Archive for julho, 2010

Titãs – A Vida Até Parece uma Festa

Ao todo, são 29 anos de carreira e 18 álbuns lançados. Uma trajetória que coloca os Titãs, banda de rock paulista, dentro dos grupos mais respeitados da música brasileira – fazendo rock ‘n roll de verdade, de qualidade e pesado. Não é fácil sobreviver num mercado altamente volúvel como o fonográfico e os Titãs conseguiram isso, passando por cima da saída de membros (Ciro Pessoa, André Jung, Arnaldo Antunes, Nando Reis e Charles Gavin), da morte de um integrante querido (Marcelo Fromer) e das críticas recebidas nas épocas do “Volume 2” e do “As Dez Mais” (ei, todo mundo quer fazer seu pé de meia, na vida…). 

O documentário “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, que foi dirigido por Branco Mello e por Oscar Rodrigues Alves, cobre uma história que ainda está sendo traçada, mas que, para fins documentais, termina durante a turnê do disco “Como Estão Vocês?”, de 2003 – eles já lançaram mais 3 álbuns depois desse. Contando com o suporte de um acervo enorme de imagens que documentam todas as fases da banda (desde shows, turnês, ensaios, aparições em TV; até os momentos de descontração em viagens e os instantes em que eles estão tomando decisões profissionais ou compondo novas músicas), o filme oferece um amplo campo de visão que nos faz enxergar porque o Titãs é a banda na qual se transformou. 

Se tem uma coisa que prejudica o documentário é o fato de ele não possuir uma linha narrativa definida. A impressão que temos é a de que estamos assistindo a um filme sem roteiro. Os assuntos vão aparecendo, sem seguir uma ordem cronológica, e vão sendo abordados, de forma superficial, sem nunca serem aprofundados. Porém isso não é algo que prejudica “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, muito em parte porque o objetivo do filme não é analisar o grupo, e sim nos dar a oportunidade de nos aproximar de um outro lado do trabalho deles. 

O documentário entra totalmente no espírito de “Diversão”, canção cujo verso dá nome ao filme. O filme faz jus a um dos maiores hits dos Titãs. As imagens caem bem como um tributo a todos eles e nos mostram bons momentos. E, mesmo quando estamos vendo algo que é triste, o filme que nos deixar com a memória daquilo que foi feliz. Até porque, no final, para fazer uma citação direta ao título do documentário, o que nos resta é fazer da vida uma festa. E isso os Titãs fizeram, fazem e continuarão fazendo. 

Cotação: 7,0

Titãs – A Vida Até Parece uma Festa (2008)
Direção: Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Roteiro: Oscar Rodrigues Alves e Branco Mello
Com: Arnaldo Antunes, Tony Bellotto, Sérgio Britto, Marcelo Fromer, Charles Gavin, Branco Mello, Paulo Miklos, Nando Reis

julho 30, 2010 at 2:14 pm 14 comentários

MEME – Charles Bronson e os Domingos Maiores

O colega Leandro, do blog Chá de Beterraba, nos passou um MEME dos mais interessantes e que nos pede para indicarmos algum ator, diretor ou filme que tenha nos iniciado a paixão pelo cinema. No meu caso, a escolha pode até ser bem peculiar, mas existe um “culpado” por trás de tudo isso: meu pai! 

Ele nunca foi um cinéfilo inveterado. Ele gosta de assistir filmes, mas o estilo de obra que ele aprecia é muito bem definido: o negócio dele são aqueles filmes de ação bem barulhentos ou aqueles filmes policiais com teor clássico, com discussões éticas e de valores. Talvez, por isso, o ator favorito dele é Charles Bronson, “o homem de poucas palavras e muita ação”. 

Como sempre fui muito grudada com meu pai, então era natural que também me aproximasse das coisas que ele gostava. Um dos meus programas favoritos era assistir, ao lado dele, todos os domingos, ao programa “Domingo Maior” (que, até hoje, passa na Rede Globo). Naquela época, meados dos anos 80/início dos anos 90, os filmes predominantes eram aqueles estrelados por Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Jean Claude Van Damme, Dolph Lundgren, Chuck Norris e, claro, Charles Bronson. 

