Archive for setembro, 2010
Amor Extremo

O bom poeta que se preza tira a sua matéria prima de várias fontes. Talvez, a mais forte (ou, quem sabe, a mais rica delas) seja o amor. Baseado levemente em uma história real, a obra “Amor Extremo”, do diretor John Maybury, está centrada na figura do poeta inglês Dylan Thomas, que é um dos nomes mais celebrados da literatura de seu país. Os acontecimentos retratados pelo roteiro escrito por Sharman MacDonald revelam de que maneira o amor pode ser, não só, um alimento para a alma, como também o caminho mais próximo para aquilo que chamamos de auto-destruição.
Durante a II Guerra Mundial, Dylan Thomas (Matthew Rhys, da série “Brothers & Sisters”) reencontra Vera Phillips (Keira Knightley, que vem a ser filha da roteirista desta obra), um amor dos tempos de infância. O filme é bem explícito na forma como mostra que o sentimento que os uniu se reacende – independente do fato de Dylan ser casado com Caitlin MacNamara (Sienna Miller) e ser pai de um garotinho de tenra idade. O triângulo amoroso que aqui começa a se delinear se transforma em um quadrado amoroso com a entrada de William Killick (Cillian Murphy) na trama. Ele é um soldado que está prestes a servir na Guerra e que se envolve com Vera, com quem acaba se casando.
Por mais curioso que seja, o relacionamento que acaba sendo mais importante para “Amor Extremo” não é aquele que renasce entre Dylan e Vera ou aquele que surge entre Vera e William. A relação mais bem construída deste filme é a de amizade e de respeito que nasce entre as duas mulheres da vida de Dylan: Caitlin e Vera. Talvez, pelo fato de as duas conhecerem bem o poeta e de saberem (e compreenderem, principalmente) que ele é o tipo de homem que necessita de experiências distintas porque é delas que ele tira o trabalho dele. Enquanto estas duas personagens estão em bons termos consigo e com seus respectivos homens, “Amor Extremo” é um filme interessante, mas, a partir do momento em que o roteiro começa a embarcar em uma série de clichês (envolvendo temas como ciúmes e traumas de guerra), o longa se perde a ponto de não se recuperar mais.
Diretor de “Camisa de Força”, uma obra que também era co-estrelada por Keira Knightley, John Maybury pagou, em “Amor Extremo”, o preço por não ter um roteiro que o ajudasse – uma vez que este pula entre os territórios de história de amor, filme de época, suspense e melodrama sem nunca se decidir por um caminho certo, por um gênero definido. Talvez, para disfarçar esta falha, o diretor tenha decidido privilegiar a parte estética de seu longa e, por isso mesmo, acertou demais com a fotografia de Jonathan Freeman e com a trilha sonora de Angelo Badalamenti.
Cotação: 4,0
Amor Extremo (The Edge of Love, 2009)
Direção: John Maybury
Roteiro: Sharman MacDonald
Elenco: Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy, Matthew Rhys, Lisa Stansfield
As 10 Melhores Atuações Masculinas da Década
Depois das mulheres, agora é a vez dos homens. As nossas escolhas para as 10 Melhores Atuações Masculinas da Década:
1. Bruno Ganz, “A Queda! – Os Últimos Dias de Hitler”
2. Colin Firth, “Direito de Amar”
3. Wagner Moura, “Tropa de Elite”
4. Daniel Day-Lewis, “Sangue Negro”
5. Heath Ledger, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
6. Javier Bardem, “Onde os Fracos Não Têm Vez”
7. Mathieu Amalric, “O Escafandro e a Borboleta”
8. Edward Norton, “A Última Noite”
9. Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”
10. Daniel de Oliveira, “Cazuza – O Tempo Não Para”
As 10 Melhores Atuações Femininas da Década
Já que eu perdi o prazo para envio da minha lista pessoal com as 10 melhores atuações da década para a eleição que a Sociedade Brasileira dos Blogueiros Cinéfilos (SBBC) está promovendo, decidi seguir a ideia do amigo Alex Gonçalves e dividir com vocês quais seriam as minhas escolhas.
