Archive for junho, 2009
Minhas Adoráveis Ex-Namoradas

No filme, “A Felicidade Não se Compra”, de Frank Capra, encontramos a utilização de um recurso narrativo para lá de interessante. Para mostrar ao suicida em potencial, George Bailey (James Stewart), o quanto a vida daqueles que ele conheceu seria diferente se ele não tivesse existido, se coloca o personagem como um observador – na maior parte das vezes atônito – de toda a ação que vemos em tela, sem que ele tenha o poder de alterar o curso dos acontecimentos.
Algo parecido irá acontecer com Connor Mead (Matthew McConaughey), personagem principal do filme “Minhas Adoráveis Ex-Namoradas”, do diretor Mark Waters. Ele trabalha como fotógrafo e é um solteiro convicto, do tipo que nem acredita no casamento ou no amor. Quando ele viaja para o casamento de seu irmão mais novo, Paul (Breckin Meyer), com Sandra (Lacey Chabert), Connor tem a intenção de acabar por completo com a cerimônia. No entanto, o fotógrafo passa a receber a visita de vários fantasmas de seu passado e do seu presente – como o tio Wayne (Michael Douglas), a ex-ficante Allison Vandermeersh (Emma Stone) e a sua assistente Melanie (Noureen DeWulf) –, os quais possuem o desejo de mostrá-lo o quanto ele já magoou certas pessoas e como ele deixou de amar por puro e simples medo.
Nestas viagens de volta ao passado, o maior destaque é dado ao relacionamento que Connor construiu com Jenny Perotti (Jennifer Garner), que vem a ser uma das damas de honra do casamento de Paul com Sandra. Ela e o fotógrafo se conhecem desde pequenos e são um daqueles casos em que a amizade tinha tudo para se transformar em amor e num relacionamento sério, mas as oportunidades para isso ou a coragem para cruzar a linha nunca existiram. E é óbvio para a plateia que a experiência surreal pela qual Connor vai passar, no decorrer de “Minhas Adoráveis Ex-Namoradas”, tem tudo a ver com Jenny e com a situação mal resolvida que existe entre eles.
Se existe algo que incomoda em “Minhas Adoráveis Ex-Namoradas” é o fato de que a gente já vai assistir ao filme sabendo de tudo que vai acontecer, uma vez que o trailer do longa entregou alguns de seus melhores momentos. Matthew McConaughey, apesar de ser o ator perfeito para interpretar Connor Mead (afinal, é tão sedutor quanto o personagem), incomoda com seus usuais tiques e, pior, não consegue fazer com que a gente sinta empatia pelo homem que interpreta. O tempo todo fica aquela sensação de que Jenny merecia alguém melhor (apesar de que todo mundo – mesmo aqueles que são os maiores cafajestes – merece uma chance de ser feliz). E isso, para um filme de comédia romântica, é o fim da picada.
Cotação: 3,0
Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (Ghosts of Girlfriends Past, 2009)
Diretor: Mark Waters
Roteiro: Jon Lucas
Elenco: Matthew McConaughey, Jennifer Garner, Michael Douglas, Emma Stone, Breckin Meyer, Lacey Chabert, Robert Forster, Anne Archer, Daniel Sunjata
Os Delírios de Consumo de Becky Bloom

Madonna já estava certa quando dizia que nós vivemos em um mundo materialista. Cada vez mais existe a noção de que a aparência é o elemento mais importante, ao invés dos valores pessoais. Estar na moda, ser bonita e parecer igual àquela modelo/atriz/personalidade da capa de revista é o que importa. Lutar contra o envelhecimento também. Com a facilidade das linhas de crédito e o livre acesso ao chamado “dinheiro de plástico” (leia-se cartões de crédito), tal ideal ficou muito mais ao alcance das pessoas.
Apesar de ter sido nascida e criada em uma família de perfil conservador nos seus investimentos, a jornalista Rebecca Bloomwood (a australiana Isla Fisher) é fruto direto desta realidade e é aquilo que poderíamos chamar de consumidora compulsiva. Endividada até o pescoço e incapaz de refrear os seus instintos consumistas, Becky se vê desesperada quando perde o emprego. Porém, não são as dívidas que a movem em direção ao seu próximo passo, e sim a vontade de trabalhar em uma grande revista de moda. É assim que Rebecca se vê na equipe da modesta “Successful Saving” – que ela espera ser o trampolim para a chegada no seu grande sonho de consumo: a revista “Alette”.
A grande ironia aqui – e isso é bastante passado pelo roteiro de Tracey Jackson, Tim Firth e Kayla Alpert (que foram inspirados pelos livros de Sophie Kinsella) – é que Rebecca – uma pessoa totalmente desorganizada em seus gastos e caçada por cobradores – passa a ser uma colunista de sucesso em uma revista financeira, dando conselhos às pessoas sobre a melhor forma de investir seu dinheiro ou de ficar longe de problemas econômicos. Está claro que Becky vive uma mentira e, na medida em que o cerco vai se fechando em torno dela, mais difícil será para ela esconder tudo dos outros – especialmente do seu editor Luke Brandon (Hugh Dancy), por quem ela acaba se apaixonando.
Na sua grande parte, “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” é um filme bobinho, mas que carrega em si uma mensagem otimista, de amadurecimento, de assumir responsabilidades e de crescer. O longa encontra seu eixo na carismática e talentosa Isla Fisher, que constrói uma personagem crível, com suas qualidades e defeitos; e acaba formando um belo trio com o adorável Hugh Dancy e com Krysten Ritter (conhecida pelas participações nos seriados “Gilmore Girls” e “Gossip Girls”), que interpreta Suze, sua parceira e melhor amiga. Assim, fica difícil do diretor P.J. Hogan cometer algum erro sério.
Cotação: 6,5
Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic, 2009)
Diretor: P.J. Hogan
Roteiro: Tracey Jackson, Tim Firth e Kayla Alpert (com base nos livros escritos por Sophie Kinsella)
Elenco: Isla Fisher, Hugh Dancy, Krysten Ritter, Joan Cusack, John Goodman, John Lithgow, Kristin Scott Thomas, Fred Armisen, Leslie Bibb, Lynn Redgrave
Cena da Semana
(Michael Jackson cantando “Man in the Mirror” – Grammy Awards 1988)
Para mim, a melhor música do Rei do Pop. Que ele descanse agora e encontre a paz que tanto buscou em vida!
“I’m starting with the man in the mirror
I’m asking him to change his ways
And no message could have been any clearer
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself, and then make a change”
O Casamento de Rachel

