Archive for outubro, 2010

Cena da Semana

(“Home Sweet Home” – A Ressaca [2010] – diretor: Steve Pink)

Definitivamente, a melhor coisa de “A Ressaca” é a performance de Rob Corddry. E ela atinge seu auge nesse vídeo final, que faz uma paródia ao clipe original de “Home Sweet Home”, que vem a ser a canção favorita do personagem dele, neste filme.

Mas, se vocês querem uma versão de alto nível desta música, originalmente gravada pelo Mötley Crue, nos anos 80, cliquem aqui para escutar a linda voz da Carrie Underwood.

outubro 31, 2010 at 12:12 am 13 comentários

Cabeça a Prêmio

“Cabeça a Prêmio” marca a estreia na direção de um longa metragem do ator Marco Ricca, um dos que tem uma carreira mais consistente no cinema brasileiro. Além de diretor, o ator também co-escreveu o roteiro de sua obra ao lado de Felipe Braga. O tema que eles escolheram não poderia ser mais atual e fala sobre o cerco fechado a uma família que comandava uma rede enorme de negócios ilícitos há anos, na região Centro-Oeste do Brasil, e que precisa tentar compreender qual será o próximo passo a ser dado.

Tendo esta premissa como ponto de partida, “Cabeça a Prêmio” aborda, paralelamente, vários clichês do cinema, como: a mocinha que se apaixona pelo vilão, o sócio que quer passar a perna no outro, o arrependido que quer deixar a vida de desonestidade, o capanga sem escrúpulos e que topa tudo, o matador atordoado e que possui certa ética de trabalho, a corrupção enraizada nas instituições, o homem comum que se torna uma vítima por tomar uma decisão errada ou por estar na hora errada no local errado, entre outros.

Por causa disso mesmo, “Cabeça a Prêmio” resulta em uma obra um tanto irregular em sua estrutura narrativa, uma vez que muita coisa acontece, ao mesmo tempo; muitos conflitos são criados e, às vezes, não se tem o tempo necessário para desenvolver bem todas as storylines. Por outro lado, o grande trunfo do filme, em decorrência disso, acaba sendo o excelente elenco que Ricca reuniu para compor esta gama de personagens – todos atores interessantes em papeis bem diferentes dos que costumamos vê-los (com a exceção de Alice Braga e de Fúlvio Stefanini, que repetem tipos que já conhecemos bem).

No final, o mais adequado é avaliar “Cabeça a Prêmio” como o primeiro passo de um dos nossos ótimos atores rumo a um caminho que é natural, tendo em vista até mesmo a própria trajetória de Marco Ricca. Com este filme, ele mostra um interesse por fazer um cinema que tenha uma cara própria (preste atenção ao sensacional final que ele criou e que é o ponto alto do longa) e que fale sobre temas que tenham alguma relevância pública. Ele é um nome a se prestar atenção como diretor.

Cotação: 6,0

Cabeça a Prêmio (2010)
Direção: Marco Ricca
Roteiro: Marco Ricca e Felipe Braga
Elenco: Alice Braga, Cássio Gabus Mendes, Daniel Hendler, Eduardo Moscovis, Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Via Negromonte, César Troncoso

outubro 29, 2010 at 10:51 pm 17 comentários

Comentando o Hollywood Awards 2010

Foi dada a partida para a temporada de premiações 2010-2011. Na noite de ontem, um público de 1100 pessoas esteve presente para prestigiar o Hollywood Awards, cerimônia que faz parte da programação do 14th Annual Hollywood Film Festival. Comentar esta premiação em particular é até uma tarefa muito difícil, uma vez que não se sabe muito bem quais são os critérios de escolha para os vencedores. Me parece que eles decidem por aqueles nomes “certos”, que, provavelmente, figurarão nas listas dos shows de premiações que ainda estão por vir – até entre as estrelas que são convidadas a apresentar os prêmios o critério maior de escolha parece ser “nomes que se destacaram no ano, até agora” – mas sem poder ousar demais, até porque eles evitam premiar aqueles filmes que ainda não estrearam em grande circuito nos Estados Unidos.

O grande vencedor deste ano foi o filme “A Origem”, de Christopher Nolan, que obteve 4 prêmios. Outro destaque foi “The Social Network”, de David Fincher. Fato que só confirma o seguinte cenário: ambos os filmes devem mesmo monopolizar a atenção dos shows de premiação até a noite do Oscar.

Veja a lista completa de vencedores do Hollywood Awards 2010:

Hollywood Movie Award: “Inception”
Hollywood Ensemble Acting Award: O elenco de “The Social Network”
Hollywood Comedy Actor Award: Zach Galifianakis, “Due Date”
New Hollywood Award: Jennifer Lawrence, “Winter Bone”
Hollywood Career Achievment Award: Sylvester Stallone
Hollywood Inovator Award: Morgan Freeman e Lori McCreary
Hollywood Diretor Award: Tom Hooper, “The King’s Speech”
Hollywood Actress Award: Annette Bening, “The Kids Are All Right
Hollywood Actor Award: Robert Duvall, “Get Low”
Hollywood Producer Award: Danny Boyle e Christian Colson, “127 Hours”
Hollywood Screenwriter Award: Aaron Sorkin, “The Social Network”
Hollywood Editor Award: Kirk Baxter e Angus Wall, “Inception”
Hollywood Humanitarian Award: Sean Penn
Hollywood Supporting Actress Award: Helena Bonham Carter, “Alice in Wonderland
Hollywood Supporting Actor Award: Sam Rockwell, “Conviction”
Hollywood Breakthrough Actress Award: Mia Wasikowska, “Alice in Wonderland”
Hollywood Breakthrough Actor Award: Andrew Garfield, “The Social Network” e “Never Let Me Go
Hollywood Film Composer Award: Hans Zimmer, “Inception”
Hollywood Cinematographer Award: Wally Pfister, “Inception”
Hollywood Animation Award: “Toy Story 3
Hollywood Visual Effects Award: “Iron Man 2

outubro 27, 2010 at 10:27 pm 25 comentários

A Lenda dos Guardiões

Quando somos crianças, nossos pais, geralmente, nos fascinam com histórias lendárias de herois que derrotaram grandes inimigos. Tais relatos de feitos consideráveis acabam alimentando as nossas imaginações em brincadeiras em que aspiramos tal heroismo. A animação “A Lenda dos Guardiões”, do diretor Zack Snyder, nos coloca diante de uma história em que a imaginação pode se tornar realidade e em que alguém comum possui a chance de mudar a sua trajetória, se tornando um grande heroi.

Neste sentido, os nossos dois personagens principais, os irmãos Kludd (dublado por Ryan Kwanten, da série “True Blood”) e Soren (dublado por Jim Sturgess), não poderiam ser mais diferentes um do outro. Enquanto um acredita, o outro desdém. Enquanto um sonha, o outro se mantém cético. Enquanto um é altruísta, o outro é egoísta. Enquanto um é confiável, o outro é traiçoeiro. Enquanto um pende para o lado do bem, o outro se aproxima mais do lado do mal.

É nesta dualidade que se encontra o ponto mais interessante do roteiro de “A Lenda dos Guardiões”, que foi escrito pela dupla John Orloff e Emil Stern. Os roteiristas colocam estes dois irmãos diante de uma situação em que eles veem que a lenda que seu pai os relatava era pura verdade e o que eles vivenciam no ambiente dos maldosos Puros são acontecimentos que farão com que cada um deles se posicione de uma maneira diferente – afinal, como já demonstramos, a essência deles é muito distinta.

Portanto, há que se valorizar um aspecto de “A Lenda dos Guardiões”. O filme pode falar sobre heroismo, sobre sacrifício, sobre lutar por aquilo que é o mais correto; mas, na verdade, a grande mensagem da animação é revelar aos pequenos sobre um tipo de decepção que, talvez, seja a pior de todas: aquela que nos é causada por aqueles que mais amamos. Soren e Kludd tiveram a mesma criação dos pais e receberam os mesmos valores deles, mas resultaram em dois seres humanos diferentes, que talvez nem se reconheçam e que vão ver desvanecer qualquer traço de irmandade que possuíram um com o outro.

Analisado por esse prisma, “A Lenda dos Guardiões” é um dos filmes de animação mais tristes dos últimos anos, mas o diretor Zack Snyder não se prende a esse lado melancólico. Ele privilegia em seu relato a descoberta da própria força de Soren, que vai sozinho encontrar os Guardiões de GaHoole para tentar convencê-los dos planos maléficos dos Puros e a lutar contra isso. A se lamentar somente o fato de que, por boa parte do filme, o roteiro se esquece da família que Soren e Kludd deixaram para trás quando embarcaram nessa aventura deles. Quando eles voltam a aparecer, o furo no roteiro já está todo aberto. Mas, isso, é bom frisar, não é algo que tire o brilho de uma animação que é uma verdadeira surpresa.

