Archive for outubro, 2009

Cena da Semana

(Felipe Andreoli na Festa de 3 Anos da revista Rolling Stone – CQC – 26.10.2009)

Eu nunca assisti ao “CQC” antes. Só conferi o programa da última segunda-feira porque queria ver esta matéria. No geral, a primeira impressão foi a de que o programa é muito bom, bem-humorado, com um tom sarcástico que funciona e bons repórteres (exceto a garota, mas, pelo que vi, ela é nova no “CQC”, então ainda deve estar encontrando seu caminho ali dentro) – o que justifica todo o barulho que imprensa e público fazem em torno do programa.

Esta matéria feita pelo Felipe Andreoli, especialmente a entrevista dele com o Marcelo Camelo (um dos cantores favoritos do blog, declaradamente), fizeram a minha semana. Acho que baixou a Mallu Magalhães no Camelo ou ele é viajadão desse jeito mesmo ou então ele estava desnorteado pela maneira como a apresentação deles nesta festa terminou. O disco voador, o Inri Cristo e a frase “meu amigo acha que eu devo estar no portfólio de Deus” me fizeram rir horrores!!!

outubro 31, 2009 at 11:56 pm 14 comentários

Distrito 9

A realidade na qual se passa o filme “Distrito 9”, de Neill Blomkamp, é muito interessante. Estamos em Johanesburgo, capital comercial da África do Sul, aonde, há 20 anos, uma nave espacial está parada nos céus. Os alienígenas que ali vieram moram isolados na área que dá nome ao filme e que parece um mundo próprio com suas regras, relações comerciais e de poder todas bem definidas. Quando a trama começa, estamos num ponto crítico da relação entre humanos e aliens. A violência, a intolerância, o apartheid estão no seu ápice e algo precisa ser feito.

É aí que entra a Multi-National United, que é a organização responsável por fazer o reassentamento dos alienígenas que vivem no Distrito 9. Liderados por Wikus Van DeMerwe (Sharlto Copley, numa sensacional atuação), os agentes da MNU invadem o Distrito 9 como se estivessem entrando em uma zona de guerra. Além das casualidades da batalha, aliens são pegos como cobaias dos estudos armamentistas feitos pelo órgão – expondo aquela que, talvez, seja a verdadeira intenção deles. Aqui, podemos encontrar a primeira constatação do filme: o homem tem por necessidade a vontade de compreender os fenômenos e as diferentes espécies de forma a poder agir e se apropriar deste conhecimento de forma adequada e que lhe dê uma certa vantagem. 

A outra grande constatação de “Distrito 9” acontece quando o próprio Wikus é vitimizado pela batalha travada na área. Ele vira um híbrido, misto de homem e alien e vai experimentar na pele o que seus antigos alvos sentiam. Interessante perceber aqui que a mudança de ponto de vista não ocorre para fazer com que Wikus vire alguém melhor. Pelo contrário. A transformação, a relação que Wikus estabelece com o alien Christopher atendem ao instinto dele de sobrevivência e de poder voltar são e salvo para a esposa que ele tanto ama. Mais uma vez, temos o egoísmo do homem falando mais alto. 

Ficção científica que mistura ação com drama, romance e documentário, “Distrito 9” é um filme que chama a atenção por colocar vários temas interessantes em discussão – o que chega a ser até um problema, porque é difícil pro filme manter certa profundidade ou passar, digamos, uma mensagem. Entretanto, o que dá para a gente tirar do longa é que ele oferece pontos interessantes sobre a falta de entendimento e de comunicação entre as pessoas e especialmente ao destrinchar por completo a personalidade dos diversos seres que passam pela obra, independente de suas formas e feições. O que ficamos sabendo é que não existem distinções entre nossos instintos e motivações. Por isso, assistir “Distrito 9” é uma experiência um tanto fascinante – justamente para vermos todas essas interações expostas na grande tela.

Cotação: 7,5

Distrito 9 (District 9, 2009)
Diretor: Neill Blomkamp
Roteiro: Neill Blomkamp e Terri Tatchell
Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike

outubro 30, 2009 at 10:24 pm 21 comentários

Te Amarei Para Sempre

O que para muitos seria excitante e intrigante, para Henry DeTamble (Eric Bana) é algo atordoante e meio assustador. Ele possui uma condição genética que faz com que ele viaje no tempo e reencontre vários locais e pessoas que fazem ou fizeram parte da sua vida como, por exemplo, a sua porção criança e a sua falecida mãe, a cantora lírica Annette DeTamble (Michelle Nolden). 

O roteiro do filme “Te Amarei Para Sempre”, que foi escrito por Bruce Joel Rubin, enfoca o relacionamento que Henry estabelece com a porção infantil e adulta de Clare Abshire (Rachel McAdams), com quem ele veio a se casar e formar uma família. A trama aborda, especialmente, os medos e os anseios de Henry de se entregar a algo que ele teme arruinar ou perder e as complicações que sua condição genética trazem à vida familiar dos dois. 

Neste sentido, apesar de um começo cheio de furos, o roteiro de “Te Amarei Para Sempre” acaba encontrando o seu caminho quando se assume como um filme de romance e deixa de lado as possíveis complicações que a exploração de mudanças espaço-temporais (se a condição de Henry fosse mais elaborada) poderiam acarretar. Por isto, talvez, o elemento mais positivo do longa acaba sendo a química e as atuações de Eric Bana e de Rachel McAdams. 

