Archive for novembro, 2009

Max Payne

Apesar de ter uma estética muito parecida com obras do tipo “Sin City – A Cidade do Pecado”, de Robert Rodriguez e Frank Miller, o filme “Max Payne”, do diretor John Moore, é, na realidade, a adaptação de um popular game. Foi justamente este material o escolhido por Mark Wahlberg, ator que entrou para o primeiro time de Hollywood após a indicação recebida ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela performance em “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, para colocá-lo antenado com uma das novas tendências hollywoodianas: a que põe atores ditos confiáveis em blockbusters. 

O filme conta a história de um policial nova-iorquino lotado em uma divisão que investiga aqueles casos que não conseguiram ter sua investigação finalizada (os chamados Cold Cases) e que tem uma única busca: desvendar e vingar o assassinato de sua esposa e filha. Entre a descoberta de uma pista e outra, Max Payne também encontra tempo para inserir novas pessoas em sua vida, como Natasha (a Bond Girl Olga Kurylenko) e a irmã dela Mona (Mila Kunis), bem como o policial Jim Bravura (Chris “Ludacris” Bridges), o qual é o detetive que tenta mostrar para Max quando ele ultrapassa os limites na direção de sua jornada. 

Um longa como “Max Payne” precisa de um antagonista poderoso. Neste caso, a investigação do personagem principal o levará diretamente ao encontro de uma grande empresa farmacêutica, chamada Aesir, a qual desenvolve uma pesquisa experimental com soldados norte-americanos. A obra encontra alguns de seus melhores momentos, os quais são repletos de muita ação e suspense, quando aborda Max se aprofundando nos meandros do funcionamento da empresa. 

Se existe algo a se celebrar em “Max Payne” é a concepção visual que o diretor John Moore oferece à sua obra. O filme tem uma fotografia brilhante (cortesia de Jonathan Sela) e cria uma Nova York que, a certo ponto, lembra uma cidade futurista. Em outras cenas, Moore se utiliza de recursos que poderiam muito bem ter saído da mente dos irmãos Andy e Larry Wachowski. A questão principal, no entanto, é que nem a embalagem bonita consegue disfarçar aquele que é o maior problema deste longa: o roteiro.

Cotação: 4,0

Max Payne (Max Payne, 2008)
Diretor: John Moore
Roteiro: Beau Thorne (baseado no game de Sam Lake)
Elenco: Mark Wahlberg, Beau Bridges, Mila Kunis, Chris “Ludacris” Bridges, Chris O’Donnell, Nelly Furtado, Kate Burton, Donal Logue, Amaury Nolasco, Olga Kurylenko

novembro 30, 2009 at 10:18 pm 33 comentários

Cena da Semana

(The Closer Season 4 Rapid Recap – TNT)

Terminei de assistir, neste final de semana, com um ano de atraso, à quarta temporada de “The Closer”, meu seriado favorito da atualidade. Já falei aqui no blog, algumas vezes, o quanto considero a Brenda Leigh Johnson a melhor personagem feminina da TV atual – Patty Hewes que me desculpe. Continuo sem entender o por quê de Kyra Sedgwick ainda não ter conquistado um Emmy de Lead Actress in a Drama Series….

Mas, vamos voltar ao assunto do post. A quarta temporada de “The Closer” gravitou em torno de um tema que é tão abstrato, porém fascinante ao mesmo tempo: “De onde vem a violência? Da natureza ou da criação?”. Essas perguntas são tão abertas e as respostas são tão imprevisíveis – como provam os casos investigados por Brenda e pela sua equipe da Divisão de Homicídios Prioritários (a qual, diga-se de passagem, passou a se chamar Divisão de Crimes Hediondos no final da temporada). Só sei que, a cada novo episódio de “The Closer”, fico mais surpreendida – e chocada - com a obscuridade do ser humano. Somos capazes de coisas horríveis e, pior, de relatar tudo com tanta frieza… Esse é o ponto em que chegamos, infelizmente!