Assistimos juntos a muitos filmes estrelados por Charles Bronson, mas aqueles que marcaram mesmo e que iniciaram todo o meu amor pelo cinema foram os da série “Desejo de Matar”. Nele, Bronson interpretava Paul Kersey, um homem que se transforma num vigilante das ruas, aplicando o conceito de justiça com as próprias mãos, após ver a sua esposa ser assassinada e sua filha ser vítima de violência sexual por parte de um ladrão. Os filmes da série fizeram um verdadeiro sucesso em sua época e invadiram o imaginário dos amantes do cinema policial por quase 20 anos – período em que os cinco filmes da série foram produzidos. 

Para analisar o impacto que Paul Kersey teve em gente como eu (mesmo em tenra idade), é importante perceber que ele foi um dos primeiros justiceiros do cinema em um filme passado numa atmosfera urbana. A imagem de alguém se posicionando diretamente contra a violência do dia a dia é apelativa, atemporal e universal – basta ver o que a figura de um Capitão Nascimento fez, recentemente, depois da estreia do fenômeno “Tropa de Elite”. Assistir a um filme da série “Desejo de Matar” é uma experiência magnética, que estimula o debate e que nos faz refletir. Quer coisa mais cinema do que isso? Afinal, é para fins como este que a sétima arte também existe. 

Queremos, agora, repassar este MEME e conhecer um pouco da história cinematográfica de outros dois colegas da blogosfera cinéfila: Otavio Almeida, do Hollywoodiano e Cassiano Sairaf, do Museu do Cinema.

julho 27, 2010 at 11:30 pm 23 comentários

Eu Te Amo, Cara

Existe uma expressão na língua inglesa chamada “bromance”, que caracteriza a amizade desenvolvida entre dois homens, quando eles não têm aquele medo de assumir o amor, a afeição e o carinho que os une. É como se os homens chegassem e dissessem claramente que não querem ter vergonha de dizer que amam seus amigos e que isto não deve ser motivo de piadinhas sobre a sexualidade deles. 

O corretor de imóveis Peter Klaven (Paul Rudd) só se deu conta de que não tinha amigos de verdade quando ficou noivo de Zooey (Rashida Jones, conhecida pelos papeis nos seriados “The Office” e “Parks and Recreation”). Sem ter opções de padrinhos para escolher, Peter embarca numa busca pela amizade verdadeira – e, neste sentido, vale tudo: desde encontros às cegas arrumados por parentes, até responder anúncios postados na Internet e, aquilo que seria mais convencional, Peter se abrindo e entrando de cabeça numa vida social mais agitada, de forma a encontrar alguém que possua os mesmos interesses que ele. 

O filme chega no ponto em que queria quando Peter conhece o investidor Sydney Fife (Jason Segel, do seriado “How I Met Your Mother”). Podemos dizer que ele se revela a alma gêmea do corretor de imóveis. Os dois, consequentemente, logo vão estabelecer uma conexão forte, instantânea e natural, já que possuem tantas coisas em comum. Legal é perceber a forma como o roteiro é estruturado: vemos a amizade entre Peter e Sydney se desenvolver como uma trama de comédia romântica – ou seja, os dois se conhecem, se envolvem e enfrentam problemas até chegarem à chamada reconciliação final (e definitiva). Apesar da repetição dos clichês, é justamente esta característica que faz com que “Eu Te Amo, Cara” se destaque como uma obra bem original. 

É muito bom ver obras como “Eu Te Amo, Cara”. Elas são muito bem vindas, afinal nos mostram que os homens têm muito em comum com nós, mulheres. Eles também precisam de momentos para eles mesmos, com os garotos; eles também querem ficar sem fazer nada, falando sobre besteiras; eles também querem desabafar sobre seus problemas profissionais e amorosos; eles também querem apoio. Então, garotas, não vamos reclamar quando os nossos rapazes quiserem passar mais tempo com os seus amigos. Eles também precisam disso! 