Uma mistura de “Efeito Borboleta” com “A Casa do Lago”, “Te Amarei Para Sempre” não é um filme sobre viagens no tempo, alterações no curso da vida ou sobre um homem que usa sua condição genética diferenciada para seu próprio bem. O longa é um clássico romance sobre duas pessoas que tiveram a sorte de se encontrar, de vivenciar um amor que teria tudo para ser complicado e impossível, de construírem juntos uma vida plena (apesar das dificuldades), que são felizes enquanto podem, que aceitam seu destino e que não mudariam nada em sua história  – nem mesmo aqueles momentos que foram mais tristes.

Cotação: 7,5

Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler’s Wife, 2009)
Diretor: Robert Schwentke
Roteiro: Bruce Joel Rubin (com base no livro de Audrey Nieffenegger)
Elenco: Michelle Nolden, Eric Bana, Rachel McAdams, Arliss Howard, Ron Livingston

outubro 29, 2009 at 11:18 pm 28 comentários

Grey Gardens

Em 1975, os diretores Ellen Rovde, Albert Maysles, David Maysles e Muffie Meyer lançaram um documentário chamado “Grey Gardens”, o qual falava a respeito da vida excêntrica e peculiar vivida por duas ex-socialites chamadas Edith e Edie Beale, respectivamente, tia e prima de Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis. A história delas ficou conhecida após elas serem ameaçadas de expulsão pela polícia por causa da péssima condição sanitária da casa de campo na qual viviam reclusas. 

O telefilme “Grey Gardens”, do diretor Michael Sucsy, enfoca justamente o momento em que Albert e David Maysles bateram na porta de Edith Beale (Jessica Lange, vencedora do Emmy 2009 de Melhor Atriz num Telefilme ou numa Minissérie) e sua filha Edie (Drew Barrymore) – até porque foi por este instante que elas esperaram a vida inteira. A razão por trás de tanta felicidade com a visita inesperada dos irmãos nos é explicada no decorrer do desenvolvimento da trama do telefilme. 

Acontece que, apesar de ter casado com um homem rico (Ken Howard, vencedor do Emmy 2009 na categoria de Melhor Ator Coadjuvante num Telefilme ou numa Minissérie), que lhe sustentava e dava liberdade para ela fazer o que bem entendesse, Edith tinha uma alma boêmia e sonhava em ser cantora e estrelar números de cabaret. Como este foi um desejo nunca realizado por ela, Edith meio que transferiu esta sua frustração para a única filha. O resultado: Edie cresceu com a vontade de ser cantora, atriz e dançarina e teve, em vida, uma trajetória totalmente errante sempre em torno deste rumo que ansiava seguir. 

Além de compartilharem o mesmo nome, laços sanguíneos e os mesmos desejos de estrelato, Edith e Edie também possuíam outra coisa em comum: as duas eram donas de personalidades bastante excêntricas. E é justamente esse elemento um dos pontos mais altos de “Grey Gardens”. Observando as duas, eu me lembrei instantaneamente de Norma Desmond, personagem principal de “Crepúsculo dos Deuses”, do diretor Billy Wilder. Assim como Norma, Edith e Edie são mulheres relíquias, que vivem numa casa museu e anseiam por algo que é quase impossível de acontecer. Elas vão ter aquele único momento de glória e só – o que chega a ser melancólico de se ver. 

Obra indicada a 17 Primetime Emmy Awards 2009 (dos quais venceu 6), “Grey Gardens” é um telefilme que tem uma excelente qualidade técnica e se apoia, acertadamente, nas performances de suas duas atrizes principais. Fazia tempo que Jessica Lange não tinha um papel tão rico quanto esse. Quanto à Drew Barrymore: a atriz tem mais uma chance de mostrar seu talento para a atuação. A personagem dela é a alma desse telefilme e Drew levou tudo tão a sério que até cantar ela topou – lembrando que ela foi a única do elenco de “Todos Dizem Eu Te Amo”, musical de Woody Allen, a ter se recusado a cantar no filme.

 Cotação: 8,0

Grey Gardens (Grey Gardens, 2009)
Diretor: Michael Sucsy
Roteiro: Michael Sucsy e Patricia Rozema (com base na história de Sucsy)
Elenco: Drew Barrymore, Jessica Lange, Daniel Baldwin, Ken Howard, Jeanne Tripplehorn

outubro 27, 2009 at 10:46 pm 18 comentários

Ricky Gervais: Apresentador do Golden Globe 2010

Pelo jeito, não é só a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que sente a necessidade de atualizar o Oscar. A Hollywood Foreign Press Association também está sentindo esta demanda, ainda mais depois do Golden Globe Awards ter perdido grande parte do seu encanto perante os votantes da Academia e a imprensa de entretenimento em geral, que trata a premiação como uma piada – no ano passado, três dos vencedores das estatuetas não foram indicados ao Oscar de atuação, um fato que não ocorria desde os anos 50.

Pela primeira vez em dez anos, a HFPA anunciou que a noite mais importante da associação, o Golden Globe Awards, terá um mestre de cerimônias e eles não poderiam ter sido mais felizes na sua escolha: o comediante, roteirista, diretor e produtor inglês Ricky Gervais, que vem roubando a cena nas participações que faz em shows de premiações nos últimos anos.

Se existe algo de ruim nessa notícia é o fato de que, provavelmente, a AMPAS não vai querer repetir o mesmo mestre de cerimônias do seu maior concorrente. Então, a vaga para apresentador do Oscar 2010 continua em aberto. Na roda de apostas, saiu o nome de Tom Hanks. Muito se tem falado, ultimamente, na volta de Hugh Jackman ao posto de mestre de cerimônias da noite mais importante do cinema.

outubro 27, 2009 at 12:13 am 18 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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