Começando pela lista das Melhores Atuações Femininas da Década. A lista aqui segue totalmente a minha ordem de preferência:
1. Marion Cotillard, “Piaf – Um Hino ao Amor”
2. Helen Mirren, “A Rainha”
3. Bjork, “Dançando no Escuro”
4. Charlize Theron, “Monster – Desejo Assassino”
5. Julianne Moore, “Longe do Paraíso”
6. Naomi Watts, “21 Gramas”
7. Nicole Kidman, “Os Outros”
8. Julianne Moore, “As Horas”
9. Mo’Nique, “Preciosa – Uma História de Esperança”
10. Anne Hathaway, “O Casamento de Rachel”
Coincidências do Amor

O personagem principal de “Coincidências do Amor”, comédia romântica dirigida pela dupla Josh Gordon e Will Speck, é um homem inseguro e cheio de neuroses. Wally (Jason Bateman) só não é solitário porque encontrou em Kassie (Jennifer Aniston), uma grande amiga – alguém que, principalmente, gosta dele pelo que ele é. Tanto no início quanto no final do filme, vemos Wally falar a respeito do quanto é rara a conexão verdadeira entre duas pessoas. A grande jornada deste personagem, nesta obra, é justamente ele entrar em termos e passar a aceitar aquilo que ele sente, tendo coragem também de revelar este sentimento à pessoa amada.
O roteiro escrito por Allan Loeb se passa em dois tempos narrativos. No primeiro, Wally tem que lidar com a decisão tomada por Kassie de engravidar usando o método de inseminação artificial. No segundo, que se passa sete anos depois deste primeiro fato, Wally tem que encarar a volta da amiga à cidade de Nova York – agora, com o filho Sebastian (Thomas Robinson) – e toda a nova vida dela, que inclui também a inserção do doador do esperma (Patrick Wilson) na rotina diária de todos eles, e o que isto tudo vai implicar nele mesmo.
O curioso em “Coincidências do Amor” é que, apesar da presença de Jennifer Aniston no elenco, atriz que já se destacou, em 2010, em outras duas comédias românticas (“O Amor Acontece” e “O Amor Pede Passagem”), não é ela a protagonista da obra. Como já dissemos anteriormente, o eixo emocional do filme dirigido por Josh Gordon e Will Speck se encontra na figura do ator Jason Bateman, que, depois de uma série bem-sucedida interpretando coadjuvantes de luxo em longas como “Juno” e “Amor sem Escalas”, finalmente tem a chance de brilhar em um papel que utiliza muito bem seu timing cômico, mas que também dá uma chance de ele mostrar sensibilidade.
Por isso mesmo, o ponto alto deste filme acaba sendo o relacionamento que se é estabelecido entre Wally e Sebastian. Imagino que a empatia entre Jason Bateman e o menino Thomas Robinson (que é um fofo!) tenha sido imediata, porque está na cara o carinho que um sente pelo outro e o quanto eles se dão bem. As cenas que retratam o processo de descoberta da suspeita de que o próprio Wally pode ser o pai de Sebastian são o diferencial de “Coincidências do Amor”, uma obra que nos lembra de que é preciso coragem para a gente brigar por aquilo que a gente quer e que as melhores coisas que podem acontecer na nossa vida (mesmo as mais inesperadas) possuem o poder de transformar a gente para melhor.
Cotação: 7,0
Coincidências do Amor (The Switch, 2010)
Direção: Josh Gordon e Will Speck
Roteiro: Allan Loeb (com base no conto de Jeffrey Eugenides)
Elenco: Jason Bateman, Jennifer Aniston, Jeff Goldblum, Juliette Lewis, Patrick Wilson, Thomas Robinson
Cena da Semana
(O pranto de Júlio Sérgio – Brescia 2 x 1 Roma – 22.09.2010)
Nos últimos minutos da partida válida pelo Campeonato Italiano, o goleiro brasileiro Júlio Sérgio sofreu uma grave lesão no tornozelo direito. O técnico estava impossibilitado de fazer mais uma alteração (uma vez que já tinha feito as três as quais tem direito). Além disso, o Roma estava com 10 jogadores em campo. Júlio fez o sacrifício de permanecer jogando, mesmo sentindo dores terríveis.
Definitivamente, a cena mais comovente da semana!


