Archive for agosto, 2009

Se Beber, Não Case!

Assim como aconteceu no filme “Jogo de Amor em Las Vegas”, de Tom Vaughan, a comédia “Se Beber, Não Case!”, do diretor Todd Phillips, aborda um tema que ameaça ir contra o famoso ditado popular norte-americano que diz que “o que acontece em Las Vegas, fica em Las Vegas”. Nos dois casos citados, temos roteiros que abordam que os atos loucos e irresponsáveis cometidos na Sin City podem, sim, afetar – até mesmo de forma permanente – a rotina diária dos personagens. 

A sinopse do filme é muito simples: um grupo de amigos (Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis e Justin Bartha) decide viajar para Las Vegas dois dias antes do casamento de um deles (Bartha) de forma a proporcionarem para o colega uma bela festa de despedida de solteiro. O que eles não preveem é que, no dia seguinte, eles irão acordar com a pior ressaca de suas vidas, não se lembram de nada e, pior, acabaram perdendo o noivo de vista. 

A partir deste instante, “Se Beber, Não Case!” vira uma espécie de busca dos três amigos para encontrar o paradeiro do noivo, de saber o que diabos eles fizeram e de, principalmente, se safar com a noiva do personagem de Justin Bartha – que está desesperada para que os quatro voltem logo de Las Vegas e a cerimônia de casamento possa transcorrer conforme o planejado. 

É interessante perceber que, assim como acontece com outras comédias recentes, em “Se Beber, Não Case!”, temos quatro personagens masculinos extremamente imaturos. Ou eles foram pegos cedo pelas responsabilidades da vida (Cooper), ou eles são castrados em sua masculinidade pelas parceiras mandonas (Helms), ou eles são estranhos até o último fio de cabelo (Galifianakis). No decorrer do filme, tais homens vão se ver diante de situações que vão fazer com que eles tentem se afirmar de uma certa maneira. Porém, não espere assistir a um longa redentor, com uma bela lição de vida ao final (como é peculiar das obras de Judd Apatow, por exemplo). Em “Se Beber, Não Case!”, temos piadas de extremo mau gosto, mas que acabam sendo condizentes com o clima da comédia – os personagens precisavam viver aquilo, precisavam ter uma bela ressaca moral e cheia de culpa, uma vez que eles podem acabar se agarrando às lembranças de uma boa farra para poderem suportar a difícil rotina diária na qual eles se encontram inseridos.

Cotação: 7,0

Se Beber, Não Case! (The Hangover, 2009)
Diretor: Todd Phillips
Roteiro: Jon Lucas e Scott Moore
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham, Jeffrey Tambor, Mike Tyson

agosto 31, 2009 at 11:41 pm 33 comentários

Cena da Semana

(Marcelo Camelo cantando “Janta” – Teatro Guararapes – 29.08.2009)

Não existe sensação que pague ou que descreva o que é assistir a um show de Marcelo Camelo atualmente. Ainda mais se você for sortuda o suficiente para assistir ao show de encerramento da turnê “Sou”, que foi realizado na noite de ontem, no Teatro Guararapes, Recife (PE) – cidade aonde a jornada solo de Camelo começou. Como sempre, foi uma noite LINDA, com um Camelo extra emocionado e comovendo demais a gente! Agora, ele vai pro seu merecido descanso e, depois, se dedica à pré-produção de seu novo álbum. Porém, antes, eu deixo um apelo: Marcelo, não some por muito tempo! A sua música é importante e eu já estou com saudades!

FYC: Marcelo Camelo para Melhor Show do Ano, no VMB 2009. Votem aqui!

agosto 31, 2009 at 12:51 am 6 comentários

Te Cuida, Tina Fey!

Foi anunciado hoje, pelo canal Showtime, que a atriz três vezes indicada ao Oscar, três vezes vencedora do Emmy e ganhadora do Globo de Ouro Laura Linney irá estrelar e ser a produtora executiva de uma série de dark comedy chamada “The C Word”, cuja produção começará ainda neste ano.

O programa tem um quê de “Breaking Bad”: após ser diagnosticada com câncer, a personagem que será vivida por Laura Linney receberá meio que uma chamada da vida e fará mudanças complexas que, não só afetarão a sua rotina, como a existência de membros de sua família.

A atriz falou a respeito do projeto: “Como uma pessoa tenta viver plenamente enquanto está sendo testada pela improbabilidade da vida, e o que irá aprender no decorrer deste processo, é uma situação que está sempre cheia de enormes possibilidades para o ator”.

A presença de Linney na corrida pelo Emmy de Lead Actress in a Comedy Series, em 2011, vai congestionar uma categoria que já é cheia de excelentes profissionais: Tina Fey, Mary-Louise Parker, Toni Collette, Julia Louis-Dreyfus, Edie Falco, America Ferrera, Sarah Silverman, entre outras. O domínio de Tina Fey, a queridinha da indústria, portanto, está ameaçado!

agosto 27, 2009 at 9:20 pm 30 comentários

W.

Um dos personagens mais interessantes da história política recente se chama George W. Bush, o qual foi eleito o 43º presidente dos Estados Unidos da América. A sua trajetória indicava que ele seria um dos mais discretos commander-in-chief a passar pelo posto de homem mais poderoso do planeta, mas o nome dele será lembrado eternamente por causa do 11 de Setembro de 2001. O acontecimento mudou os rumos de seu governo e George W. Bush se transformou no ícone da Guerra Contra o Terror. 