novembro 29, 2009 at 5:43 pm 18 comentários

Cinturão Vermelho

Para fazer a obra “Cinturão Vermelho”, o dramaturgo, roteirista, diretor e produtor David Mamet mergulhou um pouco em uma arte marcial que, apesar da sua origem japonesa, teve uma ajuda muito importante do Brasil em seu desenvolvimento: o jiu-jitsu. Neste tipo de modalidade esportiva, os lutadores aliam a força à movimentos de pura técnica com o objetivo de derrubar, dominar e submeter o seu oponente a um processo em que ele fique em completo estado de imobilização. É bom dizer que, antes mesmo de pensar em fazer este filme, Mamet já vinha praticando e estudando a arte marcial há aproximadamente seis anos. 

A trama de “Cinturão Vermelho” tem como personagem principal Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), um mestre do jiu-jitsu que, até agora, apesar das propostas frequentes, conseguiu fugir o máximo que pôde dos circuitos profissionais de luta. Ele vive das aulas que dá na sua própria academia, a qual ensina como a técnica do jiu-jitsu pode ser empregada na defesa pessoal dos alunos. Envolvido em dívidas (grande parte, justiça seja feita, foram adquiridas pela esposa de Mike, a qual é interpretada por Alice Braga) e atormentado por certos acontecimentos, Terry chega a um ponto em que ele tem que repensar a sua decisão inicial. 

É aqui que o roteiro de David Mamet começa a explorar uma realidade que não é muito agradável, mas que deve ser bem conhecida das pessoas que fazem parte do mundo das artes marciais e que nos mostram exatamente o por quê de Mike Terry tentar manter a sua pureza diante de tanta sujeira. Acontece que estas competições são controladas pelos dois cunhados de Terry (Rodrigo Santoro e John Machado), os quais não são as pessoas mais confiáveis do universo. Portanto, Mike Terry sempre acaba voltando para o mesmo ponto: se entregar a isso ou não? 

Conhecido pelos diálogos ágeis, cheios de estilo e inteligência, David Mamet, em “Cinturão Vermelho”, peca justamente no seu forte: o roteiro. A história de Mike Terry roda, roda e volta sempre pro mesmo lugar. Ou seja, a trama nunca chega a de fato decolar e existem vários personagens, como a advogada interpretada por Emily Mortimer, que são totalmente mal desenvolvidos e que parecem não ter justificativa de existência neste relato. Pelo menos, Mamet consegue nos mostrar bem a essência de Terry: um homem que, claramente, não se adequa, principalmente, às pessoas com as quais escolheu conviver. 

Cotação: 3,0

Cinturão Vermelho (Red Belt, 2008)
Diretor: David Mamet
Roteiro: David Mamet
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Alice Braga, Emily Mortimer, Ricky Jay, John Machado, Rodrigo Santoro, Tim Allen, David Paymer, Joe Mantegna, Rebecca Pidgeon, Jennifer Grey, Ed O’Neill

novembro 28, 2009 at 8:51 pm 11 comentários

O Menino da Porteira

Podemos dizer que 2009 foi um ano atípico da carreira do cantor Daniel. Um dos expoentes da música romântica/sertaneja no Brasil, o cantor decidiu se aventurar em outra seara: a da atuação. É importante dizer, no entanto, que as experiências na refilmagem de “O Menino da Porteira” e na novela “Paraíso” não são as primeiras aparições de Daniel como ator. O cantor já havia feito dois longas anteriormente: “Xuxa Requebra” e “Didi – O Cupido Trapalhão”. E, se Daniel não é um ator maravilhoso, pelo menos se mostra esforçado em tentar retratar, especialmente em “O Menino da Porteira” e “Paraíso”, uma figura que ele conhece muito bem: a do homem do campo. 

A trama de “O Menino da Porteira” foi escrita tendo como base a clássica canção homônima de Sérgio Reis, que fala sobre o relacionamento que se estabeleceu entre um boiadeiro e um menino que costumava facilitar seu trabalho ao abrir a porteira para que ele pudesse passar tranquilamente com a boiada. A letra é bem clara ao nos mostrar que aquele encontro foi importante para a vida do boiadeiro e que o menino deixaria uma marca que ele carregaria para o resto de sua existência. 

