Archive for novembro, 2010

O que esperar do Oscar 2011?

Nada de Steve Carell. Nada de Jim Carrey. Nada de Tina Fey. Nada de Robin Williams. Nada de Meryl Streep. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) anunciou, na tarde de hoje, os nomes dos apresentadores da próxima edição dos Academy Awards e a escolha deles não poderia ter sido mais surpreendente: a dupla de atores James Franco e Anne Hathaway.

A escolha feita pela AMPAS segue a tendência recente dos shows de premiações – tendência esta, aliás, que eles mesmos confirmaram ao convidar Hugh Jackman para apresentar o prêmio em 2009 – que, na ânsia de atrair uma maior audiência, procuram ter, como hosts, personalidades do mundo do entretenimento que não seguram um show somente com aquelas piadas habituais. O primordial, agora, é saber entreter, é fazer grandes números que misturem música e dança. Neste sentido, a escolha feita pela AMPAS para o Oscar 2011 revela-se interessantíssima.

Veja Anne Hathaway, por exemplo. Atriz de extremo carisma e talento, a moça preenche, praticamente, todos os requisitos que a AMPAS poderia requerer: faz rir, canta muito bem e dança melhor ainda – o que a faz quase que uma performer completa, como foi provado pela própria participação dela no monólogo inicial de Hugh Jackman, no Oscar 2009. Já James Franco pode ser desajeitado como dançarino, mas, sua aparição recente no “Saturday Night Live“, por exemplo, prova que o ator, não só é um bom comediante, como também é um ótimo “variety man”. Ou seja, as qualidades de ambos os profissionais se completam e acredito que, passada essa estranheza inicial causada pelo anúncio, todos verão que a decisão da Academia, além de ousada, faz com que o show se modernize, pareça edgy e perca um pouco essa aura “antiga” e tradicional que ele tanto carrega e que, infelizmente, afasta uma audiência mais jovem do programa. Além disso, tem o fator de que ambos os atores estão em bons momentos de suas respectivas carreiras e são muito bem vistos pela indústria cinematográfica, como um todo.

O anúncio deles causou mais curiosidade ainda em se tratando do fato de que, tanto Franco quanto Hathaway, estão recebendo um Oscar buzz pelas suas performances em “127 Hours” (filme de Danny Boyle que está cotadíssimo para as principais categorias do Oscar 2011) e “Love and Other Drugs”. Desde já, é bom que todos saibam que o fato de apresentar uma cerimônia do Oscar não significa a chance de indicação na certa. A última vez que isso aconteceu foi com Paul Hogan, em 1987. Claro que estar no foco da cerimônia, como apresentador, pode ser benéfico para os dois atores. Mas, ao mesmo tempo, isso também pode significar o término das chances deles. Sinceramente, não sei se os dois atores serão indicados. Acho que, tendo em vista a crítica, somente Franco tem grandes chances de ser lembrado pela Academia. Para Anne, resta aproveitar os holofotes e os benefícios que ela terá ao apresentar o Oscar. Isso será excelente para ela mostrar toda a sua versatilidade – e digo o mesmo para Franco, que me surpreende MESMO ao ter aceitado esse convite!

novembro 29, 2010 at 10:24 pm 21 comentários

Cena da Semana

(O tango – Bons Costumes [2008] – diretor: Stephan Elliott)

“Bons Costumes”, de Stephan Elliott, é um filme de época com um tom de comédia de costumes e a influência de um humor mais pastelão. Na obra, Jessica Biel interpreta uma norte-americana bem à frente do seu tempo que se casa com um jovem inglês de uma família bastante aristocrática.

O filme fala muito do impacto que alguém como Larita (Biel) tem num meio familiar altamente reprimido. E a obra tira seus melhores momentos justamente deste conflito entre alguém que tem ciência de si e de sua “fácil virtude” e entre pessoas  que foram criadas para esconder seus desejos, anseios e angústias.

novembro 27, 2010 at 7:15 pm 10 comentários

Tudo Pode Dar Certo

Se existe alguém que entende a situação de interpretar o alter ego de si mesmo, esse alguém – além de Woody Allen – seria o comediante Larry David. Afinal, no seriado “Curb Your Enthusiasm”, David interpreta alguém que é completamente baseado em si mesmo, da mesma forma em que, em “Seinfeld”, ele permitiu que um dos personagens (George Costanza) fosse completamente baseado nas suas características pessoais. Portanto, é totalmente natural a escolha dele para estrelar “Tudo Pode Dar Certo”, a obra mais recente do diretor e roteirista Woody Allen a estrear nos cinemas brasileiros.

Neste filme, Woody Allen – através do personagem interpretado por Larry David, Boris – estabelece uma grande conversa com o público sobre um tema que parece ser uma verdadeira obsessão do cinema: a forma como os seres humanos se relacionam um com os outros. O interessante é que ele não está diante de nós para falar de dramas pessoais. Pelo contrário, Boris quer nos mostrar uma visão própria do amor. Um ponto de vista que, aliás, diga-se de passagem, é quase como se fosse o resultado de um estilo de vida de alguém que sabe que o universo não conspira a favor de nada – na realidade, dependemos mesmo é da sorte e do fator mundano que ele denomina “whatever works” para fazer com que um relacionamento funcione de verdade.