Cotação: 7,0

Eu Te Amo, Cara (I Love You, Man, 2009)
Direção: John Hamburg
Roteiro: John Hamburg e Larry Levin
Elenco: Paul Rudd, Jason Segel, Rashida Jones, Jaime Pressly, Andy Samberg, Jon Favreau, J.K. Simmons

julho 26, 2010 at 11:17 pm 20 comentários

Cena da Semana

(Titãs canta “Go Back” – Globo de Ouro – 1988)

Ainda no clima de “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, filme que eu assisti ontem, fiquem com a minha música favorita do grupo de rock paulistano.

“Não é o meu país
É uma sombra que pende
Concreta
Do meu nariz em linha reta
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento
À minha idade
Nem é o nosso amor
É a memória que suja
A história que enferruja
O que passou
Não é você
Nem sou mais eu
Adeus meu bem
Adeus! Adeus!
Você mudou, mudei também
Adeus amor! Adeus!
E vem!”

julho 25, 2010 at 9:47 pm 11 comentários

Shrek Para Sempre

Quando estreou, em 2001, a animação “Shrek”, de Andrew Adamson e Vicky Jenson, conquistou enormes elogios e se diferenciou de outros filmes do gênero por fazer uma sátira dos chamados contos de fadas, os quais são caracterizados pelo envolvimento de algum tipo de magia ou maldição, que faz com que os personagens tenham que enfrentar enormes obstáculos antes de conseguirem o “felizes para sempre”. Entretanto, o que se viu nas continuações subseqüentes deste longa foi uma verdadeira descaracterização desta primeira intenção. Ou seja, a série cinematográfica acabou perdendo muito de seu brilho e isso atinge seu ápice em “Shrek Para Sempre”, de Mike Mitchell, que deve ser a última parte desta franquia. 

O filme é bem claro na sua intenção de mostrar que a vida de Shrek (dublado na versão original por Mike Myers) e Fiona (dublada na versão original por Cameron Diaz) não é mais aquela história de amor arrebatadora. A rotina pegou o casal – e isso é completamente natural, ainda mais se levarmos em consideração o fato de que eles possuem três filhos – e quem sente mais isso é Shrek. Por isso que ele vai procurar o duende Rumplestiltskin (dublado na versão original por Walt Dohrn), com quem ele faz um pacto. 

Entretanto, o preço que Shrek paga é muito alto. Ele vê todas aquelas pessoas que ele ama não se lembrando dele, além disso os ogros todos são perseguidos dentro do reino de Tão Tão Distante. Tudo isso faz parte do plano de Rumpletiltskin de dominar a localidade – algo que ele sempre quis, mas nunca conseguiu. O importante, no final, é que Shrek tirará desta experiência o aprendizado de que ele não precisa esperar perder o que lhe é de mais precioso para aprender a dar valor ao que ele tinha. Shrek tem que ser agradecido por tudo aquilo que ele conseguiu conquistar. 

Pena que uma mensagem tão bonita venha dentro de um filme que tem uma grande lacuna: a falta de inspiração do diretor Mike Mitchell. “Shrek Para Sempre” é uma obra um tanto preguiçosa, pois acha que basta ter personagens queridos, como os já citados Shrek e Fiona, além do Burro (dublado na versão original por Eddie Murphy) e do Gato de Botas (dublado na versão original por Antonio Banderas), para satisfazer ao público. Isso não é suficiente. É necessário que eles nos apresentem a história de uma forma legal, de forma a nos cativar e nos envolver. Esse não é o caso de “Shrek Para Sempre”. 

Cotação: 5,0

Shrek Para Sempre (Shrek Forever After, 2010)
Direção: Mike Mitchell
Roteiro: Josh Klausner e Darren Lemke
Com as vozes de: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Jon Hamm, Walt Dohrn, Jane Lynch, Lake Bell, Kathy Griffin, Mary Kay Place

julho 24, 2010 at 12:07 am 25 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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