No argumento desenvolvido por Jeremias Moreira Filho e Carlos Nascimbeni, tendo como base o filme de 1976 (que também foi escrito por Jeremias), a trama de “O Menino da Porteira” acrescenta ao encontro do boiadeiro com o menino o retrato da situação política vivida por pequenas cidades do interior, em que, geralmente, se tem o cara conhecido como Coronel (neste longa, entretanto, ele é chamado de Major) e que manda em tudo, controla todas as relações comerciais e impede as pessoas da sua localidade de se desenvolverem da forma correta – nem que, para isso, ele tenha que usar da violência para manter as pessoas nas suas rédeas. 

Como já dissemos, “O Menino da Porteira” se trata de uma refilmagem de uma obra feita em 1976. O tema é praticamente o mesmo, o diretor é o mesmo e o roteirista também. Como não assistimos ao longa original, não entraremos na esfera da comparação entre as duas obras. O que podemos dizer, no entanto, é que “O Menino da Porteira” é um filme que captura muito bem a atmosfera da vida no campo, emula um estilo de vida e valores bem particulares, mas, como obra cinematográfica, tem suas falhas, especialmente no que diz respeito ao roteiro – que desenvolve de forma rasa várias subtramas e que termina o filme deixando vários questionamentos em aberto. 

Cotação: 3,0

O Menino da Porteira (2009)
Diretor: Jeremias Moreira Filho
Roteiro: Jeremias Moreira Filho e Carlos Nascimbeni (tendo como base o roteiro de Jeremias Moreira Filho e a história de Wenceslau Moreira da Silva Netto e Ciro Pelicano)
Elenco: Rosi Campos, João Pedro Carvalho, Edu Chagas, Daniel, José de Abreu, Vanessa Giácomo, Eucir de Souza

novembro 27, 2009 at 9:58 pm 16 comentários

A Mulher do Meu Amigo

Toda a trama do filme “A Mulher do Meu Amigo”, do diretor Cláudio Torres, gira em torno da seguinte frase: “chega um momento na vida de um homem em que ele tem que fazer certas escolhas”. Tales (Marcos Palmeira) está justamente nessa fase. A existência dele, até este instante, foi resultado direto das decisões que ele tomou – e ele não parece estar satisfeito com a forma como se encaminhou na vida. 

Tudo isto vai encontrar um ápice num final de semana que ele decide passar em uma bela casa ao lado da esposa Renata (Mariana Ximenes), do casal de amigos Rui (Otavio Muller) e Pâmela (Maria Luísa Mendonça) e dos três filhos destes. É neste ambiente calmo e propício à diversão que Tales começa a refletir e a empreender certas mudanças as quais ele espera ter um efeito positivo em sua vida. 

Apesar de estarmos destacando o viés mais sério da trama de “A Mulher do Meu Amigo”, o filme, na realidade, é uma comédia cheia de momentos bem escrachados. A crise existencial de Tales se dá no meio de uma série de encontros e desencontros amorosos vividos entre os dois casais e as relações extra-conjugais que dali nascem. E, acredite, tudo isto também faz parte do novo Tales que se apresenta diante de nós durante o segundo ato do longa, o qual é mais corajoso e aberto às situações. 

Com este filme, Cláudio Torres acrescenta mais uma comédia ao seu currículo. Sendo que, ao contrário de “A Mulher Invisível”, o qual é um longa cheio de elementos de destaque, “A Mulher do Meu Amigo” sofre com a falta de adequação do material ao cinema. O roteiro ficaria muito melhor se fosse encenado como uma peça de teatro como aquelas que são estreladas por atores globais de segundo escalão, por exemplo: “Subindo Pelas Paredes” e “Vidas Divididas”. 

Cotação: 3,5

A Mulher do Meu Amigo (2008)
Diretor: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres
Elenco: Marcos Palmeira, Mariana Ximenes, Maria Luísa Mendonça e Otavio Muller

novembro 26, 2009 at 10:30 pm 13 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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