Tadinha de Rachel (Rosemarie DeWitt). Todos estão na casa da família dela para o seu casamento com Sidney (Tunde Adebimpe). O ambiente está movido a base de muita música, amor e emoção. Entretanto, ela não está no centro das atenções. Todos os olhares estão voltados para a irmã mais nova dela, Kym (Anne Hathaway, indicada ao Oscar 2009 de Melhor Atriz), que volta pela primeira vez ao lar depois de um bom tempo em mais uma de suas tentativas de reabilitação do vício em drogas.
Esta é a maneira mais fácil de tentar resumir a trama do filme “O Casamento de Rachel”, do diretor Jonathan Demme. Porém, por trás da aparente reunião familiar para uma ocasião que, na maior parte das vezes, representa a celebração do início de uma nova etapa, se encontra um roteiro (escrito por Jenny Lumet, filha do diretor Sidney Lumet) que fala sobre a vontade de reparar os erros do passado, de enfrentar uma situação difícil de forma a encontrar a força necessária para seguir em frente.
Neste sentido, há que se aplaudir o roteiro de “O Casamento de Rachel”, que não se satisfaz somente em lançar um olhar sob a vulnerável Kym, que tem que enfrentar olhares curiosos de seres que sabem da sua história, que tem que lidar com o monitoramento do preocupado pai (Bill Irwin), o medo de enfrentar a mãe (Debra Winger) ou o receio de desapontar a irmã. O longa também mostra com destaque a visão de uma família despedaçada pela tragédia e pelo vício, de pessoas calejadas pelas incertezas, desconfianças e recaídas do caminho e de personagens que esconderam suas mágoas por muito tempo.
Incrível como tudo isso fica em segundo plano no decorrer do dia do casamento de Rachel e das belas festividades que fizeram parte da ocasião. Neste instante, todos ficam em comunhão, em um só espírito. Tudo o mais parece pequeno. Tais sensações nos são passadas com competência por um elenco em total harmonia com o seu diretor, o qual soube arrumar a estratégia correta de colocar a história de Jenny Lumet em tela. As imagens em tom documental combinam com esse senso de vida que “O Casamento de Rachel” nos passa.
Cotação: 8,0
O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)
Diretor: Jonathan Demme
Roteiro: Jenny Lumet
Elenco: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Bill Irwin, Anna Deavere Smith, Debra Winger
Divulgado o Trailer de “Amelia”
A pioneira da aviação Amelia Earhart é uma verdadeira heroína e exemplo a ser seguido nos Estados Unidos. Sua história de vida é riquíssima e Earhart marcou seu nome na história de várias maneiras: por ser autora, defensora dos direitos das mulheres, colecionadora de recordes. Enfim, Amelia foi uma mulher muito à frente do seu tempo.
É este personagem interessante que é o objeto central da cinebiografia “Amelia”, da diretora Mira Nair. Com ele, a atriz Hilary Swank tenta emplacar a sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Atriz e, quem sabe, mais uma vitória. Além dela, o longa conta com um elenco de peso formado por Richard Gere, Ewan McGregor, Mia Wasikowska, Christopher Eccleston e Virginia Madsen.
“Amelia” estreia no dia 23 de Outubro de 2009, nos Estados Unidos. Assista aqui ao trailer do filme:


