roubo de propriedade intelectual, entre outras coisas, pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e pelo sócio deles Divya Narenda (Max Minghella); e colocado na justiça pelo, agora, ex-melhor amigo Saverin, que acabou sendo “passado para trás” nas muitas expansões de capital do Facebook. Zuckerberg se vê como uma vítima de seu próprio joguete e os depoimentos mostram que, por trás de uma mente genial, existe uma pessoa ressentida e capaz de tudo para conseguir aquilo que quer.

Neste sentido, é importante mencionar a forma como o caráter de Zuckerberg é construído ao longo de “A Rede Social”. Desde a primeira cena, ele mostra ser um cara obsessivo, em primeiro lugar, em entrar para uma daquelas fraternidades típicas de universidades norte-americanas (clubes exclusivos, formado basicamente por gente de muita influência e prestígio). São as decepções em busca deste caminho que o levam a todas as suas criações: o Facemash (que estimulava a disputa entre a beleza das alunas do dormitório do campus de Harvard, onde ele estudava) e, finalmente, o Facebook. Mark era alguém em busca da fama e do topo da cadeia social. O que o filme reforça é a ideia de que isso é possível, mas não sem deixar inúmeros inimigos para trás e correr o risco de viver uma vida que, na verdade, é extremamente solitária (e isso Mark, na verdade, o é – uma vez que as pessoas que o procuram [e, neste caso, podemos muito bem citar o Sean Parker, fundador do Napster, vivido por Justin Timberlake] estão atrás somente daquilo que uma pessoa como Zuckerberg pode trazer de benefícios para eles).

Por ser um grande estudo sobre um personagem, “A Rede Social” tem sido bastante comparado com “Cidadão Kane”, clássico do cinema dirigido por Orson Welles. Baseado na vida de William Randolph Hearst, um magnata da comunicação, “Kane” falava sobre a investigação do caráter de um homem que, por meio da aquisição de bens e pessoas, buscava somente preencher grandes lacunas de seu passado. Analisando por este prisma, existem, sim, paralelos entre a obra de Welles e o filme dirigido por David Fincher – uma vez que Zuckerberg, na sua busca por chamar a atenção dos clubes (que, na mente dele, eram exclusivos, divertidos e levavam a uma vida melhor), acabou criando o seu próprio espaço, onde ele era o manda-chuva e ditava as regras do jogo.

Porém, vendo do ponto de vista da linguagem cinematográfica, um abismo separa “Cidadão Kane” de “A Rede Social”. Em sua obra, Fincher não foi tão além quanto Orson Welles, que, naquela época, fez uma enorme revolução na forma de se fazer cinema. Entretanto, Fincher confirma seu nome como um dos grandes diretores de seu tempo, ao criar um filme de caráter documental com grande visão estética e que faz o relato de uma história que tem muita ressonância com os dias de hoje, especialmente com a sociedade norte-americana, a qual é movida pela competição e pela busca pelo sucesso. Para os norte-americanos, admitir um fracasso é a maior derrota que eles podem ter. Por isso, a grande relutância na admissão de que, talvez, Zuckerberg tenha mesmo roubado a ideia dos irmãos Winklevoss e Narenda e tenha mesmo passado seu melhor amigo para trás. O curioso é que, em nenhum momento, Mark admite isso – e nem mente sobre isso. E isso, talvez, diz mais sobre o caráter dele do que tudo aquilo que vemos em “A Rede Social”.

Cotação: 9,5

A Rede Social (The Social Network, 2010)
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin (com base no livro de Ben Mezrich)
Elenco: Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Joseph Mazzello, Andrew Garfield, Rashida Jones, Armie Hammer, Max Minghella, Justin Timberlake

dezembro 20, 2010 at 9:22 pm 30 comentários

Cena da Semana

(Trailer do especial “Alice” [2010] – diretores: Karim Ainouz e Sérgio Machado)

Nestas duas partes do especial que complementa a trama desenvolvida na primeira temporada do seriado, encontramos Alice num momento em que o que ela deseja é ficar mais quieta ao lado do namorado e dos projetos que ela anda desenvolvendo. Entretanto, especialmente como os acontecimentos retratados na parte 2 do especial (que é a melhor das duas) nos mostram, Alice é um espírito livre, é alguém que não nasceu para ficar parada, é alguém que gosta de aproveitar aquilo que de bom a vida tem a oferecer a uma jovem alegre, esforçada e batalhadora como ela.

Ou seja, a conclusão a qual chegamos é a mesma da primeira temporada: Alice tem que VIVER! E essa, talvez, seja a parte mais decepcionante dos dois especiais, porque a história não progrediu, a gente voltou ao mesmo lugar de antes. Se houver uma terceira temporada ou mais dois telefilmes, espero que os roteiristas expandam a história que se iniciou, na parte 2, com Alice (que é interpretada pela talentosa Andréia Horta) e Frederico. Eu fiquei com gosto de quero mais.

dezembro 19, 2010 at 2:56 am 10 comentários

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Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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