É este personagem o objeto de análise da cinebiografia “W.”, do diretor Oliver Stone, que segue o personagem a partir do momento em que ele entrou na universidade de Yale, em Setembro de 1964, até o instante crucial de seu mandato, pelos idos de Março de 2003, quando ele estava prestes a decidir por embarcar na Guerra do Iraque sob a falsa alegação de que eles armazenavam armas de destruição em massa – ainda sobra tempo para abordar as conseqüências desse ato. 

O roteiro escrito por Stanley Weiser nos mostra um George W. Bush (Josh Brolin, numa notável atuação) ávido pela aprovação do pai, o ex-presidente George H. W. Bush (James Cromwell); meio irresponsável; perdido (uma vez que ele pulou de profissão em profissão até decidir seguir carreira política); alcoólatra e, depois, livre do vício e cristão renovado; bonachão; desinteressado por cultura em geral e alguém dependente da opinião externa (e raivoso se essa opinião acaba por lhe deixar em apuros). O interessante é perceber que, apesar disso, o diretor e o roteirista não menosprezam o seu personagem principal e nos relatam o que ele, talvez, tenha de mais importante: a capacidade de se reerguer e de ter acabado construído, contra todas as chances, amando-o ou odiando-o, uma vida que, no mínimo, é digna de respeito. 

Fazer um filme como “W.” é uma tarefa complicada, especialmente porque, quando o longa estreou nos Estados Unidos a história do presidente George W. Bush ainda não havia chegado ao fim – ele ainda tinha alguns meses de mandato para cumprir. Tendo em vista o que nos é apresentado em tela por Oliver Stone (quem for assistir à obra esperando ver algo polêmico, irá se decepcionar), a impressão que temos é a de que “W.” é quase que um questionamento direto em busca de saber qual será o próximo passo de um homem que nunca faz aquilo que é o esperado dele. Para usar uma metáfora do filme: a bola de beisebol foi lançada, ela ainda está no ar, mas não se sabe ainda se ela vai resultar num home run ou não. Ou seja, só o tempo dirá que lugar George W. Bush, efetivamente, ocupará na história. 

Cotação: 6,0

W. (W., 2008)
Diretor: Oliver Stone
Roteiro: Stanley Weiser
Elenco: Josh Brolin, Colin Hanks, Toby Jones, Jeffrey Wright, Thandie Newton, Scott Glenn, Richard Dreyfuss, James Cromwell, Ellen Burstyn, Noah Wyle, Elizabeth Banks

agosto 26, 2009 at 10:26 pm 20 comentários

Arraste-me Para o Inferno

Já faz exatamente sete anos que o diretor, roteirista e produtor Sam Raimi se dedica por completo à série do heroi de quadrinhos “Homem-Aranha”. Antes de voltar seu olhar à quarta parte da franquia, que deve estrear em 2011, Raimi preferiu retornar às suas origens e dirigir um longa num gênero que lhe é bastante familiar: o de terror – uma vez que ele iniciou a sua carreira neste estilo. 

Todo o roteiro de “Arraste-me Para o Inferno”, o qual foi escrito por Sam Raimi e seu irmão Ivan, se apoia numa afirmação que é bastante conhecida: a de que a nossa vida é uma consequência de uma série de escolhas e decisões. Todas as provações pela qual a protagonista Christine Brown (a sumida Alison Lohman) passa – e elas serão muitas – são decorrentes daquilo que ela escolher fazer. Para cada ação e gesto, Christine terá uma reação. E isso será fundamental para selar o seu destino na obra. 

O roteiro também toca em outros pontos como a ambição e a competição – características que são bem peculiares da cultura norte-americana. Christine vem de origem humilde, namora com um professor universitário (Justin Long) oriundo de família rica e trabalha na área de empréstimos de um banco. Está claro que ela é muito esforçada e vem se dedicando com afinco à oportunidade de ser promovida à assistente da gerência. Porém, para tanto, Christine tem que demonstrar certas capacidades e, ao recusar o pedido de extensão do financiamento da casa da misteriosa Sra. Ganush (Lorna Raver), a jovem vê sua vida se transformar num verdadeiro inferno.

Não conheço as obras anteriores de Sam Raimi no gênero de terror, como “Uma Noite Alucinante” e “A Morte do Demônio”, mas o que chama a atenção em “Arraste-me Para o Inferno” é que o longa tem um aspecto antigo e meio nostálgico – desde a forma como as cenas mais aterrorizantes são apresentadas até o resto da concepção visual do longa. No entanto, a obra (mesmo alternando bons e maus momentos) fica na nossa mente por estar sempre querendo nos surpreender – e, em tempos em que o cinema anda cada vez mais previsível, isso é algo a se celebrar. 

Cotação: 5,5

Arraste-me Para o Inferno (Drag Me to Hell, 2009)
Diretor: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi e Ivan Raimi
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Adriana Barraza, Reggie Lee

agosto 25, 2009 at 10:54 pm 35 comentários

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A autora

Kamila tem 29 anos, é cinéfila, leitora voraz, escuta muita música e é vidrada em seriados de TV, além de shows de premiações.

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