Cotação: 8,0

A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians, 2010)
Direção: Zack Snyder
Roteiro: John Orloff e Emil Stern (com base no livro de Kathryn Lasky)
Com as vozes de: Abbie Cornish, Deborra-Lee Furness, Ryan Kwanten, Anthony LaPaglia, Helen Mirren, Sam Neill, Richard Roxburgh, Geoffrey Rush, Jim Sturgess, Hugo Weaving, David Wenham, Leigh Whannell

outubro 27, 2010 at 1:19 am 23 comentários

Tropa de Elite 2

Último grande fenômeno do cinema brasileiro, “Tropa de Elite” cumpriu muito bem um dos propósitos da sétima arte: ajudar-nos a compreender a sociedade na qual estamos inseridos. No protagonismo da trama deste filme, um anti-heroi que virou uma personalidade admirada em todo o país: o Capitão Roberto Nascimento (Wagner Moura), policial por instinto e vocação, militar e líder do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), que fez de sua missão profissional o trabalho duro contra todo um sistema podre. O primeiro filme chamou a atenção por esfregar na cara do brasileiro toda uma parcela de culpa que nós também temos por sermos coniventes com todo um sistema de corrupção e de violência. Padilha mostra que é uma hipocrisia total de todos nós querermos exigir a limpeza, quando nós mesmos varremos as nossas sujeiras para debaixo do tapete, na primeira oportunidade que temos.

A continuação “Tropa de Elite 2”, que reúne novamente grande parte dos profissionais que trabalhou no primeiro filme, possui uma ambição ainda maior. Sua trama, que se passa nos dias atuais, coloca o, agora, Tenente-Coronel Nascimento num posto graduado da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, trabalhando diretamente com toda a Inteligência da Polícia Militar carioca, em uma storyline contra um novo – e poderoso – inimigo: os líderes das milícias (organizações criminosas formada por militares que atuam com a concordância de lideranças comunitárias, bem como autoridades civis, militares e políticas) que controlam as favelas do Rio de Janeiro através do uso excessivo de violência e da exigência de pagamentos de taxas abusivas em cima de serviços básicos para cada cidadão (como contratação de TV a cabo, venda de gás de cozinha, vendas de passagens para vans de transporte, etc.) que vêm em troca de uma proteção que, como o filme bem mostra, não existe – uma vez que o clima destes locais é de puro medo.

Em segundo plano, temos, novamente, a abordagem de uma trama que nos mostra o lado mais humano de Roberto Nascimento. Separado de Rosane (Maria Ribeiro) e com um relacionamento delicado com o único filho Rafael (Pedro Van Held), Nascimento, agora, nem tem mais aquela pessoa com quem desabafar e descontar tudo aquilo que ele passa dentro de seu ambiente profissional. Talvez, por isso mesmo, na ótima composição de personagem feita por Wagner Moura, se tenha o destaque aos cabelos brancos e à aparência apática de Nascimento. Também afastado do pupilo André Mathias (André Ramiro), por causa das consequências dos atos que acabaram levando-o ao emprego na Secretaria de Segurança Pública, Nascimento encontra um aliado na pessoa que ele menos esperava: o defensor de Direitos Humanos, Deputado Estadual e – vejam só – atual marido de sua ex-mulher, Diogo Fraga (Irandhir Santos, excelente), que vai ser o cara a mostrar para Nascimento que ele vem lutando, o tempo inteiro, contra o inimigo errado.

A verdade é que, em boa parte dos seus 115 minutos de duração, “Tropa de Elite 2” faz uma grande contextualização geral em preparação àquele que é um dos atos mais corajosos, contundentes e analíticos de um cenário social e político já vistos no cinema nacional. Na terceira parte do filme, a que conclui toda a nossa história, José Padilha e o roteiro que ele escreveu em parceria com Bráulio Mantovani nos revelam que o buraco é mais embaixo. É como se Padilha estivesse fazendo a introdução para aquele que é seu próximo projeto, “Nunca Antes na História Deste País”, drama de ficção sobre o maior escândalo político do governo Lula: o mensalão. A cena que antecede o momento final de “Tropa de Elite 2”, com um panorama aéreo sobre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, com a narração em off de Wagner Moura ao fundo, é muito metafórica neste sentido. Além disso, temos o instante derradeiro deste próprio filme, mostrando Roberto Nascimento em paz. É como se Padilha estivesse nos dizendo: “hora de fechar este capítulo, de deixar o anti-heroi descansar e vamos correr atrás dos peixes grandes”. Então, que venha seu novo projeto! Estamos aguardando!

Cotação: 9,5

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (Elite Squad 2, 2010)
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha e Bráulio Mantovani (com base na obra de Luiz Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel, Cláudio Ferraz e André Batista)
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Maria Ribeiro, Milhem Cortaz, Pedro Van Held, Tainá Muller, Seu Jorge, André Mattos, Emílio Orciollo Netto

outubro 25, 2010 at 9:47 pm 25 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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