O roteiro de “Tudo Pode Dar Certo” se atém ao relacionamento que Boris – que pode ser considerado um gênio – estabelece com Melody (Evan Rachel Wood, numa atuação inspirada) – uma jovem totalmente ignorante de conhecimentos gerais sobre qualquer assunto. Ele abriga a garota, meio que sem querer, em sua casa e começa a compartilhar com ela de vários assuntos, os quais podem ser grandes ou não para a pobre cabecinha dela. O filme ganha em densidade quando o relacionamento de Boris se estende a toda a rede de pessoas que fazem parte da vida de Melody, como a mãe (Patricia Clarkson), o pai (Ed Begley Jr.) e os interesses amorosos dela (John Gallagher Jr. e Henry Cavill).

Por falar bastante sobre o acaso, poderíamos dizer que “Tudo Pode Dar Certo”, dentro da filmografia de Woody Allen, seria uma espécie de derivado de “Ponto Final – Match Point”, filme que o diretor fez em 2005 e que marcou a retomada de sua carreira depois de várias obras sem repercussão. A diferença é que, aqui, estamos diante de uma comédia nata, com personagens caricatos e que são fundamentais para a grande mensagem que Boris quer nos deixar: “o amor, apesar do que todos dizem, não supera tudo, nem dura para sempre. No final, as aspirações românticas da nossa juventude estão reduzidas para aquilo que funcionar”. Ou seja, cada um sabe o que é melhor para si…

Cotação: 6,5

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2010)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Larry David, Michael McKean, Carolyn McCormick, Evan Rachel Wood, John Gallagher Jr., Patricia Clarkson, Henry Cavill, Ed Begley Jr., Jessica Hecht

novembro 25, 2010 at 10:38 pm 25 comentários

Um Parto de Viagem

De alguma forma, a comédia “Um Parto de Viagem”, de Todd Phillips, lembra a comédia romântica “Forças do Destino”, de Brownen Hughes. Em ambos os filmes, temos como personagens principais dois homens que estão prestes a viver dois momentos significativos em suas vidas e que embarcam em uma viagem com pessoas que lhe são completamente desconhecidas. Nesta jornada, eles viverão situações inéditas em suas vidas, mas, particularmente, vão ter reforçadas aquela ideia do destino final deles. Ou seja, nada vai mudar aquilo que está prestes a acontecer, independente das mudanças pelas quais eles irão passar nesta viagem que farão.

Em “Um Parto de Viagem”, Robert Downey Jr. interpreta Peter Highman. Ele é arquiteto e, aparentemente, passa boa parte de seus dias a bordo de aviões e em hotéis. Sua esposa (Michelle Monaghan) está prestes a ter um nenê (o primeiro filho do casal) e ambos estão ansiosos por isso. Quando está para retornar para casa, Peter conhece o aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis, que foi revelado em outro filme de Phillips, a comédia “Se Beber, Não Case!”) e esse encontro será o acontecimento mais importante deste longa.

Por uma série de mal entendidos (forçados ou não), Peter e Ethan são obrigados a viajar juntos, em um carro, fazendo uma travessia da cidade de Atlanta até Los Angeles. O curioso nesta situação é que as características distintas destes personagens fazem com que a viagem seja uma experiência torturante para Peter, mas excelente para Ethan (que é aquela pessoa que se contenta com o pouco que recebe e fica felicíssimo por isso). Como aconteceu em “Se Beber, Não Case!”, a jornada vivida por esses dois amigos improváveis, tem um potencial altamente destrutivo – seja de carros, quartos de hoteis, de amizades, de relacionamentos e também da paciência que vai ser necessária para que os dois terminem esta viagem de bem.

Como “Se Beber, Não Case!” foi um estrondoso sucesso, muito se era esperado deste “Um Parto de Viagem”. O filme começou bem a sua trajetória nos cinemas norte-americanos, ainda mais depois de ter conquistado um Hollywood Awards de Melhor Ator Cômico para Zach Galifianakis. Após assistirmos o filme, ficam duas sensações: a primeira é de que esta é uma obra inferior ao maior sucesso de Todd Phillips; a segunda é a de que Galifianakis é merecedor de qualquer elogio que receba. Ele ofusca totalmente a figura de Robert Downey Jr. O filme é todo dele!

Cotação: 7,0

Um Parto de Viagem (Due Date, 2010)
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland, Adam Styzkiel, Todd Phillips (com base na história de Alan R. Cohen e Alan Freedland)
Elenco: Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx, Juliette Lewis, Danny McBride

novembro 25, 2010 at 2:40 am 21 comentários

SBBC – Os 20 Melhores Filmes da Década – Parte 2

Dando continuidade ao nosso post de ontem, fiquem com o top 10 da nossa votação para a eleição dos 20 melhores filmes da década para a Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

1. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (2002)

2. 21 Gramas, de Alejandro Gonzalez Iñarritu (2003)

3. Avatar, de James Cameron (2009)

4. Closer – Perto Demais, de Mike Nichols (2004)

5. Dançando no Escuro, de Lars Von Trier (2001)

6. Voo United 93, de Paul Greengrass (2006)

7. A Última Noite, de Spike Lee (2002)

8. Menina de Ouro, de Clint Eastwood (2004)

9. As Horas, de Stephen Daldry (2002)

10. Na Natureza Selvagem, de Sean Penn (2007)

novembro 23, 2010 at 10:33 pm 31 comentários

Posts mais Antigos


A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

Contato

cinefilapn@gmail.com

Último Filme Visto

Lendo

Arquivos

Blog Stats

  • 425,267 hits

Feeds


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 44 other followers